9 Hvordan organisasjonen husker
9.1 MJK – en muntlig kultur
R: À escola. Porque eles preferem mais trabalhar do que estudar. Tem muitos, muitos por aí que são assim, que prefere mais trabalhar do que estudar. Começa no 2o colegial, no 1o, aí pára. Tá na 8a aí pára. Nunca termina assim, sabe? Então eu acho assim.
93. E: E qual você acha que deve ser o papel dos pais, o que acontece com pais quando acontece isso com uma criança?
R: Os pais até incentiva, assim, a estudar, porque os estudos é tudo, né, na vida de uma pessoa. Só que vai da cabeça de cada um, aí eles acha que trabalhar é melhor do que o estudo daí eles optem mais pro trabalho.
Que nem eu, eu antigamente mais trabalhava do que estudava, quando morava com a minha vó! (risos) Aí agora não, já prefiro mais estudar e trabalhar, os dois juntos. Porque eu tendo os dois, aí eu acho melhor prá mim, porque daí no futuro, daí já sei o que eu vou fazer da minha vida, tenho meus estudos, trabalhando e já sei o que vou fazer com meu dinheiro. Eu penso assim!
94. E: Ahã! E você vê diferença entre as escolas da cidade, o que você acha? Por que tem várias crianças que não precisam trabalhar e podem esperar terminar os estudos. E como você vê as escolas, são iguais, são diferentes?
R: Eu acho todas iguais. Os professores que ensinam as matérias dizem que são todas iguais. Não tem nada diferente assim.
95. E: A escola de quem tem mais dinheiro é igual a de quem tem menos?
R: Eu acho que sim, porque as matérias que o professor dá prá escola que é paga, são as matérias pros que não tem como pagar o colégio. Eu acho assim também.
96. E: E você já conversou sobre isso com alguém? Sobre essa coisa de escola que é paga e tem escolas que são públicas?
R: Não, nunca conversei. Mas o que penso, assim, o meu pensar é isso, porque teve um professor que conversou comigo, que “ó, as matérias que eu vou dar prá vocês não são diferentes de outros estados no Brasil, são todas iguais, você vai fazer uma faculdade, vai cair aquela matéria que você já sabe, e o da que tá pagando também já sabe.”
97. E: E você sabe que tem faculdade que é paga e faculdade que não é paga, que é pública igual ao colégio, e você conhece alguma coisa sobre elas? O que você já ouviu falar sobre as faculdades? Do jeito que tem que fazer prá entrar... Das provas que tem que fazer prá entrar...
R: Da paga e da que não é paga? Ah, eu nunca ouvi falar não. Mas assim, na minha opinião, eu acho que é tudo igual mesmo. Não tem nada que seja diferente assim.
98. E: Tem alguma que é mais fácil, alguma que é mais difícil?... Você já ouviu alguém falar?
R: Ah, no qual é pago, se você pagar, você passa, já no que não é pago, agora já é difícil de passar, eu acho. Porque você tá pagando né, e eles tão vendo que eles tão recebendo, aí eles não ficam nem aí se você foi bem, se não foi. Agora aí quem não paga, aí já é bem difícil.
99. E: A que não é paga?
R: É, a que não é paga, já é bem difícil. Assim, é a minha opinião, né!?
100. E: Não, mas é isso mesmo que eu quero saber!
Como você vê o relacionamento dos professores da sua classe, nas aulas normais, e com os alunos?
R: Ah, eu acho que é meio regular assim, não é nem bom e nem ruim. Porque tem alunos que tiram sarro do professor, fala deles baixinho, responde professor, que até tem professor que finge que nem escuta, né? Porque se der trela assim, aí o professor pode se sentir mal, né? Finge que nem escuta. Na minha opinião.
101. E: E porque você acha que o pessoal tira sarro?
R: Ah, assim, de qualquer coisa, qualquer coisinha que o professor fale que eles não gostem, aí eles começam a resmungar, falar baixo, tirar sarro. Em todas as escolas é assim.
102. E: Em todas as escolas?
R: Em todas as escolas.
103. E: E o que você acha que os professores falam e os alunos já ficam assim... Que tipo de coisa que os alunos não gostam de ouvir dos professores?
R: Ah, prá ficar quieto, aí eles não ficam mesmo! Aí eles começam a falar, resmungar. Aí quanto mais o professor fala prá eles ficarem quietos eles não ficam, porque ninguém gosta de ficar quieto, ninguém.
104. E: Na sua classe gostam de conversar?
R: Gostam, muito! Eu até fico olhando pro pessoal conversando assim, só que eu fico na minha, fico mais quietinha, né? Eu não gosto de bagunça nem de fofoca. Conversar assim às vezes eu converso, mas conversar enquanto o professor tá passando lição, tá conversando, tá explicando tá conversando, todo o tempo, aí não é fácil!
105. E: E o que o professor faz ou fala quando tem um aluno dormindo? Todo mundo que estuda no noturno, praticamente, quer dizer, tem gente que tá desempregado, mas basicamente são todos trabalhadores.
R: Eles falam que quem vem prá estudar, prá aprender, não vem prá dormir! (risos) Tem que vir prá estudar, prá aprender, não prá dormir. A escola não é lugar prá dormir, é lugar prá aprender, prá estudar, eles falam só isso.
106. E: E eles falam bravos ou falam...
R: Falam normal, normal.
107. E: E aí, você que é amiga de todo mundo, o que o pessoal fala quando o professor fala isso? Reclama ou não?
R: Não, eles acham que tá certo mesmo. Eles concordam com isso. Porque é verdade mesmo, a escola é um lugar que vem prá aprender e prá estudar, e não prá dormir!
108. E: E como você, vê, assim, a gente já falou sobre isso um pouco no primeiro encontro do grupo. Qual você acha que é o papel do trabalho na vida das pessoas?
R: Do trabalho? O papel do trabalho é... Eu acho que o trabalho é tudo, porque sem o trabalho você não é nada. Se a pessoa tá trabalhando e precisa de comprar uma roupa, um sapato, precisa de ter tudo na vida, montar sua casa, fazer tudo, e precisa do trabalho, né? Depende do trabalho. Porque se não trabalhar não tem nada.
109. E: E quem tá sem trabalho hoje você acha que é por que?
R: Eu acho que quem tá sem trabalho é porque não conseguiu ainda. Eu acho.
110. E: E depende do que? Prá pessoa conseguir.
R: Depende do esforço, de correr atrás, de batalhar. Se esperar só cair do céu não vai conseguir, né? Esperar só cair do céu aí também não dá certo! Tem que correr atrás, correr atrás, que só correndo atrás mesmo. Porque tem gente que fica parada, falando assim “ai, tô esperando serviço”. O emprego não vem até a pessoa. Você que tem que ir até o trabalho, até o emprego, o serviço.