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mai 2009 av arbeids- og inkluderingsminister Dag Terje Andersen

Exploremos melhor a relação de Lucas com o apóstolo Paulo e o início da vida de Lucas após a conclusão da sua formação escolar. Tomando como válidas as duas hipóteses, a de que Lucas não seria judeu ou seria um judeu helenizado, será importante perceber como é que o evangelista conheceu Paulo e se converteu à fé cristã. Dada a escassez de fontes sobre a vida de Lucas, achamos que é pertinente aproveitar os dados que os Actos dos Apóstolos, a epistolografia Paulina e algumas fontes extra-bíblicas fornecem. Vejamos o que dizem as obras de Ireneu, Eusébio de Cesareia e o Prólogo

131 Marcos chega mesmo a referir que nem o melhor lavadeiro à face da Terra podia corar as vestes de

Jesus (Mc. 8, 3). Também aparecem dois homens de vestes brancas na ressurreição e na ascensão de Jesus (cf. Lc. 24, 4 par. Act. 1, 9-10).

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Anti-Marcionita do Evangelho de Lucas. Para Ireneu, uma parte da cronologia da vida de Paulo também tem que ver com Lucas, nomeadamente o emprego da 1.ª pessoa do plural e a fundação da igreja antioquena e a descrição dos pormenores das viagens que ambos terão feito (mencionam-se os lugares de passagem, os dias, as condições meteorológicas, as adversidades que encontraram no caminho)133. Eusébio de Cesareia não aborda a questão do emprego do pronome «nós», mas realça a ligação entre Paulo, Lucas e os restantes apóstolos134.

Também Marcião de Sinope, no Prólogo do Evangelho de Lucas, destaca a relação entre Paulo, Lucas e os demais apóstolos e companheiro de pregação, mas não inclui qualquer referência ao emprego do plural em alguns passos dos Actos135. E o que dizem os textos bíblicos a respeito da relação entre Lucas, Paulo e os apóstolos? Comecemos pelos Actos. Lucas deverá ter conhecido o apóstolo e o companheiro Barnabé, na cidade de Antioquia da Síria (Act. 11, 19-26, especialmente 22-26, onde se destaca o encontro de Paulo com Barnabé). A fundação da igreja de Antioquia deve ter ocorrido cerca do ano 40-43 d.C. A aceitar a possibilidade de Lucas se ter convertido em Antioquia (Act. 11), ficamos sem saber o que terá feito durante os anos que medeiam estes dois acontecimentos - fundação da igreja antioquena e encontro na Tróade. Só na Tróade, que é a região em que o autor dos Actos começa a empregar a primeira pessoa do plural (é em Act. 16, 10 que se verifica a primeira ocorrência), podemos sentir, de certa forma, a presença de Lucas e de Paulo no contexto da missionação. Quando e como Lucas conheceu o apóstolo são duas questões que continuam por esclarecer. Segundo Carreira das Neves, a secção "nós" levanta muitos problemas, nomeadamente aquilo que Lucas diz sobre Paulo nos Actos e aquilo que o apóstolo escreve sobre si na epistolografia. Para este autor, «Lucas aparece e desaparece

133 É isso que defende Ireneu na sua obra Contra as Heresias. As secções do plural comprovam, no

entender do autor, que Lucas foi companheiro de Paulo. Cf. IREN. Adv. Haer. 3, 14, 1. Além da Carta

aos Colossenses, da Segunda Carta a Timóteo e da Carta e Filémon, continua por esclarecer a hipotética

presença de Lucas na Segunda Carta aos Coríntios (2 Cor. 8, 18-19): «Com ele [Tito], enviámos aquele [Lucas?] que é louvado em todas as igrejas, pela pregação do Evangelho, e que, além disso, foi escolhido pelas igrejas para nosso companheiro de viagem, nesta obra de generosidade que é administrada por nós».

134 A forma pormenorizada como Lucas descreve os locais de passagem, bem como a inclusão de

elementos cronológicos e topográficos, comprova o quão aprimorado era em termos de escrita e de investigação. Cf. EUS. HE III, 4.6: «Foi durante a maior parte do seu tempo companheiro de Paulo, mas a sua relação com os outros apóstolos não foi superficial». Cf. KEENER, Craig S., Acts […], pp. 407-409 e BRUCE, Frederick e FITZMYER, Joseph A., ob.cit., pp. 182-184.

135 Marcião refere que Lucas foi «discípulo dos apóstolos» (discipulus apostolorum) e «serviu o Senhor

79 da vida de Paulo, não de uma maneira artificialmente concertada, com lógica e sequência normais, mas historicamente acontecida»136.

E como justificar esta premissa? De acordo com o exegeta bíblico, «Tudo se explicaria, partindo do princípio de que Lucas pertence a uma segunda geração cristã em que as cartas de Paulo eram já conhecidas pelas diversas igrejas, mas nem sempre bem recebidas pelas mesmas»137. Lucas terá feito companhia a Paulo durante a sua permanência em Filipos, a qual Lucas caracteriza como sendo uma grande cidade (Act. 16, 12). A partir de Act. 16, 17, o autor não emprega o pronome «nós». Lucas fá-lo-á novamente em Act. 20, 5-6 (sublinhado nosso): «Estes [Aristarco, Secundo, Gaio, Timóteo, Tíquico, Trófimo], partindo à frente, esperaram-nos em Tróade. Quanto a nós, embarcámos em Filipos, após os dias dos Ázimos, e fomos ter com ele a Tróade cinco dias depois, demorando-nos lá sete dias». Lucas retoma o contacto com Paulo, que o havia ali deixado. Este segundo encontro em Tróade deverá ter ocorrido em 56/58 d.C. A inclusão dos pormenores cronológicos - «dias dos Ázimos»138 leva-nos a pensar que a partida do porto de Filipos ocorreu na semana da Festa da Páscoa Judaica, ou seja, nos fins de Março ou no princípio de Abril. De Filipos inicia-se o périplo pela Tróade, onde Lucas testemunha a ressurreição de Êutico (Act. 20, 8-12), Asso e Mileto. Interrompe- se, então, de novo, a parceria entre Lucas e Paulo.

136 Cf. NEVES, Joaquim Carreira das, Evangelhos Sinópticos, Lisboa, UC Editora, 2018 [ed. original

2002], pp. 314-315.

137 Cf. Idem, ibidem, p. 315.

138 Encontramos outra alusão à «festa dos Ázimos» em Act. 12, 3, quando se contextualiza a prisão e a

fuga miraculosa da prisão por parte de Pedro. Lucas faz jus ao que defendeu em Lc. 1, 1-2 e Act. 1, 1 - apresentar uma investigação cuidada e bem fundamentada, cheia de pormenores e preciosismos.

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Mapa 1 - As viagens apostólicas de Paulo | Fonte: lds.org/scriptures/bible-maps139

A partir de Act. 21, 1-18, inicia-se outra secção da 1.ª pessoa do plural. Vindo de Éfeso, Paulo viaja com Lucas por Cós e Rodes (Act. 21, 1). Os dois companheiros passam ainda ao lado da Fenícia, Chipre e navegam em direcção à Síria, desembarcando em Tiro (Act. 21, 3). Os dois companheiros permaneceram alguns dias em Tiro, porque ainda não era o momento indicado para irem a Jerusalém (Act. 21, 4). Depois de passarem por Ptolemaida e Cesareia (Act. 21, 7-8.15-16), Lucas e Paulo rumam, finalmente, a Jerusalém. Lucas realça a forma como foram recebidos pela comunidade (Act. 21, 17): «Quando chegámos a Jerusalém, os irmãos receberam-nos com alegria». Após esta passagem por Jerusalém, Paulo e Lucas só se encontrarão na viagem para Roma, quando o apóstolo Paulo iniciar o seu cativeiro (Act. 27, 1-28)140. Este cativeiro durou cerca de três anos (c. 61-64 d.C.). Paulo chegou a Roma por volta de 61 d.C. Foi durante um primeiro cativeiro em Roma, e alegadamente na companhia de Lucas, que Paulo escreveu a Carta aos Colossenses e a Carta a Filémon. As duas missivas devem ter sido redigidas entre 61-63 d.C. A presença de Lucas (e aceitando que se trata do mesmo autor dos Actos e do Evangelho) pode ser deduzida na Carta aos Colossenses (Cl. 4, 14, sublinhado nosso): «Saúda-vos Lucas, o médico amado [ἰατρὸς ἀγαπητὸς],

139 Vejam-se igualmente os mapas que figuram nos suplementos da tradução da Bíblia coordenada por

José Augusto Ramos e Herculano Alves - Difusora Bíblica, pp. 2141-2142. Decidimos não reproduzir os mapas de Adrian Curtis, pelo facto de não incluir a viagem de Paulo prisioneiro para Roma.

140 No nosso entender, Lucas foi com Paulo até Jerusalém, mas não acompanhou Paulo no cativeiro em

Jerusalém e tão-pouco em Cesareia. Caso contrário, como justificar que a partir de Act. 21, 19 desapareça o recurso à 1.ª pessoa do plural? A partida para Roma foi a única viagem de cativeiro que Lucas parece ter acompanhado na totalidade (Act. 27, 1-28). No segundo cativeiro em Roma, sabemos que Lucas esteve com Paulo (2 Tim. 4, 11). Mas como se deu este encontro?

81 assim como Demas». É este versículo que tem sustentado a tese de que Lucas seria médico, mas não sabemos se há alguma correspondência com o Lucas evangelista. Na Carta a Filémon (Flm. 24), Paulo nomeia Lucas como sendo um dos seus «colaboradores» (συνεργοί). Não deixa de ser interessante que esta é a única vez em que Paulo fala de Lucas desta forma, como se tratando de um «colaborador».

Na Carta aos Colossenses, Paulo trata-o como «médico». Marcos, Aristarco e Demas juntam-se ao rol dos nomes de colaboradores a que Paulo alude. A última referência está na Segunda Carta a Timóteo, escrita durante o segundo e último cativeiro (66/67 d.C.), ou seja, no final da vida de Paulo141. Nesta missiva, Paulo menciona a figura de Lucas por ser o único que naquele momento tão difícil/frágil o tem apoiado. Mais ninguém está com ele, só Lucas (2 Tm. 4, 11, sublinhado nosso): «Vem ter comigo [Timóteo] quanto antes, pois Demas abandonou-me. Preferiu o mundo presente e foi para Tessalónica. Crescente foi para a Galácia e Tito para a Dalmácia. Apenas Lucas está comigo». Pode tratar-se do «médico Lucas» da Carta aos Colossenses e da Carta a Filémon, mas não sabemos. Esta é uma hipótese que se deve equacionar. Em termos de cronologia, a Segunda Carta a Timóteo foi a última missiva que Paulo escreveu. Não houve mais nenhum documento escrito142.

A questão é que as matérias supra analisadas levantam dois problemas: por um lado, não sabemos se estamos a analisar o mesmo Lucas, aquele que conhecemos dos Evangelhos e aquele que a tradição liga à figura de Paulo (o «Lucas, companheiro de Paulo»); depois, há outra problemática que não nos cumpre aqui aflorar (porque foge ao âmago da nossa investigação), ainda que pertinente: a autenticidade das cartas de Paulo. De todas as missivas que referimos, apenas a Carta a Filémon é considerada autêntica.

141 Queremos deixar a ressalva de que muitas das datas que apresentamos para contextualizar a produção

epistolográfica de Paulo são aproximações ao que terá acontecido na realidade. Reproduzimos a proposta cronológica que consta nos suplementos da Bíblia Sagrada, coordenação de José Augusto Ramos e Herculano Alves, Lisboa/Fátima, Difusora Bíblica/Capuchinhos, 2010, p. 2133. Veja-se também a cronologia oferecida por BARRERA, Julio Trebolle, A Bíblia judaica e a Bíblia cristã, Petrópolis, Edições Vozes, 1999, p. 288. Paulo tinha consciência de que aqueles eram os últimos dias da sua vida e, aparentemente, o suposto Lucas evangelista esteve com ele. Paulo dá por concluída a sua missão (2 Tm. 4, 6-7.11.18): «Quanto a mim, já estou pronto para me oferecer como sacrifício; avizinha-se o tempo da minha libertação. Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel. Apenas Lucas está comigo. O Senhor me livrará de todo o mal e me levará a salvo para o seu Reino celeste». Sobre a condição de Paulo enquanto prisioneiro, cf., e.g., Flm. 1 e 2 Tm. 1, 8.

142 Marcião refere que Lucas acompanhou Paulo até ao seu martírio, em Roma, no ano 67 d.C. - «postea

uero paulum secutus est usque ad confessionem eius». Mas a obra dos Actos nada nos diz sobre a morte

de Paulo. Apenas se refere que Paulo ficou em Roma durante dois anos. Sobre esta problemática, cf. RODRIGUES, Nuno Simões, Iudaei […], pp. 718-719.

82 A Segunda Carta a Timóteo e a Carta aos Colossenses integram a denominada «pseudo epistolografia» paulina, ou seja, trata-se de missivas que foram redigidas por discípulos ou colaboradores de Paulo e não pelo próprio apóstolo. E esta questão remete-nos para o ponto inicial do nosso problema: até que ponto há uma correspondência não só entre o «Lucas médico» da Carta aos Colossenses, o «Lucas» da Segunda Carta a Timóteo e da Carta a Filémon e o «Lucas colaborador»? Tratam-se da mesma pessoa? Haverá alguma relação entre os «dois Lucas» («Lucas médico»/«Lucas colaborador»)? E o «Lucas evangelista» (a quem é atribuída a autoria do terceiro Evangelho, apesar de nenhum dado bíblico o confirmar, mas apenas fontes extra-bíblicas)? Estamos perante um conjunto de questões que ainda precisam de ser aprofundadas143.

Outros pormenores sobre a vida de Lucas são fornecidos por Marcião de Sinope. De todas as fontes extra-bíblicas que consultámos, Marcião é o único que alude a alguns dados da vida pessoal de Lucas. Recuperemos, em jeito de síntese e como forma de conclusão do estudo da biografia de Lucas, aquilo que dissemos no início deste capítulo. Sabemos que, alegadamente, Lucas nasceu em Antioquia. Em termos de relações conjugais, Marcião refere que Lucas adoptou um estilo de vida celibatário, tendo, portanto, prescindido do matrimónio (Uxorem numquam habuit) e não teve descendentes (filios numquam procreauit). O facto de não ser casado ter-lhe-á eventualmente permitido acompanhar os apóstolos nas suas viagens de missionação144.

Em termos profissionais, alegadamente, Lucas terá sido médico e terá desempenhado esta profissão ao longo de toda a sua vida. Assim se depreende por aquilo que lemos em Act. 28, 8, quando Lucas diagnostica a doença do pai de Públio. Em relação às suas qualidades enquanto escritor, acreditamos que terá aprimorado o gosto pela escrita numa fase final da vida. Lembramos que o conjunto Evangelho-Actos deverá ter sido produzido entre 70 e 80 d.C. Neste sentido, o que parece mais plausível é que Lucas se tenha dedicado à medicina durante a sua juventude e em parte da idade adulta. Lucas recolheu toda a informação sobre a vida de Jesus, sobre a missão dos apóstolos e o

143 Sobre a «epistolografia autêntica» e a «pseudo epistolografia», cf. a síntese de LOURENÇO,

Frederico, Bíblia - Actos […], pp. 23-24 e de NEVES, Joaquim Carreira das, O que é a Bíblia […], pp. 383-426.

144 Lucas não conheceu directamente Jesus, ou seja, não foi uma testemunha ocular dos milagres que ele

operou, conforme refere em Lc. 1, 2-3. Além disso, Lucas também não acompanhou o processo de eleição dos apóstolos. Contudo, de todos os evangelistas, Lucas é aquele conhece melhor a forma como eles foram escolhidos. Cfr. Lc. 6, 12-16, Mt. 10, 1-4, Mc. 3, 13-19 e Jo. 1, 38-51. Sobre o celibato, cf., e.g., 1

Cor. 7, 1-9.29-32 e Mt. 9, 10-12. Esta pode ter sido uma opção de Lucas. Pedro devia ser casado. Assim

83 périplo por várias cidades do Mundo Antigo e, após a conclusão do processo de averiguação dos factos (Lc. 1, 1-4 e Act. 1, 1), Lucas deitou mãos à obra e escreveu as duas obras com a minúcia que o caracteriza. Infelizmente, não dispomos de uma data para o nascimento e para a morte de Lucas, mas sabemos com que idade eventualmente terá morrido. Segundo Marcião, Lucas morreu com idade avançada (84 anos), na Beócia (octoginta quattuor annorum obiit in boeotia)145. Mas terá sido martirizado? Morreu de forma natural? Em que circunstâncias?

Apesar de existirem algumas fontes dos primeiros séculos da era cristã que fornecem dados bastante importante sobre a vida de Lucas, os Actos dos Apóstolos e a epistolografia paulina são, em nosso entender, duas fontes cruciais para traçar o itinerário da vida do autor do terceiro Evangelho e dos Actos. Por outras palavras, podemos admitir que a cronologia da vida de Paulo é indissociável da vida de Lucas. Elaborar a biografia de uma personagem nuclear como Lucas é uma tarefa complexa, sobremaneira dependente de outros dados. Ficam muitas questões por esclarecer. O caso mais paradigmático envolve a origem étnica de Lucas: seria judeu helenizado ou um não-judeu? Será que Lucas continuou o processo de evangelização iniciado pelos apóstolos? Se assim for, qual foi o «teatro de pregação», i.e., por onde andou Lucas? Terá seguido o mesmo itinerário de Paulo e dos restantes companheiros?

Antes de encerramos estas considerações, decidimos elaborar uma tabela que funciona como uma cronologia da vida de Lucas, com objectivo de ajudar a clarificar algumas das ideias que desenvolvemos neste estudo biográfico.

A tabela pretende não mais que ser um referencial sobre a vida do autor. Desta forma, acreditamos que se perceberá melhor a personagem e o seu percurso de vida. Trata-se apenas de uma proposta cronológica. A cronologia deve ser encarada com alguma cautela, até porque há datas (como é o caso da do martírio de Paulo) que estão envoltas numa enorme discussão. Nos últimos anos deram à estampa alguns livros de exegese que versam sobre o estudo da obra de Lucas, mas poucos têm sido os trabalhos da especialidade que se dedicam à construção de uma biografia do autor. A tabela

145 Cf. GUTWENGER, Engelbert, ob.cit., p. 393. Segundo Frederick Bruce, para analisarmos a data da

morte de Lucas é preciso juntar outro dado: a datação do livro dos Actos. Cf. BRUCE, Frederick, Hechos […], pp. 8-16.

84 (Tabela 3) que abaixo reproduzimos poderá ajudar a colmatar a lacuna existente na bibliografia e encetar novos percursos de análise de uma figura fulcral como Lucas146.

Tabela 3 - Cronologia da vida de Lucas (proposta)

146 Para uma síntese da vida de Lucas, cf. STEGEMANN, Wolfgang, «Luke» in CANCIK, Hubert e

SCHNEIDER, Helmuth (eds.), Brill's Encyclopedia of Ancient World - New Pauly, Leiden-Boston, vol. 7, 2007, cols. 833-834.

Acontecimento Referência bíblica/Fonte Ano aproximado

Nascimento de Lucas

EUS. HE 3.4.6./Prólogo Anti- Marcionita (cf. GUTWENGER,

Engelbert, ob.cit., p. 393)

Início do século I? (± 5/10 d.C.)

Conversão de Lucas (Antioquia) Act. 11, 19-26 ± 40/43 d.C. Lucas e Paulo em Tróade,

Samotrácia, Filipos e Neápoles Act. 16, 10-17 ± 50/51 d.C.

Novo encontro em Tróade Act. 20, 7-12 ± 56/58 d.C.

Lucas, companheiro de Paulo? 2 Cor. 9, 18-19 ± 56-58 d.C. (57 d.C.?) Passagem por Tiro, Ptolemaida,

Cesareia e Jerusalém Act. 21, 1-18 ± 58/60 d.C.

Viagem para Roma. Passagem

por Cesareia, Creta e Malta Act. 27, 1-28 ± 59/60 d.C. Paulo em Roma (1.º cativeiro) Act. 28, 16 ± 61-63 d.C. Lucas, companheiro de Paulo? Cl. 4, 14 (1.º cativeiro) ± 61/63 d.C. Lucas, companheiro de Paulo? Flm. 24 (1.º cativeiro) ± 61/63 d.C. Lucas, companheiro de Paulo? 2 Tm. 4, 11 (2.º cativeiro) ± 66/67 d.C.

Lucas acompanhou Paulo até ao martírio em Roma

EUS. HE 3.4.6. e GUTWENGER, Engelbert,

ob.cit., p. 393

± 67 d.C.

Redacção do Evangelho de Lucas

EUS. HE 3.4.6., IREN. Adv. Haer. 3, 14, 1 e Prólogo Anti- Marcionita do Evangelho de

Lucas (ob.cit.)

± 75/80 d.C.

Redacção do livro dos Actos

EUS. HE 3.4.6., IREN. Adv. Haer. 3, 14, 1 e Prólogo Anti- Marcionita do Evangelho de

Lucas (ob.cit.)

± 80 d.C.

Morte de Lucas (Beócia) Prólogo Anti-Marcionita do Evangelho de Lucas (ob.cit.)

Lucas morreu com 84 anos Meados da década de 80/início da década de 90 (± 85/90 d.C.?)

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