6 Samlet vurdering
6.2 Metodikk for vurdering
A área das ciências, ou remetendo ao 1.º CEB, a área de estudo do meio, deve ser promotora do desenvolvimento do aluno nas múltiplas dimensões da sua identidade pessoal e social, pois permite o contacto com muitas áreas temáticas proporcionando assim, a compreensão da realidade de contextos socio naturais e de processos sócio afetivos, competências de análise e reflexão, competências imaginativas e de abstração pela descoberta de temas relativos à realidade vivenciada por outros e atitudes e valores associados ao estudo das relações do homem com o ambiente (Roldão, 1995).
Youmans, em 1867, foi um dos primeiros a defender o ensino das ciências na escola, afirmando que o ensino das ciências, por desenvolver um conjunto alargado de capacidades mentais, devia ser implementado desde cedo, pois os alunos dispõem de uma vasta capacidade alargada para a acumulação de factos (Canavarro, 1999). Desta forma, abordar, na escola, conteúdos científicos e realizar atividades científicas não se prende só pelo interesse inato dos alunos, mas também pelas suas benéficas potencialidades.
A importância das atividades práticas e/ou experimentais no ensino das ciências tem sido reconhecida por diversos profissionais de ensino, constatando que através destas, é possível abordar conceitos fundamentais. No entanto, é essencial situar as atividades experimentais de forma adequada no processo de ensino e aprendizagem e evitar dois extremos igualmente prejudiciais, manter os alunos sem orientação ou não lhes criar oportunidades de iniciativa por excesso de instruções (Peixoto, 2014).
Desde o 1.º CEB que o ensino experimental deve ser a base do ensino das ciências, como já referido. De acordo com Pires (2002), o ensino, com recurso a atividades experimentais, permite aos alunos o desenvolvimento de processos científicos, como a observação, a classificação, a previsão, a identificação e controle de variáveis, entre outros, incluídos na aquisição de conteúdos. Deste modo, este tipo de atividades permite o desenvolvimento de competências cognitivas simples, relacionadas com a aquisição de conhecimento, que requere um baixo nível de abstração, o que se manifesta na capacidade de adquirir conhecimento factual e de compreender conceitos ao mais baixo nível, bem como competências cognitivas complexas relacionadas com a aquisição de conhecimento que exige um elevado nível de abstração e que se manifesta na capacidade de compreender conceitos ao mais alto nível e na aplicação de conhecimentos a situações novas.
15 Na Brochura Educação em Ciências e Ensino Experimental: Formação de Professores, é possível constatar as potencialidades do ensino das ciências, onde, alguns autores como Cachapuz et al. (2002), Fumagalli, (1998), Lakin (2006), Martins (2002), Pereira (2002), Santos (2001) e Tenreiro-Vieira (2002), citados por Martins et al. (2007, p. 17) enumeram algumas dessas potencialidades:
Responder e alimentar a curiosidade das crianças, fomentando um sentimento de admiração, entusiasmo e interesse pela ciência e pela atividade dos cientistas (…); Ser uma via para a construção de uma imagem positiva e refletida acerca da Ciência
(…);
Promover capacidades de pensamento (criativo, crítico, metacognitivo) úteis noutras áreas curriculares e em diferentes contextos e situações, como, por exemplo, de tomada de decisão e de resolução de problemas pessoais, profissionais e sociais (…);
Promover a construção de conhecimento científico útil e com significado social, que permita às crianças e aos jovens melhorar a qualidade da interação com a realidade natural (…).
Segundo Sá (1994), as potencialidades da educação em ciências são inúmeras e, a esse respeito, refere o seguinte:
Para muitas crianças, escrever uma composição sobre o Sol é certamente uma tarefa penosa e de duvidoso sucesso. Mas falar de um caracol por elas observado, descrever os procedimentos utilizados que lhes permitiram concluir que este animal gosta mais de alface do que de couve, é falar de uma experiência muito próxima em que houve efectivo envolvimento pessoal (Sá, 1994, p. 26).
Para Ward (1989) citado por Sá (1994, p. 28) “(…) o real poder da ciência não se manifesta nas coisas estritamente científicas (…), mas no modo de pensar, agir e acreditar em termos científicos, quando se lida com os problemas diversos da vida”.
Nos dias de hoje, é percetível que a ciência e a tecnologia se encontram em constante mudança. De forma a compreender estas alterações constantes é necessário que exista um contacto com a ciência desde cedo. De acordo com Sá (1994) as particularidades do mundo atual requerem uma educação científica desde os primeiros anos, nas escolas, como parte integrante do currículo de educação básica. Segundo este autor, as ciências podem ser, na sua dimensão, um contributo para tornar a escola um espaço ainda mais prazeroso e de satisfação pessoal para os seus principais utentes, porque oferecem a possibilidade de importantes realizações através das suas curiosidades e interesses espontâneos e inerentes à idade.
Segundo a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO), a ciência no 1.º CEB pode ser trabalhada de forma muito divertida, dado que os alunos são curiosos por natureza, pois possuem uma sede imensa de compreender o que os rodeia. Desta
16 forma, se o ensino das ciências incidir sobre tais curiosidades, explorando os caminhos que despertam o interesse dos alunos, será uma disciplina deveras interessante para eles (UNESCO, 1983, citado por Sá, 1994).
Na opinião de Gomes (2001), deve-se ensinar ciências aos alunos, porque permite uma abertura dos alunos ao mundo, desenvolvendo as suas formas de pensar, desenvolvendo as suas atitudes perante o que os rodeias, desenvolvendo também as suas capacidades de se relacionar com a tecnologia e fortalecer a capacidade de utilizar a Ciência na resolução de problemas do quotidiano.
Reunindo todos os contributos dos autores supramencionados, compreende-se que as potencialidades das ciências em sala de aula são inúmeras, principalmente para o aluno, mas também para o próprio sistema educativo. Para além das suas potencialidades, acresce, ainda, o facto das ciências serem um instrumento de renovação das práticas de ensino, especialmente, no 1.º CEB (Sá, 1994).
Com base nas potencialidades, anteriormente mencionadas, a promoção do ensino das ciências contribui para um aumento da literacia científica dos cidadãos. Por isso, mais do que contribuir para a aquisição de conhecimento científico por parte dos alunos, permite a aplicação desses conhecimentos adquiridos em situações reiais, mesmo que diferentes das aprendidas em situações escolares, dado que os alunos têm as capacidades necessários para adaptar os seus conhecimentos a outras situações conseguindo assim resolver as mesmas (Bastos, 2006). Por todas as potencialidades, já referidas, que o ensino de ciências proporciona aos alunos, atualmente já não se deveria aceitar nenhuma justificação para que esta prática não seja corrente em sala de aula, dado que a “Ciência para crianças é importante não tanto em função da Ciência, mas primordialmente em função da educação da criança, ou seja, do seu desenvolvimento intelectual, pessoal e social” (Sá, 2000, p. 4).
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2.3. Recursos didáticos para o ensino das ciências: Utilização de trabalhos