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Nº % Sim 35 64% Aniversário da criança 14 40% Diversas 9 26% Chá de Bebê 6 17% Madrinha de Batizado 5 14%

As mães chamam, mas ele não vai. 4 11%

Batizado 4 11%

Casamento 4 11%

Uma das crianças dorme na sua casa 2 6%

Madrinha de Casamento 1 3%

Não 20 36%

Total 55

(*) Respostas múltiplas

O interconhecimento acontece quando o líder estabelece a relação com a família. Eles se conhecem e passam a fazer parte de uma mesma rede. O inter-reconhecimento surge à medida que os relacionamentos se tornam constantes, por meio das visitas e pesagens, em que ambos se reconhecem como moradores de uma mesma localidade, que ultrapassaram a barreira da simples proximidade física. Assim, eles se reconhecem e se cumprimentam nos espaços públicos, se relacionam. Isso também ajuda na melhora da auto-estima da família, pois, dentro dessa rede, é quebrada a invisibilidade provocada pela exclusão social. Entre os voluntários, o inter-reconhecimento surge quando compartilham suas experiências, seu cotidiano, trocam conhecimentos, afetos e são cultivadas semelhanças.

“As mães têm necessidade de afeto, de carinho, de atenção, de amigos [...] Se você tocar, dar um beijo mais carinhoso, elas se tornam suas amigas. [...] Elas são bem carentes de afeto e elas não tendo afeto, elas, muitas vezes, não passam afeto para os filhos”(8).

pelo fato de que, no grupo, predomina mulheres que são mães. Isso faz com que o voluntário se coloque no lugar da mãe preocupada com a criação dos seus filhos. Isso fortalece tanto o vínculo entre famílias e voluntários, quanto a construção da identidade coletiva, apesar das condições socioeconômicas serem diferentes.

Perguntou-se a uma líder se a função que ela exerce hoje não é o papel que, usualmente, seria de responsabilidade das mulheres mais velhas de uma família. Ela respondeu que sim, mas que a mulher acompanhada pela Pastoral, geralmente, não tem sua mãe presente, ou, ainda, que a avó da criança, muitas vezes, também não sabe como instruir a filha nos cuidados com a criança, porque não aprendeu nada com a sua mãe. Isso leva a entender que na Pastoral da Criança o trabalho é, predominantemente, de mulheres, porque caracteriza uma dinâmica social que, historicamente, é exercida por elas. Assim, devido ao enfraquecimento dos vínculos familiares, é necessária a presença de alguém externo ao contexto familiar para reativar as competências familiares. Desse modo, nas famílias acompanhadas, uma prática usualmente exercida no âmbito da sociabilidade primária passa a acontecer no contexto da sociabilidade secundária.

“Têm uma senhora [avó] que criticava muito a filha porque ela tem quatro filhos, e hoje ela critica também a nora que está no segundo filho e essa moça chora... [...] Elas não têm apoio da família para criar os filhos.” (1)

“Eu ajudo em tudo, acompanho o pré-natal, vou na assistente social, dou enxoval, tem uma moça que monta e me dá todo mês. Quando ela não tem a mãe para ajudar eu vou lá e dou o primeiro banho, cuido do umbigo e cuido dela” (23).

A Pastoral da Criança forma uma rede de mulheres (mães e voluntárias) que, em um processo de ajuda-mútua, trabalham para o desenvolvimento sadio das crianças da comunidade. Na rede de voluntários e famílias existem trocas materiais e simbólicas. Entre as trocas materiais estão o serviço prestado, o acompanhamento mensal, a entrega da multimistura, os dados enviados e recebidos da coordenação nacional, as doações em dinheiro

ou em espécie recebida pelos níveis comunitário, municipal, estadual e nacional, a festa que é oferecida no Dia da Celebração da Vida, entre outras.

Entre as trocas simbólicas apresenta-se o cuidado que o voluntário tem com a criança e com a família, as conversas, os saberes fornecidos pela organização e multiplicados entre os voluntários, a experiência de vida tanto dos voluntários quanto das famílias, as mensagens que apóiam e revigoram a caminhada, todos esses, bens simbólicos permeados por solidariedade, compaixão, amor (mãe e filho), amizades etc.

“Eu era muito calada e achava que não ia conseguir, com o trabalho fui me soltando, fui vendo que era capaz e que era importante naquela família. A gente acaba vendo que a família está se sentindo bem com você quando a gente faz a visita. Isso levanta a auto-estima. É uma troca” (1).

As coisas e sentimentos são intercambiados, gratuitamente, sem uma expectativa de retorno, e, por isso, podem ser reconhecidos como dádivas, ainda mais quando o objetivo da organização está no fortalecimento dos vínculos comunitários e familiares dos indivíduos que fazem parte dessa rede.

A comprovação está na resposta à questão sobre como o voluntário descreve a Pastoral da Criança. Primeiramente, selecionou-se a primeira frase que foi dita; a partir disso, verificou-se a recorrência no discurso dos voluntários de ações como: acompanhar, cuidar, ajudar, ensinar, combater, dar e transformar e aprender. Dentre os substantivos que acompanham esses verbos têm-se maior recorrência das palavras criança, mãe, família, desnutrição, alimentação, assistência, amamentação, saúde entre outras que foram citadas apenas uma vez. Com isso, percebe-se o que é mais importante na organização, na visão do voluntário. Tem-se, portanto, na visão dos voluntários entrevistados, que acompanhar e cuidar são suas principais ações e que os objetos principais dessas ações são as crianças, as mães, as famílias e a desnutrição (Tabela 15).

Ainda na análise da primeira fala dos entrevistados, fazendo uma descrição mais detalhada sobre a questão do ‘dar’, observou-se que este estava relacionado a coisas imateriais como dar amor, assistência, vida e recursos humanitários.

TABELA 15 – COMO O VOLUNTÁRIO DESCREVE A PASTORAL DA CRIANÇA: ANÁLISE