Gait and Activity Recognition using Commercial Phones
11.4.3 Gait Recognition Analysis
atmosféricas de origem veicular, o Governo Federal instituiu, em 1986, o Programa de
Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), pela Resolução no
18, de 06 de maio de 1986, do Conselho Nacional de Meio Ambien te (CONAMA), e
confirmado pela Lei no8.723 de 28 de outubro de 1993 (CONAMA, 1986).
O Programa, lançado durante a segunda fase do Proálcool, foi baseado na experiência internacional e impõe limites máximos de emissão. O atendimento a estes limites obrigou o segmento automotivo e o de petróleo a trabalharem, concomitantemente, no desenvolvimento de novas tecnologias veiculares e de especificações de combustíveis de acordo com os prazos acordados , que de certa forma, colaborou para o uso do etanol no País. As inovações tecnológicas empregadas nos veículos leves com motor do ciclo Otto foram as seguintes (CONAMA, 1986):
Fase I – de 1988 a 1991. Aprimoramento dos projetos dos modelos já em produção, à época, com a introdução das seguintes melhorias:
a) Recirculação dos gases de escapamento para controle das emissões de NOx;
b) Injeção ou sucção secundária de ar no coletor de exaustão para controle de CO e HC; c) Otimização do avanço da ignição; e
d) Iniciação do controle da emissão evaporativa.
Fase II – de janeiro de 1992 a dezemb ro de 1996. Ocorreu o lançamento da injeção eletrônica ou carburadores assistidos eletronicamente e dos conversores catalíticos para redução de emissões.
Fase III – de janeiro de 1997 a janeiro de 2005. Emprego do conversor catalítico de três
vias, para redução de CO, HC e NOX de sistemas eletrônicos de injeção e ignição do
combustível e de sonda de oxigênio no coletor de gás de escapamento para retroalimentação do controle da mistura ar -combustível.
A melhoria das especificações dos combustíveis objetiva o emprego de tecnologias avançadas de catalisadores e permite o funcionamento adequado dos sistemas de emissão.
A adoção da mistura do etanol à gasolina possibilitou, em outubro de 1991, a eliminação total dos aditivos à base de chumbo, permitindo a viabili zação do uso dos catalisadores de três vias, empregados na Fase III das inovações tecnológicas dos motores do ciclo Otto. A tabela 2.6 apresenta as principais características e efeitos dos pr incipais poluentes da atmosfera de controle do Programa (IBAMA, MMA, 2006).
Tabela 2.6 - Principais poluentes veiculares da atmosfera
Poluentes Características Fontes Primárias Efeitos gerais a saúde e ao Meio Ambiente
Partículas totais em Suspensão (PTS)
Partículas de material sólido ou líquido que ficam suspensos no ar, na forma de poeira, neblina e aerossol. Faixa de tamanho menor 50 µm.
Processos industriais, veículos motorizados (exaustão), poeira de rua ressuspensa, queima de biomassa
Quanto menor o tamanho da partícula, maior o efeito a saúde. Causam efeitos significativos em pessoas com doenças pulmonar, asma e bronquite
Dióxido de Enxofre (SO2)
Gás incolor, com forte odor, que pode ser transformado em SO3 e que na presença de
vapor de água, passa rapidamente a H2SO4.
Processos que utilizam queima de óleo combustível, refinaria de petróleo, veículos a diesel.
Desconforto na respiração e doenças respiratórias. Pessoas com asma, doenças crônicas de coração e pulmão são mais sensíveis ao SO2. É um dos principais
formadores da chuva ácida. Óxido de Nitrogênio
(NO) e Dióxido de Nitrogênio (NO2)
Gás marrom avermelhado com odor forte e muito irritante. Pode levar a formação a ácido nítrico, nitratos e compostos orgânicos tóxicos. O NO, sob a ação de luz solar se transforma em NO2 e
tem papel importante na formação de oxidantes fotoquímicos como o ozônio (O3).
Processos de combustão envolvendo veículos automotores, processos industriais, usinas térmicas que utilizam óleo ou gás
Aumento da sensibilidade à asma e à bronquite, redução da resistência às infecções respiratórias. Além de prejuízos à saúde, o ozônio pode causar danos à vegetação
Hidrocarbonetos (HC)
São gases e vapores de produtos orgânicos voláteis
São resultantes da queima incompleta ou da evaporação de combustíveis e de outros produtos orgânicos voláteis.
Diversos hidrocarbonetos como o benzeno são cancerígenos e mutagênicos
Monóxido de
Carbono (CO) Gás incolor, inodoro e insípido
Combustão incompleta em veículos automotores
Altos níveis de CO estão associados a prejuízos dos reflexos, no aprendizado, de trabalho e visual
Ozônio (O3)
Gás incolor, inodoro nas concentrações ambientais e o principal componente da névoa fotoquímica
Não é emitido diretamente a atmosfera. È produzido fotoquimicamente pela radiação solar sobre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis
Irritação nos olhos e vias respiratórias, diminuição da capacidade pulmonar.
De acordo com os principais resultados dos fatores de emissão de gases de veículos leves novos do período antecessor ao PROCONVE até 2005 apresentados em (IBAMA, MMA, 2006), observa-se que no início da década de 80, o percentual de etanol na gasolina, por si só provocou redução das emissões de CO e HC da frota de veículos leves existentes à época, da ordem de 40%. A produção de veículos à etanol também, produziu uma expressiva redução dessas emissões.
No período de 1980 a 1983, as emissões de CO dos veículos à gasolina caíram de 54 g/km para 33g/km e de HC de 4,7 g/km para 3,0 g/km. O veículo à etanol que passou a ser comercializado a partir desta época, emitia 18 g/km de CO e 1,6 g/km de HC.
Tendo como referência o volume de emissões de gases dos veículos fabricados em 1985, primeiro ano de atuação do PROCONVE, tem -se uma redução de 99% do CO e 96% do HC nos veículos fabricados à gasolina e 95% do CO e 89% do HC dos veículos fabricados
a etanol, ambos em 2005.
Os valores de emissões de gases obtidos para os veículos flex fuel abastecidos com gasolina C estão bem próximos dos modelos abastecidos exclusivamente à gasolina. Já os veículos flex fuel abastecidos com hidratado estão com melhor desempenho que os modelos exclusivos à etanol.
Além dos ganhos mencionados no desenvolvimento tecnológico dos veículos -motores e nos combustíveis, existe o efeito positivo, mas de difícil quantificação, na saúde da população, em decorrência da redução da poluição do ar. Estudos realizados pela Faculdade de Medicina de São Paulo e divulgados em (IBAMA, MMA, 2006) demonstram que foram evitadas 14.495 mortes de adul tos, indivíduos acima de 25 anos, na Região Metropolitana de São Paulo, no período de 1996 a 2005, em decorrência da implantação do PROCONVE, seja por doenças cardiovasculares, doença pulmonar obstrutiva crônica ou câncer de pulmão.
As mortes evitadas no período representam um acréscimo médio de treze anos do tempo de vida da população e uma economia de aproximadamente 1,32 bilhão de dólares, obtido com base na metodologia disability adjusted life years (DALY) desenvolvida conjuntamente pela Organização Mu ndial de Saúde e o Banco Mundial, na Universidade de Harvard.
Estudo similar foi realizado em mais cinco regiões metropolitanas (Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre) apontando o valor de 34.447 mortes evitadas , no período de 1996 a 2005, nessas regiões. A valorização econômica dessas mortes evitadas, foi estimada em 3,14 bilhões de dólares, com base na mesma metodologia mencionada. Em resumo, são 48.491 mortes evitadas pelo Programa nas regiões metropolitanas citadas no período de 1996 a 2005, o que equivale a 4,46 bilhões de dólares.
Como ganho adicional à redução de emissões em veículos novos, sugere-se o incentivo governamental à renovação da frota de veículos em circulação, com a retirada dos mais antigos, que não só potencializam a poluição, mas também contribuem para aumentar o congestionamento do transito e reduzir a velocidade méd ia de circulação dos veículos.
Destaca-se ainda, a necessidade do incremento de políticas públicas que incentivem a preferência por veículos coletivos em relação a veículos particulares. E por fim, para manutenção dos resultados, espera-se que o programa estadual de inspeção e manutenção
de veículos em circulação, denominado Programa de I/M (Resolução do CONAMA no07,