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Nytten av PA og teoretiske implikasjoner

Tentando não induzir respostas dos participantes, perguntamos a eles, na entrevista, como avaliam a relação mãe-bebê e, posteriormente, utilizamos o texto auxiliar para investigarmos em que medida conseguem reconhecer ações realizadas pela mãe e pelo bebê enquanto construtores da relação.

O texto auxiliar está permeado por ações realizadas tanto pela mãe como pelo bebê que dão indícios de como a relação entre eles acontece. São baseadas no protocolo IRDI e, dependendo de como são interpretadas, podem nos dizer como os profissionais percebem esses indicadores.

Esperávamos que as professoras estabelecessem alguma relação entre as ações e os indicadores, mas a intenção maior era provocar a discussão a respeito de como a relação mãe-bebê estava acontecendo e de que maneira ela interferia no atendimento. De acordo com as respostas à pergunta 15 da entrevista (Como você

avalia a relação da mãe com o seu bebê? Que aspectos você observa?) e o conteúdo da discussão e do relato escrito, obtidos a partir do texto auxiliar, construímos os seguintes indicadores:

A) As professoras identificam parcialmente os IRDI’s, relacionando os indicadores exclusivamente às atitudes da mãe, de maneira intuitiva.

Extraímos alguns trechos de entrevistas para ilustrar o indicador acima.

O que eu mais observo é o carinho da mãe e se ela acredita na criança e pelo diálogo que ela oferece, tanto o diálogo oral como também o diálogo corporal que a mãe traz, que ela demonstra o tempo todo no atendimento com a criança (Ana).

Acho que o próprio jeito da mãe pegar a criança, da mãe chegar e me entregar a criança, eu já sei como é esse vínculo (Cássia).

Até chamo a atenção das mães que eu percebo que não têm interação com o bebê. A gente percebe que têm muitas mães que não conversam com seu bebê, não brincam, não entendem que aquele bebê precisa ter estímulos (Dalva). O olhar da mãe, a leitura que ela faz das necessidades da criança, se a criança chora, porque ela tá chorando, né, a entonação de voz (Fernanda).

O olhar diz muito. As palavras e também os cuidados: se o bebê tá limpinho, se a fralda tá trocada, se ele não tá assadinho, se ele não tá fedendo, se ele tá cheiroso, se ele não tá com fome. Essas coisas a gente acaba observando. Eu acho que isso mostra muito (Leci).

Tem muitas mães que chegam aqui com apego, né. Porque elas têm medo de tocar no filho, principalmente as crianças prematuras. Porque elas têm medo, elas protegem demais as crianças. Então até o toque, a proteção, Essa segurança que a mãe tem. A superproteção (Nana).

A gente percebe essa dificuldade que a mãe tem de conversar, de tocar, de explicar pra criança (Olívia).

Pelo próprio desenvolvimento da criança. Se a criança vai bem, então a gente percebe que a mãe tá realizando as atividades em casa. A gente percebe pela questão da higiene. A gente percebe o vínculo quando a criança vem limpinha. A gente percebe que precisa melhorar o vínculo com a mãe. São vários os fatores que a gente percebe como tá o vínculo mãe-bebê (Roberta).

A maioria das participantes faz referência às ações da mãe para avaliar a relação mãe-bebê, mas as ações da criança como construtoras da relação não são referidas. Em contrapartida, há uma coerência nas ações relatadas já que a maioria

se refere a algum indicador do protocolo IRDI. Perceber como a mãe olha para seu bebê pode permitir, parcialmente, a avaliação do IRDI 5 ( há troca de olhares entre a criança e a mãe), mas é preciso também observar como a criança olha a mãe. Estar atento à leitura que a mãe faz das necessidades da criança permite avaliar o IRDI 1 (Quando a criança chora ou grita, a mãe sabe o que ela quer). E perceber a entonação de voz da mãe nos dá condições de avaliar os IRD’s 2 e 3, se a mãe fala com a criança num estilo particularmente dirigido a ela (mamanhês), e se a criança reage ao mamanhês.

Na análise dos relatos escritos, a partir do texto auxiliar, foram destacados, em média, quatro trechos por cada participante, sendo que três deles eram referentes aos aspectos relacionais. Das 17 participantes, nove destacaram o trecho em que a criança coloca o objeto na boca e a mãe diz “Não, nenê, é sujo!”. Mas nenhuma delas apontou que essa atitude da mãe é também um estabelecimento de limite, como sugere o IRDI 30 (Os pais colocam pequenas regras de comportamento na criança) ou que a criança utiliza a boca para explorar e conhecer os objetos, estando na fase oral de desenvolvimento. A justificativa das participantes para o destaque a esse trecho foi de que é preciso orientar os familiares a respeito da limpeza dos materiais do Programa.

Outro trecho destacado por cinco participantes foi “O profissional a chama para ir com ele e ela esconde seu rosto no pescoço da mãe, negando o chamado” (linhas 1 e 2 do texto auxiliar). Ao discutirem o trecho, todas elas justificaram que o profissional deveria trabalhar seu vínculo com o bebê e com a mãe, pois a criança estava demonstrando não estar adaptada ao professor. Nenhuma participante destacou a capacidade de a criança utilizar diferentes sinais para expressar suas diferentes necessidades, como sugere o IRDI 7, ou demonstrar que, ao negar o chamado do professor, a criança reage quando alguém se dirige a ela (IRDI 10), ou ainda, a capacidade que a criança tem de demonstrar não gostar de alguma coisa (IRDI 16), ou até sua capacidade de estranhar pessoas desconhecidas ( IRDI 18). As professoras optaram por enfatizar a necessidade de o professor estabelecer um vínculo com a criança, ao invés de evidenciar a resposta da criança como uma forma positiva de relacionar-se com a mãe e com o outro.

Outro trecho destacado por sete participantes está nas linhas 6 e 7 do texto auxiliar e relata “... e a mãe, segurando a mão da criança e dirigindo-se a ela, responde como se imitasse um bebê: ‘não, isso é manha! É que eu sou muito

preguiçosa!”. Para justificar o destaque a essa parte do texto, as participantes relataram que era preciso orientar a mãe quanto à maneira de se referir a seu bebê, pois seria prejudicial chamá-lo de preguiçoso. Bethânia sugeriu que fosse explicado à mãe que não se trata de uma criança preguiçosa, mas que isso é uma característica da Síndrome de Down, e Joana apontou a necessidade de orientar a mãe a não falar de uma forma “infantilizada” com a criança.

Mediante essas interpretações, percebe-se que o fato de a mãe olhar para seu bebê (IRDI 5) e falar com uma entonação de voz particular (IRDI 2) não chama a atenção das participantes.

Os demais trechos destacados pelas participantes, que fazem referência à relação mãe-bebê, foram interpretados como uma interrupção no atendimento e um indício de que o profissional precisa estreitar seus laços com a criança para que a intervenção possa acontecer:

Quando o profissional chama a criança e ela esconde seu rosto, mostra que a criança está em fase de adaptação e ainda não possui vínculo com o profissional (Paula).

A criança se desequilibra, cai e chora e a mãe a pega no colo. A mãe interrompe o trabalho o tempo todo. A intervenção deve ser feita por meio do professor no momento do atendimento (Nana).

A criança começa a chorar e a mãe a amamenta. No planejamento é necessário que a criança seja atendida sem a companhia da mãe. Trabalhar vínculo com o professor (Leci).

Nesse atendimento, fica bem nítido como a mãe intervém de forma negativa. Primeiramente amamenta a criança logo no início dificultando distanciar-se da mãe. Posteriormente, a mãe interfere na aula facilitando a ação que a professora espera que a criança execute. Durante este atendimento torna-se fundamental que o professor esclareça com a mãe a postura dela durante o atendimento (Dalva).

Vanessa, que é a participante cujo discurso estava permeado por aspectos relacionais, inferiu, a partir do texto auxiliar, que a criança não apresenta atrasos graves no seu desenvolvimento, que a mãe e a criança apresentam uma boa relação e que a professora poderia intervir mais no sentido de dar maior suporte às expressões da relação mãe-bebê. A partir daí, construímos o segundo indicador para o conteúdo temático de identificação dos IRDI’s.

B) A professora identifica alguns indicadores, segundo a perspectiva de interação mãe-bebê.

Quando responde à pergunta sobre quais os aspectos que ela observa na relação mãe-bebê, Vanessa complementa:

A interação acontece por canais que a gente chama de multimodais. A mãe e o bebê usam uma diversidade de linguagens para estarem conectados. Uma das características básicas, senão principal da forma do bebê apreender o mundo, é que isso se dá de uma maneira diversa, variada, múltipla. Então a criança usa de diferentes canais pra interagir (Vanessa).

Já na discussão do texto auxiliar, Vanessa observa:

Nesse atendimento percebe-se que há vínculo entre a mãe e esse bebê. Ela fala com ele, ele olha; ele chama a atenção dela e ela responde (Vanessa).

Portanto, os indicadores que compõem o protocolo IRDI são, para Vanessa, canais multimodais. Ela identifica tanto as ações da mãe voltadas para a criança, como as ações da criança para com a mãe para referir-se à interação mãe-bebê.

No que diz respeito à identificação dos indicadores do protocolo IRDI, a maioria das participantes aponta ações/atitudes das mães que indicam a presença da relação mãe-bebê, embora essa relação não seja destacada como fundamental e imprescindível ao desenvolvimento infantil.