3.3 Datasamlingsprosessen
3.3.2 Elisitasjon
Lisboa estava efectivamente atrasada face a Coimbra e sobretudo, ao Porto. Na capital, os primeiros passos sérios dados nesta actividade começam em meados de 1902. O engenheiro Leopoldo de Sousa de Cachapuz, italiano de nascimento, mas filho de um português natural de Viseu, iniciou a distribuição dos produtos FIAT nesse ano, apenas com um pequeno escritório de representação no Hotel Francfort, na Rua de Santa Justa.239 Mais tarde, abriria umas instalações integradas, compostas por um espaço destinado à exposição de automóveis e uma oficina, sita na Rua 24 de Julho. A presença da FIAT, no início do século XX, teve seguramente a influência directa da Rainha-mãe, D.Maria Pia, que no seu propósito de manter a ligação a Itália, permitiu que o seu nome fosse usado como cliente na publicidade daquela marca e deverá ter influenciado o seu filho D. Afonso a adqurir apenas automóveis italianos.
A casa Street & Cª, que tinha actividade desde os finais do século XIX na área dos motores estacionários e de máquinas para a indústria e lavoura, também enveredou pela distribuição
322X # ! 5 - @ % ! ! ! ! H ) ! # ! 5 ) ) * % ! ! 5 #Q! % ! ! ! ! % M ! ' 32; 9 % ) 3 O % ) ) 3' 32 ) # ! ? ! 5 ! " ! ! 5 ! ! ' 4 + ) : ! ( ! ) ! 0 . ! ' 4 ! 5 / <"' Q j > . !" , ; ! ) ! ) ! Q' 1 " ! M ' 4 4 ( 5 ! ,' 4 + ) , 4 . ) A3' K ! " ! # P ! % ! Q 4 ( ' 32A8 9 % ) ( ) ) @ % ! Q ) ' 32=. ) O % ) 3 ) ' 32 E 9 % ) - ) 3) 3) 32 8 9 % ) K % ) 3) '
dos automóveis da marca Locomobile,240 que era nessa altura a viatura mais vendida nos Estados Unidos.241 Com a mudança estratégica da Locomobile, que decidiu abandonar a produção dos pequenos “buggies” a vapor em favor dos luxuosos automóveis a gasolina, a Street & Cª anunciava já em 1903 a representação de outra marca americana, igualmente caracterizada pela sua simplicidade de construção, a Oldsmobile, bem como da marca inglesa Wolseley. Mais tarde, em 1907, passou a distribuir também os veículos da marca holandesa Spiker “o único carro que não necessitou de mudar qualquer peça durante o percurso de 14.000 km” da prova Pequim-Paris.242
. '3 8 L ! % * c 4 ) +! ' M
. 0 + @ - A 9 % ) 3 ( ) A) ;'
Albert Beauvalet, depois da experiência falhada de levantamento de uma indústria de automóveis em Portugal, na Empresa Industrial Portuguesa, ainda no século XIX dedicou-se definitivamente ao comércio, privilegiando a sua relação com alguns dos mais poderosos industriais franceses da época. O primeiro anúncio publicado por Beauvalet, ainda em 1902,243 mostra que o engenheiro francês pretendia de uma forma muito abrangente, efectuar o negócio de automóveis distribuindo a maioria das marcas francesas – Panhard, De Dion, Dietrich, Mors, Renault, Serpollet e Darracq – embora fosse claro que a representação exclusiva incidia apenas na Peugeot. Esta ligação manteve-se ainda durante muito tempo e na inauguração das novas instalações da empresa A. Beauvalet & Cta, Ingenieurs, em 1906, deslocou-se a
3; . 0 , 9 % ) A O % ) 3) ; ' 3; 1 %? H D ) 9 ! % ! ! ! ! ! ; ) 5 # H $ _ ' 3;3 9 % ) O % ) =) < ' 3;2- 9 % ) A O % ) 3) 2'
Portugal o próprio Armand Peugeot, o que demonstra o crédito que o engenheiro francês tinha na marca francesa.244 A Peugeot fixou-se no mercado nacional sobretudo pelas boas ligações de Beauvalet à Casa Real – D. Carlos era cliente da Peugeot, tendo encomendado cinco veículos daquela marca245 – e também à aristocracia nacional. A partir de 1904, Albert Beauvalet passou a inscrever na sua publicidade o nome dos clientes a quem ia fornecendo automóveis, como forma de potenciar o seu negócio, hábito que se manteve ainda durante algum tempo. O francês tinha muita experiência, sabia vender porque dominava por completo a argumentação comercial daquele tempo, e também dedicava muita atenção à assistência técnica o que, nesta altura, era fundamental para a fidelização dos clientes. Não admira assim que em 1902, cerca de 45% do mercado automóvel fosse por ele controlado. A sua actividade tornou-se crescente e isso permitiu-lhe construir um enorme edifício, onde esteve situado o antigo cinema Éden, adaptado totalmente às exigências do negócio automóvel: largo espaço de exposição, oficinas completas para mecânica e electricidade, zona de carroçarias, lavagem, manutenção e até local para recolhas.246
Albert Beauvalet teve uma importância indesmentível no desenvolvimento do automóvel em Portugal. Os seus conhecimentos do negócio e da tecnologia permitiram-lhe manifestar uma enorme superioridade perante os principais concorrentes da época e só o esforço concentrado de alguns capitalistas portugueses, unidos em torno da Sociedade Portuguesa de Automóveis, lhe haveria de fazer frente, evitando que a actividade do francês se transformasse num quase monopólio.
No final de 1906, a propósito da reportagem sobre o Salão Automóvel de Paris, o correspondente da revista Tiro e Sport destacava exactamente essa “confusão” que se tinha instalado entre a marca e o seu representante.247 Na realidade, os dois nomes quase que se confundiam. Por um lado, a presença da Garage Beauvalet em Lisboa era muito forte, localizada em posição central na cidade; por outro, os automóveis Peugeot estavam profusamente espalhados pelo país em geral e pela capital, em particular. Em 1907, o periódico Os Sports, num artigo dedicado ao automobilismo em Portugal, fazia a Beauvalet um elogio reconhecido:248
O engenheiro Beauvalet, incontestavelmente e sem espírito de lisonja, um entendido no assunto, soube aproveitar o meio português. Inteligente como é, apresenta-lhe no mercado uma marca, a Peugeot, das de turismo a mais afamada, reclama-a, mostra-a perfeitíssima na aquisição, perfeitíssima ainda depois de ter rolado milhares de quilómetros nas péssimas estradas do país e a breve prazo enriquece, forma uma garagem monstra, ampla e apropriada, na Avenida, enche o mercado com os seus carros, consegue de El-Rei a aquisição de cinco modelos e bate o recorde das vendas repetidas aos clientes, que assim documentam a excelência dos Peugeot.
Fazendo fé nos números que o próprio Beauvalet usava para fazer as suas campanhas de publicidade a Peugeot tinha vendido até Maio de 1907 um total de 200 automóveis.249 Sabendo-se que o mercado total de veículos vendidos em Portugal entre Janeiro de 1902 e Maio de 1907 atingiu as 758 unidades,250 verifica-se que, mais ou menos a meio de 1907, a Peugeot tinha uma quota de 26,4% referida ao parque circulante criado nesses anos, o que é
3;; # ' O @ ' * c 4 ' # ! ! T T 5 9 % % ' ! ! P ! # ) ! ( ' ( H ) . ) ( ' ) ! 5 " . ' ( ' ) 5 ? # ! 9 F ) + 9 % T ,) " ! % . ', + @ - A 9 % ) = ( ) A) 3' 3; 8 8 9 % ) 3 - " ) =) ' 3;A O C" E ? # ' . ! M % ! ( ' 9 ! % ;; ! 33 ' P = ,) ' # ! ! + ! ? J ) #M! 5 I ) ' O ! ! ? # ! M ) P ) M 5 ? ! ! ! ! ! ) ! ! Q+ ' O I ! % ) 5 ? ) # ! ) @ ' 1 4 4 5 %? + ! ' O " , 5 ) # ) " !" ! ) ! T 3 ) # ! Q T % ' 1 ! ! # ! ! ! ) ! ', + @ - A 9 % ) = ( ) A) 3' 3;= @ ! ! ? ! ! 7 * ! ( 9 % ) 2 6 % ) A) < '' 3; 8 9 % ) 3 . ) 3 ) =) 3' 3; 8 9 % ) ; - " ) =) 2' 3 - ? * H ) ' D FII E 9 % 0 4 ! ) 3 ) '
verdadeiramente sintomático da capacidade da marca e do esforço comercial do engenheiro francês. Todavia, o ambiente jornalístico em torno do mercado automóvel arrefece um pouco a partir de 1906. A revista Tiro e Sport, até aí extremamente atenta a todas as movimentações comerciais, deixa de acompanhar as marcas – por razões desconhecidas – e o automobilismo passa a estar presente de forma pontual nos diários e noutros órgãos especializados como a folha Os Sports. Em Agosto de 1907, numa notícia sobre a vitória dos automóveis Peugeot em França, na famosa Taça de Imprensa, voltava-se a prestar homenagem ao trabalho do representante da marca em Portugal:251
Em Portugal, a Sociedade dos Automóveis Peugeot é representada pelo nosso amigo engenheiro Albert Beauvalet, um dos homens que mais tem contribuído para a propaganda automobilística no nosso país, onde a grande marca francesa teve a melhor aceitação como claramente o prova o grande número de carros Peugeot que até hoje se têm vendido. Albert Beauvalet está tão convencido que os Peugeot são os melhores carros de turismo que tendo- lhe pedido muitas casas estrangeiras para os representar ele sempre a isso se tem negado.
Em Novembro de 1908, todavia, o mundo automobilístico nacional era «agitado» com uma notícia inesperada: a saída do engenheiro francês da Agence Générale d’Automobiles:252
O engenheiro Albert Beauvalet, um dos mais fervorosos propagandistas do automobilismo e um dos introdutores desse moderno processo de locomoção em Portugal, abandona a «garage» modelar da Praça dos Restauradores onde durante muitos anos documentou a sua actividade e vastíssimos conhecimentos do «métier». Já de há muito e desde a fundação de «Os Sports» que este jornal conta com a sua amizade nunca desmentida, por isso sinceramente lamentamos o facto, mas homens da envergadura profissional do engenheiro Albert Beauvalet não nasceram para ficar sempre no mesmo ponto e são precisos para espalhar através do mundo uma indústria florescente, útil e prática. Por isso, a casa «Peugeot» reconhecendo os muitos obséquios que deve ao seu antigo agente em Portugal, tomou o «trespasse» da garagem em vantajosas condições e encarregou-o da propaganda do automobilismo em Buenos Aires. Albert Beauvalet permanece em Lisboa ainda uns cinco meses para encaminhar o novo agente da acreditada marca.
A partir desta data, a Peugeot desaparece da comunicação na imprensa e entra num “limbo” aparentemente incompreensível. No princípio de 1910,ainda surge nalguns meios um pequeno anúncio sob o título Garage Peugeot em que se escreve: “Automóveis e Voiturettes. Concertos de carros de todas as marcas sob a direcção de um engenheiro da Casa Peugeot a preços sem competência.”253 Sabemos que a Peugeot ainda se encontra nos Praça dos Restauradores – porque essa indicação surge no anúncio mas, nessa altura, a faustosa garagem já estava devoluta, para ser transformada em teatro pelos seus novos proprietários.254 Em meados de 1910, num anúncio da Michelin onde se enumeram todos os revendedores dessa marca de pneus, aparece um Albert Nebelung, como representante da Peugeot, cujas instalações estavam sedeadas no Campo Grande, na Rua Ocidental. É um período transitório até que Apolinar Contreras, um galego radicado em Lisboa, antigo cliente de Albert Beauvalet, aceita ficar com a representação da marca francesa:255
O Beauvalet, por questões que não vêm para o caso, deixou a representação. Veio cá um director francês que me propôs o negócio. Encontrei-me com ele no Café Gelo e foi aí que se resolveu o assunto. Fiquei então representante dos automóveis, motos e bicicletas Peugeot e pouco depois também da «Reo». Mais tarde, dei sociedade ao Joaquim Garrido.
Iniciava-se assim a segunda parte da “aventura” Peugeot em Portugal. Quanto a Beauvalet, provavelmente nunca pensou em ir para a Argentina e em 1910 já estava instalado bem perto da sua antiga garagem, na Rua do Príncipe – actual Rua 1º de Dezembro – distribuindo a marca francesa Berliet.