3. Statsbudsjettet medregnet folketrygden for 2005
3.2 Gjennomgang av forslaget til statsbudsjett for 2005 etter den vedtatte
3.2.6 Rammeområde 6 (Innvandring, regional utvikling, bosted og arbeid),
3.2.6.2 Komiteens merknader
A pressão familiar e social parece ser constante, tanto pelas limitações e obrigações que as questões étnicas impõem, quanto por aquilo que a sociedade espera dos jovens de bairro, pois no fundo se erram é porque são do bairro, ou porque são ciganos, ou porque são pobres e não porque são jovens.
Esses jovens… estão cercados … cheios de preconceitos de um lado, cheio de proibição do outro, limitação, quer dizer… é por todos os lados. …Da família, da religião, da sociedade, cigano, homem, mulher …fogo! … tens que mostrar aos outros, a todos do resto da sociedade o que tu és: mais limpo, mais… os miúdos têm que ser mais perfeitos que os outros miúdos porquê?! (E2)
E- Mas achas que se namorasses não te diziam nada? E7- Os ciganos diziam.
E- E o que é que gostas mais e o que é que gostas menos na tua família? … E7- Na minha família? Das leis deles.
Gosto que não se metam a gozar comigo, não se metam a chamar nomes e o meu pai ‘tou com uma moça já começa logo a mandar bocas, ah tá aqui ‘tá ali e se implicam digo mesmo vai pó caaa….man. (E6)
Os conflitos entre as famílias ciganas, que resulta na aplicação das leis ciganas, não passam despercebidos aos jovens do grupo, que sentem que “quando há confusões
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do Ghetto tiveram que sair, isso provocou em todos o sentimento de que perderam 2
amigos por motivos que não conseguem muito bem aceitar ou compreender.
E- E quando a Rita e o Henrique se foram embora, como é que te sentiste? E7- Triste. Eles eram uns bons amigos. (E7)
Eee fiquei bué de triste. Fiquei com bué pena. Ainda por cima eram os meus melhores amigos cá no bairro. (E6)
Perdi dois amigos! (E4)
Pois, eu tento compreender sempre. … Nós também estávamos sempre juntas e isso é um bocadinho difícil. Nós éramos amigas. Nós éramos da mesma turma e gostávamos uma da outra e andávamos sempre juntas. Era eu a Filipa e a Rita. Era uma diversão total. [Ri-se]. Era muito giro. (E5)
Entretanto o Valentim começou a falar de irmos a Vendas Novas apresentar uma peça, para poderem ver a Rita e o Henrique. Depois disse “Fogo tenho saudades deles” e abanou a cabeça.” (NC, dia 20)
Também para os 2 jovens que tiveram que com esta situação abandonar o teatro para acompanhar a sua família para outra terra, os primeiros tempos parecem não ter sido fáceis:
Eu tinha enviado uma mensagem no dia 10 à Rita a perguntar: “Estás bem minha linda? Como correm as coisas aí na nova terra?”, ao que esta semana ela me respondeu, no dia 14: “mal, não gosto de tar aqui”. (NC, dia 18)
As questões étnicas parecem afetar os percursos de vida individuais e por vezes as vontades pessoais ficam limitadas a decisões de outros. Quanto a como lidam com isto, os jovens de etnia cigana do grupo parecem divididos entre o não concordarem com as regras impostas pela lei cigana e o “agente tem que respeitar. Se não respeitar
leva com eles” (E6), o que anuncia uma noção de inevitabilidade deste tipo de
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Aa que eu não gosto… das regras todas! Todas mesmo. (E7)
E6- Ya, por causa do Cabeça Grossa. E- Quem é o Cabeça Grossa?
E6- É o pai da Lúcia. Quem manda cá no bairro. … quem arma briga com ele é logo um ano, quase dois anos fora de casa. … não curto nada.
E- Já perdeste muito amigos por causa disso? E6- Já. Bue mesmo. (E6)
Como alguns dos jovens do grupo são de etnia cigana, eles têm “dois carimbos” (E1), vivem no Bairro Horta da Areia e são ciganos, o que poderá vir a ter influências no seu futuro, sobretudo a nível profissional, tanto quanto tem tido nas gerações mais velhas de habitantes do bairro. Na verdade, o Valentim, rapaz cigano, quando questionado sobre como imagina o seu futuro, parece ser aquele que tem menos ideias sobre isso, sendo que para ele a única coisa certa é estudar. O estudar para si significa adquirir os conhecimentos básicos que lhe permitam ler e tirar a carta de condução. Os restantes, têm sonhos diversificados e a noção de que o seu futuro, um futuro melhor, passa pela escola e também por estar fora o bairro.
A minha mãe gosta é a única coisa que ela quer é eu tirar a carta e isso e saber tudo o que dizem e isso, saber ler. (E6)
Escola. … Informática. Engenharia. … Por causa que o namorado da minha irmã ‘tá a tirar o curso. E é fixe. (E4)
E5- Sim, bailarina, atriz também, treinadora de golfinhos… Gosto muito de golfinhos.
E- E gostavas de continuar a estudar? E5- Adorava.
E- Gostas da escola?
E5- Ah não assim muito mas sim quero ter um futuro mesmo bom para mim.
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E7- Eu adoro cantar. … E- Queres ser cantora? E7- Ya.
E- E imaginas o teu futuro fora do bairro? E7- Fora do bairro, completamente.
E- E por exemplo gostavas de continuar a estudar ou achas que não? E7- Quero. (E7)
Contraditoriamente à pressão familiar e social já referida, os jovens do bairro, mesmo as raparigas ciganas, tornam-se, pelo menos a nível “mental” (E1), autónomos muito cedo. Esta autonomia está também ligada a uma forte responsabilização para com a família, o que os obriga a “crescer”. Esta não parece ser só uma questão étnica, mas algo que resulta do facto de serem famílias numerosas e como as mães se ocupam principalmente dos bebés, os outros filhos vão ficando à responsabilidade dos mais velhos. No caso sobretudo das raparigas, mas também de alguns rapazes, está-lhes sempre incutido o sentido de responsabilidade que têm perante a família. Isto verifica- se, no caso das raparigas, na tarefa de tratar e acompanhar os irmãos mais novos, e no caso dos rapazes de ajudarem em atividades que contribuam para o sustento familiar:
Porque eles entram logo na vida ativa, não têm aquela passagem da adolescência para a vida adulta, passam logo de crianças para adulto e eles acabam por trabalhar. (E1)
Por volta das seis e um quatro a Cristina lembrou-se que tinha que ir buscar os irmãos não sei onde e a Ana que tinha que ir buscar a irmã à escola. (NC, dia
31).
… pela voz grossa e o tom alto com que estava a falar com ele, pareceu-me que estava chateada com alguma coisa. Queixava-se que ele tinha deixado o irmão sozinho e que tinha que voltar para casa. O João estava a pedir-lhe para ela o deixar ficar mais um bocado, disse qualquer coisa como “Fogo, deixa-me só fazer o teatro!” (NC, dia 8)
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Ah mas isso é quando a minha mãe ‘tá na escola. … É das 8h30 às 5. … Dar conta dos meus irmãos e arrumar a casa. … Todos os dias. Mas agora a minha mãe ‘tá de férias. (E7)
Os conflitos intragrupais entre as famílias, enquanto realidade do bairro, não só não passam desapercebidos aos jovens do grupo Minoria do Ghetto, como ainda contribuem para moldar as suas perceções do “outro”, o que se pode traduzir em relações também elas conflituosas, o que verifiquei com um dos rapazes do grupo.
No fim do ensaio as duas raparigas [ciganas] perguntaram se podiam participar na peça e aí as coisas dividiram-se com o João e a Rita em posições opostas. A Rita disse que “sim, claro”, o João dizia que não e acrescentou a dada altura que se elas entrassem ele saía. … A Júlia foi falar com ele, chamar- lhe a atenção para o facto das decisões terem de ser tomadas em grupo e de ele não poder simplesmente decidir assim que não. Ele voltou a manter a sua posição de que “se elas entrarem eu saio”. (NC, dia 3)