3. Særtrekk ved studie-‐ og læringssentra som virksomhetsform
3.1 Meglerfunksjonen
Ruth Escobar para protestar contra o descaso da Comissão Municipal de Cultura em priorizar o Teatro Municipal para companhias estrangeiras, edifício construído para atender aos anseios da elite paulistana. Neste sentido, diz-se que a produtora reivindicava mais ação do poder municipal na ampliação do número de casas de espetáculos, assim como para realizar sua manutenção e incentivo à produção teatral das companhias paulistanas. Além disso, Ruth Escobar começava a se posicionar, politicamente, em favor da classe artística, atraindo novos olhares para seu trabalho. Observo que a produtora aproveitou a ocasião para divulgar a construção de seu empreendimento: um teatro privado, erguido com recursos não governamentais.
Nessa primeira fase como produtora e atriz da Cia. Novo Teatro, apesar das dificuldades encontradas para fazer teatro no início da década de 1960, Ruth Escobar se destacou como empresária; função que era predominantemente dominada pelos homens. Aos poucos, ela conseguiu ampliar seu espaço de atuação junto às autoridades e à classe artística, seja por meio da negociação, da empatia ou do embate.
2.2 O signo do confronto: a contribuição do Teatro Ruth Escobar
Paralelamente às produções teatrais Males da Juventude (1961) e Antígone América (1962), Ruth Escobar iniciou um projeto de envergadura ao contexto paulista dos anos de 1960: a construção de seu próprio teatro.
A respeito desse primeiro passo, Ruth recordou que:
Num final de tarde, descia a Rua dos Ingleses em direção à minha casa, na Rua Santo Antônio, quando vi a tabuleta “Vende-se” ao lado de um mirante, bem onde um terreno despencava até o nível da Rua Treze de Maio. Olhei aquele buraco debaixo de chuva. Debrucei-me sobre a mureta que domina as escadarias em direção à Treze de Maio e à pequena Praça Dom Orione. Meus olhos, já embaçados, turvaram-se ainda mais. Da retina à mente, névoas propagavam-se em ondas de vertigem. Comecei a ver, sem nem mesmo poder olhar, aquelas névoas adquirindo formas indistintas, apenas sugeridas, apossando-se de mim, imprimindose em meu espírito com violência dolorosa e doce a um só tempo198.
Para a compra do terreno, Ruth Escobar afirmou que deu um “cheque sem fundos de 500 cruzeiros199, como sinal, e pedi ao dono que esperasse quinze dias para descontá-lo”200, assim teria tempo hábil para conseguir o dinheiro que quitaria a primeira parcela da dívida. Para isso, ela procurou o cônsul português chamado Diamantino, na cidade de Santos para ajudá-la a angariar fundos junto a colônia portuguesa. Durante a conversa, ele disse a Ruth Escobar que havia fama de subversiva junto aos imigrantes portugueses e, por isso, seria difícil que colaborassem. Para convencê-lo, ela justificou que o local se chamaria Teatro Gil Vicente. A estratégia adotada por Ruth Escobar surtiu efeito, o cônsul organizou um jantar no Ellus Club e, com isso, ela conseguiu o dinheiro necessário para pagar o cheque sem fundos. A vontade de construir seu próprio teatro fez com que a produtora procurasse outros empresários
198 ESCOBAR, 1987, p. 108.
199 Em entrevista concedida a Aramis Milarch, Ruth disse que o sinal foi de duzentos cruzeiros. 200 MENDES, Folha de São Paulo, São Paulo. 02 ago. 1981. p. 45.
colaboradores, no entanto recebeu insignificantes contribuições. Após sucessivas tentativas, Ruth decidiu recorrer aos banqueiros, mas também recebeu outras negativas: “volte na semana que vem”, “vou consultar a diretoria” ou “agora não é possível”, “volte mais tarde quando a obra estiver adiantada”201 foram algumas das respostas recordadas por Ruth Escobar. Nessas andanças, um banqueiro a aconselhou procurar a Caixa Econômica Federal para obter um empréstimo, a fim de quitar a compra do terreno e tentar um financiamento para dar início à construção do teatro. No entanto, o banco impôs condições para aprovar o crédito “chegar na primeira laje e provar que se poderia construir um prédio naquele local”202, lembrou Ruth.
Foi nesse terreno, situado na Rua dos Ingleses, próximo à Avenida Paulista (SP) que Ruth Escobar decidiu construir um teatro, espaço que seria palco de inovações e ações da vanguarda teatral brasileira. Em meio às dívidas contraídas desde a produção de Mãe Coragem e seus filhos, três filhos para criar e produzindo espetáculos com sua Cia, nos primeiros anos da década de 1960, Ruth Escobar decidiu comprar o terreno e enfrentar o desafio de construir seu teatro. Na época, o local escolhido foi motivo para desdenho entre os artistas, como recordou Nydia Licia em entrevista:
[...] morríamos de rir porque não era um terreno que ela ganhou [comprou] do Governador Adhemar de Barros, era um barranco. E conversando com o engenheiro um dia ele falou que o que ele pôs de cimento na obra, iria sustentar a construção pelo resto dos séculos. Muitas pessoas não tinham coragem de ir lá, porque não era um teatro cômodo, hoje em dia melhorou. Só existia a sala de baixo e tinha uma escada perigosíssima para descer. E muita gente não gosta da sensação de estar embaixo da terra. O pessoal do teatro brincou, caçoou, mas acabou bem satisfeito. Afinal era mais um teatro203.
Apesar de os próprios artistas criarem uma situação embaraçosa em torno do novo empreendimento teatral, Ruth Escobar não esmoreceu diante de tais provocações, provou a todos que naquele local - considerado inadequado - seria possível edificar seu teatro; ela estava decidida a transformá-lo numa tribuna dos artistas para a sociedade.
Pode perceber-se que, a atitude de Ruth Escobar em realizar um negócio sem disponibilizar de recursos financeiros imediatos e apostar na construção de um teatro, em condições adversas, demonstra o esforço realizado pela produtora para concretizar seu projeto. Ainda, é possível verificar, nessa atitude, a presença da persona de Ruth Escobar, isto é, o ato de desafiar suas próprias condições financeiras e prová-lo àqueles que não acreditavam em seu trabalho, evidencia a mudança de personalidade e as futuras ações que a produtora realizaria.
A repercussão da construção do teatro deu origem a uma série de histórias em torno das obras. Algumas delas foram criadas pela oposição dos próprios artistas ao ver o trabalho de Ruth Escobar ganhar espaço e repercussão. Em entrevista concedida ao pesquisador, o crítico Edélcio Mostaço, que acompanhou boa parte das produções realizadas por Ruth, relatou a respeito dessas histórias:
Uma das histórias famosas que circulam é sobre a construção do teatro. Quem me contou foi Plínio Marcos. O edifício fica ao lado de uma escadaria que une a rua de cima com a de baixo, é uma obra em terreno público; segundo Plínio, a Ruth ganhou alguns metros por que a noite ela mandava os pedreiros mudarem o limite da planta dela, porque na mesma época estavam construindo a escadaria e, desse modo, ela foi
201 ESCOBAR, 1987, p.111.
202 LADEIRA, Jornal do Brasil, 1974.
ganhando mais espaço. O Plínio jurava de pé junto que essa história é verdadeira. Eu, que convivi um tempo com ela, não acho improvável, nem falso204
A presença arrojada de Ruth Escobar no cenário político e na produção cultural contribuiu para a criação de muitas versões sobre suas iniciativas. A construção de um teatro - empreendimento de vulto - não poderia ser diferente, pois, de acordo com os depoimentos das testemunhas da época, Ruth Escobar sempre adotava uma postura que era a de não medir esforços na concretização de seus objetivos.
No início de 1961, os jornais noticiavam o novo empreendimento teatral na cidade de São Paulo:
Na rua do Ingleses [...] do Teatro Gil Vicente, iniciativa do Grupo Novo Teatro, o mesmo que [encenou] a peça “Mãe Coragem”, de Brecht. O terreno adquirido por 2 milhões de cruzeiros possibilitará a nova casa de espetáculos ter uma platéria de 350 espectadores. As obras deverão ser iniciadas nos próximos dias e concluídas em julho do corrente ano. Seu custo: 10 milhoes de cruzeiros. Os 7 pecados capitais do pequeno burguês, trabalho póstumo de Brecht205, será a peça de estreia do Novo Teatro, cujo
diretor-artístico [...] é Alberto D’aversa, que durante alguns anos dirigiu o TBC. Ao ato de ontem compareceram o prefeito Ademar de Barros [...], o secretário da Educação, sr. José Miraphio (?), o sr. S. Brandão, representante do comitê de Portugal e diretores e artistas do Novo Teatro206.
Vê-se, pela nota publicada, que Ruth Escobar tinha necessidade de iniciar a realização de projetos audaciosos, visto que desejava construir seu próprio teatro em menos de cinco meses207, num terreno sem condições de edificação por causa do declive. Mas as obras somente foram iniciadas em outubro, oito meses após o primeiro anúncio na imprensa208. Apesar de todos os seus esforços em tentar construir um teatro num curto espaço de tempo, o teatro somente ficou pronto em 1964, mais de três anos após o lançamento da pedra fundamental.
É necessário destacar a articulação que Ruth Escobar conseguiu realizar nesse início de carreira. De acordo com o jornalista Almir Azevedo do jornal A Noite (RJ) “o prefeito Adhemar de Barros lançou a pedra fundamental do “Novo Teatro”, que é dirigido por Alberto D’Aversa, que foi escolhido para a personalidade teatral do ano pelos “Diários Associados”. O novo teatro, em homenagem ao primeiro grande dramaturgo português, denominar-se-á Gil Vicente”. Isto é, num curto espaço de tempo, Ruth conseguiu estabelecer contatos que seriam essenciais aos seus futuros projetos. Para uma produtora que tinha iniciado seus trabalhos na área cênica em 1959 e, até aquele momento, realizado poucas produções, efetuar essa façanha demonstrava a sua perspicácia como empresária.
204 MOSTAÇO, Entrevista concedida a Eder Sumariva Rodrigues.
205 É necessário fazer uma reparação na nota publicada pelo jornalista: Os sete pecados capitais não é uma obra
póstuma do dramaturgo alemão. Esse texto foi escrito em 1933 em parceria com Kurt Weill. Até seu falecimento, em 1956, Brecht escreveu cerca de vinte e seis obras. Dentra elas pode-se citar: Mãe Coragem e seus Filhos (1938- 39/1941), A Boa Alma de Setsuan (1939-42/1943), O Círculo de Giz Caucasiano (1943-45/1948), Antígone (1947/1948) e Trumpetes e Tambores (1955).
206 TEATRO, Folha de São Paulo, 05 fev. 1961.
207 O jornal Folha de São Paulo noticiou novamente a construção da nova casa de espetáculos: “São Paulo será
dotado brevemente de mais teatro graças a iniciativa do Novo Teatro, grupo que iniciou suas atividades encenando há pouco “Mãe Coragem” de Bertold Brecht. Trata-se do Teatro Gil Vicente, cuja pedra fundamental foi lançada em terreno da rua dos Ingleses, local em que será levantado o edifício. A nova casa de espetáculos terá 300 lugares e o grupo do Novo Teatro pretende inaugurá-la ainda este ano”. TEATRO, Folha de São Paulo, 26 fev. 1961, p.4.
Com a intenção de angariar fundos à construção do teatro, no dia 27 de fevereiro de 1961, a Cia. Novo Teatro apresentou o espetáculo Poder sem glória209 na cidade de Santos. Esta apresentação também tinha como objetivo celebrar “o convênio firmado entre o governo português e a Secretaria de Informação, Cultura, Diversão e Turismo, [na qual] ficará o Teatro Gil Vicente franqueado a todos os conjuntos portugueses que se apresentarem em São Paulo com textos de autores portugueses e brasileiros”210.
A nota publidada na Folha de São Paulo anunciava a próxima montagem da Cia Novo Teatro, outra obra brechtiana. No entanto, observo que o texto Os sete pecados capitais de Brecht não foi a montagem de estreia da nova casa de espetáculos em São Paulo, tampouco D’Aversa foi o responsável pelo espetáculo. Em março de 1964, Ruth anunciou na mídia que o espetáculo de abertura seria A Capital Federal, de Arthur de Azevedo, sob a direção de Gianni Ratto211. Nessa ocasião, foi divulgado que a inauguração do Teatro Gil Vicente seria em setembro. Todavia, todas essas propostas foram substituídas: o texto escolhido foi A Ópera dos três vinténs212, também de autoria de Brecht, sob a direção de José Renato; e a inauguração ocorreu em dezembro de 1964. Em decorrência das dificuldades em angariar recursos financeiros para edificar o teatro, as obras sofreram atrasos. Apesar das mudanças na escolha do espetáculo de abertura, é perceptível que os espetáculos giravam em torno de um teatro político, objetivando dialogar com a sociedade. Notadamente, outro ponto a ser destacado na nota jornalística, foi a demanda orçamentária para realizar seus projetos que ultrapassaria o valor de 10 milhões de cruzeiros, uma quantia monetária signitifativa. Logo, constata-se que Ruth tinha o desejo de realizar produções de vulto para causar ainda mais impacto junto à imprensa, ao púbico e à classe artística.
No entanto, desde o início das obras, Ruth Escobar tinha Gil Vicente como um chamariz de recursos financeiros; na reta final das obras, em 1964, ela decidiu alterar o nome do teatro, passando a denominá-lo Teatro Ruth Escobar. A clara referência à sua própria pessoa demarcou território, demonstrou sua conquista e sua capacidade de concretizar projetos de notabilidade. A respeito dessa mudança, Ruth Escobar confessou que:
Já tinha o álibi para o teatro; era Gil Vicente, de quem eu tinha incorporado todos os diabos e até um anjo, o Anjo de Alma. Meu teatro se chamaria Gil Vicente – o maior gênio do teatro da língua portuguesa, só comparável a Shakespeare. Não seria um teatro, mas um exorcismo. Tumba e monumento, mausoléu e palácio, pecado e redenção, amor de perdição213.
Percebe-se que, desde o início de sua carreira, a produtora se utilizava de estratégias que burlavam os olhares das outras pessoas para alcançar seus objetivos. Ela não tinha pudor em realizar esse tipo de jogo. Neste caso, o nome do famoso escritor português serviu para promover e reverberar seu empreendimento, junto a diversos setores da sociedade paulista, particularmente, àqueles relacionados à cultura portuguesa. A produtora aproveitou desse trunfo, intencionando angariar verbas para a construção do tão desejado teatro “com apoio da comunidade portuguesa”, afirmou o arquiteto e cenógrafo José Carlos Serroni214.
209 Este espetáculo também não consta na trajetória de Ruth Escobar. Durante a pesquisa não foi localizada mais
informações sobre esse trabalho.
210 RECITA, O Estado de São Paulo, 22 fev. 1961, p. 9. 211 T. GIL, O Estado de São Paulo, 22 mar. 1964, p. 20. 212 Ver imagens de 36 a 52 no dossiê de fotos.
213 ESCOBAR, 1987, p.110. 214 SERRONI, 2002, p. 212.
Além dos percalços financeiros, a empresária enfrentou problemas burocráticos, “restrição que Ruth Escobar desconhecia ao comprar o imóvel”215, pontuou Rofran Fernandes. A Rua dos Ingleses estava localizada numa zona residencial, a construção de prédios não era permitida. Esta restrição, imposta pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), não foi suficiente para frear os planos da produtora. Para obter resultados favoráveis ao seu interesse, Ruth Escobar teve de entrar em contato com autoridades e vereadores com o intuito de a restrição municipal ser revertida. Para isso, Ruth Escobar fez uso de outra estratégia, como ela própria relatou em entrevista publicada no Jornal do Brasil de 20 de julho de 1974: “Consegui sensibilizar os vereadores, dizendo que estava disposta a arriscar numa casa de espetáculo. Para construir o teatro, eu inventei uma maneira que tem sido usada até para construir estádios de futebol. As pessoas pagavam cadeiras cativas e tinham o direito de, na noite de estreia, ir ao teatro de graça”216. Ainda que não haja mais detalhes sobre os bastidores das negociações, o fato é que ela conseguiu a liberação para a construção do teatro. O projeto tramitou na Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo e, em 06 de outubro de 1961, foi outorgada a Lei n. 5.386217 que autorizava a construção do teatro naquele terreno em área residencial.
Diversas dificuldades foram encontradas para o início da obra de seu teatro, inclusive, lidar com os desacreditados. Um desses casos foi o governador do estado de São Paulo, Adhemar de Barros. Ele “não acreditava que naquela ribanceira da Rua dos Ingleses até a 13 de Maio pudesse erguer-se um teatro. Ele me acompanhou até as obras e, debruçado sobre o palanque dos pedreiros, sorria maroto, como só ele sabia”218, recordou Ruth Escobar. Entretanto, ela não ficou somente nas palavras.
Até aquele momento, as montagens cênicas produzidas por Ruth Escobar - Mãe Coragem (1960), Males da Juventude (1961) e Antígone América (1962) - tinham um tom político definido por ela, através de discursos condizentes com o contexto em que estava vivendo. Essas primeiras produções serviram como uma espécie de ensaio para, futuramente, iniciar uma posição de confronto mais acirrada com o regime militar. Se, nessa fase inicial, Ruth Escobar provocava um frisson nos censores paulistas, construir seu próprio teatro significava a declaração de uma “guerra”. Neste sentido, o ato de erguer o Teatro Ruth Escobar serviu como um posicionamento estratégico para estabelecer uma relação de confronto com o governo militar, que se instalou em 31 de março de 1964, durante a construção do teatro.
Ao observar o contexto sociopolítico e compreender os rumos que começavam a pairar no país, Ruth Escobar tornou seu teatro em ponto de apoio e concentração daqueles que não eram a favor do regime militar. Constantes ações foram desenvolvidas naquele espaço: encontros, assembleias, fóruns, debates e, principalmente, apresentação de espetáculos. Tornou-se alvo de vigilância. O Teatro Ruth Escobar era considerado um local de “revolução”. Consequentemente, as ações de vigilância se expandiram para a pessoa de Ruth Escobar, “agente” responsável por inflar e persuadir os cidadãos que por lá passavam. Ela se tornou alvo dos arapongas, censores e militares que a vigiavam constantemente. Havia um estado de alerta em ambas as partes: de um lado, uma produtora que buscava a liberdade de expressão e a democracia do país; de outro, aqueles que faziam a manutenção da “ordem” do Estado.
Com a inauguração do Teatro Ruth Escobar, a empresária entrou, definitivamente, no circuito teatral paulistano ao provar que era capaz de concretizar projetos audaciosos, mesmo sendo mulher num universo dominado por homens. O Teatro Ruth Escobar vai ser lembrado, não apenas como um ponto de resistência, mas também como catalisador de ideias.
215 FERNANDES,1985, p. 22.
216 LADEIRA, Jornal do Brasil, 20 jul. 1974. 217 SÃO PAULO, 1961.
A respeito do Teatro Ruth Escobar, o crítico Jefferson Del Rios lembrou que:
O teatro abriu suas portas para os movimentos contra a censura, pela Anistia e pelas Diretas Já, reuniões memoráveis com a presença de algumas das altas personalidades de vida pública do Brasil. D. Helder Câmara, por exemplo. Em setembro de 1976, houve a suspensão, ou seja, proibição, do 1º Ciclo de Debates sobre a Cultura Brasileira. Foi feito um abaixo assinado ao General Geisel para que se anulasse a interdição. Quem o assinou? Fernando Henrique Cardoso, Ruy Mesquita, Paulo Duarte e outros intelectuais de peso. O ciclo foi liberado. O Teatro era o ponto onde nos reuníamos contra a censura, contra a repressão policial-militar. Resumindo, o Teatro Ruth Escobar foi, sim, um dos pontos de resistência à ditadura, uma das tribunas pelas liberdades públicas, o que termina com o movimento das Diretas Já. É um mérito de Ruth. O local foi ainda local de debates de movimentos feministas e de negros219.
Como se vê, a construção do Ruth Escobar não foi um esforço em vão da empresária. O local se tornou um dos principais pontos de resistência contra a ditadura militar, assim como abrigou a criação de movimentos sociais em prol das minorias; foi ponto de encontro de manifestações. Logo, também considerado pelos militares como foco de subversão.