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Por qué hay más respeto en la familia

4.2.3 Cambios de comportamiento

Discutir a formação de professores no contexto da Educação brasileira passa, necessariamente, por questões problemáticas que se iniciam na inexistência de um conjunto de condições internas e externas. Neste caso, nas condições internas e também externas a essa formação: Política Nacional de Formação Inicial de Professores que promova discussões e um repensar sobre a estruturação dos cursos no que se refere à oferta do curso, local, modalidade, tempo de duração etc.

Na produção científica analisada, foi possível constatar a centralidade da Formação de Professores, nos focos temáticos, da produção científica da Didática, como na maioria de todas as sínteses elaboradas.

Percorrendo os resultados das sintetizações, depreende-se que, considerando a subárea, especialidade e disciplina (vistas na Tabela 15), tem-se a formação inicial constante na especialidade Teoria da Instrução e Formação Continuada expressa na especialidade Educação Permanente, totalizando 16 ocorrências.

No que tange às Palavras-chave, constata-se o predomínio de 42 ocorrências para professor, em sua maioria sobre a formação e profissionalização docente, com ênfase nos saberes docentes, na identidade do professor e de sua

atuação. No entanto, as Palavras-chave não refletem Condições ou Modos de sua atuação.

Fazendo um cruzamento das dimensões com as Palavras-Chave referentes ao descritor Professor, apresentam-se em destaque os Fundamentos teóricos da formação profissional do professor, com poucas evidências de Modos; aparecem poucas ocorrências para a Prática Docente e nenhuma para as condições externas que influenciam essa área de atuação. O conhecimento didático apresenta-se com poucas discussões dos fatores que influenciam a formação e atuação do professor, principalmente os externos, como as políticas, as relações sociais que são estabelecidas fora do âmbito da escola e, por conseguinte, as influências culturais.

Com base no exposto, desvela-se que o conhecimento da Didática tem-se pautado em estudos sobre a formação dos professores desvinculada de sua ação docente, em que são poucas as pesquisas que investigam essa formação no contexto da aplicação, ou seja, na escola em seu ato produtivo, em sua atividade. Esses resultados estão em consonância com os resultados obtidos por Gatti e Barreto (2009, p. 207) no levantamento das teses e dissertações, do período entre 2000 e 2008, registradas na Biblioteca Digital Nacional da Capes. As autoras observaram que o interesse em pesquisar a formação de professores continua e “oferece oportunidade de um balanço preliminar das tendências que marcam as políticas e as ações de formação continuada de professores no país”. Elas apresentam algumas características dessas produções, conforme destacamos:

 O interesse de analisar uma possível relação entre a Formação Continuada oferecida e a Prática Pedagógica do professor.

 A presença em alguns trabalhos de conteúdos e atividades com o objetivo de orientar o professor em sua prática no contexto da sala de aula.

 Poucos estudos acompanham os efeitos da formação no cotidiano da ação docente.

 Na maioria dos casos, há evidências de que as Práticas Pedagógicas do professor apresentam algumas das transformações pretendidas durante o processo de formação (GATTI; BARRETO, 2009).

Em se tratando do curso de Pedagogia, as estatísticas das avaliações nacionais e/ou regionais são desoladoras. Este aspecto pode ser, na visão de Gatti (2014, p. 38), resultado do descompasso entre políticas de formação e necessidades reais da Educação escolar.

No estudo realizado por Pimenta et. all (2014), são colocados em questão importantes dados sobre a oferta do curso de Licenciatura em Pedagogia. A autora evidenciou que, na formação inicial de professores para atuação nas séries iniciais do Ensino Fundamental, cerca de 90% ocorrem em instituições privadas, a maioria com duração menor do que quatro anos (8 semestres). Neste sentido, as instituições formativas atendem ao mínimo exigido na legislação, e nada mais do que o mínimo, com currículos fragmentados, sem unidade entre Projeto Pedagógico e Estrutura Curricular, entre teoria e prática, além da ausência de uma construção formativa para o perfil do professor da Educação Básica.

Gatti (2014, p. 38), ao confrontar os dados do censo da Educação Superior (2012), tomando o curso de Pedagogia como referência, questiona se:

[...] a formação panorâmica e fragmentada, reduzida, encontrada nos currículos dessas licenciaturas é suficiente para o futuro professor vir a planejar, ministrar, avaliar ou orientar atividades de ensino na Educação básica, lidando adequadamente com os aspectos de desenvolvimento humano de crianças, adolescentes e jovens, oriundos de contextos diferenciados, com interesses e motivações heterogêneos, comportamentos e hábitos diversos? Uma vez que esses alunos não são seres abstratos, mas pessoas que partilham sua constituição com ambiências sociais cada vez mais complexas, o trabalho dos professores demanda uma compreensão mais real sobre eles e sobre a própria instituição escola, em uma formação que lhes permita lidar com as condições concretas de aprendizagem nas ambiências das salas de aula.

Na mesma direção, o estudo realizado por Libâneo (2010, p.573-574) aponta fragilidades na estrutura dos cursos de Pedagogia analisados, evidenciando que, além das metodologias não estarem articuladas aos conteúdos, estas são centradas no professor, com a ausência de disciplinas de Fundamentos sinalizando a dicotomia teoria e prática.

Essas constatações evidenciam a distância entre o que se tem pesquisado sobre a formação de professores, no caso da amostra analisada, predominando a

dimensão dos Fundamentos, ao passo que, nos cursos onde essa formação se efetiva, os mesmos não são trabalhados.

Nesse sentido, o conhecimento didático produzido não tem repercutido na estruturação dos cursos de Pedagogia, o que, em nosso entendimento, agrava, ainda mais, a situação da formação do professor e do aluno do Ensino Básico. Sem ignorar as dificuldades pelas quais as licenciaturas vêm se deparando, precisamos buscar novas perspectivas, que não podem ser efetivadas sem as reflexões e ações necessárias que resultem em espaços para o didático na formação docente. Torna-se importante, dessa forma, um repensar sobre a identidade dos cursos de Pedagogia e da Didática na atualidade, quais as suas responsabilidades, qual o profissional que se deseja formar, em que instâncias e sobre qual base de educação, sociedade e de homem.