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CHAPTER 3 Development of a work process for condition management

3.8 Inspection planning and execution

EMPRESAS Nº DE FARDOS

Cia. Brasileira de Fumo em Folha (BAT) 161.124

E. Carl Leoni 42.281

Fábrica de Cigarros Sudan 40.740 Exportadora Hennig S.A. 37.386

Enfardadores Fumosul Ltda. 30.421

Fernando C. Tatsch, Filhos S.A 29.943

Manlio Agrifoglio & Cia. 25.041

União Sul Brasileira de Cooperativas 12.378

Kliemann & Cia. 8.491

Ocire Exp. Agr. Pec. 7.076

Emílio Bercht 6.178

Ding & Cia. 5.489

F. Broenstrup & Cia. Ltda. 5.265 Soldan, Kliemann & Cia. 3.975

A. Knorr S.A. 2.973

Cia. de Fumos Santa Cruz 2.538

C. Torres S.A. 2.263

Wener Katz 2.180

Arthur Huebner 1.900

Ph. Loewenhaupt & Cia. 1.343

Metzdorf & Feix 750

Wilson Sons & Cia. Ltda. 707 Mueller Tanscheidt & Cia. 477

Silva & Cia. 302

Helmuth Heinz & Cia. 250

Irmãos Franceschi 66

TOTAL 448.356

Durante o século XX, Santa Cruz consolidou seu título de “capital do tabaco” no Brasil, com o desenvolvimento de um complexo agro-industrial que se tornou, mais tarde, o maior do mundo. Desde as últimas décadas do século XIX, a produção de tabaco cresceu até que se tornou o produto comercial mais importante da região. Em 1938, a produção de tabaco no estado do Rio Grande do Sul era maior que na Bahia, maior produtor de tabaco do país até então. Particularmente, com o crescimento significativo do mercado interno de cigarros nas décadas de 20 e 30, o tabaco produzido no Rio Grande do Sul não sofreu muito com o retrocesso do mercado internacional, diferente do que aconteceu na Bahia. De fato, neste momento, o tabaco de coloração escura produzido nos estados do nordeste do Brasil (tais como os do tipo Galpão tradicionalmente produzidos no Rio Grande do Sul e que foram progressivamente substituídos pelo Virginia, de coloração e aroma mais suaves) foi sendo substituído no mercado internacional por tabacos mais leves, mais adequados aos cigarros. Durante muitos anos, os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro compraram mais de 50% do tabaco do Rio Grande do Sul. Enquanto os compradores estrangeiros compravam pouco, o mercado doméstico de cigarros cresceu rapidamente. Em meados do século XX, o Rio Grande do Sul era visto como o ‘especialista’ da nação em produção de tabaco para cigarros, embora o ainda baixo nível de qualidade não fizesse dele um exportador importante para o mercado internacional. Com efeito, a maior parte do tabaco produzida no Rio Grande do Sul era comprada pela Souza Cruz e era usada como matéria-prima para as fábricas espalhadas pelo país.

Contudo, a grande especialização desenvolvida em Santa Cruz não a tornou invulnerável a altos e baixos da economia regional. Como explica Vogt (1997), com o término da Segunda Guerra Mundial em 1945, o consumo mundial de cigarros havia aumentado bastante e os preços do tabaco no mercado externo sofreram uma alta expressiva. Isto foi o resultado da baixa produção nos países beligerantes, onde a agricultura desorganizou-se, e da baixa produção do Rio Grande do Sul na safra de 1944/45. Conseqüentemente, os preços pagos aos produtores de tabaco aumentaram em 100% em 1945. Com este aumento considerável nos preços, o estado experimentou um rápido crescimento na área plantada, o que levou, ao fim da década de 1940, a um quadro de superprodução. Adicionado a este fato, alguns países

europeus começaram a comprar tabaco dos Estados Unidos, dentro do contexto do Plano Marshall. Nos quinze seguintes anos, considerando o aumento na área de plantio, Santa Cruz viveu um período de séria crise na produção do tabaco, com a progressiva diminuição no preço pago aos colonos. Mais do que nunca, a economia local dependia do mercado interno de

cigarros. A crise foi superada somente nos anos 60, quando surgiram novas oportunidades nos mercados externos.

Nos anos 60, diversos fatores de mercado indicavam a oportunidade de internacionalização da indústria de tabaco em Santa Cruz. Realmente, Santa Cruz nunca havia sido famosa por produzir tabaco de alta qualidade. Entre outros países, o melhor tabaco vinha das colônias européias na África, que passavam por sérios conflitos políticos como parte de seus processos de independência, especialmente os graves embates na Rodésia e no Zimbábue, que

ameaçavam a fonte de matérias-primas das principais indústrias do setor tabagista. Neste período, tais companhias começaram a procurar por outras regiões onde poderiam garantir a produção de sua matéria-prima. O sul do Brasil era considerado uma boa opção, pois, desde os anos 20, a tecnologia do tabaco Virginia havia sido introduzida entre os colonos. Outros acontecimentos também indicavam o potencial do Brasil como fornecedor de tabaco, tais como a criação do Mercado Comum Europeu e, mais tarde, o fim do monopólio do tabaco na Itália e na França (NARDI, 1985). Neste momento, a indústria do tabaco no estado do Rio Grande do Sul estava discutindo a grande crise de superprodução, que achatou o rendimento gerado por esta cultura desde a década de 1940. Um dos maiores problemas da região estava realmente ligado à qualidade do tabaco. Aumentar a qualidade dos produtos era considerado uma necessidade se a região quisesse conquistar novos mercados no estrangeiro e reduzir os problemas gerados pelo rápido aumento de área de plantio e pela estrita dependência do mercado interno. Efetivamente, era um consenso, entre os líderes do setor, que os colonos do estado deveriam assimilar os novos procedimentos de produção que garantiriam novos padrões de qualidade. De acordo com o relatório de Associação Brasileira de Produtores de Tabaco (AFUBRA, 1963) em 1963/64:

A concorrência exige, nos dias de hoje, mercadorias de alta padronagem e se não quisermos assistir ao fracasso de uma teimosia condenável, com prejuízos pessoais no futuro, abandonemos definitivamente o plantio dos fumos de tipos baixos, silvestres, amarguentos, cheios de nicotina, folhas estreitas, talos grossos, etc. [...], e demos preferência absoluta aos tipos nobres, de superior qualidade, indo assim ao encontro dos requisitos apresentados pelas exigências do mercado consumidor de nossa época.

Neste momento, os mercados internacionais eram reais oportunidades para o setor do tabaco no Brasil, especialmente, no Rio Grande do Sul. No entanto, vender tabaco aos países estrangeiros ainda requeria investimentos em tecnologia, pois os colonos deveriam preparar suas propriedades para os novos padrões de produção. Os investimentos mais urgentes eram

adquirir melhores sementes, novos fertilizantes e pesticidas, e construir novas estufas. Entretanto, como sugere Vogt (1997), apenas a multinacional BAT possuía condições de encarar tais investimentos. Como resultado da crise, as fumageiras menores locais não estavam capitalizadas o suficiente para promover as mudanças necessárias no sistema de produção. As decisões governamentais para combater a inflação em 1964 – primeiro ano de ditadura militar – também impuseram barreiras às companhias locais que precisavam de crédito para a produção. A BAT, ao contrário, possuía acesso ao crédito internacional e era a única a ter dinheiro para investir nas propriedades dos colonos, como crédito para a produção. Como parte da estratégia de expansão, a BAT penetrava em outras regiões de tabaco do sul do Brasil e estruturava suas operações de exportação. Adicionalmente ao tabaco enviado para suas fábricas de cigarro no Brasil, a BAT tornou-se em pouco tempo a maior exportadora de tabaco no país. Neste contexto emergente, a predominância da BAT era clara e sua influência era mais profunda que as definições dos preços. De acordo com Liedke (1977, p. 38), desde os anos 70 sua influência era sentida em termos de exigências de qualidade, seguidas por outras fumageiras:

(…) a Companhia Souza Cruz passou a ditar as normas do jogo, aos níveis do processo de produção agrícola e de compra de matéria-prima (decisão dos preços para as diferentes classes, a qual era adotada pelas demais empresas compradoras); e também ao nível do desempenho empresarial (impondo novos padrões de atuação das empresas junto aos camponeses, especialmente quanto à questão de qualidade e classificação do fumo e seus preços), uma vez que as demais empresas existentes não lhe eram competitivas.

Enquanto a BAT expandia suas operações, outras companhias internacionais estavam

interessadas no mercado local, e os comerciantes locais desistiam de seus negócios à medida que propostas razoáveis lhes eram feitas. Desde os anos 60, a internacionalização do setor aconteceu gradualmente: primeiro, com companhias multinacionais que assumiam parte do controle, mas mantinham os antigos proprietários em cargos gerenciais. Mais tarde, as

pequenas fumageiras foram incorporadas às maiores, incluindo multinacionais, que chegavam ao Brasil em circunstâncias que lhes eram favoráveis. Como denota Vogt (1997, p. 135), como resultado do processo de internacionalização, em 1994 havia quarto grandes grupos que detinham o controle no setor tabagista nos três estados do sul do país: BAT, de capital anglo- americano, e Dibrell Brothers, Monk e Universal Leaf, as três de capital americano.

Como as multinacionais introduziam novas técnicas de produção e financiavam a infra- estrutura e os gastos necessários ao cultivo, os colonos produziam tabaco de alto nível de qualidade. Desde os anos 60, o fluxo de tabaco para exportação aos mercados estrangeiros crescia, e nos anos 70, a matéria-prima brasileira era bem conhecida nos Estados Unidos e na Inglaterra, que se tornou mais tarde um dos maiores clientes da região. Santa Cruz

testemunhou uma evolução multidimensional na cultura de tabaco, com o aumento da qualidade, quantidade e produtividade em decorrência das inovações. Especialmente após 1967, com a gradual elevação de preços pagos aos colonos, o setor entrou num período de relativa prosperidade, pois os mercados estrangeiros assimilavam uma crescente proporção do total da produção, não apenas do Rio Grande do Sul, como dos demais estados do sul do país. Como menciona Vogt (1997), a quantia total exportada do Brasil cresceu de menos de 60.000 toneladas, em 1965, para quase 100.000 toneladas, em 1975, alcançando aproximadamente 170.000 toneladas, em 1985. Como resultado:

Durante a década de 70, consolidou-se a atual estrutura fumageira existente no Brasil meridional. Santa Cruz do Sul e os municípios adjacentes, Vera Cruz e Venâncio Aires, passaram a concentrar o maior parque industrial de beneficiamento de tabaco do mundo. Ao mesmo tempo, os cultivos dos estados de Santa Catarina e Paraná foram intensificados pelas corporações que introduziram o tabaco em novas áreas, para responder à demanda internacional. Boa parte desta Nicotina tabacum produzida em Santa Catarina [...] e praticamente toda a produção gaúcha, passou com o tempo a ser esterilizada e enfardada na região. Ao invés de se direcionar para o mercado interno, o fumo, já melhoradas as suas técnicas de cultivo e padrão de qualidade, começou a ser, num índice cada vez maior, colocado no mercado externo. Assim, as exportações do fumo brasileiro alavancadas pela produção sulina alçaram o país à condição de segundo maior exportador do mundo. Estados Unidos e o Reino Unido passaram, então, a ser os principais importadores do tabaco cultivado e beneficiado no Brasil (VOGT, 1997, 137-38).

Nos últimos vinte anos, a economia regional experimentou um acelerado processo de crescimento. A quantidade total de tabaco produzido observou um aumento impressionante nos último 15 anos, como sugere a tabela 6. Tal aumento pode ser relacionado aos ganhos na produtividade, ao crescimento do número de famílias envolvidas com a atividade e à

expansão da área total de cultivo desde 1991. O setor testemunhou um rápido acréscimo no número de famílias dedicadas à produção de tabaco nos três estados do sul do Brasil e, nos

últimos 25 anos, um aumento de 20% da produção total de tabaco por família. De acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), devido aos melhoramentos tecnológicos, a produtividade cresceu em 24% nos últimos 25 anos. O número de estufas para secar o tabaco alcançou 185.810 em 2005. Os últimos anos foram especialmente impressionantes em termos de aceleração da produção. A área total de cultivo atingiu 305.551 hectares e 636.871

toneladas de matéria-prima em 2002. Nos anos a seguir a área total não diminuiu a menos que 300.000, e o nível de produção, a menos que 600.000, alcançando o extraordinário número de 852.488 toneladas em 2004.

Tabela 6

PRODUÇÃO DE TABACO NO SUL DO BRASIL