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1.2 LAS MICROFINANZAS: HERRAMIENTA PARA FOMENTAR EL DESARROLLO Y COMBATIR EL PROBLEMA DE LA POBREZA

1.2.3 El sistema de intermediación financiera

1.2.3.2 El lado de la oferta

1.2.3.2.3 La oferta en América Latina y en Perú

A perspectiva teórica do materialismo histórico-dialético no estabelecimento da relação entre a práxis e o conhecimento pode contribuir muito para o plano pedagógico, destacando a prática que se efetiva tanto no cotidiano escolar, como também na formação dos professores e, principalmente, para o nosso estudo, na constituição e efetivação da Didática enquanto ciência teórico-prática, considerando que seus fundamentos sócio-históricos proporcionam criticidade ao que se sabe, pensa-se e o que se reflete da relação teoria e prática no contexto da Educação atual. A construção da categoria práxis deu-se ao longo do desenvolvimento da humanidade e encontra, em Marx, uma reformulação substancial em que, segundo Vázquez (1977), a teoria e a prática são tratadas como unidade dialética de transformação, sendo a prática o fundamento básico entre a relações homem- natureza e sujeito-objeto. Neste sentido, a práxis é condição fundamental das relações humanas e, sendo assim, a relação prática entre o sujeito e o objeto de conhecimento tem que se desenvolver no próprio horizonte da prática. O referido autor considera a práxis como a categoria central no marxismo, destacando que somente por meio dela a atividade do homem, sua história e o conhecimento são significados como práticas transformadoras.

Em suas teses sobre Feuerbach, encontramos explicitações claras do pensamento de Marx a respeito da práxis. Na II tese enfatiza que “é na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade e a força, o caráter terreno de seu pensamento [...]”; na VIII tese, afirma que “qualquer vida social é, essencialmente prática. Todos os mistérios que levam ao misticismo encontram sua solução racional na práxis humana e na compreensão dessa práxis”. Vale destacar a chamada de Marx na XI tese para a necessidade de transformação da realidade pela práxis, afirmando

que “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; mas o que importa é transformá-lo”. (MARX, 2008, p.120).

Podemos depreender nessas teses que a prática é fundamentada em uma concepção filosófica da realidade e de mundo e, isso nos traz a relação teoria e prática de forma indissociável que se consubstancia em uma práxis, cuja base é material, objetiva, real e não a consciência como preconizado pelos idealistas. Encontramos em Konder (1992) explicações para melhor compreendermos essa mudança, nas quais o autor destaca que

A práxis na concepção de Marx, não se limitou a unir a teoria e a poiésis, pois envolvia também – necessariamente – a atividade política do cidadão, sua participação nos debates e nas deliberações da comunidade, suas atitudes na relação com outros cidadãos, a ação moral, intersubjetiva. Envolvia, em suma, aquilo que os antigos gregos chamavam de práxis. (KONDER, 1992, p.128).

Ao explicitar o seu entendimento sobre a práxis segundo Marx, Vázquez (1977, p. 172), traz a definição dela como sendo “[...] atividade material do homem que transforma o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano”, ou seja, não é apenas interpretação do mundo, mas também norteadora dele, guia de sua transformação. Nessa acepção, a práxis se constitui em atividade transformadora consciente que se faz com “[...] revolução, ou crítica radical que, correspondendo às necessidades radicais humanas, passa do plano teórico ao prático” que possui intenção e, portanto, diferente da concepção de prática vinculada à noção utilitarista das coisas.

No sentido de diferenciar prática enquanto atividade, o referido autor Vázquez (1977, p.172), nos diz que “toda práxis é atividade, mas nem toda atividade é práxis”, ou seja, a práxis, uma atividade intencionalmente orientada, traz em sua constituição tanto as dimensões objetivas, quanto as subjetivas e, por isso, é transformadora da natureza e do próprio homem. Essa transformação, presente no método materialista histórico-dialético, encontra na práxis a sua culminância, em que esta é a ferramenta dessa transformação.

Vale destacar que as transformações humanas em Marx não podem ser compreendidas apenas como Educação sobreposta por uma parte da sociedade à outra. Segundo ele, as mudanças podem ser frutos das circunstâncias, além de preconizar que o educador, por sua vez, também precisa ser educado. Vázquez

(1977, p.158) coaduna-se com essas reflexões quando, na esteira de Marx, ressalta a importância Educação ao afirmar que ela

[...] permite que o homem passe do reino das sombras, da superstição, para o reino da razão. Educar é transformar a humanidade. A tarefa de transformar a humanidade fica nas mãos de educadores que, por sua vez, não se transformam a si mesmos, e cuja missão é transformar os demais.

Os educadores provocam as transformações tanto na prática, quanto por meio dela, em um movimento dialético no qual a relação teoria e prática se constituem em uma só unidade, sendo que “a atividade teórica proporciona um conhecimento indispensável para transformar a realidade, ou traça finalidades que antecipam idealmente sua transformação, e, em outro caso, fica intacta à ela”. Esse direcionamento nos mostra que a teoria em relação à realidade posta pode “contribuir para sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma e, em primeiro lugar, tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar com seus atos reais efetivos tal transformação”. (VÁZQUEZ, 1977, p. 203,207).

Depreendemos que a práxis no contexto do ser, de acordo com Marx, vale-se da indissociabilidade entre natureza e sociedade, teoria e prática, essência e aparência dos fenômenos – que são materiais, pois, no contexto do ser histórico cultural, é ontologicamente impossível dissociar os processos singulares das determinações da estruturação social nas quais eles estão inseridos.

A concepção dialética nos indica a inseparabilidade e a necessidade de articulação entre a teoria e a prática. Considerando que a prática se substancia pela e na teoria, enquanto que essa se justifica pela busca do homem por soluções dos problemas provenientes da prática, ou seja, de sua necessidade de modificação da natureza. Portanto, uma prática desprovida de teoria não se constitui atividade humana.

Neste sentido, a Educação que se faz, as práticas que se efetivam, ou ainda, a Didática que se produz na academia e as aprendizagens e desenvolvimento intelectual dos alunos, estão, todas eles, engendrados por nexos provenientes das relações políticas, sociais, culturais e econômicas determinadas pelo projeto histórico social.

Essas considerações nos instigam a refletir sobre a necessidade de uma Didática intencionalmente constituída e voltada para a formação integral15 dos sujeitos envolvidos na atividade de ensinar e aprender, pois, de acordo com Marx, os educadores são os verdadeiros sujeitos da história. Eles não estão isentos das transformações sociais. Não existindo, portanto, dualismos entre educadores e educandos em uma divisão homens ativos e passivos. Ocorre, assim, em uma práxis do objeto e do sujeito.

A adoção do materialismo histórico e dialético, como matriz interpretativa desta investigação, implica em rejeitar qualquer método de pesquisa estruturalista que adote marcos rígidos e que, a priori, estabeleçam o resultado, convertendo, assim, a pesquisa à recriação empírica do conhecimento. Para González Rey (2002, p. 70), “[...] a teoria não pode se converter em uma camisa-de-força; ao contrário, as categorias gerais são resultado de conceituações produzidas em um nível teórico que não é acessível às evidências empíricas imediatas”.

Na perspectiva desse estudioso, a produção de conceituações teóricas além das evidências empíricas não pode ser construída a partir de métodos comprometidos com a atitude passiva do pesquisador, por meio do engendramento da complexidade e da criatividade a regras fixas e derivadas do empírico, tais como a indução e a dedução pelas quais apenas o empirismo ou lógica passam a representar o sujeito, em detrimento – diga-se substituição – do sujeito real do processo.

Explicitada a aproximação do método, passaremos à compreensão da Didática concebida e operacionalizada no marxismo-leninista por meio da Teoria do Ensino Desenvolvimental.

15 Traremos, ao longo do texto, a formação integral ou desenvolvimento integral como sinônimos.

Baseamos em Vigotski (2001), com o desenvolvimento das neoformações e nos conceitos da Teoria do Ensino Desenvolvimental e consideramos o desenvolvimento integral aquele que desenvolve o pensamento conceitual ou teórico, o cognitivo em relação com as funções perceptivas como os sentimentos, as emoções, as sensações, a concreção e o pensamento abstrato, os valores, a personalidade, enfim, as neoformações.

3 DIDÁTICA DESENVOLVIMENTAL: ELEMENTOS PARA SUA COMPREENSÃO