Para responder ao objetivo de número 2, ou seja, verificar as opiniões de alunos, docentes, coordenadores e gerentes sobre as articulações entre os currículos do ensino médio e do curso técnico de contabilidade, a pesquisadora selecionou respostas dos questionários dos professores, dos alunos, entrevista semi-estruturada com os gerentes e coordendador pedagógico e a entrevista em grupo com os dez alunos.
Ao perguntar aos professores se o número de 30 alunos por turma é adequado, 50,0% das docentes e 33,3% dos docentes responderam que concordam totalmente, como mostram a tabela 21 e o gráfico 21. A esta mesma pergunta, 54,5% dos alunos e 63,2% das alunas responderam que concordavam totalmente (tabela 22 e gráfico 22). Ao analisar o plano do curso técnico de contabilidade do Senac, verifica-se que o número máximo de alunos por turma é de 30 alunos. Indagou-se aos entrevistados quais os critérios utilizados para determinar o número de alunos por turma e eles declararam que os critérios são a capacidade física da sala de aula e do laboratório, para que se possa desenvolver as atividades sem haver prejuízo para o aprendizado do aluno. Observa-se que existe a preocupação do Senac em primar pela qualidade do ensino, tendo em vista a capacidade da sala de aula.
Tabela 21. Opinião dos professores sobre a adequação do número de alunos por turma.
O número de 30 alunos por turma é adequado Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente 3 33,3 2 50,0 5 38,5
Concordo em Parte 4 44,4 1 25,0 5 38,5
Nem concordo, nem discordo 1 11,1 - - 1 7,7
Discordo em Parte - - - -
Discordo Totalmente 1 11,1 1 25,0 2 15,4
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
33,3 50,0 44,4 25,0 11,1 0,0 0,0 0,0 11,1 25,0
Concordo Totalmente Concordo em Parte Nem concordo, nem discordo
Discordo em Parte Discordo Totalmente
O número de 30 alunos por turma é adequado
Sexo Masculino Sexo Feminino
Gráfico 21. Opinião dos professores sobre a adequação do número de alunos por turma. Fonte: Pesquisa de campo
Tabela 22. Opinião dos alunos sobre a adequação do número de alunos por turma. O número de alunos
por turma é adequado?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 6 54,5 12 63,2 18 60,0
Concordo em parte 5 45,5 4 21,1 9 30,0
Nem concordo, nem discordo - - 2 10,5 2 6,7
Discordo em parte - - 1 5,3 1 3,3
Discordo totalmente - - - -
Total 11 100,0 19 100,0 30 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
54,5 63,2 45,5 21,1 0,0 10,5 0,0 5,3 0,0 0,0 Concordo totalmente
Concordo em parte Nem concordo, nem discordo
Discordo em parte Discordo totalmente
O número de alunos por turma é adequado?
Sexo Masculino Sexo Feminino
Gráfico 22. Opinião dos alunos sobre a adequação do número de alunos por turma. Fonte: Pesquisa de campo
Em relação à sala de aula e à biblioteca da Unidade, perguntou-se sobre a sua adequação ao curso; 45,5% dos alunos e 36,8% das alunas responderam que concordam em parte, de acordo com a tabela 23 e o gráfico 23. Observa-se que a sala de aula estava adequada, porém, a biblioteca encontrava-se fechada para reforma. Dessa forma, os alunos não tinham acesso à pesquisa do seu acervo.
Ao coordenador e gerentes indagou-se qual a opinião em relação aos ambientes pedagógicos da Unidade e como poderiam ser aperfeiçoados. Eles responderam que os ambientes são bons, porém, devido à dinâmica volátil do
mercado de trabalho, a exemplo dos softwares utilizados no curso, torna-se difícil para os alunos a associação desses softwares à prática profissional. Os entrevistados salientaram que as instalações poderiam ser melhoradas a partir da criação de um laboratório específico para os cursos técnicos de contabilidade e secretariado. Eles afirmaram que os ambientes pedagógicos da Unidade passavam sempre por manutenção e reforma, e citaram a biblioteca como exemplo.
Tabela 23. Opinião dos alunos sobre a adequação da sala de aula e da biblioteca.
A sala de aula e a biblioteca da Unidade são adequadas ao curso?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 1 9,1 5 26,3 6 20,0
Concordo em parte 5 45,5 7 36,8 12 40,0
Nem concordo, nem discordo 3 27,3 3 15,8 6 20,0
Discordo em parte - - 2 10,5 2 6,7
Discordo totalmente 2 18,2 2 10,5 4 13,3
Total 11 100,0 19 100,0 30 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Gráfico 23. Opinião dos alunos sobre a adequação da sala de aula e da biblioteca. Fonte: Pesquisa de campo
Sobre o material pedagógico ofertado pela Unidade, perguntou-se aos alunos se eram satisfatórios: 54,5% dos alunos e 68,4% das alunas responderam que não (tabela 24 e gráfico 24). O principal motivo da insatisfação dos alunos foi o fechamento da biblioteca para reforma e eles não poderem desenvolver as pesquisas, nem consultar o material indicado aos estudos.
Tabela 24. Opinião dos alunos sobre o material pedagógico. A Unidade oferece material
pedagógico satisfatório?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Sim 5 45,5 6 31,6 11 36,7
Não 6 54,5 13 68,4 19 63,3
Total 11 100,0 19 100,0 30 100,0
45,5
31,6
54,5 68,4
Sim Não
A Unidade oferece material pedagógico satisfatório?
Sexo Masculino Sexo Feminino
Gráfico 24. Opinião dos alunos sobre o material pedagógico. Fonte: Pesquisa de campo
Sobre a formação continuada dos professores que ministravam aulas no curso técnico de contabilidade, foi indagado se eles receberam capacitação específica: 33,3% dos professores e 50,0% das professoras concordaram totalmente (tabela 25 e gráfico 25). Aos gerentes e ao coordenador pedagógico também se perguntou se os professores recebiam capacitação específica. Obteve-se como resposta que sim, pois os professores participam de jornadas pedagógicas, onde têm oportunidade de saber desde como preencher um diário até como se faz um planejamento. Além da jornada pedagógica, eles participam de reuniões com os coordenadores, com os técnicos do Núcleo Técnico-Pedagógico, do Núcleo de Formação Inicial e Continuada e com a gerência. As jornadas pedagógicas acontecem de seis em seis meses e as reuniões, sempre que necessário para tratar de questões pedagógicas.
Há também professores que participam de eventos externos para aprimorar a qualificação profissional. Quando algum professor participa de eventos externos, ele torna-se um multiplicador para os outros que não puderam comparecer. Observa-se que tanto as jornadas quanto as reuniões pedagógicas são importantes, pois são como cursos de formação de professores, os quais favorecem a melhoria da qualidade do ensino. Recorda-se que, segundo Plantamura (2010), os professores precisam encontrar formas e instrumentais para questionar suas práticas, sendo os cursos de formação de professores o caminho para esses questionamentos.
Tabela 25. Participação dos professores em capacitação continuada.
Os professores desta Unidade alguma vez já receberam capacitação específica
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente 3 33,3 2 50,0 5 38,5
Concordo em Parte 4 44,4 1 25,0 5 38,5
Nem concordo, nem discordo 1 11,1 - - 1 7,7
Discordo em Parte - - - -
Discordo Totalmente 1 11,1 1 25,0 2 15,4
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Gráfico 25. Participação dos professores em capacitação continuada. Fonte: Pesquisa de campo
Em continuidade à análise do curso, perguntou-se aos alunos se as relações entre a teoria e a prática no curso técnico de contabilidade eram satisfatórias: 50,0% dos alunos e 63,2% das alunas disseram que concordam em parte, conforme a tabela 26 e o gráfico 26. A mesma pergunta se fez aos professores: 77,8% deles e 50,0% delas também concordaram em parte (tabela 27 e gráfico 27). Observa-se que tanto os alunos quanto os professores consideraram que as relações entre teoria e prática poderiam ser aperfeiçoadas.
Tabela 26. Opinião dos alunos sobre as relações entre teoria e prática. As relações entre teoria e prática
no curso técnico de contabilidade são satisfatórias?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 4 40,0 7 36,8 11 37,9
Concordo em parte 5 50,0 12 63,2 17 58,6
Nem concordo, nem discordo - - - -
Discordo em parte 1 10,0 - - 1 3,4
Discordo totalmente - - - -
Total 10 100,0 19 100,0 29 100,0
Gráfico 26. Opinião dos alunos sobre as relações entre teoria e prática. Fonte: Pesquisa de campo
Tabela 27. Opinião dos professores sobre as relações entre teoria e prática.
As relações entre teorias e práticas no curso técnico de contabilidade são satisfatórias
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente 1 11,1 2 50,0 3,0 23,1
Concordo em Parte 7 77,8 2 50,0 9,0 69,2
Nem concordo, nem discordo - - - -
Discordo em Parte 1 11,1 - - 1 7,7
Discordo Totalmente - 0,0 - - - -
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Gráfico 27. Opinião dos professores sobre as relações entre teoria e prática. Fonte: Pesquisa de campo
Indagou-se aos discentes se os professores ministravam aulas, valorizando os conhecimentos dos alunos: 63,6% dos alunos e 36,8% das alunas disseram que concordavam totalmente, conforme a tabela 28 e o gráfico 28. Relembrando Machado (2004), a ação do professor consubstancia-se na interação com os alunos, no aproveitamento dos conhecimentos prévios, o que é de suma importância para que ocorra essa interação.
Indagou-se ainda aos alunos se os professores relacionavam constantemente os conhecimentos e habilidades do curso técnico de contabilidade com o que se
aprende no ensino médio. Assim, 40,0% dos alunos e 36,8% das alunas responderam concordar em parte (tabela 29 e gráfico 29). Na literatura apontada por Câmara (2001), vale lembrar que o currículo deve atender às dimensões da informação do indivíduo e também considerar a dimensão formativa dele. Nesse contexto, o currículo deve primar pelo que os alunos trazem de conhecimento e também abordar as questões éticas, de cidadania e até do meio ambiente.
Tabela 28. Opinião dos alunos sobre a valorização dos conhecimentos anteriores pelos professores. Ministram as aulas valorizando os conhecimentos
anteriores dos alunos:
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 7 63,6 7 36,8 14 46,7
Concordo em parte 3 27,3 10 52,6 13 43,3
Nem concordo, nem discordo - - 2 10,5 2 6,7
Discordo em parte - - - -
Discordo totalmente 1 9,1 - - 1 3,3
Total 11 100,0 19 100,0 30 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Gráfico 28. Opinião dos alunos sobre a valorização dos conhecimentos anteriores pelos professores. Fonte: Pesquisa de campo
Tabela 29. Opinião dos alunos sobre o relacionamento pelos professores entre o curso técnico de contabilidade e o ensino médio.
Relacionam constantemente os conhecimentos e habilidades do curso técnico de contabilidade com os
que aprendemos no ensino médio.
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 3 30,0 7 36,8 10 34,5
Concordo em parte 4 40,0 7 36,8 11 37,9
Nem concordo, nem discordo 1 10,0 2 10,5 3 10,3
Discordo em parte 1 10,0 3 15,8 4 13,8
Discordo totalmente 1 10,0 - - 1 3,4
Total 10 100,0 19 100,0 29 100,0
30,0 36,8 40,0 36,8 10,0 10,5 10,0 15,8 10,0 0,0
Concordo totalmente Concordo em parte Nem concordo, nem discordo
Discordo em parte Discordo totalmente Relacionam constantemente os conhecimentos e habilidades do curso técnico de contabilidade com os que aprendemos no ensino médio.
Sexo Masculino
Sexo Feminino
Gráfico 29. Opinião dos alunos sobre o relacionamento pelos professores entre o curso técnico de contabilidade e o ensino médio.
Fonte: Pesquisa de campo
Ainda em relação aos professores, perguntou-se aos alunos se ministravam aulas de forma a favorecer a associação da teoria com a prática da função de técnico de contabilidade. Os alunos, 54,5% e as alunas, 57,9% concordaram totalmente, conforme os dados da tabela 30 e do gráfico 30. Retorna-se aos Referenciais para Educação Profissional do Senac (2002), que propõem que a prática docente deve responder às questões dos alunos que chegam até ela com as experiências da vida e deve-se utilizar os mesmos recursos para contribuir para a atualização do pensamento. Em se tratando de uma instituição de educação profissional, cuja missão é formar cidadãos para a inserção no mercado de trabalho, percebe-se que vai de encontro ao que preconizam os Referenciais.
Tabela 30. Opinião dos alunos sobre a associação entre teoria e prática pelos seus professores. Ministram as aulas de forma a favorecer a
associação da teoria com a prática da função de técnico de contabilidade:
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo totalmente 6 54,5 11 57,9 17 56,7
Concordo em parte 3 27,3 8 42,1 11 36,7
Nem concordo, nem discordo 1 9,1 - - 1 3,3
Discordo em parte 1 9,1 - - 1 3,3
Discordo totalmente - - - -
Total 11 100,0 19 100,0 30 100,0
Gráfico 30. Opinião dos alunos sobre a associação entre teoria e prática pelos seus professores. Fonte: Pesquisa de campo
Os dez alunos da entrevista em grupo destacaram os seguintes pontos no curso:
a. pontos positivos: o conhecimento, o aprendizado, as atividades do técnico de contabilidade, a orientação aos alunos sobre o que podem fazer ao finalizar o curso e o domínio do conteúdo demonstrado pelos professores.
b. pontos negativos: o fator tempo foi o mais frequente: para os alunos o tempo do curso é pouco para muito conteúdo e, no módulo I, há necessidade de harmonizar os conteúdos estudados no ensino médio. Para averiguar se são conhecidos os documentos que norteiam a educação profissional e o ensino médio, a pesquisadora perguntou aos professores, gerentes e coordenador sobre o Decreto Federal nº 5.154/2004. Como referido antes, este Decreto trata das formas de articulação entre o ensino médio e a educação profissional, que podem ser integrada, subsequente ou concomitante. Dos 13 docentes que participaram da pesquisa, 33,3% dos professores e 100% das professoras responderam que o conheciam (tabela 31 e gráfico 31). Os gerentes e coordenador também responderam que conheciam o Decreto mencionado.
A pesquisadora também perguntou aos professores se eles achavam que o Decreto nº 5.154/2004 contribuiu ou não para aperfeiçoar essa articulação. 50,0 % dos professores e 25,0% das professoras concordaram em parte (tabela 32 e gráfico 32). Ainda aos professores foi feita a pergunta de como devem articular o ensino médio e a educação profissional. Dos 13 professores, seis responderam que subsequente, três responderam concomitante, dois responderam integrado, um respondeu que de acordo com a necessidade do aluno e um respondeu que deveria
ser mais focado na profissão. Um gerente respondeu que tanto a concomitante quanto a subsequente são indicadas. Outro indicou a subsequente devido à falta de base dos alunos, principalmente na disciplina de matemática. Já o coordenador respondeu que a integrada seria, na opinião dele, a melhor forma, pois possibilitaria a contextualização do ensino médio e da educação profissional.
Tabela 31. Conhecimento do Decreto nº 5.154/2004 pelos professores.
Você conhece o Decreto nº 5.154/2004, que trata das formas de articulação entre o ensino médio e a
educação profissional?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Sim 3 33,3 4 100,0 7 53,8
Não 6 66,7 - - 6 46,2
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Gráfico 31. Conhecimento do Decreto nº 5.154/2004 pelos professores. Fonte: Pesquisa de campo
Tabela 32. Opinião dos professores sobre a contribuição do Decreto nº 5.154/2004 para aperfeiçoar a articulação do ensino médio e a educação profissional.
Você acha que o Decreto contribuiu ou não para aperfeiçoar essa articulação?
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente 1 16,7 1 25,0 2 20,0
Concordo em Parte 3 50,0 1 25,0 4 40,0
Nem concordo, nem discordo 1 16,7 - - 1 10,0
Discordo em Parte 1 16,7 2 50,0 3 30,0
Discordo Totalmente - - - -
Total 6 100,0 4 100,0 10 100,0
Gráfico 32.Opinião dos professores sobre a contribuição do Decreto nº 5.154/2004 para aperfeiçoar a articulação do ensino médio e a educação profissional.
Fonte: Pesquisa de campo
Ainda se solicitou aos gerentes e ao coordenador que indicassem contribuições deste Decreto para o curso técnico de contabilidade do Senac. Eles responderam que este Decreto ampara o oferecimento de cursos técnicos de nível médio, com perspectiva de oferecer formação técnica aos alunos oriundos do ensino médio para ingressar no mercado de trabalho. Responderam também que o Decreto veio para regulamentar os artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB, que tratam da Educação Profissional.
Após o levantamento sobre o conhecimento do Decreto aludido e a melhor forma de articulação entre o ensino médio e a educação profissional, perguntou-se aos professores em que componentes curriculares é melhor o relacionamento do ensino médio com a educação profissional neste curso técnico de contabilidade. Dos 13 professores, nove responderam que a matemática ou matemática aplicada; dentre os nove em questão, seis responderam também que português é a disciplina que mais se relaciona; um respondeu que não há comparabilidade, um respondeu que todos, pois as ciências se completam; um respondeu que na disciplina que leciona procura articular a teoria com a prática e um respondeu que português, inglês e legislação.
Para os alunos da entrevista em grupo que estavam finalizando o módulo II, a pesquisadora indagou sua opinião sobre o curso técnico de contabilidade. Os alunos responderam que achavam o curso importante para o crescimento profissional, para aprofundar o conhecimento, ter uma profissão numa área com um vasto campo de atuação no mercado de trabalho e para fazer uma graduação.
Quanto ao grau de dificuldade do curso os alunos responderam que grande parte da turma não achou difícil em função de já ter concluido o ensino médio. Afirmaram, inclusive, que as disciplinas de português e matemática foram repetitivas.
Também se perguntou aos 13 professores quais as maiores dificuldades encontradas por eles ao ministrar as aulas do curso técnico de contabilidade, em se tratando da articulação entre os currículos do ensino médio e da educação profissional. Os professores responderam que eram o ensino das disciplinas que requerem cálculos, leitura e interpretação, dificuldades que atribuem à falta de base dos estudantes do ensino médio.
Em seguida, verificou-se o que eles propunham para superar estas dificuldades: o ensino médio aprofundado nas disciplinas de português, matemática, literatura e redação; aumentar o rigor na pré-seleção dos alunos para frequentarem o curso técnico de contabilidade e propiciar no ensino médio mais informações aos alunos sobre os conteúdos do curso técnico de contabilidade.
Indagou-se se os alunos deles tinham dificuldades em aplicar ao curso técnico conhecimentos e habilidades adquiridos no ensino médio: 44,4% dos professores e 75,0% das professoras responderam que concordavam em parte, conforme a tabela 33 e o gráfico 33. De acordo com a opinão dos professores, os alunos apresentavam dificuldade em aplicar o que aprenderam no ensino médio. Verifica-se que estudos realizados anteriormente a essa pesquisa já apontavam essas questões. Para Manfredi (2003), a instituição do sistema educacional principiou pelo topo, enquanto o ensino primário e secundário servia como cursos preparatórios para ingressar na universidade.
Tabela 33. Opinião dos professores em relação à dificuldade dos alunos em aplicar os conhecimentos e habilidades adquiridos no ensino médio.
Os seus alunos têm dificuldades em aplicar ao curso técnico conhecimentos e habilidades
adquiridos no ensino médio
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente 4 44,4 - - 4 30,8
Concordo em Parte 4 44,4 3 75,0 7 53,8
Nem concordo, nem discordo - - - -
Discordo em Parte 1 11,1 1 25,0 2 15,4
Discordo Totalmente - - - -
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
Gráfico 33. Opinião dos professores em relação à dificuldade dos alunos em aplicar os conhecimentos e habilidades adquiridos no ensino médio.
Fonte: Pesquisa de campo
Outra questão feita aos professores em relação aos conhecimentos dos alunos foi se eles mostravam que, no ensino médio haviam cursado ou cursavam, as disciplinas ajudaram a entender os efeitos das tecnologias da informação e comunicação (rádio, televisão, computador, telefonias, redes etc.) na vida deles, no trabalho e na sociedade em geral. Dados apresentados na tabela 34 e no gráfico 34 mostram que nenhum professor concordou totalmente e 25,0% das professoras concordaram totalmente. Ao remeter à literatura, Manfredi (2003) afirmou que, mesmo após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a dualidade estrutural entre os currículos do ensino médio e o da educação profissional ainda persistia. É substancial a afirmação de Manfredi, uma vez que, de acordo com a opinião dos professores, as disciplinas do ensino médio não ajudaram os alunos a entender os efeitos das tecnologias da informação, como apresentam a tabela 34 e o gráfico 34.
Tabela 34. Opinião dos professores sobre a contribuição do ensino médio para o entendimento dos efeitos das tecnologias de informação e comunicação.
Os seus alunos mostram que, no ensino médio que cursaram ou cursam, as disciplinas ajudaram a entender os efeitos das tecnologias da informação e
comunicação na vida deles, no trabalho e na sociedade em geral
Sexo
Masculino Percentual
Sexo
Feminino Percentual Absoluto
Percentual Absoluto
Concordo Totalmente - - 1 25,0 1 7,7
Concordo em Parte 4 44,4 2 50,0 6 46,2
Nem concordo, nem discordo 1 11,1 - - 1 7,7
Discordo em Parte 3 33,3 1 25,0 4 30,8
Discordo Totalmente 1 11,1 - - 1 7,7
Total 9 100,0 4 100,0 13 100,0
Gráfico 34. Opinião dos professores sobre a contribuição do ensino médio para o entendimento dos efeitos das tecnologias de informação e comunicação.
Fonte: Pesquisa de campo
Em resposta ao objetivo específico de número 2, sobre a articulação entre os currículos do ensino médio e do curso técnico de contabilidade, pode-se dizer que o número 30 de alunos por turma é adequado em função dos ambientes pedagógicos e os ambientes são bons. Há a preocupação dos gerentes em manter em bom estado os ambientes pedagógicos e, assim, fazem reformas sempre que necessário. Por isso, a biblioteca estava fechada para reforma. Os professores participavam de capacitação pedagógica de seis em seis meses e de reuniões sempre que necessário. As relações entre a teoria e prática do curso eram boas, porém existia a dificuldade dos alunos que cursavam o ensino médio e a educação profissional na forma de articulação concomitante, nas disciplinas de português e matemática. Para os alunos que concluíram o ensino médio, no módulo I do curso de contabilidade as disiciplinas do ensino médio eram repetitivas. Os documentos que norteiam a educação profissional e o ensino médio, são conhecidos pelos professores, gerentes e coordenador. Eles consideraram que o Decreto nº 5.154/2004 contribuiu para aperfeiçoar a articulação entre o ensino médio e a educação profissional. As formas mais apropriadas de articulação entre o ensino médio e a educação profissional foram a subsequente e a integrada, segundo a opinião dos gerentes, coordenador e professores.