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CHAPTER 1 Introduction

1.6 Abbreviations

O processo de desenvolvimento da antropologia norte americana foi significativamente diferente da européia, e marcado pela refutação do projeto essencialmente sincrônico levado a cabo na Europa. Na França, Durkheim e outros teóricos da Escola Racionalista Francesa estavam engajados nas discussões primárias de uma nova ciência objetiva, inspirada no racionalismo das ciências naturais, mas que se preocuparia com uma classe bem delimitada de fenômenos, os fatos sociais. Estes seriam definidos de tal maneira que fosse viabilizado seu estudo como algo autônomo em relação às outras ciências e à filosofia. Os racionalistas franceses criticavam o caráter especulativo e a falta de fundamentação empírica apropriada das teorias evolucionistas, e destacavam a necessidade da sociologia diferenciar-se da história e da filosofia adotando uma metodologia racional de investigação social. Assim, a nova ciência de Durkheim formava-se com base na definição de um método específico através do qual, com o apoio de dados históricos e etnográficos, generalizações sobre o mundo social poderiam ser feitas.

Em comparação, a antropologia norte americana travou suas primeiras discussões baseada em um projeto científico significativamente diferente. De maneira similar às abordagens iniciais da antropologia européia, a antropologia histórico-cultural – o primeiro paradigma

antropológico norte americano, fundado pelo alemão Franz Boas – foi uma reação crítica às teorias e métodos evolucionistas, que caracterizavam a antropologia pré-clássica como um todo. Entretanto, se os funcionalistas defendiam a exclusão da dimensão temporal de suas análises, Boas defendia a idéia de que não poderíamos entender as culturas como elas se manifestam hoje se não investigássemos o seu processo de formação e desenvolvimento. Se a abordagem boasiana era similar a dos evolucionistas no que diz respeito à diacronia, isto é, à inclusão da dimensão temporal ao estudo da cultura, Boas discordava de várias outras

premissas da antropologia evolucionista. Seus argumentos neste debate foram consolidados em Os limites do método comparativo da antropologia (BOAS, 2005ª, orig. 1896).

Também é possível analisar as suas idéias principais, que vieram a influenciar uma geração inteira de antropólogos, por meio de sua comparação com as idéias dos evolucionistas. As questões de causalidade nos processos de desenvolvimento cultural e classificação são centrais a esta comparação, e a abordagem com que Boas as tratou é a base para o surgimento da tradição antropológica norte americana. A idéia de causalidade de Boas pode ser

considerada a lógica interna de sua antropologia. A antropologia evolucionista é baseada na noção tradicional de que, entre as culturas humanas assim como na natureza, causas iguais

geram efeitos iguais. De acordo com Boas, no entanto, esta noção pode ser convertida à

seguinte: efeitos iguais não têm necessariamente causas iguais. No que diz respeito à discussão sobre a cultura, ‘efeitos’ seriam as manifestações culturais, que não teriam causas similares necessariamente (STOCKING, 1974). Boas era um crítico das abordagens

evolucionistas americanas do final do século XIX, defendidas por teóricos como John Powell, fundador do American Bureau of Ethnology, em 1879. Powell, em seu discurso inaugural, resumiu a história da humanidade por meio de uma seqüência evolutiva composta por quatro fases: o selvagerismo, a barbárie, a monarquia e a democracia. A partir da definição de critérios de comparação, Powell associou a cada uma destas fases instituições culturais em certos graus de desenvolvimento. Por exemplo, na música, os graus de desenvolvimento eram o ritmo, a melodia, a harmonia e a sinfonia. Na tecnologia, os graus eram a caça, a agricultura, o artesanato e a automatização. Estes critérios de análise baseavam-se na noção de “evolução paralela”, isto é, as culturas evoluem a partir de condições similares e chegam a condições novamente similares por meio de etapas igualmente similares (HARRIS, 1979).

As idéias básicas de Boas foram uma crítica à arbitrariedade dos evolucionistas que, para comparar culturas, adotavam o critério da ‘comparação de efeitos’. Conforme Boas, era um erro o princípio evolucionista de definir certos ‘conceitos de classificação’ (famílias, gêneros e espécies de fenômenos culturais) através dos quais as manifestações culturais poderiam ser contrastadas. Boas sugeria que a adoção destes critérios subentendia a idéia de que causas

iguais geram efeitos iguais, o que permitia aos evolucionistas especularem sobre o estágio de

evolução no qual as diversas culturas se encontravam, de acordo com o conceito de “evolução paralela”. A arbitrariedade na escolha das categorias de classificação pelos evolucionistas é relacionada por Boas à primazia da experiência e das idéias intrínsecas ao observador. De acordo com ele, ao estabelecer critérios e categorias de classificação com base em

similaridades aparentes entre as manifestações culturais, os evolucionistas se apoiavam em sua experiência prévia, o que tornava seus critérios arbitrários e inadequados. A classificação era problemática devido ao fato das aparências externas de dois fenômenos culturais serem até idênticas, porém as suas qualidades intrínsecas serem completamente diferentes (BOAS, 2005ª).

O que Boas queria efetivamente dizer é que a história é uma variável fundamental para se distinguir e comparar fenômenos culturais. Para Boas, isso se deve ao fato do estado da cultura, em um certo momento, ser uma função de toda a sua história. Seria necessário então alcançar a qualidade dos fenômenos culturais em toda a sua especificidade, e não basear as análises e classificações simplesmente em suas aparências externas. Boas afirmava que as causas históricas que influenciavam a formação das manifestações culturais eram tão complexas que o desenvolvimento de manifestações culturais similares, porém de causas diferentes, era muito mais provável do que de causas iguais. Em substituição à idéia de “evolução paralela”, Boas indicava a relevância de outro conceito, a “evolução convergente”, segundo a qual as culturas evoluem em direção a estágios similares, porém através de etapas e processos muito distintos. A inclusão da variável ‘tempo’ nas análises das culturas era,

portanto, fundamental para a antropologia boasiana, numa perspectiva denominada

particularismo histórico. De acordo com Boas, processos históricos não aconteciam de forma

paralela e interdependente, como se todas as culturas passarem pelas mesmas etapas. Diferentemente, povos diferentes passam por processos históricos diferentes e portanto, aspectos diversos de suas vidas são afetados de maneiras diferentes.

Ao atacar a arbitrariedade dos critérios evolucionistas para a classificação de manifestações culturais, Boas denunciava a inadequação dos procedimentos destes cientistas. Comparar manifestações culturais em termos de categorias como ‘utensílios de cozinha’, ‘armas’ e ‘instrumentos musicais’ ignorava toda a complexidade intrínseca à construção destas manifestações. Apesar de aparentemente similares, as diversas manifestações deveriam ser entendidas em toda a sua individualidade, isto é, considerada toda a complexidade histórica da qual a qualidade destas manifestações era função. Assim, Boas destacava a necessidade de transcendermos o ponto de vista do observador ao classificarmos as culturas. Na realidade, a classificação das manifestações culturais não deveria ser o ponto de partida da investigação, como era no evolucionismo, mas sim uma meta a ser perseguida ardorosamente por meio de pesquisas empíricas. A classificação seria um problema histórico e não um problema lógico, considerando-se que a história é uma variável fundamental a influenciar o processo de

desenvolvimento de cada cultura. A antropologia de Boas defendia então que a classificação de uma manifestação cultural fosse uma tarefa posterior à compreensão aprofundada de sua qualidade e complexidade histórica particular. Para que isso acontecesse, Boas considerava que a cultura deveria ser estudada a partir da noção de ‘distribuição geográfica das

manifestações empíricas’, isto é, as manifestações culturais deveriam, inicialmente, ser identificadas no espaço para então serem estudadas em profundidade. Este critério baseia-se na idéia de que se deve lidar com unidades distinguíveis no mundo externo, porém não através de abstrações, como os critérios de classificação dos evolucionistas. Segundo Boas o objeto de estudo antropológico é a unidade, não as abstrações sobre a unidade sendo

observada; estas deveriam surgir após a análise aprofundada da cultura estudada. Conforme comenta Stocking (1974, p. 4):

[A classificação] somente pode ser feita se olharmos por detrás das aparências,

transcendermos o ponto de vista do observador, e desenrolarmos a complexidade histórica dos processos que afetam a vida humana para chegar a categorias que não foram encontradas ‘na mente do aluno’, mas são de alguma maneira derivadas, consistentes, e de certo modo também internas aos fenômenos em si.

Uma outra questão central à comparação entre as idéias boasianas e as idéias evolucionistas refere-se à integração dos elementos culturais à cultura como um todo. A abordagem evolucionista baseava-se na comparação de elementos culturais isolados, que não eram considerados em relação a cultura como um todo. Elementos culturais eram agrupados e comparados em termos dos critérios estabelecidos pelos teóricos, como por exemplo o poder que tinham de satisfazer certas necessidades humanas. De fato, estas abstrações foram severamente criticadas por Boas, que entendia que elementos culturais tinham que ser entendidos como parte de um todo. Apesar de ter analisado em profundidade elementos culturais em grande parte de seus escritos, Boas destacava a importância da análise do ‘todo cultural’. O todo, para Boas, era a cultura, que deveria ser entendida como uma “totalidade espiritual” integrada que de alguma maneira condicionava a forma de seus elementos. Os elementos culturais eram integrados à cultura como o resultado de um processo de

desenvolvimento histórico. Boas salientava a importância de elementos culturais incorporados por meio dos contatos entre culturas; povos assimilavam manifestações culturais de outros povos, no contexto de seus migrações, mas integravam estes elementos adaptando-os e resignificando-os em termos compatíveis com seu próprio desenvolvimento histórico. Neste sentido, Boas sugere que o “olho que vê é o órgão da tradição”. O significado das

manifestações culturais é o conceito por meio do qual se faz possível associar uma

manifestação ao todo cultural. Considerando-se que o estado da cultura, em certo momento, era uma função de sua história como um todo, o fenômeno cultural, ou os elementos culturais, deveriam ser interpretados em relação ao todo cultural. Este é o produto da história do povo, da influência das regiões pelas quais este povo passou em suas migrações, e das pessoas com as quais entrou em contato. A questão do significado das manifestações culturais era central à refutação dos critérios evolucionistas de classificação: manifestações culturais aparentemente similares poderiam ser consideradas ‘efeitos’ distintos, dependendo dos sentidos que

carregassem consigo. Assim, Boas sugeria que a similaridade de elementos culturais poderia ser, e quase sempre era, somente aparente (BOAS, 1940a).

A antropologia de Boas assumia a idéia de que os elementos culturais eram integrados à cultura durante a sua história, em um processo de acumulação particular que resultava em totalidades culturais onde as relações entre os elementos culturais e o todo eram construídas de maneira específica, mesmo sendo possível que estes elementos culturais fossem

aparentemente similares aos de outras culturas. Boas também discutiu as maneiras como os elementos de uma cultura eram integrados ao ‘todo’ ao apontar o que seria o primeiro nível de integração: as ‘explicações secundárias’, ou racionalizações de comportamentos costumeiros, que explicavam muitos aspectos do comportamento em civilizações primitivas e civilizadas. Estas explicações conscientes se referiam a tradições consideradas importantes àquele povo, e que faziam parte de sua história, tendo suas origens perdidas no passado. Apesar da

arbitrariedade de muitas destas explicações, já que muitas vezes estas racionalizações tinham pouco a ver com a real origem do comportamento, elas não eram arbitrárias se fossem

consideradas em relação a cultura como um todo. Elas dependem do contexto geral da cultura, e da variação e natureza das idéias associadas umas às outras dentro deste contexto

(STOCKING, 1974).

Para Boas, entretanto, existia um nível ainda mais profundo de integração de elementos ao todo cultural: a linguagem. Apesar de considerar a abrangência universal da linguagem, no sentido de que todos os povos adotam uma língua que os permita ordenar e classificar suas realidades, era possível perceber que havia muita diversidade em termos de princípios de classificação. Boas defendia a idéia de que cada língua, compartilhada por cada grupo, era caracterizada por diferentes categorias de classificação estabelecidas para possibilitar a comunicação. Estas categorias de classificação podem ser definidas como um grande número de idéias que foram associadas de maneira que formem uma só, sem a necessidade de todas

elas estarem explícitas na consciência no momento da comunicação. Para Boas, o

inconsciente da linguagem revelaria muito sobre os processos de classificação e ordenação viabilizados por esta cultura. Ao se considerar estes dois níveis de integração, pode-se dizer que as explicações conscientes acontecem sobre um substrato no qual as categorias básicas e idéias dominantes, sistematizadas através da linguagem, são o resultado de processos

históricos e o conhecimento prévio que molda em grande extensão as maneiras com que formamos nossas opiniões e agimos em nosso mundo social.

Como Boas caracterizava a integração de elementos ao todo cultural? Apesar de alguns autores terem associado diversas idéias boasianas ao estruturalismo, esta era uma integração

psicológica e histórica, segundo Stocking (1974). Para Boas, os elementos culturais não eram

integrados com base em condições ou necessidades do sistema, como a manutenção do sistema cultural, mas com base na internalização inconsciente por meio da construção de categorias, processos de socialização e explicações secundárias conscientes. Os significados associados aos elementos culturais não eram construídos por meio de suas relações com outros elementos, mas sim eram inerentes ao todo cultural e internos aos indivíduos. Assim, podemos salientar as diferenças entre a antropologia histórico-cultural de Boas e a escola funcionalista. Enquanto teóricos desta última entendiam que aos elementos culturais podiam ser relacionadas funções que contribuiriam à manutenção do sistema cultural, Boas procurava compreender uma cultura como uma ‘totalidade espiritual’, interna aos indivíduos. Assim, a integração de uma cultura não era vista como uma questão de relações lógicas entre seus elementos. Também é importante dizer que, para Boas, a integração cultural era histórica, no sentido de que era o resultado da incorporação progressiva e resignificação de elementos culturais e da sistematização de explicações secundárias. Ao invés de ser uma realidade estável, a integração de elementos culturais era um processo dinâmico e instável. Mesmo que fundado em um substrato de categorias de idéias básicas, este tipo de integração movia-se em várias direções. Assim, diferentemente de estruturalistas e funcionalistas, a noção de

integração de Boas não era baseada na idéia de ‘estruturas’, mas sim na idéia de padrões

culturais. A noção de integração de Boas foi o ponto de partida para a formulação de outras

idéias importantes à sua tradição antropológica, como veremos mais adiante: ao

considerarmos que os significados eram internos aos atores individuais, deveríamos analisar a cultura no nível individual, isto é, as relações entre a psique individual e a cultura (BOAS, 1940ª; STOCKING, 1974).

O projeto intelectual de Boas reflete algo mais amplo: as suas crenças em relação aos objetivos e à natureza da antropologia como ciência, e à natureza das ciências sociais em geral. Neste sentido, Boas parece ter assumido posições que evoluíram, com o passar das décadas, de uma proposta alternativa que conjugava as ciências naturais às ciências humanas, para uma posição de ceticismo em relação à possibilidade de se derivar leis científicas gerais no universo social. Esta transição é descrita por Harris (1979), que sugere três fases distintas do pensamento boasiano, caracterizadas por pressuposições diferentes a respeito do seu projeto antropológico. Numa primeira fase, é possível dizer que a tentativa de Boas de formular teorias antropológicas, mesmo que não sistematizadas, foi uma crítica à convicção evolucionista de que os métodos e as pressuposições das ciências naturais poderiam ser diretamente aplicados às ciências dos homens. O método comparativo adotado pelos

evolucionistas assumia a possibilidade de derivarmos as leis que regem o universo social por meio de uma racionalidade típica das ciências naturais. Entretanto, a formação acadêmica de Boas se deu na Alemanha, em um período em que os pressupostos das ciências naturais começaram a ser questionadas em termos de sua capacidade de explorar as questões do universo social. Com a emergência dos trabalhos de Dilthey, entre outros filósofos e cientistas, discutia-se, ainda que incipientemente, a oposição entre as ciências naturais,

Naturwissenschaften, e as ciências do homem, Geisteswissenschaften. Os críticos eram contra

a adoção irrestrita dos pressupostos e métodos das ciências naturais no estudo dos

comportamentos humanos e das relações sociais, sugerindo que estes dois tipos de ciência tratavam de classes de fenômenos essencialmente diferentes. Neste sentido, Boas defendia que as culturas fossem estudadas em seu contexto histórico específico; suas especificidades deveriam ser detalhadamente compreendidas para que, então, os métodos clássicos de dedução de leis pudessem ser produtivamente aplicados a este conhecimento aprofundado. Harris (1979, p. 238) sintetiza bem o projeto científico de Boas tal como foi proposto em Os

limites do método comparativo da antropologia (BOAS, 2005ª), que marca a primeira fase de

seu amadurecimento intelectual:

Podemos confiadamente dar todo o valor à sóbria insistência com que Boas, por meio de sua crítica ao método comparativo [dos evolucionistas], afirma que as histórias das culturas das diversas tribos não são o objetivo final de nossa ciência. Devemos reconhecer que em suas origens o particularismo foi concebido como o auxiliar de uma perspectiva histórica nomotética. As culturas específicas teriam que ser estudadas em seu contexto histórico particular. Havia que fazer isto não porque a

busca de uniformidades na história fosse útil, mas porque a única via pela qual se poderia apreciar o alcance e a natureza destas uniformidades era por meio de um programa de investigação histórica indutiva. Em outras palavras: a intenção de Boas não era, como ele mesmo repetiu em diversas ocasiões, abandonar a investigação das regularidades da história. Não esperava que o particularismo tomasse o lugar do método comparativo, mas sim que o complementasse e facilitasse o descobrimento de leis, que seguiriam constituindo o objetivo último da investigação antropológica.

Tratava-se de uma posição que conciliava as propostas científicas nomotética e ideográfica. De maneira simplificada e no que diz respeito à presente discussão, a proposta ‘nomotética’ assume a viabilidade da formulação de leis que expliquem efetivamente o desenvolvimento do universo social; ao contrário, a perspectiva ‘ideográfica’ salienta a impossibilidade da formulação destas leis, devido à complexidade e diversidade inerentes a este universo de fenômenos. Ao defender sua abordagem histórica, Boas sugeria que, no que diz respeito à formulação de leis científicas, o processo indutivo de definição de problemas era melhor do que a definição prévia de uma hipótese, o que dava à etnografia o status de “método básico das ciências sociais”. A ênfase de Boas na importância do método etnográfico era pioneira, e seria reforçada pelas tradições antropológicas européia e americana nas décadas seguintes. Portanto, analisar a história de uma cultura e compreendê-la profundamente em todas as suas particularidades eram etapas extremamente importantes ao esforço antropológico de obtenção das leis gerais do desenvolvimento do universo social. Neste sentido, Boas defendia que o particularismo histórico e o método comparativo não eram alternativas mutuamente

excludentes, mas que o método histórico era anterior ao método comparativo no processo de busca das leis científicas gerais. As palavras de Boas (BOAS, 2005ª, pp. 279) nos ajudam a entender melhor sua posição:

Quando tivermos compreendido a história de uma cultura particular, e tivermos entendido os efeitos do meio e as condições psicológicas [...], teremos dado um passo adiante, pois então poderemos investigar em que medida terão sido as mesmas causas ou outras causas as que atuaram no desenvolvimento de outras culturas. Assim, comparando histórias de desenvolvimento, podem ser encontradas as leis gerais. Este método é muito mais seguro que o método comparativo tal como aplicado usualmente, porque nossas deduções se baseiam não em hipóteses sobre o modo de