7 Det indre kompasset
8.8 Mindset i operasjoner – stoisk ro
pensava naquele trabalho que você tava, que no caso era ajudando a sua irmã na casa dela, e estudava, fazia o colégio. E quando que aconteceu essa mudança?
R: Acho que depois que eu completei dezoito anos, eu acho. É, foi mesmo, quando eu fiz dezoito anos aí que eu vi mesmo que... Eu via assim, minhas primas com namorado, minhas amigas, tudo, e eu falava assim: “nossa, eu já sou de maior e posso fazer tudo!” (risos). Só que não era bem assim, né? Que eu podia fazer tuudo. Aí minha irmã deixava eu viajar sozinha, ia prá lá prá casa da minha mãe. Aí eu tinha que ter responsabilidade já, porque eu já era de maior e tudo. Se eu fizesse alguma coisa de errado a culpa ia ser minha, porque eu já era de maior. Aí eu fazia tudo direitinho.
67. E: Que tipo de coisa que era direitinho?
R: Ah, eu nunca fiz nada de errado, assim, sabe? Nunca, nunca cometi nada errado. Às vezes tinha alguém que brigava assim comigo, fazia alguma coisa de errado comigo, aí eu me sentia ofendida, ficava triste. Só que eu nunca fiz nada de errado, nunca briguei com ninguém, nunca fui de briga. Porque a minha mãe ela sempre foi assim, sempre educou a gente, todos nós, né, meus irmãos, sempre educou, sempre ensinou o que era certo e o que era errado, tudo.
68. E: E você segue isso assim?
R: É, até hoje! (risos)
69. E: E você se considera uma pessoa batalhadora , R?
R: Ah, eu até agora sim!! (risos)
70. E: Por que?
batalhar mais pra dar tudo pra ela, porque o que ela não conseguiu me dar eu vou dar tudo pra ela.
71. E: E você fala isso pra ela? “Ah mãe, eu vou te ajudar...” O que que ela responde?
R: Ah, eu sempre falo, sempre falo. Porque era assim: ela sempre gostava da minha irmã caçula, “Ah, a Lucilene é tudo prá mim!” Só que a minha irmã caçula, depois que ela casou, ela não pode dar muita atenção prá minha mãe, e nossa, minha mãe adorava a minha irmã caçula, porque filho caçula é tudo, né? Os mais velhos, do meio, não é nada. Pra mãe, é tudo filho caçula, é o dengo! Aí ela sempre dengava ela.
Aí depois, eu falei assim: “Ah, mãe!”, eu ficava com ciúme, né? Que ela falava assim: “tudo ela, tudo ela” e eu? Às vezes ela comprava um brinquinho assim, uma pulserinha e falava “Ah, eu vou dar pra Leninha” e eu falava: “mãe, e prá mim, a senhora não vai dar nada?” Aí ela comprava e me dava. Porque eu falava assim prá ela dar, prá ver se ela dava mesmo. Então ela dava prá mim. Aí agora mesmo, eu que dou as coisas pra ela, assim, eu dou de coração mesmo. Eu trabalho, mando dinheiro prá ela pelo banco. Eu comprei um armário pra ela, uma geladeira, eu tô pagando o armário, nossa muito lindo!
72. E: Que legal, parabéns!
R: Aí a geladeira tá eu, a minha irmã e meus irmãos pagando, prá ficar pouco, aí a gente deu prá ela de presente isso. Aos poucos a gente tá realizando o sonho dela, que ela nunca conseguiu, assim, trabalhando ela nunca conseguiu ter, agora ela tá conseguindo! Através de mim! Aí eu sempre falo prá ela: “mãe”, ..., eu sempre..., o meu sonho era ver a casa da minha mãe montada, tudo novo, tudo o que ela nunca teve. Aí eu falo sempre prá ela que eu vou dar tudo prá ela.
73. E: E como você pretende dar?
R: Ah, trabalhando, né, trabalhando bastante.
74. E: Mas em casa de família ou... O que você pretende, o que está planejando?
R: É, no que eu tô trabalhando ainda, né? Eu trabalho com um juiz e..., nossa ele é super legal! A minha mãe trabalhou pra ele, lembra que eu falei?
75. E: Lembro, lembro.
R: Então, minha mãe trabalhou pra ele lá, ai não deu certo, tudo. Aí agora no feriado que eu fui, ai ele pegou e deu a chave pra ela, prá ela continuar trabalhando lá. Só que não sei como que vai ser.
76. E: Mas aqui você está fixa?
R: Aqui eu tô fixo, trabalhando tudo, prá ele faço tudo direitinho. Porque eu sou assim, eu gosto de fazer tudo correto, tudo certo. Não gosto de fazer nada errado. Porque eu sei que eu tô ganhando, né? Aí eu gosto de fazer. Aí eu falo assim prá mim mesma: “Se eu tô fazendo isso é porque eu quero ter alguma coisa na vida, né? ” Porque se eu não tivesse fazendo eu não queria nada, eu não queria saber de nada. Mas se eu trabalho é porque eu quero dar alguma coisa pra minha mãe, eu quero ter as coisas, as minhas coisas. Às vezes eu ajudo mais ela, mais os outros, meus irmãos, dou presente pros meus irmãos, pras minhas primas, e eu falo assim: “e prá mim?”. Só que aí às vezes eu ganho, sabe? Eu dando assim pras pessoas, eu recebo, porque minha mãe sempre falava assim, sempre que você dando, você recebe. Aí eu sempre faço isso, eu dou, eu dou, eu dou (risos). Aí depois que eu vejo assim que eu não dou nada pra mim ai eu vou ganhando! (risos)
77. E: Você vai ganhando de outras pessoas?
R: Assim, as minhas primas vai me dando.
78. E: Assim, naturalmente, sem você pedir nada?
R: É, sem eu pedir, daí eles dão, né? A minha tia às vezes assim, tem um presentinho! (risos) Não cooisas grandes assim, mas ela sempre me dá.
79. E: E só pra gente fechar aqui hoje R., porque o seu horário de aula já começou, qual que foi a maior dificuldade que você já teve no seu trabalho? Qual trabalho que foi, se foi trabalhando em casa de família, se foi como babá, ou se foi na época das plantas? Qual foi a situação mais difícil assim?
R: Acho que foi das plantas! (risos)
R: Foi, acho que é. É porque o saco, é... Você enche um saco, vai pegando as plantas e colocando no saco e tem que carregar na cabeça. E eu andava no mato e eu caía, os pernilongos entravam na minha roupa. E teve uma época que eu fiquei alérgica a bichos, tem pernilongo, mosquito, butuca, tem um monte de bichos que tem no mato. Minha perna ficou toda cheia de bolhas, eu não podia nem andar. As duas, minha perna. Aí tive que ficar em casa, não saía, chorava, chorava! (risos)
81. E: Você chorava porque tava doendo ou porque não podia trabalhar?
R: Eu chorava porque eu não conseguia andar! (risos) Era debaixo do pé, assim, sabe? Nas pernas, eu ainda tenho as marcas até hoje na minha perna! Aí eu acho que foi o das plantas mesmo, porque assim, babá, eu sempre gosto de criança, até hoje, sempre gostei, já cuidei de, de... nossa, de tanta criança eu cuidei! Acho que umas.... Quase dez crianças!
82. E: Nossa! Você entende bastante então de criança, né?
R: Entendo, eu cuidei dos dois filhos do meu primo, cuidei de um casal de uma enfermeira, cuidei, quando vim pra SP, cuidei de uma menininha, cuidava da minha sobrinha, ainda cuidava de uma outra menininha que o pai era separado da mulher, e daí deixava comigo a menininha. Aí cuidei dela, da minha sobrinha, cuidei dessa outra minha sobrinha que tem treze anos, cuidei..., nossa cuidei de tanta criança que eu nem lembro!
83. E: Tá ótimo R., a gente vai terminar e eu te agradeço muito.
R: Eu é que agradeço!
Transcrição da 2a entrevista com Roberta9: sujeito de pesquisa de dissertação de mestrado em Psicologia da Educação - PUC São Paulo
Local: Escola Estadual em São Paulo Dia 24 outubro 2006
84. E: Agora tá gravando. Fique à vontade R., deixe a bolsa aqui do lado. Então, eu queria retomar algumas coisas que a gente conversou semana passada, e eu queria que você contasse, o que você acha que atrapalhou os seus estudos? Assim, você parou um tempo, aí depois você voltou, estudou até a 5a e aí parou? O que que você acha que atrapalhou?
R: É que foi assim, eu fui morar junto com a minha vó, aí ela não queria que eu estudasse, ela queria que eu parasse de estudar.
85. E: Porque ela tava te ensinando aquelas coisas de cuidar de casa, né?
R: Aí quando eu voltei prá SP eu continuei a estudar, foi só aí que eu parei. Foi só da 4a, aí eu não estudei mais. Aí quando eu vim prá SP eu comecei a estudar.
86. E: E assim, é educação de jovens e adultos, né, que você tá hoje. Como você vê o seu relacionamento com os seus colegas de classe?
R: Ah, eu mantenho assim ter sempre amizade deles, de todos, né? Assim, eu sou uma pessoa legal, todo mundo gosta de mim, não tem ninguém que não gosta de mim.
87. E: Ah é? Você é popular então?
R: É, não tem ninguém que não gosta de mim, todo mundo fala comigo, e eu..., eu... como é que posso dizer...
88. E: Mas tem gente bem mais velha, né? Tem gente que já é vó, já tem uma família própria há bastante tempo.
R: Todo mundo gosta de mim, desde a escola, desde que eu estudei assim, a vida inteira, até hoje, todo mundo gosta de mim, sempre gostaram. Gosto de tratar bem as pessoas, era isso que eu tava querendo dizer! Gosto de tratar bem as pessoas, os colegas, todo mundo, merece ser bem tratado, ninguém gosta de ser maltratado. Aí eu trato meus colegas assim, super bem, legal, sempre tento conversar com eles, dou atenção. Mas também tem uns meninos que gostam de encher o saco, aí já não dá.