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Dietary exposure assessment for farm and companion animals

3. Assessment

3.3. Dietary exposure assessment

3.3.2. Dietary exposure assessment for farm and companion animals

No ambiente atual, caracterizado pelo uso das teletecnologias, observa-se uma forma de perturbação dos indivíduos excluídos do processo comunicativo ou inadaptados a ele. Thompson (1998, p. 182) afirma que “não é incomum encontrar indivíduos perdidos na tempestade de informações, incapazes de ver alguma saída e paralisados pela profusão de imagens e opiniões mediadas”.

Tal situação ocorre porque o não-preenchimento das condições de participação em regime de igualdade com os dromoaptos e tecnologicamente substanciados promove a diluição do reconhecimento de valor daqueles não habilitados e resulta em forma característica de confinamento, denominada insílio. O insílio é entendido na acepção inaugurada por Canclini (2006) para referir-se aos indivíduos que se encontram em circunstância de deslocamento porque sua diferença o torna estranho ao grupo.

Os referidos indivíduos tornam-se excluídos tendo em vista que a sua inscrição no processo demanda relação com o outro e reconhecimento de pertença, sem os quais são inabilitados ou impedidos de participar. O pertencimento confere orgulho, identidade e destaque na comparação com o não-pertencente. O esfumar da relação de pertença em alguns e do exacerbado orgulho de pertencimento em outros favorecem surgimento de próteses de relações ou de patologias comportamentais que têm sido usadas, em situações extremas, para justificar barbaridades, transformando-se numa espécie de religiosidade profana e, nas circunstâncias do cotidiano, argumento para discriminação.

Ao se tomar o conhecimento na perspectiva de relação entre sujeito e objeto, englobando experiência, apropriação, apreensão, interseção, análise e relação ao mundo circundante, vê-se que há uma parcela considerável de espectadores que percebem a informação e as representações que lhes chegam a partir de uma espécie de prisma refrato de resolução indefinida, apesar de reflexo convincente da realidade. Algumas vezes essa falsa percepção os leva a se fixarem, de maneira muitas vezes compulsiva, na teia de dados.

Esse fenômeno pode ser comparativamente relacionado à espécie de fotofobia primorosamente alegorizada pelo escritor José Saramago (2005), no seu livro Ensaio sobre a cegueira. Tal cegueira não deve ser tomada como uma cegueira qualquer. Trata-se de uma cegueira branca, uma espécie de excesso que impossibilita ver. É como se houvesse um fracionamento que resultasse no obscurecimento da razão, promovendo incomunicação.

Diante da impossibilidade de discernimento, os elos entre as unidades de informação e o sentido do conhecimento ficam comprometidos e dificultam a potencialização das relações entre sujeitos e a assinatura identitária de cada um. Assim como a reação fotofóbica tem como sintoma predominante o desconforto diante da claridade excessiva que chega a provocar sensação de dor, a desidentificação e o desenraizamento também provocam esse desconforto. É o desconforto de não se reconhecer como parte de um contexto, de encontrar-se desarticulado, solto; ter a sensação de inexistência de vínculos. O indivíduo desse contexto e nessa circunstância específica é um sujeito em insílio sociocultural.

É preocupante quando tal indivíduo ignora que ocorre na dinâmica comunicativa uma relação de poder que se define na competência de compreensão da complexidade dos signos em relação. Tal competência é responsável pela estratificação dos grupos, segundo princípios hierárquicos, conforme as habilidades que possuem ou que, muitas vezes, ignoram ser necessárias para trânsito.

É irônico que o volume de informação e de representações simbólicas, em frente do ditame da velocidade, por não oferecer condição de aprofundamento e imersão, subverta e

desestabilize as fundações que ancoravam o sujeito no mundo e gere uma infinidade de, agora recorrendo ao escritor Jorge Luís Borges (1970, p. 89-97), embriagados memoriosos Funes perambulando numa espécie de babel onde predomina a capacidade de armazenamento de dados e fatos em detrimento da competência relacional.

Podemos também, recorrendo de novo a Saramago, pensar naqueles que, como o escriturário José, de Todos os nomes, consomem recortes de outras identidades em uma atmosfera cinzenta na qual a individualidade é esfumada por meio de códigos em que as diferenças são referenciais de valor e não de qualidade.

É necessário que haja reação ao status quo vigente e se questione a cultura de consumo de bens como expectativa de felicidade e de distinção social. Ao libertar-se da corrida incessante que demanda cada vez mais recursos e habilidades para acessar tais bens, o indivíduo poderá encontrar ambiente mais propício a uma espécie de revolução qualitativa na qual haja a dignidade do repouso e possibilidade de vivências mais satisfatórias.

As experiências significativas, transformadas em vivências, implicam ganho qualitativo de vida à medida que nos permite fugir da sociedade, “alucinatória e desrealizante” (TEMPO sem experiência, 2006) movida por impactos pontuais e na qual o sujeito contemporâneo se encontra imerso.

CAPÍTULO II

2 A REPRESENTAÇÃO CULTURAL DO CINEMA

O espetáculo cinematográfico constitui-se num modo de contar dado acontecimento, situação ou fato imaginado, representando, com recursos da narrativa sonora-imagética e da ilusão cinemática, um conjunto de formas singulares de percepção e de expressão. Os motivos e quadros são concebidos, captados e montados em seqüência – linear ou não - com o objetivo de tornar presentes idéias e conceitos sobre o objeto representado, refletindo as concepções das diversas autorias que fazem parte da sua criação.

Essas diversas autorias – diretor, roteirista, ator, ator-social, narrador e cinegrafista, dentre outras – imprimem no filme determinada maneira de perceber e expressar o objeto representado, conforme o papel que lhes cabe nas estruturas criativa e produtiva.

Esse capítulo comporta a reflexão sobre como tais idéias e conceitos são representados na arte em geral e especificamente no cinema, por meio de produções da ficção e do documentário. A reflexão sobre tais definições é necessária para compreender como, ao fruir uma produção cinematográfica, o espectador é afetado em sua forma de elaborar e perceber o mundo.