Para a realização do teste de força, as idosas fizeram um aquecimento de cinco minutos (AQUINO et al., 2002) em um cicloergômetro antes de iniciar os testes isocinéticos. Em seguida, estas foram posicionadas, sentadas no dinamômetro com o encosto da cadeira posicionado com 85º de flexão de quadril e o eixo de rotação do dinamômetro foi alinhado com o centro da articulação (referência anatômica do epicôndilo lateral do joelho. As idosas foram estabilizadas com os cintos de tronco, cintura pélvica e coxa para evitar movimentos compensatórios (HARBO; BRINCKS; ANDERSEN, 2011; HARTMANN et al., 2009; PERRIN, 1993).
Antes de iniciar o teste de força, as idosas executaram três repetições submáximas para familiarização com os procedimentos, nas duas velocidades avaliadas. Durante o teste, as mesmas realizaram cinco repetições máximas de flexão e extensão do joelho no modo concêntrico-concêntrico nas velocidades angulares de 60º/s e 180º/s, com intervalo de 30 segundos entre as séries (BOTTARO et al., 2005). Este procedimento foi realizado
bilateralmente, sendo que a escolha do primeiro membro a ser testado foi feita de forma aleatória (KANNUS, 1992; HONKONEN et al., 1997; BITTENCOURT et al., 2005).
Durante a realização do teste de força, as idosas receberam estímulos verbais, pronunciados de forma padronizada, pelo mesmo avaliador (força, força, força, vai, mais força), para que atingissem a máxima contração assim como, o feedback visual, no monitor do equipamento, através da visualização gráfica fornecida pelo software (CAMPENELLA; MATTACOLA; KIMURA, 2000).
A relação entre o torque isocinético máximo dos isquiotibiais e o torque isocinético máximo do quadríceps (relação I/Q) foi calculada dividindo-se o pico de torque flexor pelo pico de torque extensor, multiplicando este resultado por 100 (AAGAARD et al., 1998). Esta razão foi calculada para as velocidades de 60º/s e 180º/s, no membro inferior dominante e não dominante, e realizada pelo software do dinamômetro.
Para a obtenção das assimetrias musculares entre os membros inferiores (MMII) foram calculados os déficits entre MMII para a variável pico de torque. O valor do pico de torque do membro dominante foi subtraído do valor do pico de torque do membro não dominante e esse resultado foi divido pelo valor do pico de torque do membro dominante, esse quociente foi multiplicado por 100. Os cálculos dos déficits foram realizados pelo programa computacional do dinamômetro, para as velocidades de 60º/s e 180º/s, nos movimentos de extensão e flexão dos joelhos.
A calibração do dinamômetro foi realizada de acordo com as especificações sugeridas pelo fabricante. Durante a realização do teste, foi solicitado às voluntárias que mantivessem as mãos seguras aos cintos de tronco para evitar a distribuição de força pelos membros superiores e, dessa maneira, focalizar a aplicação de força no membro inferior avaliado (STUMBO et al., 2001). O ajuste para a correção do efeito da gravidade sobre o torque, na fase de flexão, foi realizado com o joelho a 60º e calculados pelo software do equipamento, conforme preconizado por Dvir (2004). A amplitude de movimento articular (ADM) empregada foi de 70º (LINDLE, 1997).
4.4.6 Análise Estatística
Para a análise descritiva da amostra foram utilizadas: médias, desvios padrões e frequências. O teste Kolmogorov smirnov foi utilizado para avaliação da normalidade dos dados.
Para verificar possíveis diferenças entre os perfis psicológicos de gênero foram realizadas Análises de Variância (ANOVAs) com Post Hoc Scheffe, bem como correlações e o teste não paramétrico Kruskall Wallis.
O pacote estatístico SPSS IBM 19.0 for Windows foi utilizado para rodar os dados, considerando erro de 5%.
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Por não ter sido encontrado na literatura nenhum estudo que investigasse o desempenho muscular de sujeitos com perfis psicológicos de gênero diferenciados, o presente estudo teve como primeiro objetivo específico verificar possíveis diferenças no desempenho muscular de extensores e flexores de joelho de mulheres idosas ativas, durante ações musculares isocinéticas em diferentes velocidades (60°/s e 180°/s), de três grupos tipológicos de gênero segundo o Modelo Interativo de Giavoni (2000). Para tal, as variáveis dependentes utilizadas foram o pico de torque (PT), potência média (POT), trabalho total (TT) e relação entre Isquiotibiais/Quadríceps (I/Q).
Inicialmente, foi realizada uma análise exploratória dos dados por grupos tipológicos de gênero para avaliar casos faltosos e desvios de normalidade das variáveis dependentes (Pico de Torque, Potência Média, Trabalho Total e Relação Isquiotibiais/Quadríceps - I/Q). Não foram encontrados desvios de normalidade nos grupos e variáveis analisadas.
Os resultados apresentados na Tabela 1 são referentes aos valores de médias e desvios padrões do Pico de Torque (PT) de flexores e extensores do joelho dominante, nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Tabela 1 – Valores de média e desvio padrão do Pico de Torque (PT) de extensores (EXT) e flexores (FLEX) do joelho dominante (D) nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Pico de Torque Grupos Média ±DP p
PT60EXT D HM 102,37 25,25 F(2,41) = 3,774 ISO 91,14 14,46 0,03* HF 84,88 17,73 HM ≠ HF PT60FLEX D HM 49,96 12,34 F(2,41) = 4,525 ISO 45,39 5,82 0,02* HF 41,14 4,78 HM ≠ HF PT180EXT D HM 65,41 14,62 F(2,41) = 4,449 ISO 57,13 10,26 0,02* HF 53,54 7,05 HM ≠ HF PT180FLEX D HM 38,19 9,60 F(2,41) = 4,423 ISO 32,73 5,51 0,02* HF 30,44 5,64 HM ≠ HF
HM= heteroesquemático masculino; ISO= isoesquemático; HF= heteroesquemático feminino. Valores de p em negrito sinalizam diferença estatisticamente significante. *p≤0,05
Os resultados demonstraram que houve diferença significativa entre os grupos 1 e 3 (HM ≠ HF) para a variável Pico de Torque (PT) nos movimentos de flexão e extensão, nas velocidades de 60°/s e 180°/s. Não houve diferença significativa para PT entre o grupos 2 e os demais grupos. Esses resultados se assemelham aos do estudo de Custódio (2007) que procurou relacionar ganho de força com tipologia de gênero e avaliou se os grupos tipológicos de gênero diferiam na aquisição de força máxima e força de resistência e se apresentavam diferenças no nível de satisfação ao realizar treinamentos específicos para a aquisição destas forças. Os resultados encontrados demonstraram que os treinamentos foram eficazes para todos os grupos tipológicos de gênero, mas o grupo HM adquiriu maior ganho de força de resistência e força máxima quando comparado aos demais grupos.
A variável PT consiste na aplicação de força máxima para gerar o movimento, trata-se de um parâmetro ligado às características da masculinidade. A realização do teste de força é desenvolvida solicitando ao indivíduo que o faça realizando a contração voluntária máxima, portanto indivíduos Heteroesquemáticos Masculinos tendem a perceber os traços do esquema masculino na realização dessa tarefa que envolve força, agressividade, ousadia, resistência, tolerância à dor, resistência à fadiga (GIAVONI, 2000; GIAVONI; TAMAYO, 2010; LEITE, 2009).
A influência do esquema de gênero na percepção e, conseqüentemente, no desempenho da tarefa pode ser observada no grupo Isoesquemático, o qual apresentou um rendimento intermediário entre os grupos HM e HF. Estes indivíduos são caracterizados por esquema proporcional, logo apresentam tanto estímulos masculinos quanto femininos. O desempenho do grupo Heteroesquemático Feminino no emprego da força pode ser compreendido pela resistência aos estímulos ligados aos traços de masculinidade, principalmente na execução de ações que envolvam fortes traços masculinos, como a avaliação de força (ARON et al., 1991; ANDERSEN; GLASSMAN; GOLD, 1998).
A mesma análise foi realizada para o PT de extensores e flexores do joelho não dominante e foi encontrada diferença significativa apenas para os extensores a 180°/s entre os grupos 1 e 3 (HM ≠ HF) [F(2,41) = 4,549; p= 0,02]. Os resultados descritos na
Tabela 2 são referentes aos valores de médias e desvios padrões da potência média (POT) de flexores e extensores do joelho dominante, nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Tabela 2 – Valores de média e desvio padrão da Potência (POT) de extensores (EXT) e flexores (FLEX) do joelho dominante (D) nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Potência Grupos Média ±DP p
POT60EXT D HM 59,45 15,70 F(2,41) = 1,485 ISO 55,39 9,70 0,24 HF 52,08 8,76 POT60FLEX D HM 32,78 10,74 F(2,41) = 3,274 ISO 28,21 6,12 0,05* HF 25,78 4,83 HM ≠ HF POT180EXT D HM 86,11 25,01 F(2,41) = 2,182 ISO 77,77 20,11 0,13 HF 70,67 14,47 POT180FLEX D HM 51,40 21,15 F(2,41) = 4,632 ISO 41,79 10,37 0,02* HF 36,11 7,50 HM ≠ HF
HM= heteroesquemático masculino; ISO= isoesquemático; HF= heteroesquemático feminino. Valores de p em negrito sinalizam diferença estatisticamente significante. *p≤0,05
Para a variável POT de extensores e flexores do joelho dominante, os resultados demonstraram que houve diferença significativa entre os grupos 1 e 3 (HM ≠ HF) para os flexores nas duas velocidades (60°/s e 180°/s). Já para a extensão, não foi encontrada diferença significativa na potência de extensores entre os grupos. A mesma análise foi realizada para a POT de extensores e flexores do joelho não dominante e não foi encontrada diferença significativa entre os grupos.
A Tabela 3 apresenta os valores de médias e desvios padrões da variável Trabalho Total (TT) de flexores e extensores do joelho dominante, nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Tabela 3 – Valores de média e desvio padrão do Trabalho Total (TT) de extensores (EXT) e flexores (FLEX) do joelho dominante (D) nas velocidades de 60°/s e 180°/s.
Trabalho Total Grupos Média ±DP P
TT60EXT D HM 390,12 103,21 F(2,41) = 1,454 ISO 371,08 70,62 0,25 HF 345,82 35,83 TT60FLEX D HM 211,16 52,10 F(2,41) = 3,537 ISO 196,00 42,38 0,04* HF 172,03 27,72 HM ≠ HF TT180EXT D HM 232,46 40,70 F(2,41) = 0,871 ISO 225,92 44,20 0,43 HF 212,63 39,71 TT180FLEX D HM 137,72 34,61 F(2,41) = 4,053 ISO 126,80 25,64 0,03* HF 109,87 20,82 HM ≠ HF
HM= heteroesquemático masculino; ISO= isoesquemático; HF= heteroesquemático feminino. Valores de p em negrito sinalizam diferença estatisticamente significante. *p≤0,05
Os resultados encontrados pela análise da variável Trabalho Total (TT) dos flexores e extensores do joelho dominante demonstraram que os grupos 1 e 3 diferem (HM ≠ HF) no TT de flexores nas duas velocidades testadas (60°/s e 180°/s). Não houve diferença significativa para o TT de extensores a 60°/s. Análise similar foi realizada para o TT de extensores e flexores do joelho não dominante e também não foi encontrada diferença significativa entre os grupos em nenhuma das velocidades testadas.
Quando avaliados potência média (POT) e trabalho total (TT), neste estudo, foram encontradas diferenças significativas entre os grupos 1 (HM) e 3 (HF) para os flexores nas duas velocidades testadas (60°/s e 180°/s), conforme descrito acima. As mulheres Heteroesquemáticas Femininas apresentaram valores menores de TT e POT para flexores, nas velocidades testadas, sugerindo que as idosas HM consigam vencer a deficiência de força dos flexores pelos traços da masculinidade apresentados em seu esquema de gênero que envolve competitividade, objetividade, ousadia e agressividade.
As Isoesquemáticas apresentam valores dessas variáveis mais equilibrados, demonstrando que para esse grupo as ações que envolvem potência e trabalho ocorrem dentro de um padrão intermediário entre o HM e HF. Para as idosas Isoesquemáticas a aplicação da força gerando potência e trabalho ocorre aplicando estímulos tanto masculinos como femininos.
Esses resultados estão de acordo com estudo realizado por Gomes (2007) que avaliou os níveis de aptidão física (força rápida, potência anaeróbia e fadiga muscular) e composição corporal de 92 homens. Esses atletas foram classificados em grupos tipológicos de esquemas de gênero do Modelo Interativo (GIAVONI, 2000). Os resultados encontrados por esse autor sugerem que indivíduos classificados como HM apresentam-se significativamente mais potentes, mas menos resistentes à fadiga, pois demonstraram uma menor resistência de força quando comparados aos HF. Os resultados demonstraram que os grupos HM, HF e ISO apresentaram diferenças no índice de fadiga, sendo que os HM apresentaram valor maior de fadiga quando comparados aos demais grupos. Os indivíduos do grupo HM apresentam valores médios de potência anaeróbia maiores que os demais grupos até a terceira tentativa, entretanto, não conseguiram manter o desempenho até o final do teste (sexta tentativa).
Estudos de Pincivero et al. (2000, 2003) verificaram a influência da variável sexo nas variáveis TT e POT encontraram que o trabalho e a potência muscular dos extensores e flexores do joelho em contrações isocinéticas, apresentam resultados maiores nos homens. No presente estudo, a diferença de POT e TT entre o grupo 1 (HM) e grupo 3 (HF) apresentou-se apenas para os flexores, possivelmente, pelo fato das idosas do grupo 3 (HF) apresentarem mais dificuldade de desenvolver força com flexores para vencer uma resistência. A musculatura extensora do joelho é mais solicitada nas ações diárias, como levantar-se de uma cadeira, subir escada, saltar (GAINES; TALBOT, 1999) e trata- se de uma musculatura de maior área transversa e com mais facilidade de recrutamento de fibras musculares (KANEHISA, 1996).
Na literatura já está bem estabelecido que não há diferenças significativas entre o pico de torque, trabalho, potência média de extensores e flexores, relação I/Q, entre os membros dominante e não dominante considerando a variável independente sexo (SEMALTIANOY et al., 2011; KONG; BURNS, 2010; HEWETT et al., 2008; DIAS et
al., 2004; AQUINO et al., 2002). Como nada foi encontrado para a variável grupo tipológico de gênero, o presente estudo tem o propósito de verificar se existe essa diferença na variável relação I/Q.
Nas Tabelas 4 e 5 encontram-se os valores de médias e desvios padrões da relação I/Q dos joelhos dominante e não dominante, dos três grupos tipológicos de gênero (HM, ISO e HF), nas velocidades angulares de 60°/s e 180°/s, respectivamente.
Tabela 4 - Valores de média e desvio padrão da relação I/Q do joelho dominante e do não dominante, na velocidade de 60°/s.
Dominante p Não Dominante p
Grupo Média ±DP Média ±DP
Heteroesquemático Masculino 49,43 7,83 F(2,41) = 0,261 47,02 7,62 F(2,41) = 2,432 Isoesquemático 50,57 7,70 0,77 54,45 10,15 0,10 Heteroesquemático Feminino 48,80 5,13 49,86 7,41
Tabela 5 - Valores de média e desvio padrão da relação I/Q do joelho dominante e do não dominante, na velocidade de 180°/s.
Dominante Não Dominante
Grupo Média ±DP p Média ±DP p
Heteroesquemático Masculino 58,34 5,64 F(2,41) = 0,262 55,36 11,57 F(2,41) = 0,960 Isoesquemático 57,79 6,25 0,77 60,62 12,31 0,39 Heteroesquemático Feminino 56,56 7,79 55,58 9,82
A análise da variável relação I/Q demonstrou não haver diferença significativa entre os grupos nos joelhos dominante e não dominante nas velocidades angulares de 60°/s e 180°/s. Esse resultado demonstra que os três grupos tipológicos de gênero encontram-se com o indicador de desequilíbrio muscular no mesmo nível, sugerindo que os três grupos apresentam o mesmo risco de lesão e queda (CROCE et al., 1996; SEMALTIANOY et al., 2011).
A diminuição na relação entre o pico de torque de flexores/extensores implica em um potencial mecanismo que aumenta lesões de membros inferiores (TERRERI, 1999). Na articulação do joelho, por exemplo, a relação entre o pico de torque dos flexores/extensores gira em torno de 60% a 76% para adultos saudáveis, variando com a velocidade (HEWETT, 2008; DIAS et al., 2004; CROCE et al., 1996).
O resultado apresentado neste estudo corrobora achados de Dias et al. (2004) que não encontraram diferença estatisticamente significativa entre os membros dominante e não dominante, para a relação I/Q de idosas, nas velocidades de 60°/s e 180°/s. Considerando os resultados encontrados por esses autores como referência, pois avaliaram idosas brasileiras, com média de idade de 60,11 ± 3,64 anos, os resultados encontrados no presente estudo estão de acordo com os normatizados. Esses autores também encontraram relação I/Q menor na velocidade de 60°/s do que na de 180°/s, o que demonstra que com o aumento da velocidade, ocorre diminuição do torque dos flexores e dos extensores. Já o aumento da relação na velocidade mais alta (180°/s) é observado pelo fato da ocorrer menor redução do torque dos isquiotibiais em relação ao torque do quadríceps (KONG; BURNS, 2010; TAN et al., 1995; KANNUS, 1989). Possivelmente, esse achado pode ocorrer pelo fato do aumento da velocidade de extensão do joelho causar uma reação aumentada dos receptores de estiramento dos isquiotibiais, o que favoreceria a produção de torque (MACALUSO et al., 2002; CROCE et al., 1996; KLOPFER; GREIJ, 1988).
Para verificar se há diferença no déficit de torque máximo de extensores e no de flexores dos joelhos, nos três grupos tipológicos de gênero, foi utilizado o teste não paramétrico Kruskal Wallis. Não foram encontradas diferenças significativas nos déficits de torque máximo para extensores e nem para flexores nas duas velocidades angulares testadas (60°/s e 180°/s).
Nas Tabelas 6 e 7 são apresentados os valores das freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para extensores e flexores do joelho, respectivamente, na velocidade de 60°/s. Foi empregada a classificação de Kannus (1994) para assimetria de MMII. Esse autor considera déficit normal (<10%), baixa assimetria (10% - 20%) e alta assimetria (>20%).
Tabela 6 – Valores de freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para extensores dos joelhos na velocidade de 60°/s, segundo classificação Normal (déficit <10%), Baixa Assimetria (10% - 20%) e Alta Assimetria (>20%).
Normal (<10%) Baixa Assimetria (10% - 20%) Alta Assimetria (>20%) Grupo HM 7 (70%) 3 (30%) 0 (0%) ISO 9 (69,2%) 3 (23,1%) 1 (7,7%) HF 11 (61,1%) 4 (22,2%) 3 (16,7%) *p>0,05 - Kruskal-Wallis
Tabela 7 – Valores de freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para flexores dos joelhos na velocidade de 60°/s, segundo classificação Normal (déficit <10%), Baixa Assimetria (10% - 20%) e Alta Assimetria (>20%).
Normal (<10%) Baixa Assimetria (10% - 20%) Alta Assimetria (>20%) Grupo HM 7 (70%) 1 (10%) 2 (20%) ISO 7 (53,8%) 5 (38,5%) 1 (7,7%) HF 7 (38,9%) 7 (38,9%) 4 (22,2%) *p>0,05 - Kruskal-Wallis
Embora não tenham sido encontradas diferenças significativas nos déficits de extensores e flexores entre os grupos tipológicos de gênero, observa-se pelos resultados apresentados na tabela 6, para extensores, que o grupo HM apresenta maior freqüência (70%) na classificação de déficit normal, já o grupo HF apresenta freqüência de 61,1%. Na classe considerada como de alta assimetria, os heteroesquemáticos masculinos não apresentaram nenhum caso (0%) de alta assimetria e os HF apresentaram freqüência de 22,2% nessa classe.
Os resultados apresentados na Tabela 7, para flexores dos joelhos, mostram freqüência maior de déficit normal para o grupo HM (70%), já os HF apresentam 38.9%. O grupo HM apresenta freqüência de 20%, na classe considerada como de alta assimetria, e os heteroesquemático femininos apresentam freqüência de 22,2% nessa classe. O grupo dos isoesquemáticos apresenta freqüências mais equilibradas.
Essa freqüência maior de déficit classificado como alta assimetria no grupo HF demonstra que as idosas com esquema de gênero predominantemente feminino mostram tendência de maior assimetria de membros inferiores, principalmente para os extensores do joelho, e isso pode levá-las à situação de alteração na postura e na mecânica da articulação. Esse resultado corrobora o estudo de Luz (2011) que verificou a relação entre danos posturais e o perfil psicológico dos grupos tipológicos de gênero e encontrou uma maior tendência das idosas integrantes do grupo Heteroesquemático Feminino em apresentar danos posturais.
Segundo Gioda (2008) a timidez, traço do esquema de gênero feminino, eleva a tendência do indivíduo de apresentar cifose torácica, devido à postura de fechamento. Assim com maior tendência à depressão e incapacidade funcional, as idosas HF tenderiam a apresentar maior comprometimento postural, em razão dessa postura de fechamento, decorrente da depressão, e da redução da mobilidade e flexibilidade, decorrente da perda funcional.
A maioria dos indivíduos apresenta déficit na força de extensores e flexores do joelho, pois utilizam mais o membro dominante em detrimento do não dominante nas ações de equilíbrio postural e de realização de ações funcionais que envolvam a articulação do joelho. Porém, o déficit acima de 10% mostra haver assimetria e indica o risco de lesão dessa articulação (SKELTON et al. 2002; KANNUS, 1994). Dessa maneira, o grupo HF encontra-se mais propenso a lesões que os demais grupos, necessitando assim de um protocolo de exercícios que provoque o aumento da força muscular, da mobilidade funcional e do equilíbrio muscular. De acordo com Faria et al. (2003) um programa de exercícios que priorize o ganho de força causa mudanças significativas à independência funcional. Esses autores levantaram a importância da intensidade do exercício para o fortalecimento muscular. Programas de fortalecimento muscular que aplicam exercícios de alta intensidade levam a ganhos significativos na força muscular e, conseqüentemente, na mobilidade funcional.
Rantanen et al.(1999) realizaram um estudo correlacional e encontraram que déficits na força muscular estão associados à maiores dificuldades nas funções motoras que, por sua vez, estão associadas a baixos níveis de atividade física. Esse estudo também mostrou que o declínio da atividade física leva à diminuição da força muscular,
contribuindo para redução da função motora. Apesar das idosas do presente estudo serem participantes de um programa cultural e esportivo, o nível de atividade física destas parece ser baixo quando associado ao tempo que essas idosas participam do programa.
Nas Tabelas 8 e 9 são apresentados os valores das freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para extensores e flexores do joelho, na velocidade de 180°/s, nos movimentos de extensão e flexão do joelho, respectivamente.
Tabela 8 – Valores de freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para extensores dos joelhos na velocidade de 180°/s, segundo classificação Normal (déficit <10%), Baixa Assimetria (10% - 20%) e Alta Assimetria (>20%).
Normal (<10%) Baixa Assimetria (10% - 20%) Alta Assimetria (>20%) Grupo HM 9 (90%) 1 (10%) 0 (0%) ISO 10 (76,9%) 2 (15,4%) 1 (7,7%) HF 10 (55,6%) 5 (27,8%) 3 (16,7%) *p>0,05 - Kruskall-Wallis
Os resultados apresentados na tabela 8 mostram que as idosas do grupo HM que encontram-se com déficit de torque máximo de extensor classificado como normal, na velocidade de 180°/s, apresentam frequência de 90% e as idosas do grupo HF apresentam 55,6%, na mesma classe. Para a classe dita de alta assimetria, as idosas heteroesquemáticas femininas apresentam maior frequência (16,7%) e nenhuma idosa heteroesquemática masculina apresentou-se nessa classe (0%). O grupo isoesquemático apresentou freqüências mais equilibradas entre os grupos HM e HF. Isso mostra que idosas do grupo HF encontram-se com assimetria alta mesmo com o aumento da velocidade. As atividades funcionais que necessitem do emprego da força de membros inferiores com velocidade tornam-se difíceis de serem realizadas pelo grupo HF. De acordo com Valtonen et al. (2009) os déficits de torque e potência musculares de extensores e flexores do joelho devem ser considerados em programas de reabilitação, pois nas atividades diárias essas variáveis tornam-se importantes para promover a capacidade de produzir força rápida e efetiva para prevenir movimentos indesejáveis.
Tabela 9 – Valores de freqüências absoluta e relativa dos déficits de torque máximo para flexores dos joelhos na velocidade de 180°/s, segundo classificação Normal (déficit <10%), Baixa Assimetria (10% - 20%) e Alta Assimetria (>20%).
Normal (<10%) Baixa Assimetria (10% - 20%) Alta Assimetria (>20%) Grupo HM 5 (50%) 3 (30%) 2 (20%) ISO 7 (53,8%) 2 (15,4%) 4 (30,8%) HF 5 (27,8%) 6 (33,3%) 7 (38,9%) *p>0,05 - Kruskall-Wallis
Os resultados mostrados na Tabela 9 demonstram que as idosas classificadas como de alta assimetria de torque máximo para flexores na velocidade de 180°/s, a freqüência maior encontrada foi para o grupo heteroesquemático feminino (38,9%). Para