A ceia pascal dos hebreus traz consigo sinais de um autêntico “sacramento”, enquanto celebra a salvação operada por Deus em favor deles, e converteu-se no ponto máximo de referência à sua teologia e espiritualidade: um resumo de sua fé e de seu culto. Os grandes temas pascais, para eles, no tempo de Jesus, podem ser enumerados desta forma421: é uma celebração “comunitária” (povo eleito por Deus) que recria a consciência de povo; é uma celebração que renova a cada ano a “aliança” do povo com Deus (Ex 13,3-4); o que celebram é a “salvação pascal”, com o que significa de “passagem” da morte à vida; elemento característico é o “cordeiro pascal”: um símbolo antigo de oferenda, sacrifício e expiação; o “pão ázimo” como recordação simbólica da aflição e saída, às pressas, do Egito; o “vinho” é outro dos elementos característicos desta festa: símbolo de alegria e espera messiânica; a ceia pascal é vivida como convergência “do passado, do presente e do futuro”: o fato histórico é lembrado e proclamado em memória. “O memorial não é algo meramente pedagógico, mas, sacramentalmente, eficaz: a salvação de Deus chega ‘a nós’”422.
Encontramos na ceia judaica dois momentos distintos, que constituem o seu significado na páscoa: “o cordeiro-pães ázimos” e o “sangue da aliança”. “Também a páscoa ritual de Cristo seria constituída e caracterizada por esses dois momentos, que se integrariam no sentido total da Páscoa cristã”423. Nela “o corpo de Cristo é o cordeiro pascal”; sacramentalizado no “pão”; e o “sangue de Cristo é o sangue da aliança”; sacramentalizado no “vinho”.
Jesus tomando as figuras do maná, pão da caminhada do deserto, e a água da rocha do Horeb, bebida do deserto, transforma-as em realidade sacramental: “Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida” (cf. Jo 6,48-55). Por isso em Cristo temos a verdade do sacramento não mais em figuras, mas em realidade. O efeito do comer e beber eucarístico “é uma comunhão de vida com Cristo” (Jo 6,56), “permanecer em mim e eu nele” (Jo 15,4-7; Jo 17,22ss; 1Jo 2,24; 3,24; 4,16).
421 Cf. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 49-50. 422ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 50.
423 MARSILI, S. A Eucaristia. In Anámmesis III. Op. cit. p. 152. Na Ceia pascal de Cristo, enquanto
todos os outros ritos são omitidos, tanto os Sinóticos como 1Cor 11,23-27 põem em grande evidência os dois gestos de Cristo, dando seu corpo “enquanto comiam” (Mt 26,26; Mc 14,22) e seu sangue “depois” (Mt 26,27; Mc 14,23) ou “depois de comer” (Lc 22,20; 1Cor 11,25).
É uma comunhão real, não apenas de sentimentos; um bem permanente que, no entanto, ainda pode ser perdido: o “permanecer” implica uma “exortação”. A Eucaristia situa o homem dentro da corrente vital que passa do Pai para o Filho (Jo 6,57). O modelo da união entre Cristo e quem recebe a Eucaristia é a união do ser e do agir existente entre Pai e o Filho (Jo 17,20ss). A Eucaristia dá a vida e, no último dia, a ressurreição. Por ela o bem escatológico já se torna uma posse presente. Ela supera muito o maná: ela dá a vida eterna. Ela exprime a superioridade do tempo messiânico acima do AT. Em terminologia gnóstica, a Eucaristia é “verdadeiro” alimento e “verdadeira” bebida ( Jo 6,55); ela dá plenamente tudo o que pertence à idéia de comida e bebida; ela dá vida “eterna” (divina)424.
Uma chave de leitura poderia certamente tomar por base a grande revelação de Jesus “eu sou”, acrescida ainda da revelação “eu sou o pão da vida” que se manifesta na comunidade celebrativa como vemos na catequese de João, 6: que será inspiradora para as orações depois da comunhão de nossa celebrações eucarísticas nas quais encontramos referência a nossa deificação, pois estabelecemos comunhão com aquele que comungamos.
1) Jo, 6,1-25 descreve o contexto prévio ao seu discurso do pão da vida: a multiplicação dos pães (Jo 6,1-13). Da maneira como ele relata, é Jesus que toma a iniciativa, é Ele que reparte o pão. Os gestos são claramente “eucarísticos”. O fato de também ter multiplicado peixes pode explicar-se pela relação que, para os judeus, tinha o comer peixe com a espera messiânica. Cristo foge para o monte (Jo 6,14-15) porque não quer ser o Messias-Rei assim como o povo o entende. Há um episódio sobre o lago (Jo 6,16-21) que é, na verdade, misterioso indicando que ninguém pode segurar a presença de Cristo e sua divindade: “eu sou” (Jo 6,20). João indica que o discurso teve lugar no dia seguinte, em Cafarnaum, depois da dialética sobre a busca e o encontro com o verdadeiro Jesus (Jo 6,22-25);
2) O discurso do pão da vida (Jo 6,26-59) é introduzido em (Jo 6,26-34): O evangelista prepara, pedagogicamente, o discurso sobre Cristo pão da vida. Jesus apela ao tema do maná no deserto para anunciar o verdadeiro pão do céu. Cristo é o pão da vida, o enviado por Deus para saciar a fome da humanidade. Por isso a afirmação: “eu sou”. Jesus frente às objeções se apresenta como a resposta salvadora de Deus à humanidade, como aquele que foi enviado pelo Pai (Jo 6,41). A conseqüência para os que aceitam Cristo como o pão de Deus será a “vida” (Jo
6,40.47) e a “ressurreição final” (Jo 6,39.40.44). Cristo dará o pão da vida, desta vez o doador não é o Pai, mas o próprio Cristo. Ele dará a sua carne para a vida do mundo, sacramentalmente. Ele dará carne-sangue para ser comida e bebida. “É evidente o paralelismo destes versículos (Jo 6,51 e 6,53) com as palavras que os Sinóticos e Paulo põem nos lábios de Jesus sobre o pão e o vinho: “Isto é o meu corpo, entregue por vós [...] o pão que eu darei é minha carne pela vida do mundo”425. O efeito da Eucaristia é exposto de maneira muito profunda quem come a carne e bebe o sangue de Cristo permanece em mim e eu nele (Jo 6,56) e viverá por mim, assim como Cristo vive pelo Pai (Jo 6,57). A íntima união que Cristo tem com o Pai (o Pai está em mim e eu no Pai, Jo 10,31) aparece como o modelo do que acontecerá com os que crêem e comem a Jesus. A deificação se apresenta na recepção da vida de Deus dada em sacramento no Filho Jesus: pão eucarístico. Isto celebramos já agora, mas, sobretudo, “no último dia”, com a perspectiva escatológica própria de João, seremos plenamente deificados: quem crê em Jesus, como enviado do Pai, celebra o sacramento da comida e bebida, sua fé se faz celebração sacramental”426.
Quando João narra a última Ceia de Jesus não inclui a instituição da Eucaristia, como nos sinóticos. Prefere ressaltar outros aspectos do mistério cristão: a união com Cristo e a caridade fraterna. Mas em Jo 6, dentro do livro dos sinais, oferece-nos uma profunda reflexão teológica sobre a Eucaristia, dentro do quadro da revelação de Cristo e a resposta de fé por parte da comunidade deificada no sacramento da Eucaristia.
a) Podemos afirmar que existe uma clara progressão da fé em Cristo, Messias e Filho de Deus, à Eucaristia como sacramento visível desta mesma fé em Cristo427. Descobrirmos aqui a dimensão da sacramentalidade, enquanto expressão da fé celebrada, ritualmente, nos sacramentos428;
425 ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 108. 426 ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 108.
427
“À identidade de Cristo como verdadeiro pão, o maná que Deus dá, corresponde a atitude de fé. Quem crê nele não terá fome nem sede e terá a vida eterna. A primeira seção do discurso (v.35-47) trata de Cristo como pão num sentido mais sapiencial e metafórico: Cristo como o alimento e a resposta absoluta de Deus à fome da humanidade. É o enviado escatológico que vai dar vida a todos que crêem nele, atraídos pelo Pai”. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 114-115.
428“Cristo, crido e comido. A fé termina no sacramento, dando-lhe sentido. O sacramento tem sua raiz
na fé. Não se aceita Cristo de todo, sem ‘comê-lo’. Mas não se pode comê-lo com proveito, se não se partir da fé. ‘Comer’ e ‘permanecer em’ têm um significado bem vivo de comunhão íntima, só comparável à comunhão de Cristo com o Pai”. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 115.
b) Esta carne que Cristo dará aos seus é a carne entregue pela vida do mundo na cruz. A referência à morte parece evidente: onde Cristo dá sua carne pela vida de todos é na cruz, ainda que sacramentalmente depois se diga que se come na Eucaristia. O caráter sacrifical de Jo 6,51 é claro: de novo aparece a figura do Servo que se entrega “por muitos”, “pela vida do mundo”429. O pão que os cristãos receberão é Cristo, mas Cristo feito carne (encarnação) e carne entregue pela vida do mundo na quênose da cruz. É pela entrega de Cristo na cruz que sua carne e seu sangue estão disponíveis como alimento para os seus;
c) A doação da Carne de Cristo possui efeitos na vida de quem a comunga. “A doação da carne de Cristo tem uma finalidade dinâmica: a vida [...] É a imersão na vida do Ressuscitado, que quer comunicar-nos sua própria vida escatológica, a vida eterna”430. A experiência de comunhão com Cristo será interpessoal. A mesma relação que Jesus tem com o Pai, “eu vivo do Pai”, será estabelecida entre os cristãos e Cristo pela Eucaristia, “quem me come, viverá de mim”;
d) Esta doação da vida supõe uma presença real de Cristo aos seus na Eucaristia431;
e) Quando Jesus diz que se deve crer nele para ter a vida, comer sua carne e beber o seu sangue para permanecer nele, escandalizou a seus discípulos. Encontramos aqui dois temas fundamentais, primeiro referente à fé, segundo referente à Eucaristia. Mas ambos são pistas para entendermos a presença de Cristo na vida dos seus, após a sua Páscoa432. A idéia de fundo é que, sem o Espírito, não se é possível nem a fé, nem a Eucaristia, nem a vida, nem a deificação e sua expressão;
429 Cf. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 116. 430 ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 116.
431
“João fala de uma doação (‘eu darei’) que leva à vida, à interpermanência pessoal. Acaba nos crentes, para dar-lhes a vida do Ressuscitado. Assim, o que havia prometido e figurado no sinal da multiplicação dos pães cumprem-se plenamente nele mesmo, na doação de Cristo na cruz e na Eucaristia, como pão para a humanidade”. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 117.
432“A ‘carne’ não serve para nada. Aqui, em Jo 6,63, ‘carne’ não pode referir-se à carne eucarística
de Cristo que acaba de ser nomeada, e à qual atribui a vida; mas em linha com o prólogo do evangelho (Jo 1,13), refere-se mais ‘às forças humanas em si’, ou seja, ao modo humano de compreender as coisas, que não pode realizar o mistério da doação do Senhor. É o Espírito que vai tornar possível esta doação de vida”. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 118.
f) Para João a Eucaristia não é algo mágico: só tem sentido no contexto de fé no Filho do homem e da atuação do Espírito, que torna possível este encontro salvador433;
g) Embora João não escreva o aspecto eclesial da Eucaristia por falar mais como algo pessoal: crer, viver, comer, beber, permanecer em Cristo, contudo, disse que a carne de Cristo se dá “pela vida do mundo”. E certamente tem muito a ver com a Eucaristia, tal como a entende João, o episódio que ele narra, na última ceia, do lava-pés, como gesto simbólico da entrega de Cristo pelos seus e a lição que lhes dá de serviço fraterno434.
Aqui Cristo instituiu nele mesmo, os elementos materiais, visíveis, para o novo sacrifício pascal. Institui, portanto, o Sacramento propriamente dito no sentido em que a Igreja entende, pois todos os povos são chamados em Cristo a tomarem parte da vida de Deus na sua entrega de Amor que deifica.
O fato de o gesto ritual de Cristo encontrar-se em perfeito paralelo com os dois momentos característicos da páscoa hebraica nos diz bastante claramente que com os seus dois gestos, o do pão-corpo sacrificado e o do vinho-sangue derramado pela aliança, o Senhor quis “cumprir” no plano ritual o conteúdo essencial da páscoa, conteúdo que, em coerência e em relação com os dois momentos históricos do acontecimento, se exprime como libertação e como aliança435.
A Igreja toma consciência a cada ano de receber de Cristo o sacramento da Eucaristia ao celebrar, na quinta-feira da semana santa, a missa da Ceia do Senhor com estas orações e assim reza: “Ó Pai, estamos reunidos para a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida” (Odd. Missa vespertina da Ceia do
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“Ao unir os sacramentos com a ação do Espírito e a resposta da fé, João evita, ao mesmo tempo, a tentação do sacramentalismo mágico (ao lembrar que é o Espírito que atua e não o rito) e a do espiritualismo gnóstico ou docetista (ao afirmar que o Espírito atua também por meio de alguns sacramentos concretos e não só com a fé)”. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 119.
434 Cf. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p.
120. “Outras passagens de João poderiam ser melhores esplanadas em relação à Eucaristia: como o episódio de Caná (Jo 2,1-12); a verdadeira videira (Jo 15); a água e o sangue que brotam do lado aberto de Cristo na Cruz (Jo 19,34); Cristo fonte de vida para todos (Jo 7,38s). Para nós é suficiente apontarmos a relação de interdependência do trinômio joanino: “água-sangue-espírito” como elementos de uma linguagem simbólica que aponta a relação Batismo e Eucaristia – dois sacramentos pascais – e ao Espírito, que é o que dá eficácia a ambos”. Cf. ALDAZÁBAL, J. A Eucaristia. Op. cit. p. 120
Senhor. In MR. p. 247); o memorial da última ceia torna presente a nossa redenção, a nossa deificação no sacramento da Eucaristia: “Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar dignamente da Eucaristia, pois todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oso. Missa da Ceia do Senhor. In MR. p. 250); a nossa renovação a cada celebração terá a plenitude do Reino de Deus: “Ó Deus todo-poderoso, que hoje nos renovastes pela ceia do vosso Filho, dai-nos ser eternamente saciados na ceia do seu reino” (Odc. Missa da Ceia do Senhor. In MR. p. 252).
Renovamos a nossa deificação celebrando a ceia do Senhor em memória do novo e eterno sacrifício do Filho ao qual participamos. Este é o banquete sacramental da caridade e do amor ao qual participamos e que alimenta a nossa vida como podemos constatar em inúmeras orações depois da comunhão dos formulários das missas.
A Eucaristia pão e alimento de deificação: “Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, [...], dai-nos desejar o Cristo, o pão vivo436 e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca” (Odc. 1º DTQ. In MR. p.182); Eucaristia é penhor do mistério que se manifesta na vida: “Ó Deus, [...] já saciados na terra com o pão do céu, nós vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o sacramento realizou em nós” (Odc. 3º DTQ. In MR. p.198); A Eucaristia é o pão da comunhão: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que sejamos sempre contados entre os membros de Cristo cujo Corpo e Sangue comungamos” (Odc. 5º DTQ. In MR. p. 214); Eucaristia é o pão que conservamos na vida deificados: “Concedei, ó Deus, onipotente, que conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos” (Odc. 2º DTP. In MR. p. 304); Eucaristia é pão sacramental que nos alimenta até a deificação plena na ressurreição do nosso corpo: “Ó Deus, [...] que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. (Odc. 3º DTP. In MR. p. 306); Eucaristia é o pão da passagem para a nossa deificação: “Ó Deus de bondade, [...] fazei passar da antiga à nova vida aqueles a quem concedestes a comunhão nos vossos mistérios” (Odc. 5º DTP. In MR. p. 308);
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Aos batizados são concedidos este pão: “[...] é-lhes concedida a bênção (Eucaristia) por Cristo. Ele é o pão vivo e também o pão que desceu do céu e dá a vida ao mundo [...]”. CIRILO DE ALEXANDRIA. A adoração em espírito e verdade. Livro XII. In Antológica litúrgica. Op. cit. p. 999. Somos convidados a termos o mesmo desejo deste pão como Santo Inácio: “Quero o pão de Deus que é a Carne de Jesus Cristo, que nasceu da descendência de Davi; e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível”. INÁCIO DE ANTIOQUIA. Inácio aos Romanos. 7. In
Eucaristia é o sacramento de força para os deificados: “Deus eterno e todo- poderoso, [...] nos renovais para a vida eterna, fazei frutificar em nós o sacramento pascal, e infundi em nossos corações a força desse alimento salutar” (Odc. 6º DTP. In MR. p. 309).
Eucaristia é a antecipação do céu, comunhão entre o humano e o divino: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis conviver na terra com as realidades do céu, fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade” (Odc. Ascensão do Senhor. In MR. p. 313); “Dai-nos, Senhor Jesus, possuir o gozo eterno da vossa divindade, que já começamos a saborear na terra, pela comunhão do vosso Corpo e do vosso Sangue” (Odc. Santíssimo Corpo de Cristo. In MR. p. 381);
O sacramento da Eucaristia nos faz unir no mesmo amor do Pai pelo qual ele nos deifica: “Deus todo-poderoso, que refazeis as nossas forças pelos vossos sacramentos, nós suplicamos a graça de vos servir por uma vida que vos agrade” (Odc. 1º DTC. In MR. p. 345); E nos faz viver no mesmo amor: “Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor os que alimentais com o mesmo pão” (Odc. 2º DTC. In MR. p. 346); Na Eucaristia se recebe a vida nova: “Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, tendo recebido a graça de uma nova vida, sempre nos gloriemos dos vossos dons” (Odc. 3º DTC. In MR. p. 347); Unidos Cristo na Eucaristia, rezamos: “Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, [...] e produzir muitos frutos para a salvação do mundo” (Odc. 5º DTC. In MR. p. 349); Unidos a Cristo provamos as alegrias do céu em antecipação: “Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida” (Odc. 6º DTC. In MR. p. 350); Em antecipação participamos da vida eterna: “Tendo recebido o pão que nos salva, nós vos pedimos, ó Deus, que este sacramento, alimentando-nos na terra, nos faça participar da vida eterna” (Odc. 8º DTC. In MR. p. 352).
Celebramos o banquete da Eucaristia como transmissão da vida: “Ó Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, [...] nos transmitam uma vida nova [...]” (Odc. 13º DTC. In MR. p. 357); “Ó Deus, [...] despojando-nos do velho homem, passemos a uma vida nova” (Odc. 16º DTC. In MR. p. 360); A Eucaristia como a nossa participação na vida de Deus: “Ó Deus todo-poderoso, nós vos pedimos humildemente que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue de Cristo, possamos
participar da vossa vida (Odc. 28º DTC. In MR. p. 372); “Fazei, Ó Deus todo- poderoso, que nunca nos separemos de vós, pois nos concedeis a alegria de participar da vossa vida” (Odc. 34º DTC. In MR. p. 378). Pela Eucaristia vivemos unidos a Cristo, com Cristo: “Unidos a Cristo por este sacramento, nós vos imploramos, ó Deus, que, assemelhando-nos a ele aqui na terra, participemos no céu da sua glória” (Odc. 20º DTC. In MR. p. 364); Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre” (Odc. 23º DTC. In MR. p. 367); “Alimentados pelo pão da imortalidade, nós vos pedimos, ó Deus, que, gloriando-nos de obedecer na terra aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, possamos viver com ele eternamente no reino dos céus” (Odc. Missa de Cristo Rei. In MR. p. 385).
A nossa comunhão no Corpo e Sangue do Filho nos renova para mantermos deificados no sacramento: “Renovados pelo Corpo e Sangue do vosso Filho, [...]” (Odc. 12º DTC. In MR. p. 356); transforma-nos pelo amor: “Ó Deus, fazei agir plenamente em nós o sacramento do vosso amor, e transformai-nos de tal modo pela vossa graça, que em tudo possamos agradar-vos” (Odc. 21º DTC. In MR. p. 365); “Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos” (Odc. 27º DTC. In MR. p. 371); “Ó Deus, que o alimento celeste por nós recebido nos transforme na imagem de Cristo, [...]” (Odc. Transfiguração do Senhor. In MR. p. 629).
Somos restaurados por Deus neste sacramento para que deificados pelo amor sejamos servidores da caridade. Por isto a Eucaristia não deve ser entendida como sacramento de devoção pessoal apenas, mas como realidade da Igreja a serviço do Reino: “Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs” (Odc. 22º DTC. In MR. p. 366); “Tendo recebido em comunhão o Corpo e o Sangue do vosso Filho, concedei, ó Deus, possa esta Eucaristia que ele mandou celebrar em sua memória fazer-nos crescer em caridade” (Odc. 33º DTC. In MR. p. 377);
A eucaristia nos concede o Espírito de Cristo e nos faz um só com Ele437: “Ó Deus, governai pelo vosso Espírito aos que nutris com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. [...]” (Odc. 9º DTC. In MR. p. 353); Comungando do mesmo pão recebemos o mesmo Espírito: “Ó Deus, esta comunhão na Eucaristia prefigura a união dos fiéis em vosso amor; fazei que realize também a comunhão na vossa Igreja” (Odc. 11º DTC. In MR. p. 355).
Esta comunhão no Corpo do Senhor (cf. 1Cor 10,16-17) que constitui a Igreja no mesmo Espírito está presente também nas epíclise (invocação do Espírito) sobre a comunidade celebrante nas Orações Eucarísticas438: “E nós vos suplicamos que, participando do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo