eSchi é um sistema modular, no qual se podem adicionar novos módulos, assim como remover ou configurar. Os módulos que constituem este sistema são o do paciente e o do terapeuta, no entanto novos módulos devem ser adicionados posteriormente, em particular de psico-educação e de feedback para as famílias e cuidadores dos pacientes (Freire et al., 2008).
Módulo do paciente
Este módulo, conforme já referido, tem como maior objectivo ensinar e treinar competências, relacionadas com os défices cognitivos que o paciente apresenta, através de actividades simples. Uma actividade é um jogo proposto ao paciente para
97 que treine as suas competências cognitivas (Reis et al., 2009). Actualmente, o módulo do paciente é constituído por dois tipos de actividades, de motricidade e de cognição básica.
Actividades de motricidade
As actividades de motricidade permitem aos pacientes treinar as suas competências de motricidade com jogos simples de utilização do rato. Estes permitem pressionar o botão do rato (actividade Click), arrastar e soltar um determinado objecto (actividade Drag and Drop). Estas actividades, além de permitirem o treino da utilização do rato, gravam os dados referentes ao desempenho do paciente, tais como o tempo de demora na resposta a um estímulo, de forma a que posteriormente seja possível identificar os motivos na demora dos pacientes a executarem as suas tarefas.
• Click – Na actividade Click, em determinados espaços de tempo é apresentado um estímulo ao paciente, o qual deve reagir de imediato pressionando o botão do rato em qualquer parte da janela da actividade. No caso do paciente reagir de imediato, é apresentada uma mensagem de sucesso, caso o paciente demore a reagir e o tempo estipulado entre estímulos passe ou termine a actividade, é apresentada uma mensagem de insucesso. A actividade termina assim que o tempo predefinido seja atingido ou assim que o número de estímulos predefinidos sejam apresentados. Os estímulos apresentados nesta actividade podem ser estímulos visuais ou estímulos sonoros.
• Drag and Drop – Nesta actividade, o paciente deve escolher um determinado estímulo, pressionando o botão do rato sobre ele e arrastando-o para o seu destino. Quando o paciente termina a actividade com sucesso, é-lhe apresentado um feedback visual positivo — caras sorridentes (smiles) — nos resultados que estão visíveis na barra superior da janela da actividade. Caso o paciente não deixe o estímulo no local estipulado, este volta à sua posição
inicial e caso termine o tempo da actividade, sem que o paciente tenha colocado os estímulos no seu destino, surge uma mensagem de insucesso.
Figura 13 – Exemplo de uma actividade Drag and Drop do sistema eSchi
Actividades de cognição básica
As actividades de cognição básica visam o treino de domínios cognitivos básicos. O sistema eSchi, actualmente, contém actividades de treino da memória visual, em particular de reconhecimento (actividade recognition) e de associação (actividade association).
• Recognition – Na actividade recognition é apresentado um estímulo ao paciente; após algum tempo este estímulo desaparece e em seu lugar aparecem vários estímulos diferentes, onde se encontra também o estímulo apresentado inicialmente. O paciente deve reconhecer qual o estímulo visto inicialmente, pressionando o botão do rato sobre ele. Se o paciente acertar no estímulo, então surge uma mensagem de sucesso; caso não acerte no estímulo ou passe o tempo da actividade, então é apresentada uma mensagem de insucesso. Esta actividade termina após o reconhecimento do estímulo ou quando o tempo definido para a actividade chega ao fim.
99 • Association – Nesta actividade são apresentadas duas colunas de estímulos
associados entre si; após algum tempo, uma das colunas altera a disposição dos estímulos. O paciente deve então arrastar cada um dos estímulos de uma coluna para o seu correspondente da outra coluna (conforme a disposição vista inicialmente). Caso o paciente faça uma correcta associação, tem um feedback positivo através de caras sorridentes (smiles) na barra superior da janela da actividade; se o paciente não associar correctamente o estímulo, este volta à sua posição original; e quando termina a actividade, sem que os estímulos estejam correctamente associados, surge uma mensagem de insucesso.
O paciente pode parar qualquer actividade em qualquer momento e posteriormente recomeçar. O manual de utilizador eSchi (Anexo 1.10) descreve com mais exactidão todas as actividades respeitantes ao módulo do paciente.
Qualquer actividade pode ser configurada pelo terapeuta, de acordo com as necessidades de cada paciente. Desta forma, é possível alterar o tempo de duração das actividades, o tempo de duração entre estímulos e o número de estímulos a surgir. O sistema eSchi permite gravar cada vez que o paciente pressiona o botão do rato, registando o sucesso ou falha de determinada acção, assim como também quando o paciente termina uma actividade e a recomeça. Todos os dados estatísticos respeitantes ao desempenho do paciente, numa determinada sessão, podem ser consultados pelo terapeuta. Ao paciente apenas são mostrados os melhores resultados, de forma a mantê-lo motivado.
Módulo do terapeuta
Ainda que o objectivo primordial deste estudo se relacione com a utilização do sistema por parte de pacientes, foi também considerado um módulo para o terapeuta, de
101 forma a facilitar a gestão de sessões de terapia e a visualização de resultados dos pacientes. No entanto, apesar do seu desenvolvimento, este módulo não chegou a ser utilizado por parte dos profissionais da saúde, estando disponível como uma base de suporte para trabalhos futuros. Desta forma, os estudos de utilização do sistema foram elaborados tendo em conta o paciente como figura central da investigação.
O módulo do terapeuta tem como objectivos a gestão dos dados do paciente, a configuração das actividades, o planeamento das sessões e a consulta do desempenho do paciente.
Gestão dos dados do paciente
Nesta secção, o terapeuta pode introduzir os dados do paciente, tais como dados pessoais, história clínica, medicação e todo o tipo de informação que considerar pertinente para a prática de psico-terapias, de forma a mais tarde poder consultar e/ou actualizar estes dados.
Configuração de actividades
O terapeuta tem a possibilidade de configurar todas as actividades de acordo com as necessidades de cada paciente. Deste modo, é possível alterar o tempo de duração de cada actividade, o número de estímulos a surgir, o tempo entre estímulos, etc.
Figura 16 – Janela de configuração das actividades no sistema eSchi
Planeamento das sessões
Cada sessão pode ser configurada de acordo com as especificidades do paciente. Assim, o terapeuta pode definir quais as actividades que pretende que o paciente realize em cada sessão e agendá-las.
103 Visualização do desempenho do paciente
Esta secção permite ao terapeuta visualizar em gráficos os resultados obtidos pelos pacientes em cada sessão e actividade.
3.4.7 | Implementação
Ainda que tivessem sido efectuados contactos com hospitais psiquiátricos, três em Espanha e seis em Portugal, de forma a implementar o sistema e realizar estudos em diferentes hospitais, o sistema eSchi foi implementado apenas em três hospitais: dois de Barcelona, Espanha (Parc Sanitari Sant Joan de Déu e Sant Joan de Déu Serveis Sociosanitaris) e um do Porto, Portugal (Hospital Magalhães Lemos).
Além dos hospitais que colaboraram neste estudo, outros dois hospitais mostraram interesse no sistema, o Hospital Benito Menni de Barcelona, Espanha e o Hospital Infante D. Pedro de Aveiro, Portugal. No primeiro, não foi possível realizar os testes, devido à demora na tramitação do processo burocrático; no segundo, tendo em conta que se trata de um hospital central, com uma ala psiquiátrica, não tinham pacientes com esquizofrenia que pudessem testar a aplicação; no entanto, demonstraram todo o interesse no sistema para aplicação a crianças com hiperactividade.
Dos restantes contactos encetados em Portugal, apenas resultou uma reunião com um dos hospitais, na qual foi mostrado o sistema e explicado em que consistiam os testes. Uma das poucas questões que nos foi colocada foi sobre quais os hospitais em Portugal que estavam a colaborar connosco. Esta questão foi respondida prontamente, no entanto, após a reunião, não houve qualquer resposta nem manifestação de interesse, por parte deste hospital, em colaborar neste estudo.
Desta forma, o número de casos e consequentemente o sujeito de estudo é bastante reduzido, tendo em conta a dificuldade de acesso a hospitais psiquiátricos, as especificidades do distúrbio em questão, assim como também as rotinas diárias quer
dos pacientes, quer dos próprios profissionais da saúde, cujas agendas se encontram totalmente preenchidas, restando pouco tempo disponível para a execução de testes.
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