A utilização de indicadores para a aferição do desenvolvimento foi iniciada em larga escala, no contexto do século XX, numa conjuntura marcada pelo crescimento econômico como sinônimo de poderio em tempos beligerantes. Foi o PIB (Produto Interno Bruto), uma medida que representa os bens e serviços produzidos no país, subtraído pelas despesas com os insumos utilizados no processo de produção durante um ano, o primeiro indicador relevante, no contexto internacional, a ser adotado. O PIB respondeu à lógica de que os países industrializados eram os mais desenvolvidos, portanto, se industrialização era tida como desenvolvimento, tal indicador era tido como aquele ideal para saber qual país estava mais desenvolvido.
Desta forma, este indicador simples foi utilizado, de forma indevida, para aferir as condições de qualidade de vida da população por longos anos em muitos países desenvolvidos e “em vias de” desenvolvimento, onde a divisão dos números do PIB pela população, o indicador PIB per
capita, permitiria ao pesquisador, assim, saber se as riquezas existentes
eram suficientes para a população de uma nação ou localidade qualquer. Porém, a realidade social, abundante em desigualdades materializadas em bolsões de pobreza, com habitações inadequadas, insalubridade ambiental, falta de serviços e equipamentos públicos para muitos cidadãos, trouxe à tona a necessidade de se refletir acerca do que o PIB per capita media. Este problema já havia sido ressaltado até pelos idealizadores do indicador, que se mostraram contrários à sua utilização, de forma isolada, para aferir o desenvolvimento.
Assim, diversas análises críticas foram formuladas, por parte de técnicos e cientistas das áreas econômica, social e ambiental, onde o ponto discutido foi acerca de qual era o modelo de desenvolvimento a ser seguido, e como medi-lo. Dessa forma, as falhas intrínsecas ao funcionamento do PIB per capita, enquanto indicador de desenvolvimento, levaram os tomadores de decisão a conclusão de que esse tipo de
informação não era capaz de servir de subsídios para a administração pública, ou seja, não havia uma ferramenta capaz de exprimir desenvolvimento social.
Como afirma Carley (1975), na década de 1960, o “movimento de indicadores sociais” buscou retrabalhar o conceito de desenvolvimento através da elaboração de estudos que focalizavam uma variada gama de dimensões consideradas responsáveis pelo bem-estar social. Com o objetivo de servir como subsídio para políticas públicas, os indicadores sociais foram desenvolvidos em diversos países e tornaram-se cada vez mais populares ao longo das décadas.
Diante das vantagens da utilização dos indicadores sociais, foi concebido o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Esse índice foi criado pela ONU no início da década de 1990 e representou o surgimento de uma nova fórmula de mensuração da riqueza das nações, baseada no conceito de desenvolvimento humano, na qual o desenvolvimento para a sociedade é desenvolvimento para as pessoas – as pessoas são a riqueza das nações. Dessa forma, além do aspecto econômico, devem-se aferir outros aspectos, tais como a longevidade e a escolaridade, ampliando, assim, o antes circunscrito conceito de desenvolvimento social como um reflexo do desenvolvimento econômico.
A criação desse indicador ocorreu diante da necessidade de se criar um índice simples, de fácil compreensão, que rivalizasse com o PIB e o PIB per capita, erroneamente utilizados em aspectos não só econômicos. As dimensões de escolaridade e longevidade foram postas em um patamar equânime com a dimensão econômica. Esse fato serviu como uma forma de explicitar a todos que a forma como se enxergava a riqueza das nações deveria mudar, modernizar-se a fim de ser mais factível.
A forma simples do IDH, com a representação de um resultado de 0 a 1, promovendo, em seguida, um rankeamento entre os países, de acordo com o resultado de cada um, trouxe os holofotes da comunidade em geral para a necessidade de esta rever seus conceitos sobre o que
seria realmente importante: possuir bens materiais ou uma qualidade de vida próspera que esses e outros bens, econômicos ou não, materiais ou imateriais, podem lhe promover. A organização do IDH ocorreu sob o comando do economista paquistanês Mahbub ul Haq e o auxílio do economista indiano, ganhador do Nobel, Amartya Sen, este, um renomado teórico do desenvolvimento humano.
É importante dizer que o IDH é parte do Relatório de Desenvolvimento Humano, um trabalho, anualmente publicado, que aborda estudos e caracterizações mais completas acerca do desenvolvimento humano no mundo. Dessa forma, o IDH serve como um chamariz para a leitura do relatório.
Depois do sucesso da utilização do IDH, tem surgido uma série de iniciativas que propõe a adoção de indicadores que se dedicam a outros temas pertinentes à sociedade, oriundos de diferentes conceituações e naturezas. Dessa forma, o processo de aumento na criação de informações acerca das condições de vida no mundo todo tem no IDH a experiência propulsora e exemplo de relativo sucesso na utilização de indicadores enquanto ferramentas de informação.
Como consequência da expansão na utilização de indicadores, no âmbito da sustentabilidade, houve a criação de indicadores que abordam o tema citado em diferentes países e localidades. De acordo com Gallopin (1996), este processo pode ser considerado como o principal componente da avaliação do progresso rumo a um desenvolvimento sustentável, mostrando-se importante pelo fato de eles possibilitarem o levantamento de informações sobre possíveis ameaças à sustentabilidade, como afirma Bossel (1999). Assim, a utilização de indicadores de sustentabilidade serve para a identificação de mudanças de padrões de sustentabilidade, numa escala de tempo que permita a tomada de decisão para a implementação de medidas que visem manter a viabilidade do sistema.