3.2 Valg av metode
3.2.2 Hvem er jeg?
O processamento e a análise dos dados sociodemográficos dos idosos ocorreram tendo por origem o levantamento das variáveis: sexo, idade, estado civil, renda familiar, religião, escolaridade, profissão/ocupação (que exerciam antes do tratamento).
Houve dificuldades na obtenção destes dados, uma vez que as instituições do estudo adotam o prontuário único para registros por diversos profissionais, o que é louvável, pelo aspecto do respeito à interdisciplinaridade mas, em alguns casos, leva à inconsistência e à contradição nos registros. Alguns dados estavam incompletos e foram por nós complementados, apenas para efeito de pesquisa e, como é óbvio, não foram colocados nos prontuários.
A inexistência de alguns dados nos registros dos prontuários vinha sendo observada por nós durante as inspeções de auditoria. Embora, os auditores alertem os profissionais para a necessidade do cumprimento da legislação vigente prevista especificamente no Regulamento Técnico para os Serviços de Hemodiálise, RDC Nº
154 (BRASIL, 2004b), e que, ao determinar a obrigatoriedade do monitoramento da evolução das condições clínicas do paciente, é citado o prontuário como instrumento essencial dentre os demais procedimentos. Alguns profissionais, quando abordados, justificam que na prática existem dificuldades para o seu preenchimento conforme o recomendado.
A RDC nº 154 (BRASIL, 2004b) recomenda, no entanto, que os prontuários devem conter todas as informações sobre o tratamento dialítico, com evolução e intercorrências, devendo ser preenchidos de forma clara e precisa, e atualizados.
Alguns profissionais alegam que, em virtude do monitoramento de cada paciente durante todo o decorrer das sessões, torna-se difícil efetuar os registros recomendados em todos os prontuários em razão do tempo que esta atividade requer, conquanto o monitoramento não seja impeditivo para a conversação entre o profissional e o paciente para registro das informações necessárias no prontuário. Os dados sociodemográficos parecem ser considerados, por muitos profissionais, de menor importância para a efetividade do tratamento.
Dentre as variáveis, a renda familiar foi a de maior resistência para nos ser revelada por parte dos entrevistados, não me cabendo o direito de julgar seus motivos. Ressaltamos que os entrevistados, ao serem por nós abordados para complementar os dados, tinham conhecimento de nosso duplo papel de pesquisadora e auditora, embora naquele momento representássemos apenas o papel de pesquisadora. Quem sabe, esta separação de papéis possa por eles não ter sido processada, mas, ainda que verdadeiras estas suposições, não vieram a modificar o perfil desses idosos e, assim sendo, não comprometeram os resultados da pesquisa.
Para efeito de elaboração do perfil dos idosos, os valores descritivos de suas características sociodemográficas se encontram na Tabela 1.
Tabela 1 – Características sociodemográficas dos idosos dialisados nas clínicas pesquisadas. Fortaleza, dezembro, 2007
Variáveis N (80) % Média 1. Idade 69, 4 60 – 69 49 61,2 - 70 – 79 23 28,8 - 80 – 88 8 10,0 - 2. Sexo Masculino 47 41,2 - Feminino 33 58,8 - 3. Estado Civil
Casado / União estável 47 58,8 -
Desquitado/divorciado/separado 7 8,8 - Solteiro 6 7,5 - Viúvo 20 25,0 - 4. Escolaridade Não alfabetizado 25 31,3 - EF-I 40 50,0 - EF-II 4 5,0 - EM 6 7,5 - Superior 5 6,2 - 5. Religião Católica 63 78,7 - Evangélica 14 17,5 - Sem religião 3 3,8 - 7. Renda Familiar em SM 2,3 0 1 1,3 - 1 43 53,8 - 2 14 17,5 - ≥3 15 18,9 -
Fonte: dados da pesquisa.
Os dados contidos na Tabela 1 se referem à população estudada, isto é, 100% dos idosos (80), das duas clínicas. Posteriormente, para obedecer os critérios de inclusão, foram selecionados 50% (40), que constituíram a amostra do estudo. A opção por verificar os dados de todos os idosos se deu por conta de que, assim, seria possível visualizar em sua totalidade quais as características socioeconômicas dos idosos que dialisam nas duas clínicas.
A idade média dos pacientes é 69,4 anos, com idade mínima igual a 60 anos e máxima 88 anos, sendo que a maioria dos pacientes, 61,2% (49/80), possui idade variando entre 60 e 69 anos.
É possível observar que predominam os idosos do sexo masculino, 58,8% (47/80), enquanto os do sexo feminino são 41,2% (33/80).
Sobre o estado civil desses idosos, 58,8% (47/80) são casados/união estável, 25,0% (20/80) são viúvos, 7,5% (6/80) são solteiros e 8,8% estão na categoria desquitado/divorciado/separado.
Quanto à escolaridade, 50% (40/80) possuem nível de instrução que corresponde no máximo ao Ensino Fundamental 1 (EF-I), 31,3% (25/80) não são sequer alfabetizados, 7,5% (6/80) cursaram o Ensino Médio (EM), 5,0% (4/80) tem um nível correspondente ao Ensino Fundamental II (EF-II) e apenas 6,2% (5/80) possuem diploma de curso superior.
A maioria dos pacientes, 78,7% (63/80), é constituída por católicos, 17,5% (14/80) são evangélicos de várias confissões e 3,8% (3/80) declararam não professar nenhuma religião.
A renda familiar variou entre zero salário mínimo (SM) a 10 SM, sendo, em média, igual a 2,3 SM. Ainda em relação à renda familiar, 53,8% (43/80) têm renda máxima igual a um SM, sendo que um paciente declara não ter renda (renda familiar = zero SM).
Em relação à variável profissão/ocupação, ainda que não conste em tabela, foram identificadas 30 categorias, sendo que as três maiores incidências foram: doméstica, 22,5% (18/80), agricultor, 20,0% (16/80) e motorista, 6,3% (5/80). As categorias identificadas como de nível superior foram: advogado, 3,8% (3/80), professor universitário, 1,3% (1/80) e supervisora pedagógica, 1,3% (1/80).
Além das variáveis sociodemográficas, levantamos outras, ligadas à caracterização clínica dos participantes, ou seja, tempo de hemodiálise, doença de base e co-morbidades, que podem ser vistas na Tabela 2, embora estas últimas estejam representadas pelo número de co-morbidades que cada idoso apresenta.
Tabela 2 – Tempo de Hemodiálise/doença de base/número de co-morbidades por pacientes dialisados nas clínicas pesquisadas. Fortaleza, dezembro, 2007
Variáveis N % Média 1.Tempo de hemodiálise 3,03 <1 ano 17 21,3 - 1-2 28 35,0 - 3-5 25 31,2 - 6-14 10 12,5 - 2. Doença de base
Hipertensão Arterial Sistêmica 42 52,5 -
Diabetes Mellitus 20 25,0 -
Nefroesclerose hipertensiva 2 2,5 -
Uropatia obstrutiva 2 2,5 -
Cálculo renal 2 2,5 -
Câncer de próstata 1 1,3 -
Estenose uretral bilateral 1 1,3 -
Glomérulo-nefrite membrano- proliferativa
1 1,3 -
Insuficiência Renal Congênita 1 1,3 -
Mieloma múltiplo 1 1,3 -
Nefropatia analgésica 1 1,3 -
Rins policísticos hereditários 1 1,3 -
Indefinida 5 6,3 - 3. Nº de comorbidades por paientes Sem registro 28 35,0 - 1 33 41,3 - 2 19 23,7 -
Fonte: dados da pesquisa.
O tempo de hemodiálise dos pacientes variou entre < 1 ano a 14 anos, sendo que 56,3% (45/80) dos pacientes fazem hemodiálise há no máximo 2 anos. De 6 a 14 anos encontram-se 12,5%(10/80) dos pacientes.
Quanto à doença de base, notam-se as maiores incidências para a hipertensão arterial sistêmica (HAS), 52,5% (42/80) e diabetes mellitus (DM), 25,0% (20/80). As causas indefinidas foram 6,3 (5/80).
Sobre as co-morbidades, notam-se 35,0% (28/80), sem registros, o que não assegura que esse grupo não apresente co-morbidades; 23,7% (19/80) dos pacientes com duas co-morbidades, enquanto 41,3% (33/80) apresentam pelo menos uma co-morbidade.
Dentre as várias co-morbidades registradas, ainda que não constem em tabela, as maiores incidências são HAS (23,1%), doença cardíaca (11,5%), AVC (9,6%) e surdez (7,7%), que em dois pacientes é parcial.