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Neste curto período, porém, Maria Lúcia Vasconcelos, voltou a se pronunciar na imprensa, de forma bastante crítica, sobre a situação de ensino no Estado em que ocupava o cargo de Secretária da Educação:

“A secretária da Educação do Estado de São Paulo, Maria Lucia Vasconcelos, caracterizou ontem a situação das escolas estaduais na cidade de São Paulo como "alarmante, triste". A titular da pasta (assumiu em 2006) refere-se aos resultados obtidos pelos alunos das escolas estaduais paulistanas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado. Tomando-se os 633 estabelecimentos sob controle do Estado e excetuando-se 11 escolas técnicas e uma ligada à USP, todos os 621 colégios tiveram notas inferiores a 50 (de 100 pontos). A média geral das escolas estaduais da cidade foi de 38,42 (contra 52,81 de média das escolas particulares)”. (JORNAL FOLHA DE S. PAULO, 06/03/07)

O que chama atenção nesta matéria é o tom contundente do reconhecimento de que a situação das escolas estaduais era “alarmante, triste”. Se os poucos meses em que estava à frente da Secretaria da Educação podiam eximir sua responsabilidade pelo quadro, não havia como não relacionar este resultado com, pelo menos, a gestão anterior de Alckmin Governador/ Chalita secretário.

A gestão anterior de Gabriel Chalita que se vangloriava por ter promovido abertura da escola à comunidade, através do Programa Escola da Família, por não ter enfrentado greve de professores nos quatro anos em que Chalita foi secretário e de ter oferecido bolsas de mestrado para professores, sofria sob administração de José Serra, através, inicialmente da secretária Maria Lúcia Vasconcelos, o desmonte desses principais projetos e a responsabilização pelos resultados alcançados. A secretária Maria Lúcia Vasconcelos assume ainda outras medidas e posturas que marcam algumas rupturas com as gestões anteriores, tanto ao que se refere ao caso dos ciclos e a forma como esse sistema é encarado pela média dos professores, como no que diz respeito ao currículo que considerava mais adequado ao Ensino Médio:

“A professora Maria Lucia propõe medidas que chama de "emergenciais" para tentar diminuir o fosso em que está o ensino público da cidade. Uma delas é reduzir o tamanho dos ciclos em que se divide o ensino fundamental. Hoje, são dois ciclos de quatro anos, no final dos quais o aluno pode ser reprovado e repetir um ano. A secretaria pretende transformar em quatro ciclos de dois anos... Pedagogos

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têm criticado a forma como foi implantada a progressão continuada (em vigor desde 1997, governo tucano de Mário Covas). Dizem que, na prática, a progressão joga no ensino médio estudantes que mal sabem ler e escrever. Na avaliação da secretária da Educação, "o ciclo atual, de quatro anos, é tempo demais". Ela justifica a mudança proposta: "O nosso professor é formado pela e para a educação tradicional. Ele ficou desmotivado porque sentiu que o fato de não mais exercer o poder por meio da avaliação desqualificou seu trabalho. O professor não gosta da progressão continuada. E se ele não gosta, não funciona". Outra modificação que a secretaria pretende introduzir refere-se à reorganização do currículo do ensino médio. “Está muito desvinculado do mundo real”. Nós não temos uma escola preparatória para o trabalho... Ela quer reforçar os ensinos de inglês e de informática para atrair o aluno com a proposta de prepará-lo para o mercado de trabalho”. (JORNAL FOLHA DE S. PAULO, 06/03/07)

Podemos ver que mesmo no pequeno espaço de tempo que teve para conduzir a educação pública no Estado de S. Paulo, esta secretária pode ter desempenhado um papel importante na preparação do terreno para medidas que seriam tomadas pela gestão seguinte no sentido de reorientar a Secretaria de modo a ter um trabalho e resultado mais compatível com o que era demandado pelo mercado de trabalho, segundo o grupo político no poder. Seu papel, aliás, pode ter ido além, no sentido de ter colaborado para uma maior distinção entre os setores que disputavam espaços no interior do PSDB, partido político que dominava o Estado desde o primeiro governo de Mário Covas; iniciado em 1995. Mesmo não sendo filiada a nenhum partido e tendo sido indicada por um político de partido, aliado do PSDB, o PFL (pois na época tinha este nome, depois mudou o nome para DEM), Cláudio Lembo, a secretária Maria Lúcia com suas duras críticas atingia os rivais do então governador José Serra.

Mas não era apenas da Secretaria, da imprensa ou da oposição que vinham críticas aos resultados educacionais que teriam sidos herdados da Administração Alckmin/Chalita.

No breve balanço, já citado, feito por João Cardoso Palma Filho, sobre a Política Educacional do Estado de São Paulo (1983 – 2008), que cobre o período iniciado pelo Governo de André Franco Montoro, em 1983, até as administrações do PSDB, iniciadas em 1995 e que permaneceram no poder até o final do período contemplado em seu levantamento, o ano de 2008, não é de menor importância e significado político a ênfase dada por Palma Filho aos péssimos resultados educacionais obtidos na gestão de Alckmin/Chalita:

‘Os piores resultados são apresentados no ensino médio. Em Matemática, por exemplo, em 1995 a rede estadual ocupava a quarta posição em relação aos demais estados da federação; enquanto que no ano de 2005 cai para a oitava posição. Em Língua Portuguesa ocupava em 1995 a primeira posição (299,7), caindo para a oitava posição em 2005”. (PALMA FILHO, 2008, pág. 06)

81 Nestes números dos resultados das avaliações do SAEB, apresentados por Palma Filho, temos outros exemplos de críticas que atingiam a gestão de Chalita à frente da Secretaria da Educação.

Aliás, neste balanço que Palma Filho faz dos Governos desde 1983, em relação ao período de Gabriel Chalita, o texto apresenta uma omissão surpreendente. No resumo que faz da passagem de Gabriel Chalita pela secretaria, Palma Filho não faz uma única referência ao lançamento Oficial do Calendário de Elaboração do Plano Estadual de Educação, pelo governador da época, Geraldo Alckmin, em abril de 2003. Não são citados nenhum dos eventos destacados na Proposta sistematizada por CENP. Nem a entrega da proposta na Assembléia Legislativa, em outubro, foi mencionada. O único ponto de seu balanço em que o PEE é citado é no final, onde o autor apresenta entre suas sugestões, a de que sejam estabelecidas “metas a serem cumpridas pelas unidades escolares nos termos do Plano Estadual de Educação”. (PALMA FILHO, 2008, pág. 13)

O que torna especialmente curiosa esta omissão em relação ao processo de discussão sobre o Plano Estadual de Educação é o fato deste pesquisador ser figura importante dentro do órgão que tem a incumbência legal de elaborar o Plano Estadual de Educação. Desde 2010 até 2011, por exemplo, João Cardoso Palma Filho exerce a função de presidente da Câmara da Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de São Paulo.