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3. Statsbudsjettet medregnet folketrygden for 2005

3.2 Gjennomgang av forslaget til statsbudsjett for 2005 etter den vedtatte

3.2.18 Rammeområde 18 (Samferdsel), under samferdselskomiteen

3.2.18.2 Komiteens merknader

Alguns autores (Molano, Cubides) usam o termo vanguarda colonizadora para se referir à guerrilha dos anos setenta cujo papel foi acompanhar o deslocamento das populações para regiões da fronteira colonizadora caracterizadas pela ausência da presença estatal. A guerrilha das FARC vista neste papel, é foco de análise para alguns autores como Cubides, que vêem nesta um fator da ordem em uma região, que consegue estabelecer uma relação de simbiose com a população.

O que assinala Pécaut (1999) sobre essas zonas de “maior” proximidade com a guerrilha é que a população civil está subordinada e proibida de toda ação coletiva autônoma. As lógicas de proteção que a população desenvolve com estes atores supõem a obediência em lugar da cidadania, os direitos e as formas de ação própria. Por isto, explica o autor, mesmo nestes núcleos tradicionais de poder da guerrilha, seu poder rapidamente começa a ser percebido como opressor, “a coerção utilizada pelos núcleos de poder toma geralmente caracteres arbitrários, os excessos e a proteção se parecem fortemente ao terror” (p.3). Apresenta-se também para este autor uma dissociação das demandas e necessidades da população e dos objetivos perseguidos pelas guerrilhas, que em um começo mobilizaram a população levando em conta suas demandas, mas logo estas foram desviadas em proveito dos objetivos militares das guerrilhas.

Haveria outros tipos de regiões onde a guerrilha toma características diferentes e estabelece relações diferentes com a população, priorizando os interesses econômicos e estratégicos. Isto se dá como resultado da expansão da guerrilha às zonas de dinamismo econômico onde há forte presença estatal. A partir da sétima conferência em 1982, as

FARC adotam uma estratégia de crescimento baseada no desdobramento dos frentes existentes, e para isso prioriza a diversificação das finanças. Em quanto aos determinantes financeiros que fizeram possível o aumento de frentes, a coca na primeira metade da década dos oitenta joga um papel decisivo. As FARC se inserem nesta atividade no departamento do Cauca em zonas que coincidem com as da presença indígena, promovendo o cultivo da coca dentro desta população.

Segundo Camilo Echandía (1999), embora a maior capacidade militar das guerrilhas colombianas continua estando nas zonas de implantação dos primeiros núcleos guerrilheiros, onde têm suas fontes de financiamento mais estáveis, a geografia da presença guerrilheira reflete com claridade como avança de maneira cada vez mais evidente para as zonas que lhe proporcionam vantagens estratégicas no confronto. O aparecimento, na década dos noventa, de novos frentes guerrilheiros se produz primordialmente em regiões com atividade econômica dinâmica ou em zonas próximas aos centros administrativos e políticos mais importantes do país.

Aparecem então zonas onde a guerrilha estabelece relações diferentes com a população, estas zonas são catalogadas por Cubides (2004) como regiões de relação parasitária, onde a guerrilha não se implanta firmemente e extrai recursos com certo auto-regulamento, mas sem os retribuir de maneira adequada. Há também zonas aonde a guerrilha chega com o intuito de se expandir em algum momento futuro, mas nas que sua atividade principal é destrutiva, predatória. Nestas zonas, a guerrilha parece ser um fator de insegurança e temor, que desestabiliza as atividades cotidianas e a vida normal dos povoados. Acentua-se nestas zonas a escassa identificação da população com os atores armados, traço que vai ser comum com os paramilitares, que chegam usando estratégias baseadas no terror sobre a população como massacres, assassinatos seletivos, ameaças e torturas.

Segundo Cubides (2004). a acumulação por parte da guerrilha de recursos de poder econômico e organizacional fez possível com que esta organização pudesse estabelecer nos territórios que controla um domínio que apela unicamente á coerção e ao terror, que não traz, porém, legitimidade entre a população. O presente trabalho discordará em certo sentido desta afirmação, já que, embora as entrevistas realizadas

não sejam representativas da população rural colombiana, mostram certos graus de aceitação das propostas dos grupos guerrilheiros entre membros da população camponesa principalmente, salientando a necessidade de introduzir nuances pelo menos neste tipo de teses sobre a legitimidade da guerrilha nas zonas rurais.

Seguindo com a argumentação destes autores, ambos os tipos de zonas, de retaguarda e de expansão estratégica, sofrem alterações com a chegada de um segundo ator, os paramilitares, que na região propriamente de estudo começam a operar desde os anos 90s, mas chegam como AUC (Autodefesas Unidas de Colômbia) só até o ano 2000.

Nas zonas de domínio tradicional da guerrilha, muda radicalmente o valor da proteção que podiam oferecer as guerrilhas. Os grupos paramilitares chegam às regiões de domínio tradicional da guerrilha e tentam quebrar os laços de apoio da guerrilha por meio de técnicas que procuram semear o medo e desaparecimento de membros da comunidade que se identificam como colaboradores da guerrilha. Multiplicam-se os assassinatos seletivos, as torturas e os massacres que procuram na maioria das vezes o deslocamento da população. Em alguns casos, os paramilitares conseguem afastar a guerrilha, então a população fica sob o controle deste outro grupo, quando não é deslocada. Porém, como quase nunca os confrontos entre estes dois atores terminam em um desenlace definitivo, começam a se diferenciar numa mesma região limites invisíveis de influência de um ator e de outro, limites incertos e móveis onde a população fica atrapalhada entre um e outro ator ou entre seus confrontos. Os atores armados tentam mudar estas fronteiras e tomar o controle de novos territórios mediante o terror14 exercido sobre a população.

Daniel Pécaut (1997) fala de redes que disputam um território para se referir a esta situação, na qual o terror ou sua ameaça substituem a ordem e a coação é o principal instrumento destas redes que leva a implantar nestas zonas a lei do silêncio entre a população. Fala-se então da degradação do conflito colombiano não somente pelo aumento das ações de terror contra a população, senão pelo enfraquecimento dos referentes políticos que fornecem um sentido coerente ao confronto.

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Por terror vamos entender aqui as ações como ameaças, massacres, assassinatos seletivos, torturas e mortes exemplares que utilizam os atores armados para intimidar a população e enviar-lhe mensagens como a ordem de deslocamento forçado ou o silêncio.

Uma das principais teses de Pécaut é que os atores armados não conseguem justificar suas ações em quadros de referência de validez geral com os quais a população possa se identificar. “Os protagonistas atuais podem ter seus simpatizantes, mas a imensa maioria dos habitantes das zonas de violência não se reconhece neles, nem considera que ajam em função de uma linha divisória que faça sentido para o país” (Pecaut: 1999).