5. Discussion
5.1 Key findings
“Em suma, o que distingue as viagens não é a qualidade objetiva dos lugares, nem a quantidade mensurável do movimento – algo que estaria unicamente no espírito – mas o modo de espacialização, a maneira de estar no espaço, de ser no espaço.” (Deleuze e Guattari, 2012, 202)
Depois das luzes apagadas, o silêncio da noite dificilmente era quebrado na aldeia Laranjal, só saiam de suas casas por emergência ou para atividades de caça e pesca com auxílio de lanternas. Apesar de, às vezes, quando estavam com dinheiro, e era sempre uma coletividade que ganhava dinheiro de uma só vez, ficarem bebendo “goró” da cidade que eram consumidos dia e noite afora, numa maratona, até se esgotar – apesar da vontade de parar de beber e virar crente. Essas bebidas causavam problemas com frequência, exaltando a força, a coragem e intensificando intrigas mal resolvidas, causando um
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rebuliço pela aldeia. Quando acontecia a maratona, jovens não-casados e outros casados passavam a noite em grupos de proximidade com som alto, bebendo e conversando. Dava para ouvir grupos diferentes pela aldeia, com pequenos e grandes radinhos de pilha, que estavam na moda nessa época, tocando as músicas da moda em Altamira, as quais eram conseguidas com karei conhecidos que gravavam em pen-drive. Em uma ou outra ocasião fui até os lugares de onde vinha o barulho, e todos me incentivavam para beber e ficar por ali, ao que eu negava com dificuldade. Alguns dias fiquei, mas não bebi, pois apesar da insistência dizendo que não falariam pra ninguém, sempre os outros acabavam sabendo – o que vinha com tom de julgamento deles e possíveis problemas frente a eles e também aos não-indígenas Dava para notar certa movimentação entre esses grupos, mas não se via grupos grandes reunidos num mesmo lugar. Ocasionalmente dava para ouvir alguma mãe indo atrás de seus filhos ainda não casados, e também esposas indo atrás de seus maridos, levando junto seus filhos – como que mostrando a eles as responsabilidades, e “fazendo vergonha”, como dizem. Era notável a presença e o alerta das mulheres, ao que abaixavam o som e ficavam calados por um tempo – apesar de apenas ser possível para mim, da rede, ouvir o sussurro delas, já que não exaltam a fala. Dias e noites bebendo, ouvindo música e conversando, em que homens de meia idade, e mais velhos também participavam, não pela madrugada, mas durante o dia e às vezes ao cair da noite. A questão do álcool é, na própria visão dos Arara, complicada, e sempre me falavam que iam parar de beber, de fumar e virar crente, já que acabava por trazer confusão com quem queria dormir, com as mulheres e com os filhos, e entre os que bebem. 23
O dinheiro para isso e para tantas outras coisas que já são vistas como necessidades é conquistado de maneiras diversas: pela venda da castanhas-do-pará – coleta acontecendo quando eu cheguei na aldeia –, pela venda de artesanatos (bolsas, pulseiras, colares, flechas), aposentadorias e outras atividades, mas a principal fonte é a pesca.
As pescarias envolvem quase todos os homens Arara nascidos pós-contato, apesar de os mais velhos terem abandonado a atividade por dizerem que precisam alimentar a família. Vejo que a maior parte dos pescadores são jovens, mas entra um ou outro mais
23 Esse modo de lidar com a bebida de karei é o modo como bebem em rituais, no qual inclui crianças, e só param de beber quando acaba o piktu.
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velho em algumas expedições. Como costuma ocorrer com todas as atividades Arara que envolve um grupo que reúne membros de famílias residenciais distintas, a da pescaria tem como referência um homem recentemente casado que faz os trâmites com os pescadores que vão até as fronteiras da Terra Indígena com isopores de gelo, os quais são depois distribuídos por todos os que querem pescar. Então saem em barcos para lugares propícios num amontoado de gente, e por lá se dividem em parcerias de dois em pequenas canoas. Já fui convidado para ir junto, mas acabou não dando certo por eu estar empenhado em outras tarefas, e essas pescarias costumavam durar cerca de 3 a 5 dias fora da aldeia. Voltam sempre carregados, fazem as contas dos quilos de peixe de cada um individualmente, em que na época custava 2,50 reais o quilo do pacu e 3,00 reais o do tucunaré. A maior parte das espécies de peixes não são de interesses dos pescadores, que repassam apenas peixes comercializados a preços mais alto na cidade. Os outros ficam para comerem, dos quais os pescadores Arara separam para serem levados às suas famílias na aldeia – diferente do que fazem outros karei que perambulam por ali invadindo a Terra Indígena e jogando fora o que não presta pra vender, dizem os Arara. Após a contagem do quilo de cada um, feito por um responsável, os pescadores repassam o dinheiro correspondente, o qual é distribuído por esse jovem homem que é a referência para esta atividade, para cada um. Não tem uma soma e divisão em partes iguais do valor entre os participantes, e sim certo interesse de cada um em pegar o máximo possível.
Também nesse caso aparece um grupo de interesse com uma liderança na responsabilidade, que faz o trâmite entre os Arara e os pescadores, numa relação particular que não envolve Funai e outros orgãos. Como também acontece em outro povo caribe, os Waiwai, da Guiana central, em que Catherine Howard (2001) mostra a multiplicidade de lideranças, “aqueles que tomam conta dos outros”, “aqueles que tomam conta da comunidade”, que são os agenciadores, fundadores, tomadores de iniciativa de certos coletivos de interesse, em certa grau parecido com o que ocorre entre os Arara.
O dinheiro ganho é passado pela liderança desse grupo e costuma ser usado na cidade para o sustento e em diversos itens de consumo que são levados para suas casas
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na aldeia: alimentos (café e açúcar, mas também feijão, arroz, milharina24) – apesar de que nesse momento não estavam precisando, já que o Plano Emergencial estava cobrindo a comida –; roupas (as quais já usam desde a época do contato), e produtos tais como sabonetes, perfumes e desodorantes, pilhas, rádios, relógios e outros itens não tão caros que entraram na moda há pouco tempo. E também, as bebidas.
Não é do momento pós-contato que os Arara se reúnem para beber, passando dia e noite à exaustão até esgotar a última gota. Bons bebedores, estão acostumados com o
piktu, hoje em dia mais chamado de amuru, e na tradução que fizeram: “azedo”. “Cadê o
azedo?” Alguém sempre diz em encontros de trabalho, em momentos de descontração de algum grupo, e outras situações de reunião. Ou e também, “cadê o café?”, entre eles, comigo e outros karei – uma bebida que eu sempre tinha e podia por na roda. As bebidas fermentadas preparadas pelos Arara são consumidas diariamente por toda a população, inclusive pelas crianças. Também consomem essa bebida um pouco mais “doce”, como dizem quando ainda não passou por todo o processo de fermentação que deixa mais alcoólico. Esta bebida é considerada não apenas como um elemento de embriaguez, mas de matar a sede, encher a barriga e como que o impulsor para a socialidade.
Depois da reunião de pais e alunos, no começo do semestre, da qual contei na introdução, trouxeram bebida, como que para abrir as portas para o novo, inserindo-me no meio social. Houve também outros encontros, principalmente durante finais de semana, sábado ou domingo, em que juntaram-se para beber, comer e conversar, e isso muito devido ao estriamento do tempo social que a escola inseriu na aldeia. É também nesses dias em que famílias residenciais têm o costume de sair para expedições na floresta, no rio e para as roças, levando todos os integrantes do grupo.
24 Certo dia um homem Arara em torno dos 40 anos me disse enquanto conversávamos que queria
feijão para sua filha, que não parava de pedir e ele não sabia o que fazer, pois estava sem dinheiro e a Norte Energia não estava mais dando. Isso aconteceu em outras situações e com outros Arara. Parece-me que muitos itens de consumo alimentício que os Arara não têm nas roças e não fazia parte da dieta alimentar, estão começando a ser necessidades e exigência por parte principalmente das crianças.
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Durante essa minha primeira viagem de campo, eu estava fortemente marcado pelas impressões do livro Ieipari, Sacrifício e vida social entre os índios Arara, no qual esse ritual aparece como que o grande concatenador usado por Márnio Teixeira-Pinto para falar desse povo. Tentava conversar com os Arara a respeito desse ritual mas a maior parte dos jovens e adultos com que eu conseguia falar só tinham participado quando crianças, e diziam não se lembrar e não saber muito a respeito. Às vezes tentava conversar da maneira possível com alguns velhos com que eu mantinha maior afinidade a respeito dessa festa, e eles falavam um pouco, mas sem um tradutor a conversa não ia muito adiante. Sempre que eu falava que queria ouvir histórias eles diziam que certos velhos sabiam de muita, que era só chegar que eles contavam, mas dificilmente me levavam para fazer o trabalho de tradução – não adiantava forçar o pedido que apenas se esquivavam, então resolvi que seria melhor compor o trabalho de campo do que acontecia, e não simplesmente de minhas curiosidades.
Toitji, um velho com quem eu mantinha relações de trocas frequentemente, aparecia em casa, levava banana, macaxeira, e outros produtos da roça que ele tinha disponível. Eu também ia até sua casa, e algumas vezes seguia com ele, sua esposa e filhos pequenos à roça – nunca tinha estado em uma em minha vida, apenas tinha visto de longe, sem saber reconhecer as plantas e como trabalhar, menos ainda o uso das principais ferramentas: facão, enxada, enxadão, cavadeira, e outras. Ficávamos a conversar à nossa maneira, por meio de gestos e palavras misturadas entre o português e o Arara. Algumas vezes perguntei da festa de ieipari, com auxílio de algumas palavras que eu capturava do livro de Teixeira-Pinto, e também de outros meios de socialidade. Certo dia ele apareceu em casa, logo cedo, como de costume, mas sem nada para me oferecer. Ficamos numa conversa formal, eu como anfitrião e ele como visitante, depois do chamado pelo meu nome com um: “Eduardo”, e expressando no rosto um oi me fitando, eu disse do mesmo modo “Toitji”, “bom dia”, chamando-o para se sentar. Ele se sentou quieto, com sua filha pequena ao lado, que carregava de um lado para o outro seu macaco de estimação no ombro e pouco falava, enquanto eu pegava um copo para servir café, num tom em que parecíamos esperar quebrar o gelo do início do relacionamento para soltar o propósito da visita. De repente ele falou uma frase em Arara com a palavra “festa” em português. Perguntei quando. Começou a contar nos dedos, usando palavras em Arara referente aos dias. Nesse meio tempo, Muntjiri, chamado em português por
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Calango, estava brincando por perto, apareceu na porta e eu o convidei a entrar. Pedi para que me ajudasse a entender o que estava acontecendo, e logo foi me dizendo que iria ter festa, que estavam começando a preparar e que ele estava passando por todas as casas para fazer o convite. Fiquei entusiasmado, conversamos mais um pouco com a ajuda de Calango, que foi me explicando que ele estava passando por todas as casas para dizer pro pessoal fazer muita bebida, que seria festa grande.
Em busca de mais informações, disseram-me que seria a festa do dia do índio, da qual já estavam todos comentando. Diziam que Pastor Levi iria dar boi, e que todo mundo ia fazer bastante goró, como também chamam o amuru, piktu, para todos se divertirem bastante.
A semana anterior ao dia da festa foi de preparativos. Via-se mulheres voltando com grandes sacolas de fibra cheias de macaxeira, outro grupo que foi pegar uma fruta do mato, milho, cará, para fazerem goró. Em toda beira de rio tinha sacos com macaxeira rodeado por pequenos peixinhos. Nessa semana as aulas funcionaram normalmente, mas eu passei a maior parte do tempo visitando as casas e vendo o que acontecia em seus interiores. Geralmente encontrava apenas as mulheres, suas filhas jovens ainda não casadas e crianças. O lugar que passam a maior parte do dia não é no interior das casas onde dormem, mas na cozinha, um anexo da casa, onde fica o fogo culinário correspondente a cada mulher casada, algumas redes, banquinhos, lenha, panelas, utensílios culinários, cachorros perambulando, galinhas, facões e restos de comida como cascas, ossos, espinhos. Da rede ficavam mastigando a mandioca já ralada e cuspindo numa grande peneira em cima de um balde onde escoava o líquido branco amarelado já com certo cheiro de fermentado. Depois guardavam em garrafas PET e em grandes carotes de guardar combustível. Eu me sentia um tanto quanto um estranho e um intruso no interior das casas quando não tinha outros homens por ali, apesar de ser um clima descontraído sempre que havia crianças no lugar. Eu entrava com cuidado, via como iriam me receber e quando percebia que não tinha problemas eu ficava mais à vontade. Logo diziam para eu me sentar, mas nem sempre me ofereciam o assento, geralmente eu tinha que procurar algo adequado ou ficar de cócoras. Eu tentava entender o que acontecia, e elas de bom grado me respondiam, sem tantas brincadeiras e sarcasmo, explicando o que estavam fazendo ou o que eu queria saber quando não era perguntas intrometidas demais
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para seus gostos. Enquanto preparavam a bebida lentamente, com trejeitos de quem não tem a mínima pressa do mundo, ficávamos conversando. Ora elas queriam saber mais sobre mim, e eu sobre o que acontecia ali, e essas visitas ao interior das casas foram ótimas oportunidades para explorar um novo campo e criar novas relações. Muito riam de mim como quem ri dos trejeitos de um estranho, e perguntavam sobre minhas relações: se eu tinha mãe, pai, irmãos, mulher, filhos, onde morava, o que fazia por lá, se tinha roça. Eu tentava falar um pouco do lugar de onde eu vim, falando que só tinha cana-de- açúcar em todo lugar, que não tinha mais bichos, que não tinha mais floresta e os rios estavam todos sujos e com hidroelétricas. Elas olhavam um tanto pasmas e sem entender bem que mundo era esse e como poderia ser assim. Essas visitas me pareciam aceitas e adequadas as normas de relações sociais quando tinha mais do que uma mulher junto com crianças, enquanto que numa visita que fiz estava apenas uma mulher junto com uma criança de colo e outra pequena, o clima logo foi se tornando incômodo e eu resolvi sair sem demora.
No dia 18 de Abril começaram os preparativos do lugar para a festa do dia do índio (19/04/2011). Alguns varreram e queimaram as folhas, outros fizeram banquinhos com madeiras que tinham disponíveis, um grupo saiu para pegar lenha, homens saíram para caçar. No final da tarde saiu uma rabeta com Toitji encabeçando para ir buscar Levi, os vereadores e o boi. Eu fiquei, e no cair da noite segui o movimento até a oropta´g, onde alguns grupos começaram a se reunir. Um grupo que saiu para caçar deu os 4 abiana (porcões) que tinham matado para ser comido na oropta´g. Algumas mulheres pintavam as crianças – e muitas se negavam a ser pintadas, homens eram pintados por outros homens, que também me pintaram. Disseram que a pintura do homem e da mulher só varia a grossura do pincel, que os “desenhos” (como dizem) são quase sempre os mesmos. Alguns velhos estavam encarregados de retalhar em menores pedaços a carne já assada e cortada dispostas numa grande bacia de metal. Com auxílio de folhas de bananeira terminaram os cortes e então foram dizendo para os mais velhos do lugar pegarem depois de alguns já terem ganhado a cabeça, e eu um pequeno pedaço. Depois da divisão formal, abriram para que todos fossem pegar. Num alvoroço as crianças que rodeavam o lugar foram pegando pra elas e para suas mães, sentadas em outro grupo em torno do espaço da oropta´g. Os velhos estavam sentados em torno das bebidas. Os recentemente casados e a casar tinham seu próprio grupo, próximo da televisão que estava ligada na
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programação diária, e uma pequena luz iluminava a casa coberta de palha em meio a escuridão da noite. Os jovens meninos em formação de adultos, os quais estão numa fase de crescimento acelerado do corpo, da musculatura, e dos aprendizados das tarefas de um homem (como caçar, expedições na floresta, manejo do barco em pescarias e outras atividades) tinham seu próprio grupo, e ficavam mais a paquerar com as meninas mais novas e jovens, as quais eram um tanto quanto controladas pelas mães, das quais não saiam muito de perto, apesar de outras ficarem em pequenos grupos referentes ao seu espaço residencial e ao processo de formação por que estão passando. As crianças pequenas formavam a algazarra do lugar, correndo, jogando terra umas nas outras, ora em grupinhos separados de homem e mulher, ora numa mistura sem gênero em que mexiam uns com os outros. Diferente do que acontece normalmente, em que ficam reunidas as famílias residenciais no espaço da oropta´g, nesse dia, como descrevi, estavam todos misturados, dando uma diferente formação e interação para o lugar, tendo as crianças como os intermediadores entre grupos quando se fazia necessário.
Eu fiquei na roda dos velhos, onde estava todo o goró, bebendo com eles sem parar. Cada um dos mais velhos presentes que tem roça tinha posto um carote (vasilhame de plástico usado para guardar gasolina, óleo diesel e outros combustíveis, com capacidade de 2 a 5 litros.) de amuru para que bebessem – dizem que nessas reuniões se evita de beber a bebida que levou. Quando queriam beber se levantavam, mexiam o vasilhame com um pauzinho, colocavam no copo, sentavam-se ou ficavam agachados e bebiam até o fim em um único gole, e deixavam a caneca no chão para o próximo. Os jovens do outro grupo vinham até ali, pegavam e levavam até o grupo, onde às vezes dividiam com outros. As crianças, quando tinham sede, pediam para o pai pegar e logo já tomavam. Elas também eram solicitadas pelas suas mães para pegar a bebida por elas ou pelas filhas jovens, fazendo também nessa situação o trâmite entre grupos.
Os velhos diziam que iriam passar a noite toda acordados, bebendo até chegar o boi (a carne). Quando acabava uma rodada de bebida, alguém tomava a iniciativa de falar que iria pegar mais, e depois voltava com seu carote, oferecendo formalmente a bebida para cada um que estava na roda dos mais velhos, chamando pelo nome, incluindo às vezes alguns jovens da outra roda. Depois outro se levantava e fazia o mesmo processo, e assim sucessivamente até que todos já tivessem oferecido o que podiam – continuando a beber
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sem parar. Com o fim da programação televisiva a que estão acostumados, os jovens colocaram DVDS e CDS com tecnobregas, sertanejos num volume alto para tocar. Entre os velhos não conversavam muito, e alguns decidiram ir pegar tabocas para fazer flautas. Alguns as trouxeram já prontas, e outros começaram a preparar os instrumentos no meio da reunião: a pequena ereuepipo e a tag´gat-ta´ggat25. O motor do gerador de energia deu problema, e ficamos todos por um tempo à luz da lua cheia que tinha aparecido há um tempo no céu. Rapidamente conseguiram um pequeno gerador que foi ligado para voltarem com o som e a luz elétrica.
Muitas crianças já estavam dormindo em panos dispostos no chão, outras em redes que algumas mulheres armaram na oropta´g, e alguns foram para suas casas. Aos poucos o espaço foi se esvaziando, e perto das 3 horas da madrugada resolvi ir dormir, quando ainda tinha alguns jovens conversando e bebendo e velhos que dormitavam sentados, às vezes acordando para dar um gole com alguma conversa.
Despertei com o sol nascente e pouco tempo depois chegou três voadeiras: uma com os Arara e o boi, outra com Levi e sua esposa, e outra com um concorrente a vereador de