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CAPÍTULO 4: Impacto económico y social en la vida de las mujeres prestatarias de MIDE en Santa Cruz de Sallac

4.1 Impacto económico

O estudo da atividade humana é importante para a compreensão das diferentes atividades existentes e como elas influenciam na constituição das pessoas. Na particularidade de nossa pesquisa, é preciso a compreensão das atividades de estudo e de aprendizagem.

Para Leontiev (1983, p. 68, tradução nossa), nem todos processos psicológicos são atividades e por essa denominação “[...] designamos apenas aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo, satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele”, ou seja, a atividade como processos psicológicos “[...] caracterizados por aquilo a que o processo como um todo, se dirige (seu objeto), coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, isto é, o motivo”. Para este autor, a atividade possui, como elementos, os motivos, necessidades, objetos, objetivos, operações, ações, relacionados entre si.

O que caracteriza uma atividade é o fato de que ela sempre se orienta para um objeto e corresponde a um propósito específico. A força de direção da atividade é seu motivo: o motivo é o que direciona a atividade. Leontiev defendeu a ideia de que não há atividade sem um motivo. A ação é o componente básico da atividade, um meio de realizar a atividade e, consequentemente, de satisfazer o motivo. O que caracteriza a ação é o fato de estar sempre orientada para um objetivo. A parte operacional de uma ação refere-se às circunstâncias específicas que envolvem seu acontecer. As operações constituem o meio pelo qual uma ação é realizada.

As atividades humanas diferem entre si por diversos fatores: vias de realização, tensão emocional, formas, entre outros. Mas, o fator fundamental que distingue uma atividade de outra é o seu objeto, pois "o objeto da atividade é seu motivo real". (LEONTIEV, 1983, p. 83).

Uma necessidade só pode ser satisfeita quando encontra um objeto, ou seja, quando há um motivo para sua existência enquanto atividade no contexto das relações sociais e históricas. O motivo é o que impulsiona uma atividade, é o que articula uma necessidade a um objeto. Objetos e necessidades isolados não produzem atividades, que só existe quando há um motivo, conforme disserta Leontiev (1978, p. 107-8):

A primeira condição de toda a atividade é uma necessidade. Todavia, em si, a necessidade não pode determinar a orientação concreta de

uma atividade, pois é apenas no objeto da atividade que ela encontra sua determinação: deve, por assim dizer, encontrar-se nele. Uma vez que a necessidade encontra a sua determinação no objeto (se ‘objetiva’ nele), o dito objeto torna-se motivo da atividade, aquilo que o estimula.

Necessidade, objeto e motivo são componentes estruturais da atividade. Além desses, a atividade não pode existir senão pelas ações, constituindo-se pelo conjunto de ações subordinadas a objetivos parciais advindos do objetivo geral. Assim como a atividade relaciona-se com o motivo, as ações relacionam-se com os objetivos. Para tanto, as atividades externas quanto as internas apresentam a mesma estrutura geral. A atividade interna é constituída na atividade prática sensorial externa, ou seja, a forma primária fundamental da atividade é a forma externa, sensório-prática, não apenas individual, mas fundamentalmente social. (LEONTIEV, 1978).

Davidov (1988), a partir das formulações da teoria da atividade de Leontiev (1978), acrescenta o desejo nos elementos estruturais da atividade, a qual passa a se constituir em: desejos, necessidades, emoções, tarefas, ações e motivos.

Esse autor justifica o desejo e as emoções como elementos da estrutura da atividade, considerando que o desejo vincula-se à necessidade da pessoa compondo a base de funcionamento das emoções, ou seja, elas representam a base das tarefas que uma pessoa impõe a si mesma, inclusive as tarefas de pensamento. Neste sentido, Davidov acredita que as ações dos sujeitos são vinculadas mais às necessidades do desejo. Em suas palavras:

A coisa mais importante na atividade científica não é a reflexão nem o pensamento, nem a tarefa, mas a esfera das necessidades e emoções. [...] As emoções são muito mais fundamentais que os pensamentos, elas são a base para todas as diferentes tarefas que um homem estabelece para si mesmo, incluindo as tarefas do pensar. (DAVIDOV, 1988, p. 45, tradução nossa).

Assim, Davidov (1988) ressalta a importância da afetividade no processo de aprender e na cognição, isto é, a integração do cognitivo e do afetivo na personalidade humana. Para que haja aprendizagem, o sujeito precisa estar em atividade - é importante uma necessidade que se torne um motivo e coincida com o objetivo e, portanto, é preciso existir o desejo de aprender por parte do aluno.

Cabe destacar que os sentimentos e, neles, os desejos e as emoções, são constitutivos da personalidade do sujeito. De acordo com Blogonadezhina (1976, p.355-6), a atividade criadora e a conduta do sujeito são influenciadas de forma

expressiva pelas emoções. Somente aqueles fins para os quais o sujeito tem uma atitude emocional positiva - alegria ou entusiasmo, podem motivar uma atitude criadora, sendo sua intensidade vinculada ao sentido dado às significações dos objetos e fenômenos que o motivam, assim como às exigências do sujeito para consigo mesmo no âmbito da sua personalidade.

Em relação ao entendimento da personalidade, é preciso nos reportar ao entendimento do que nos faz humanos. Vimos que nos tornamos humanos pela apropriação que fazemos da cultura historicamente estabelecida e nosso desenvolvimento está atrelado a essa aprendizagem. Assim, desenvolvemos socialmente nosso psiquismo como pertencentes a um grupo genérico de homens. Além de sermos homens genéricos, somos também mães, professoras, alunas, amigas, jovens, crianças, bebês, adolescentes, idosos, enfim, somos singulares e únicos. Essa singularidade é constitutiva de nossa personalidade.

O desenvolvimento da personalidade está atrelado às condições sócio- históricas (objetivas e subjetivas) nas quais se constitui. Sua materialidade se faz a partir das relações de trabalho, ou seja, mediante sua relação com a práxis, o homem transforma sua realidade objetiva e sua realidade subjetiva. Portanto, não é um fenômeno natural ou abstrato. A individualidade da personalidade é abordada por Petrovski (1980, p. 89, tradução nossa) como sendo única do gênero humano e se relaciona com “o caráter, o temperamento, as peculiaridades dos processos psíquicos, o conjunto de sentimentos e motivos para as atividades”.

Neste sentido, a personalidade do sujeito é “engendrada em sua participação ativa na vida da sociedade, na Educação e na aprendizagem” e deve-se levar em conta que o “lugar que ocupa a pessoa na vida social não pode absolutamente ser determinado em um só sentido”, ou seja, não é somente o social e nem só o individual na constituição da personalidade. São unidades dialéticas presentes na constituição do sujeito em seu desenvolvimento intelectual e se apresentam de forma diferenciadas ao longo da vida. (PETROVSKI, 1980, p. 89, tradução nossa).

A periodização desse desenvolvimento foi enfocada como objeto de estudos dos pesquisadores da Psicologia Histórico-Cultural. Nesses estudos, Vigotski (2006), Leontiev (1978), Elkonin (1960) e Davidov (1988), argumentam sobre a necessidade de se considerar a atividade principal, aquela que determina o desenvolvimento e, por isso, qual o lugar ocupado pela criança em suas relações sociais

.

Vygotsky (1996, p. 264) discorre sobre as relações estabelecidas entre a criança e os demais de seu convívio social nos períodos de seu desenvolvimento, destacando que

Ao início de cada período de idade, a relação que se estabelece entre a criança e o entorno que a rodeia, sobretudo o social, é totalmente peculiar, específica, única e não repetível para esta idade. Denominamos essa relação como situação social de desenvolvimento nessa idade. A situação social de desenvolvimento é o ponto de partida para todas as mudanças dinâmicas que são produzidas no desenvolvimento durante o período de cada idade. Determina plenamente e por inteiro as formas e a trajetória que permitem à criança adquirir novas propriedades da personalidade, já que a realidade social é a verdadeira fonte de desenvolvimento, a possibilidade de que o social transforme-se em individual. Portanto, a primeira questão que devemos resolver, ao estudar a dinâmica de alguma idade, é aclarar a situação social de desenvolvimento. A situação social de desenvolvimento, específica para cada idade, determina, regula estritamente todo o modo de vida da criança ou sua existência social.

Davidov (1998, p.74) discorre que essa periodização tem seu fundamento no fato de que, cada idade, entendida aqui como período específico com características peculiares, tem uma atividade principal. Em cada uma delas tem-se o surgimento e a constituição das neoformações psicológicas correspondentes.

Pautando-se no exposto, Davidov (1998) faz a sistematização dos períodos evolutivos a partir do tipo de atividade principal, destacando-as como se seguem:

A atividade comunicação emocional direta, ocorre das primeiras semanas até por volta de um ano. É uma atividade do bebê na qual se forma a necessidade de comunicação com outras pessoas, uma atitude emocional para as mesmas, apreensão como base das ações humanas com as coisas, uma série de ações perceptivas.

A atividade objetal-manipulatória, predomina de 1 a 3 anos. Nessa atividade de manipulação de objetos, primeiro com a colaboração dos adultos como parceiros mais experientes, a criança reproduz os procedimentos de ação com os objetos, elaborados socialmente. Surge a linguagem, a designação com sentido dos objetos, a percepção categorial generalizada do mundo objetal e o pensamento concreto em ações. A neoformação central desta idade é o surgimento da consciência na criança.

A realização da atividade do jogo, ocorre de 3 a 6 anos. Surge na criança a imaginação e a função simbólica, a orientação no sentido geral das relações e ações humanas. Também são formadas as vivências generalizadas e a orientação consciente.

A atividade de estudo (ou de aprendizagem), ocorre de 6 a 10 anos. Surge nessa atividade a consciência e o pensamento teórico, desenvolvem-se as capacidades correspondentes (reflexão, análise e planejamento mental) e também, as necessidades e os motivos para a realização do estudo.

A atividade socialmente útil, ocorre dos 10 aos 15 anos. Inclui formas como a atividade laboral, de estudo, atividade organizativo-social, desportiva e artística. Nestes tipos de atividade socialmente úteis, surge nos adolescentes a aspiração em participar de um trabalho necessário à sociedade.

A atividade de estudo profissional, ocorre dos 15 aos 17-18 anos. Essa atividade desenvolve a necessidade de trabalhar, ou seja, os interesses profissionais. Começam a se formar as atitudes investigativas, a capacidade de construir projeto de vida, as qualidades ideológico-morais e cívicas e uma concepção mais estável do mundo. Meninos e meninas adquirem suas primeiras qualificações em alguma profissão.

No âmbito da educação escolar, a periodização do desenvolvimento pode contribuir de maneira expressiva na criação de estratégias de organização do sistema educacional como um todo: os currículos dos cursos, os planejamentos, os planos de ensino, planos de aulas, as aulas, as atividades de estudo etc.

Podemos observar que, nos períodos descritos anteriormente, algumas funções psicológicas foram mencionadas: a percepção, a linguagem, a imaginação, o pensamento e a consciência. Poderíamos acrescentar outras como a emoção, o sentimento, a sensação para efeito de exemplificação de funções psicológicas que, organizadas, integram e asseguram a sobrevivência do homem cultural e histórico que vive em uma sociedade.

Na particularidade dessa pesquisa, dentre as funções psicológicas superiores, o pensamento teórico merece atenção, pois a função da escola e da Didática é a organização do ensino, com vistas à apropriação do conhecimento pelo aluno e desenvolvimento do seu psiquismo. O pensamento teórico exige interações e mediações que podem ser proporcionadas pelo ensino organizado para tal fim. Por isso, enfocaremos, o desenvolvimento do pensamento teórico.

3.5 O sistema de conteúdos da Didática Desenvolvimental: pensamento teórico,