• No results found

Após as etapas descritas por Aguiar (2006), obteve-se a seguinte composição dos núcleos de significação:

Tabela 1 – Os interesses e motivações do docente em trabalhar no 6º Ano do Ensino Fundamental

QUESTÃO PROPOSTA

1 – Atualmente, o que o(a) levou a ser professor(a) de alunos de 6° ano do Ensino Fundamental?

PRÉ-INDICADORES Faixa etária, são crianças, são dóceis, são acessíveis, gosto do conteúdo, trabalho desde o início da formação, um desafio, gosto de tirar da dependência, gosto de enquadrar o aluno, imposição da escola, me identifico com a faixa etária, o aluno gosta da disciplina, a disciplina permite o lúdico nessa faixa etária, é bom, fui convidada, para ganhar mais experiência, para me sentir mais segura, nunca tinha dado aula, são facilitadores, são mais disciplinados.

INDICADORES O professor pode até não escolher trabalhar com o 6º Ano do Ensino Fundamental, mas permanece nessa etapa escolar por considerar mais fácil se trabalhar com alunos que ainda são crianças (em sua concepção) e que se mostram mais motivados para a aprendizagem.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO

Tabela 2 – “Meu aluno”: a pessoa que está no 6º Ano do Ensino Fundamental

QUESTÃO PROPOSTA

2 – Como você define, atualmente, o aluno de 6° ano do Ensino Fundamental?

PRÉ-INDICADORES Tem acesso à informação, é inquieto, tem dificuldade de se concentrar, é uma criança, gosta de aprender, está em transição, é imaturo, é cheio de ideias, cheio de dúvidas, tem acesso à tecnologia, está em adaptação, mais fracos de conteúdo, inocentes, ingênuos, enxergam a sala de aula e o professor como complementação da família, carentes de atenção, mais difíceis que eu na 5ª série.

INDICADORES Na percepção dos docentes, o aluno do 6º Ano é uma criança que está em transição para a adolescência. Essa pessoa vive em um mundo repleto de informações e novas tecnologias e demanda atenção do professor.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO

Tabela 3 – O lugar da afetividade na formação do professor do 6º Ano do Ensino Fundamental

QUESTÃO PROPOSTA

3 – Em seu processo de formação, você teve algum contato teórico com o tema da afetividade? Em que momento de sua formação?

PRÉ-INDICADORES Nenhum contato, nada que falasse de afetividade explicitamente, só em disciplinas voltadas para a Educação Infantil, ouvi falar de Piaget, Vygotsky e Wallon, ouvi vagamente, estudei em Didática Fundamental, só estudei porque a professora era especialista em Educação Infantil, em todos os momentos da formação, na especialização, quando estudei a “Teoria de crashing”, não me lembro, só me lembro do Piaget, não tenho conhecimento, estudei Piaget e Vygotsky no estágio supervisionado, só na especialização em Educação Inclusiva, só estudei construtivismo, nada sobre afetividade em si, quando estudei Freud em Psicologia da Educação.

INDICADORES O contato do docente com o tema da afetividade se deu de maneira esparsa e em diversas correntes teóricas. O conceito vem acoplado à ideia de Educação Infantil.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO

Tabela 4 – O professor do 6º Ano do Ensino Fundamental e suas concepções sobre afetividade

QUESTÃO PROPOSTA

4 – O que você compreende por “afetividade”?

PRÉ-INDICADORES Sentimento, preocupação com o outro, entender o que o outro precisa, postura, impor limites, se preocupar com as necessidades individuais, orientar, interação, comunicação, algo que vem de dentro, relação mais estreita, relação que não é de amigo, respeito, respeito à individualidade, emoção, processo de confiança, bom relacionamento, carinho, criar vínculo, estar aberto ao aluno, extrapola a relação profissional, é relação pessoal, troca, amizade, não é envolvimento, paciência, não ser mal-educado.

INDICADORES O docente do 6º Ano do Ensino Fundamental concebe afetividade ora como sentimento, ora como emoção. Também associa o conceito a relações interpessoais e ao estabelecimento de vínculos.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO

Tabela 5 – Manifestações de afetividade na escola

QUESTÕES PROPOSTAS

5 – Em sua concepção, quais são as manifestações de afetividade mais comuns no cotidiano da escola, por parte de seus alunos?

6 – E por parte do professor?

PRÉ-INDICADORES Te abraça, conta o que fez no fim de semana, dá bom-dia, carinho, sentimento, ele vê que não é conteúdo, palavra de carinho, um olhar, mandam bilhetinho, mandam cartinha, dão presente, falam que gostam de você, se identificam com uma figura mais velha, durante a apresentação de atividades práticas, no comportamento, quando estão calmos, se interessam pela vida do professor, pelo tom de voz, quando te pede para ensinar, entusiasmo com a aula e com o conteúdo, na hora de receber a prova, na expressão do olhar ao verificarem o resultado da prova, quando reconhecem a autoridade do docente.

Não precisa abraçar, respeitar as necessidades, a maneira de passar o conteúdo, ensinar corretamente, não fazer diferença entre os alunos, querendo inovar, tentando se comunicar, dá um abraço, dando um sorriso, dando uma bronca, cobrando postura, chamando a atenção, dando limites, tocando a criança, no momento de brincadeira, demonstrando que ama o que faz, tendo cuidado com o limite de proximidade [pedofilia], professor não precisa ser amoroso, não é necessário ter contato, valorizando o aluno, não menosprezando o aluno, trazendo o que o aluno tem de bom, não confundir afetividade com permissividade, levando em consideração o tempo de aprendizagem do aluno, planejando sua aula, tendo paciência, esclarecendo para o aluno que tem dificuldade, dominando a classe, ter o aluno prestando atenção no conteúdo, tenta buscar a parte emocional, no modo de falar, abrindo espaço para interação, tendo contato mais próximo com o aluno, quando

elabora uma prova.

INDICADORES Na concepção do docente, o aluno manifesta afetividade a partir do toque, do reconhecimento e da troca de experiências interpessoais.

O professor do 6º Ano do Ensino Fundamental manifesta afetividade a partir do toque, da atenção às necessidades do aluno e quando demonstra que gosta do que faz.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO Manifestações de afetividade na escola.

Tabela 6 – Afetividade, aprendizagem e relação professor-aluno

QUESTÕES PROPOSTAS

7 – Na sua percepção, a afetividade exerce algum papel na relação professor-aluno? 9 – Em sua concepção, de que modo a afetividade pode interferir na aquisição de

conhecimento por parte do aluno?

PRÉ-INDICADORES É fundamental, os alunos precisam dessa relação com o professor, quando os alunos se identificam com o professor vão melhor na matéria, é o ponto principal da relação professor-aluno, sem afetividade você não consegue educar ninguém, é diretamente relacionada ao corpo – não se separa, é fundamental para que o aluno veja que o processo de ensino-aprendizagem tem mais que conteúdo, o aluno te enxerga como parte do processo, não é tudo – mas é quase tudo, se não existe afetividade você não tem liberdade, colabora para o domínio e interações dentro da sala, é mais importante que a parte cognitiva, porque o aluno tem que estar com o coração aberto, o aluno também traz conhecimentos para a gente [professor], possibilita troca de experiências, o aluno te vê como alguém próximo, é importante – mas o professor tem que separar a relação que tem com o aluno, é importante para o professor perceber que é bem quisto, tem que ter.

identifica com o professor ele vê a matéria com bons olhos, o professor que é seco e grosso afasta seus alunos – e os alunos transferem isso para a matéria, tornando o aluno mais receptivo à matéria, levando o aluno a construir sentido para o conteúdo que ele está aprendendo, se o aluno tem carinho pelo professor aprende mais, quando o aluno não tem afinidade com o professor ele não vai bem na matéria, o aluno vai bem na matéria porque não quer decepcionar o professor, a relação de “não-gostar” não deve interferir no processo ensino-aprendizagem – mas interfere, se o aluno gosta do professor a aula fica mais prazerosa.

INDICADORES A afetividade, na concepção dos docentes do 6º Ano, leva o aluno a gostar do conteúdo, porque gosta do professor; e isso facilita a relação professor-aluno em sala.

Os docentes concebem que a afetividade influencia de maneira decisiva na aquisição do conhecimento por parte dos alunos. Isso se deve ao fato de os discentes se dedicarem mais a buscar compreender a matéria do professor com quem mais se identificam. A aprendizagem também é facilitada pela liberdade que os alunos têm em relação ao professor com o qual se identificam.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO Afetividade, aprendizagem e relação professor-aluno.

Tabela 7 – A afetividade e a prática do docente do 6º Ano do Ensino Fundamental

QUESTÃO PROPOSTA

8 – A afetividade mostra-se presente em suas práticas pedagógicas? De que maneira?

PRÉ-INDICADORES Está presente todas as vezes em que dou limite para o aluno, quando eu percebo o aluno, quando eu me preocupo com ele, ao elaborar uma prova, ao se preocupar como explicar um conteúdo, quando eu passo questões no quadro e pergunto se eles estão entendendo, ao adequar o planejamento, ao adequar um exercício, ao trazer alguma experiência que algum aluno relatou, ao dar uma aula mais descontraída, não impondo gosto para o aluno, respeitar como o aluno quer fazer a atividade, em Arte nunca se deve impor gosto, ao motivar o aluno, no domínio da sala, quando elaboro algo que obriga o aluno a se esforçar mais, não se mostra – é algo não-intencional, quando eu tento buscar o aluno mais tímido para mim, quando eu me aproximo dos alunos, quando ministro minha aula e percebo meus alunos, não penso em como vou usá-la, não penso em como vou aplicá-la, não consigo ver isso, quando eu planejo não, alguns alunos que já têm um desenvolvimento intelectual um pouco mais avançado, em termos de conteúdo eles são mais fracos, os alunos que se destacam pela sua inteligência.

INDICADORES Há professores que concebem a presença do componente afetivo quando se interessam pelo aluno, quando preparam uma aula, uma prova ou outra atividade pensando de que modo essa atividade pode vir a contribuir para o desenvolvimento do discente. Também há docentes que não vinculam afetividade à prática de sala de aula, dando a entender que esse espaço seria apenas da ordem do cognitivo.

NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO CONSTITUÍDO