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Identifying mental distress and symptoms of mental health disorders

1. Introduction

1.3 Psychiatric comorbidity among people with substance use disorders

1.3.2 Identifying mental distress and symptoms of mental health disorders

Em Fevereiro de 2011 cheguei pela primeira vez em Altamira, depois de uma viagem de avião em que o assunto mais ouvido era Belo Monte e as novas programações para o empreendimento sobre o qual os engenheiros que vinham de outros Estados comentavam com entusiasmo. Logo que o avião começou a baixar, dava já pra ver a imensidão da floresta amazônica e o grande Xingu que não parava de fluir. Saindo do ar gelado e seco do avião fui preenchido pela densidade e quentura da cidade localizada no coração do Pará, junto com a imagem de um aeroporto tecnologicamente simples, com um jardim bem cuidado.

Pegamos, eu e Camila Beltrame, também do OEEI-UFSCar, um taxi até o hotel que havíamos reservado com antecedência para nos hospedar, visto que já sabíamos da dificuldade que estava sendo arrumar local para ficar em meio ao início da turbulência em relação à construção de Belo Monte. Na maior parte do trajeto quase não se via construções e nem ocupações e a cidade parecia tranquila.

Era minha primeira vez na cidade, onde teria algum tempo de estadia antes de ir para a aldeia. Cheguei em meio à semana em que ocorria a Formação de Professores para as aldeias indígenas, da qual pude participar por alguns dias. O grupo do OEEI/UFSCar estava em peso, eu, Camila, que ia seguir para os Xikrin, Beatriz, que iria para o Laranjal comigo, Ernesto, que ia fazer a viagem pela rota do Xingu para ter um panorama das escolas e Ana Elisa, que estava dando continuidade ao seu trabalho que tinha como

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principal ponto de referência a Secretaria de Educação. Os professores estavam sendo formados por um programa para Escolas Rurais da Escola Ativa, modelo de educação pensado para populações ribeirinhas que têm como primeira língua o português e que muito se diferenciam de muitas das populações indígenas da região de Altamira, as quais tem línguas, socializações e tradições culturais diferentes.

Costumava almoçar e jantar em algum restaurante, e vez ou outra ia para a orla jantar e apreciar o rio Xingu, onde já se via que a maioria dos frequentadores desses ambientes não eram altamirenses. Na cidade não tinha ônibus, e eram os carros e as motocicletas que dominavam o ambiente, além de muitas bicicletas competindo de um lado para o outro num trânsito caótico e sem regras, em ruas asfaltadas e outras apenas pavimentadas. Um dos principais pontos de referência era o único semáforo da cidade. Além desses pontos, fui começando a conhecer a cidade em busca de preparar minhas bagagens para a viagem. Enquanto andava pela cidade foi assustador a enorme quantidade de farmácias que se via por quarteirões, aonde acabei por comprar ítens de segurança. Fui em busca de algumas roupas, instrumentos para a pesca para mim e para os Arara, lanterna, rancho para a estadia de 3 a 4 meses incluindo algumas carnes, rede e mosquiteiro, mini caderninhos, bloco de notas, e algumas outras pequenas coisas – a composição da bagagem para a aldeia foi sendo formada a partir de informações que eu trazia da antropologia junto com as dicas que os altamirenses que eu fui conhecendo me davam. Nesse percurso ia conversando e conhecendo os moradores da cidade, os quais pareciam desconfiados e curiosos com minha aparência estranha que já marcava minha condição de estrangeiro à primeira vista, mas logo revelavam o calor e o jeito brincalhão altamirense. Facilmente chegávamos a estabelecer conversa e logo eu tentava saber um pouco o que achavam de Belo Monte. A maioria apresentava dúvida, com exceção de alguns que mostravam entusiasmo, expressando que finalmente havia chegado a hora de Altamira crescer; e poucos outros que já sabiam que iria dar errado. Conversei com moto- taxistas, com taxistas, donos de restaurantes, garçons, donos de comércios, trabalhadores do comércio, vendedores de peixe, vendedores de fruta, recepcionistas de hotel, trabalhadores ambulantes, além de outros moradores que acabavam puxando conversa em meio a compras, em meio a lugares que parava para comer, e etc. Todos me perguntavam se eu tinha vindo pra trabalhar na obra, e logo eu afirmava que iria fazer pesquisa com indígenas, na aldeia. Sem medir meu trabalho já começavam a falar sobre

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os benefícios que os índios estão ganhando sem fazer nada, que estão todos se dando bem – que não escondia certo grau de inveja e pré-conceito. Achavam que eu ia logo concordar, mas tentava com calma e dificuldade mostrar o outro lado. Não adiantava muito, a maioria já parecia ter uma opinião formada. Claro que tinha uma ou outra exceção.

Ao longo desses dias fui conhecer a Funai, a qual dividia o espaço com o campus da UFPA em uma das extremidades da orla do Xingu; a Secretaria Municipal de Educação, que dista um tanto quanto mais dos circuitos que os índios costumam percorrer, com os quais participei de boa parte da arrumação para a viagem até a aldeia; e também a Casa do Índio, na outra extremidade da orla do Xingu na qual não tinha nenhum Arara no momento. Enquanto fazia minhas caminhadas de um lugar ao outro sempre encontrava com indígenas indo da Funai para a Casa do Índio e vice-versa, tal como eu fazia, assim como no centro da cidade e outros pontos que visitavam com mais frequência por ordem de interesse. Em meio a andanças os Araweté olhavam especialmente com curiosidade e às vezes mexiam comigo. Outros povos eram mais reservados e não davam tanta atenção. A cidade parecia um tanto tumultuada, tal como um lugar que começa a se preparar para receber um grande evento e não tem estrutura alguma, mas os modos lentos e sem pressa dos altamirenses eram agradáveis, assim como o costume de sentar em frente de suas casas, para bater papo e curtir a brisa, já que a maioria das casas não dispõe de varandas, e boa parte delas tem a janela e a porta que dá logo para a sala, de onde se via alguém espiando a rua com frequência. Boa parte dessas casas já tinham se transformado em espaços comerciais que buscavam atender os “visitantes”, vendendo sucos, salgados, açaí, refrescos, picolés, frutas, espetinhos, e tantos outros produtos possíveis.