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Hoplitfalanks og stenderkamper

In document Antikke samfunn i krig og fred (sider 125-128)

Com base nas discussões relacionadas às diferentes formas de desenvolvimento, pode-se afirmar que a busca por uma vida satisfatória passa, então, pela satisfação de necessidades materiais, como nos alimentarmos, e imateriais, tais como nos relacionarmos, pois, como disse Sen (2004), analisar o ser humano somente com vistas as suas necessidades é tratá-lo como alguém que não possui escolhas e não muda a sua realidade, muito menos faz opções.

Viver bem se traduz na manutenção de certos aspectos, objetivos e subjetivos, desejáveis. O conceito que surgiu para analisar o “bem viver” é o de qualidade de vida. Este possui diversas conceituações e nenhum grande consenso na literatura científica. Alguns autores defendem a ideia de que existem tantos conceitos de qualidade de vida quanto a existência de pessoas, pois é um valor afetivo e que remete ao subjetivo de cada um. Fonte (2004), afirma que a base para a discussão do conceito se relaciona com a percepção que os sujeitos constroem e utilizam em sua vida cotidiana, apontando um aspecto fenomenológico, onde cada um possui seu distinto ponto de vista sobre os acontecimentos. Para Derani (1997), a qualidade de vida, no aspecto jurídico, é formada por dois aspectos: a vida material e o bem-estar físico e mental, onde a qualidade de vida sadia incorpora um mínimo de “bens e objetos materiais”, de ordem material, como necessidade para a satisfação de outras necessidades e demandas, que convergem para a um estado de “deleite espiritual”.

No aspecto geral, a qualidade de vida, segundo Guíllen-Salas (2005), é definida pelo resultado da interação de três aspectos, que são a satisfação, a condição de vida e os valores particulares. Dessa forma, a qualidade de vida gira em torno de um nível satisfatório de satisfação dos indivíduos, no que tange sua condição de vida, avaliada dentro de um universo de valores e concepções particular a cada cidadão.

No que tange à evolução do conceito, a expressão qualidade de vida está presente desde a antiguidade. Exemplo disto é o pensamento de Aristóteles, quando afirma que a finalidade do Estado é a promoção comum de uma boa qualidade de vida. (ARISTÓTELES apud SEN, 1999). A sua construção, como conceito, ocorreu paulatinamente, porém, o século XX marcou um processo de emersão das discussões. Como produto consciente do capitalismo, o progresso material foi tido como a tradução da satisfação de desejos que desembocam no sentimento de felicidade.

A transformação de recursos naturais em bens diversos foi posta como sinônimo de desenvolvimento, o país que mais produzia e consumia era considerado como o mais desenvolvido, sendo o PIB a principal medida para o escalonamento dos países em ordem de riqueza. Como o capitalismo é um sistema desigual por natureza, a evolução consumista de parte da população ocorreu a expensas da exploração de outra parte dos cidadãos. A exploração do homem pelo homem, potencializada e expressa na famosa “sociedade de classes”, gerou uma segregação sócio-econômica e também espacial.

A degradação do meio ambiente, tal como poluição dos corpos d’água, do solo, do ar e erosões, e a degradação dos serviços básicos oferecidos pelo Estado para o cidadão, colocou o conceito de qualidade de vida no foco do debate político e acadêmico internacional, nas décadas de 1960 e 1970.

Nesse contexto, o desejo por uma qualidade de vida confrontou-se com a ideia de “desenvolvimento a qualquer custo” fruto de uma visão de sistema fechado de mercado entre consumidores e produtores, que ignorava outros aspectos como a pobreza estrutural e a degradação do meio ambiente. Foi da preocupação relativa a este último que a qualidade de vida foi discutida, pois, na década de 1990, a preocupação com a qualidade ambiental assumiu posição de destaque nas discussões entre políticos e cientistas.

Como afirma Nahas (2002), foi na preocupação com a aceleração do processo de urbanização, que resultou em condições cada vez mais degradantes do meio ambiente, que surgiram dúvidas sobre a possibilidade de sobrevivência da espécie humana no planeta.

Posteriormente, a inclusão de aspectos sociais, oriundos da constatação de dinâmicas excludentes responsáveis pelo aumento no número de pessoas miseráveis, alargou a concepção de qualidade de vida nos grandes aglomerados humanos, bem como o reconhecimento de que componentes subjetivos de cada cidadão também contam para uma condição de felicidade.

Na década de 1990, pesquisadores como Romney; Brown; Fry apud Dissart e Deller (2000, p. 136), definiram três aspectos que explicam a grande diversidade de conceituações sobre a qualidade de vida e, consequentemente, a necessidade de relativização do conceito. Estes aspectos sinalizam que:

- processos de percepção dos indivíduos podem ser interpretados por diferentes concepções;

- juízos de valores particulares sujeitam cada interpretação do conceito; e

- contextos físicos e sociais desenvolvem um papel importante nesses juízos de valor. (ROMNEY; BROWN; FRY apud DISSART e DELLER, 2000, p. 136),

Em face desta “evolução” conceitual, a discussão acerca da qualidade de vida convergiu no sentido de que ela se materializa na

“(...) demanda por melhores condições de saúde e bem- estar (...) mas remete sobretudo a componentes de caráter imaterial, imprimindo ao conceito o enfoque do indivíduo, da pessoa, vinculado a aspirações por felicidade, bem-estar e satisfação pessoal. (NAHAS, 2002, p. 27).

Na aplicação para o meio urbano, o estudo da qualidade de vida se baseia na necessidade de se monitorar e avaliar o desenvolvimento das cidades e de seus problemas sócio-ambientais.

De forma geral, a utilização de indicadores para avaliação da qualidade de vida ganhou importância e tornou-se um canal de participação entre os setores políticos, institucionais e da sociedade. A necessidade de se levantar os anseios da comunidade, em busca de uma mediação entre ela e, a comunidade científica, e o poder público, trouxe a possibilidade de se legitimar políticas públicas e de governo, com

informações advindas de processos participativos, transparentes e de comum entendimento entre as partes.

4.7 Histórico da produção e utilização de indicadores

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