. Antonio Carlos de Mendes Thame – PSDB/PFL (1993-1996)
Nas eleições de 1992 Piracicaba contou com nove candidatos a prefeito, destes somente dois tinham chances reais de vitória: Antonio Carlos de Mendes Thame – PSDB e Antonio Osvaldo Storel – PT. Herrmann Neto e Adilson Maluf não se candidataram a prefeito nessa eleição. Thame era deputado federal e gozava de grande popularidade naquela ocasião, ligado ao campo conservador seu discurso era voltado a classe média, que agora tinha o seu candidato. O PT com a candidatura Storel (que havia ocupado os cargos de Secretário do Bem Estar e depois Presidente da Emdaph), pagava o preço pela falta de comunicação com a classe média, a elite e a imprensa, além da popularidade do prefeito José Machado não ter se transferido para o candidato Storel. “O PT iria, ainda, pagar o preço de sua desunião, da falta de entusiasmo de sua militância em relação a candidatura de Antonio Osvaldo Storel. Nem a Igreja católica, nem a UNIMEP exerceram influencia nestas eleições” (Netto, 1992 p. 248).
A vitória eleitoral de Thame, foi resultado de um arco de alianças das forças conservadoras em Piracicaba. “Thame conseguiu compor um leque partidário ideologicamente conflitante e heterogêneo. Sendo do PSDB, aliou-se ao PFL, ao PTB, ao PV (Partido Verde) e contou com o apoio, também, do PDS e PL. Para vice-prefeito, teve como companheiro e ex-diretor da E.S.A. ‘Luiz de Queiroz’, Humberto de Campos” (idem, p. 247).
Durante a administração Mendes Thame o movimento popular organizado que havia participado ativamente no processo do orçamento participativo no governo de José Machado, via-se novamente relegado a condição de espectador do processo político- administrativo durante a gestão do PSDB. No entendimento de Cláudio Arruda delegado do OP durante o governo José Machado o movimento popular desejava a continuidade da participação no processo da gestão, mas “o novo prefeito (Thame) começou a ir aos bairros
no início do mandato e a manter contatos com outros aliados, desrespeitando as lideranças identificadas com o processo anterior. Caso as lideranças identificadas com o processo participativo resolvessem enfrentar (fazer oposição) ao novo prefeito defendendo a proposta do orçamento participativo, seriam desassistidas pelo novo governo e isso deixaria o bairro sem atendimento as suas demandas” (Silva, 1997 p. 170).
No governo do PSDB houve um refluxo no movimento popular. Nesse período o “município de Piracicaba é administrado pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), sendo 08 (oito) anos consecutivos de pouquíssima participação popular, referente aos mandatos de Antonio Carlos de Mendes Thame (1993-1996) e Humberto de Campos (1997-2000). A participação popular, nesse período ficou de lado e algumas Associações de Moradores acabaram desaparecendo e outras não elegeram mais seus representantes, argumentando que não tinham mais interesse, pois a prática do governo PSDB, era de trabalhar com pequenos grupos de moradores, dentro do Gabinete do Prefeito (...) Portanto, neste período, a participação popular foi pífia, uma vez que as regras de atendimento junto a população eram orientadas de cima para baixo, ou seja, a administração municipal tomava todas as decisões sem nenhuma consulta prévia junto a população” (Orsi, 2004 p.25).
Ao invés de ocorrer à participação como nos moldes do governo anterior, no governo Thame, as articulações em torno das demandas se dava no “Gabinete do Prefeito eram tomadas todas as decisões, juntamente com os (as) vereadores (as) que representavam aquela população, preferivelmente dos partidos que apoiavam a administração” (idem, p. 28).
A gestão Mendes Thame - PSDB-PFL utilizou-se de várias maneiras para “desestimular a continuidade do processo da participação popular no orçamento: ‘cooptação das lideranças do movimento popular, inclusive petistas, buscou outros atores nos bairros ignorando as lideranças identificadas com o processo participativo do governo petista, só atendia as reivindicações de pessoas que tiveram alguma ligação com o novo governo ou que fossem oposição ao governo Machado ...” (Silva 1997, p. 164).
Uma questão importante a se colocar sobre a “facilidade” com que o governo Thame conseguiu “eliminar” a participação popular na sua gestão à frente do executivo local, está relacionado, como vimos anteriormente, a participação popular ocorrida nos governos Herrmann Neto e José Machado, que só foi possível graças ao estímulo e a
vontade política desses governos em abrir a gestão pública a participação da sociedade organizada. Careceu ao movimento popular autonomia, independência e organização própria para exigir a participação popular na gestão local. Assim governos autoritários e centralizadores, como os que estiveram à frente da prefeitura local no período de 1993- 2000, não encontraram oposição do movimento popular para reivindicar a participação nas decisões das políticas públicas como ocorreu durante a primeira experiência do OP entre 1989-1992.
. Governo Humberto de Campos - PSDB (1997-2000)
Em 1996 era eleito prefeito em Piracicaba Humberto de Campos pelo PSDB. Durante a gestão do prefeito Thame, Humberto de Campos havia sido seu vice-prefeito e Secretário de Educação, tratava-se portanto da continuidade do governo anterior, marcado pelo conservadorismo e da gestão pública centralizada avessa a participação popular. Nessas eleições o ex-prefeito José Machado não concorreu preferindo dar continuidade ao mandato de deputado federal. A candidata à prefeita pelo PT foi a ex-Secretaria de Administração durante a gestão petista de 1989-92, Esther Silvestre da Rocha que embora com expressiva votação fora derrotada pelo candidato do PSDB.
O movimento popular durante a gestão do prefeito Humberto de Campos, assim como havia ocorrido na gestão anterior do prefeito Thame, continuou como espectador das decisões a cerca das políticas públicas. Só era convocado a participar de reuniões no gabinete do prefeito as lideranças que tinham proximidades políticas com o governo ou a participação era intermediada por vereadores da base de sustentação do prefeito. Durante o mandato de Humberto de Campos ocorreu acentuado refluxo da organização popular no município. Segundo depoimento da conselheira do OP na segunda gestão (2001-2004) do governo José Machado, Aparecida Teotônio, durante o governo Humberto de Campos a participação da comunidade se dava de forma parcial e consultiva “o prefeito convidava algumas lideranças comunitárias que sugeriam algumas demandas, a partir desse encontro o prefeito com o secretariado definia a portas fechadas os investimentos em alguns bairros”.
Um outro fator que contribuiu para esvaziar a participação popular no governo Humberto de Campos, está relacionado a utilização dos Centros Comunitários pelos Clube da Infância e Juventude “Os grupos de pais eram trabalhados nas sedes dos Clubins (Clube da Infância e Juventude), apenas voltados para a integração da família e das crianças envolvidas e às vezes se integrava a rede escolar” (Orsi, 2004 p. 35). Essa medida tomada pelo prefeito Humberto em instalar os Clubins nos Centros Comunitários teve o efeito de afastar a comunidade dos bairros que tradicionalmente ocupam esse espaço para as discussões e encaminhamento das demandas a prefeitura.
Durante a segunda gestão do PSDB, como já abordado, ocorreu um significativo refluxo do movimento social em Piracicaba. Essa questão exige um analise mais apurada, pois quando se discute formas de participação da sociedade na gestão local, é necessário como condição para o sucesso na implantação de instituições deliberativas a autonomia por parte do movimento social organizado. Conforme já abordamos nos capítulos anteriormente, não basta haver vontade política do governo em implantar mecanismos como o OP, sem a participação não existe gestão participativa. A cultura da participação exige além da autonomia por parte do movimento social, tempo para que este possa se desenvolver e garantir que instituições deliberativas alcancem resultados positivos. E isso não aconteceu em Piracicaba como essa pesquisa demonstra.