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Født sånn eller blitt sånn?

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4 Historien som kontekst

5.10 Født sånn eller blitt sånn?

A seleção, tratamento e análise das informações levantadas entre os alunos serão feitas a partir da abordagem qualitativa, combinada ao referencial teórico e metodológico da Psicologia Sócio-Histórica.

Dentre as várias formas possíveis de abordagem qualitativa para a seleção, tratamento e análise das informações (levantadas entre os alunos), foi escolhida a metodologia da Psicologia Sócio-Histórica. Essa metodologia não se apóia em um quadro explicativo abstrato da realidade, mas na teoria social das Ciências Humanas, que trata dos fundamentos e métodos de apreensão e explanação das relações entre os homens, e deles com a natureza, bem como da inserção e função do homem no processo de produção da sociedade.

Segundo Gonçalves (2001, p.122), ao contrário da metodologia abalizada pelo pensamento liberal - que prega a dicotomia sujeito-objeto e entende o sujeito como portador de uma razão instrumental ou soberana -, o método da concepção dialética materialista expressa as contradições objetivas do capitalismo e fornece o instrumental para desvendar sua essência conflitante. Essa característica, entre outras, aponta tanto a necessidade, quanto a possibilidade de transformar a sociedade.

O objetivo de Vigotski, em vários de seus textos do início do século XX, é reforçar a idéia de que a Psicologia estava em crise, pois não conseguia explicar os fenômenos que estudava, uma vez que os procedimentos até então adotados

tomavam, como parâmetro de pesquisa, a investigação tradicional e/ou experimental, isto é, tinham como estrutura o esquema ‘estímulo-resposta’. (VIGOTSKI, 1995, p. 50).

O que faltava, em sua opinião, era um método que fornecesse elementos para a compreensão do desenvolvimento e da constituição do psiquismo no modo de produção capitalista e do futuro socialista. Esse método também deveria ser capaz de analisar a relação do pensamento com a linguagem, e, permeadas que estão de contradições condizentes ao momento histórico atual, considerar que essas relações não são eternas, fixas ou imutáveis.

Com isso em mente, Vigotski, baseado no materialismo-histórico-dialético, propõe um novo método de análise, sustentado por três princípios:

i) dar ênfase aos processos e não aos objetos e/ou produtos: reconstruir o processo de constituição do fenômeno psicológico, desde sua origem, dito de outra forma, buscar suas determinações constitutivas;

ii) Privilegiar a explicação e não a descrição: a análise defendida na abordagem sócio-histórica se distingue por buscar, nos fenômenos psicológicos, as relações dinâmico-causais e não simplesmente descrever suas manifestações externas;

iii) Romper com o “comportamento fossilizado”: o pesquisador deve, quando da análise do fenômeno psicológico, tentar fazer uma análise histórica que reconstrói todos os pontos e faz retornar à origem do fenômeno do comportamento fossilizado - esse é expresso por frases automáticas e cristalizadas que, ao longo do tempo, foram se tornando “naturalizadas”.

No caso dessa pesquisa, considerando que a análise histórica deve apreender também a historicidade da subjetividade humana, o processo de constituição dos sentidos será analisado à luz da trajetória familiar, escolar e profissional dos sujeitos. No entanto, também será ponderada a história social na qual estão imbricados, com o auxílio das considerações científicas sobre a ideologia neoliberal e as transformações no mundo do trabalho, auxiliando, assim, na desconstrução de explicações naturalizantes.

Esse movimento dialético de análise (história social história pessoal) é possível graças à categoria da totalidade: em todas as suas expressões o indivíduo revela a totalidade social: a cultura, a ideologia, etc. Ou seja: o particular revela o todo, porém o todo não é a mera soma das partes.

Além disso, esse movimento de análise é imperativo, pois a aparência externa não coincide com sua verdadeira essência, sendo parcialmente elucidada quando o pesquisador, por meio das abstrações teóricas, caminha a partir do relato do sujeito (empírico) no sentido de descortinar as relações dinâmico-causais e as múltiplas determinações constitutivas do fenômeno.

O modo como as informações serão coletadas, e o momento da análise, serão orientados pela concepção de homem e de produção de conhecimento, pois ambas consideram que os dois (pesquisador e sujeito) estão envolvidos.

De acordo com Rey (2003), a relação do pesquisador com o sujeito se caracteriza como sendo uma:

que atuam um sobre o outro. Esta interação produz-se no enquadramento da prática social do sujeito que apreende o objeto na (e pela) sua atividade. Na verdade, sujeito e objeto mantém uma relação dialética, de unidade na diversidade.”

Não existe um momento de generalização de resultados em uma pesquisa na abordagem qualitativa, ela é essencialmente um processo teórico. O que ela poderá levantar são contribuições, no campo da teoria, para investigações com focos semelhantes. O objetivo da generalização, nessa perspectiva, não é comparar por meio de critérios estatísticos as amostras similares e representativas com condições equivalentes a fim de ampliar os resultados obtidos.

É importante destacar que uma das metas das análises nesta perspectiva teórica é desvelar fenômenos e fatos, explicitar as contradições e, nessa direção, “ousar

apontar caminhos mais críticos, menos naturalizantes e ideológicos.” (AGUIAR e

OZELLA, 2006). Todavia, considerando-se esse conjunto de explicações alcançadas como um todo mais ou menos coerente, cujos elementos funcionam entre si em numerosas relações de interdependência ou de subordinação, admite-se que “outros

determinantes poderiam ser contemplados nas explicações realizadas, mas que este é um momento do conhecimento atingido.” (idem – grifos nossos)

A epistemologia adotada ao longo de toda a pesquisa possui um caráter histórico e aberto, e, por conta disso, pressupõe um processo em que o conhecimento está em transformação constante. Tal mutação faz com que a “verdade” seja absoluta, por ser objetiva e possuir uma referência na realidade, e relativa já que a “referência para o

conhecimento é construção historicamente contextualizada que também se transforma”.

(OZELLA, 2002, p. 124)

Tomando então, como referência, tais pressupostos discutidos e utilizando-se dos instrumentos e procedimentos metodológicos descritos anteriormente, tornou-se viável analisar a presença do ideário neoliberal nos sentidos e significados sobre trabalho produzidos por estudantes de EJA, do 3º ano ensino médio.

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