• No results found

The Centre should continue to work hard on improving its relationship with industrial partners, both large and small. This should include using strong existing industrial

SIRIUS – Centre for Scalable Data Access

Recommendation 7: The Centre should continue to work hard on improving its relationship with industrial partners, both large and small. This should include using strong existing industrial

Devido à diversidade de voluntários, na Pastoral da Criança, podem ser identificadas diversas forças motivacionais: a caridade cristã, a ajuda ao próximo, a ajuda-mútua, a solidariedade, a participação comunitária, a indignação, a cidadania, entre outros. Cada uma destas motivações toca cada voluntário de forma diferente. Como todas as características são importantes e

cada voluntário tende mais por um determinado motivo do que para outro, é a integração de pessoas com motivações diversas que faz o trabalho ser eficaz.

É importante ressaltar que o cotidiano do trabalho é permeado por uma religiosidade viva. As atividades da Pastoral da Criança fazem parte do setor pastoral da Igreja Católica, mais especificamente, das Pastorais Sociais, e isso denota que sua função principal é a de levar conteúdo religioso. O agente pastoral é um ‘pastor de gente’ e sua função é cuidar para que os fiéis não se distanciem, além de trazer novas pessoas para a Igreja. Assim como as outras pastorais sociais, a Pastoral da Criança une o trabalho de evangelização a uma ação social.

O trabalho social, sem um fator simbólico ou uma alma, torna-se vazio, algo mecanizado, feito por obrigação. Cuidar do outro requer algo mais que a finitude de uma ação; requer sentimentos, amor ao próximo e compaixão. Por isso, muitos dos trabalhos sociais mais antigos estão ligados a algum tipo de associação religiosa. A fé ajuda a caminhada de transformação. Muitas vezes, o maior beneficiado é o próprio agente de transformação, assim como acontece com os voluntários da Pastoral da Criança.

Por outro lado, o discurso religioso, por si só, é demasiado ideológico e de difícil compreensão. Então, unindo os ensinamentos religiosos a um trabalho social, as pessoas conseguem materializar o discurso religioso, enxergando-se como protagonistas das histórias contadas. Segundo a Bíblia, Jesus Cristo foi o maior pastor que já existiu, e isso aconteceu há dois mil anos. Assim, cada voluntário que, ao seguir seus ensinamentos, realiza um trabalho pastoral, seja ele social ou não, está fazendo a sua parte para que a história continue viva. Somar o discurso religioso às atividades de ajuda humanitária faz com que se viva o evangelho na prática.

Por isso, a Pastoral da Criança, em cada página do Guia do Líder, coloca uma passagem do evangelho que é lido para a mãe, e isso serve para animar tanto a família quanto o próprio líder. No dia da pesagem, depois de pesar todas as crianças, líderes e mães se reúnem para fazer uma oração. As

reuniões e os locais de treinamento são preparados de forma a deixar os símbolos religiosos sempre presentes.

Isso reflete o que o texto sobre as CEBs apresentou: as pessoas têm que apreender os símbolos do sagrado. Assim como nos altares que eram montados nas CEBs, as celebrações da Pastoral da Criança também usam os objetos do local para montar seus altares. Neles, geralmente, são colocados uma Bíblia, uma ou mais velas, o Guia e o Caderno do Líder, a balança, outros materiais usados pelos líderes, e objetos que simbolizam o trabalho da região, por exemplo, se for uma comunidade de pescadores, poderiam ser colocados redes, varas, anzóis etc. Assim, se faz uma aproximação das coisas do sagrado com o que faz parte do dia-a-dia das pessoas.

Além do fator religioso, existem as motivações individuais. Entre os voluntários da Pastoral da Criança acontecem trocas constantes entre voluntários e voluntários, e entre voluntários e famílias acompanhadas. Entre os voluntários existe a cultura de ajuda mútua, a troca de conhecimentos, presentes não só nos treinamentos, mas também nas reuniões mensais e no dia-a-dia, pois os líderes, geralmente, moram na mesma vizinhança e freqüentam os mesmos lugares. Entre as famílias e os líderes são trocados conhecimentos e solidariedade. Essas trocas são bem mais que simples trocas de coisas materiais ou a prestação de serviço socioassistencial. Elas estão permeadas de sentimentos e afetividades, um espírito que explicita a presença da dádiva.

A proposta de trabalho da Pastoral da Criança proporciona nas comunidades em que se insere um ambiente propício à produção de capital social e incentiva comportamentos reprodutores desse ativo.

A Pastoral da Criança é organizada em rede e privilegia as relações horizontais. O fato de o voluntário pertencer à mesma comunidade que as famílias acompanhadas facilita o reconhecimento da identidade coletiva, e o contato constante entre voluntários e famílias, proporcionado pela proximidade física entre eles, auxilia na perenização das relações.

Ao ensinar para o voluntário como observar a sua comunidade e a criar novos laços, seja com os outros voluntários, seja com as famílias acompanhadas, a organização incentiva a ampliação do raio de confiança do líder comunitário. Quando a família recebe o líder em sua casa, também age de forma a ampliar seus relacionamentos. Assim, os voluntários da Pastoral da Criança representam um grupo coeso que, permanentemente, trabalha na ampliação do raio de confiança. Ainda nesse sentido, as dádivas, tanto dos voluntários quanto das famílias, extrapolam o âmbito de sociabilidade primária (família e amizade intima), transformando as relações contingentes em relações úteis e, possivelmente, perenes.

A utilidade e objetivo da rede formada pela Pastoral da Criança podem ser entendidos de diversas formas. A organização combate a mortalidade infantil, cuida do desenvolvimento físico e psicossocial das crianças, fortalece vínculos familiares e comunitários, incentiva o trabalho voluntário, trabalha por meio de ações educativas, promove a cidadania, faz um trabalho de evangelização, entre outras tantas coisas.

Dois desses objetivos proporcionam formação de capital social: as questões ligadas ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e o trabalho voluntário. Esses são fatores intangíveis que são de difícil apreensão, portanto a materialidade dos outros objetivos facilita o desenvolvimento das atividades de transformação social.

A Pastoral da Criança construiu, durante seus 25 anos de existência, uma credibilidade, e, por meio dos treinamentos, capacita, ao longo dos anos, os voluntários a trabalhar em seu nome. Esse exercício é uma forma de transmitir o capital social constituído nacionalmente para aqueles que trabalham na comunidade. Essa credibilidade é somada à capacidade e ao conhecimento que o líder já possui. A Pastoral da Criança também herdou a credibilidade que Igreja Católica tem em trabalhos comunitários.

Os problemas na produção do capital social podem ser observados quando uma comunidade pobre não consegue apreender a proposta da

na qual esperam receber ajuda material (doações); e a Pastoral da Criança fornece bens imateriais como informações sobre saúde e cidadania, acompanhamento mensal e ajuda no entendimento do desenvolvimento das crianças.

Nesse contexto é que a tripla obrigação da dádiva – dar, receber e retribuir – fica prejudicada. A lógica utilitarista prejudica o entendimento de que as relações pessoais e os vínculos são mais importantes que a ajuda material que é entregue pela doação, tornando as coisas ofertadas pelo líder comunitário – visita, pesagem, multimistura, lanche, entre outros – mais importante que os vínculos comunitários.

Em resumo, estudar o trabalho voluntário na Pastoral da Criança tem importância no que diz respeito às políticas públicas de saúde, quando combate a mortalidade infantil e materna; e na área social, quando fortalece vínculos intrafamiliares e comunitários, na resposta às críticas ao trabalho voluntário e pela transformação social que a proximidade entre voluntário e beneficiado proporciona.

CAPÍTULO IV