6.2 H IGH - THROUGHPUT SEQUENCING AND ANALYSES OF THE TCR β CHAIN
6.2.1 Considerations concerning high-throughput TCR sequencing strategy
2.1.- Nota introdutória
Apesar de alguns avanços significativos e recentes no tratamento e conceptualização da economia social é verdade que, ainda hoje, permanece como um conceito pouco documentado e não muito teorizado (Bouchard, Ferraton e Michaud, 2006). Sobre esta questão, Borzaga e Tortia (2009) afirmam que a antiguidade da economia social não a tem beneficiado, uma vez que a compreensão deste fenómeno pela teoria económica é imperfeita, comparativamente aos outros sectores da economia (a teoria económica tem dado pouca atenção ao tipo de organizações cujo principal objectivo não é realizar ou maximizar o lucro). Para além desta limitação, estamos na presença de um conceito sujeito a diferentes entendimentos: em função dos países e dos períodos da história, cada um interpreta o conceito e o seu sentido à sua maneira, incluindo ou excluindo determinados componentes/elementos. A comprovar esta diversidade de entendimentos, estão, aliás, as várias designações a ele associadas43: terceiro sector, terceiro sistema, sector não lucrativo, sector sem fins
lucrativos, economia popular, economia comunitária, economia solidária, nova economia social, economia social e solidária, etc.44. Todo um conjunto de palavras45
que se refere à realidade económica e social e que simultaneamente não se enquadra ou questiona a tradicional dicotomia entre o sector privado lucrativo e o sector estatal (Defourny, Develtere e Fonteneau, 1999: 11).
A grande quantidade de terminologias têm, em parte, subjacente a criação, a actuação e o comportamento que esta realidade manifesta nos diferentes países, determinando, assim, a grande diversidade que a caracteriza. O facto de cada uma das designações enfatizar um ou outro aspecto prejudica uma compreensão global, uma vez que também elas acabam por traduzir construções políticas e criações intelectuais dos projectos políticos em que se desenvolvem (Moreno e Chaves, 2006: 89-91). Apesar das limitações que esta diversidade terminológica acarreta, a expressão “troisième secteur”, “tiers-secteur” ou “third sector” é uma das expressões mais consensuais entre os investigadores a nível internacional. Contudo, numa análise mais restrita, outros termos são privilegiados e mais de acordo com contextos sociopolíticos locais, quadros jurídicos e fiscais em vigor, esquemas culturais dominantes, história económica, etc. Enquanto nos Estados Unidos se utiliza a
43 A diversidade de termos utilizados para designar esta realidade constitui uma riqueza, mas pode ser um
handicap em termos do seu reconhecimento.
44 A utilização destas designações varia de acordo com a nacionalidade ou com as preocupações de rigor académico ou ainda de posicionamento ideológico e até religioso induzidas pelos autores que a esta realidade se referem (Nunes, Reto e Carneiro, 2001: 20).
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Palavras que circulam e se confundem; mas cada um delas tem significados diferentes. Contudo, apesar das diferenças, têm subjacentes, como nos dizem Develtere e Laviolette (s.d.), práticas ou objectivos comuns: i) a necessidade de um determinado grupo base ou de uma comunidade local melhorar as condições de vida mínimas através da produção/prestação de bens e serviços; ii) a vontade de organizar actividades económicas que não são criadas com a finalidade do lucro, mas sim servir os membros da colectividade e iii) uma estrutura ou organização que é portadora de princípios éticos e sociais difíceis de encontrar no sector público e no sector privado lucrativo.
expressão nonprofit sector ou independent sector, os ingleses utilizam a expressão voluntary organizations. Na América Latina, utiliza-se o termo economia popular ou economia solidária e nos países latinos da Europa, a expressão economia social. Por entre esta diversidade, duas delas parecem afirmar uma vocação verdadeiramente internacional, ou mesmo universal: economia social (ou solidária) e a expressão nonprofit sector. Estas duas expressões têm conhecido um importante desenvolvimento teórico (Defourny, Develtere e Fonteneau, 1999: 12).
Ao nível da investigação trata-se de uma área muito pouco estudada até aos anos 70 do século XX. O interesse suscitado por esta área não terá sido alheio ao processo de transformação que os sistemas sociais e económicos conheceram/conhecem nas sociedades actuais e à insuficiência dos sectores tradicionais em cobrirem a satisfação de novas necessidades. Este olhar sobre a economia social (ainda que minoritário) enuncia uma luz de esperança face ao papel que pode desenvolver. A sua evolução nos vários países está fortemente dependente do contexto histórico e socioeconómico em que se insere (Moreno e Chaves, 2006). Apesar da diversidade que caracteriza a economia social, estamos na presença de um conceito dotado de substantividade própria e, consequentemente, de uma identidade e de um valor interpretativo próprios (Monzón, coord., 2009). Uralde (2008a: 12), a propósito dos vários estudos realizados sobre esta temática, afirma o seguinte: “deduz-se que a economia social nos diferentes países … apresenta perfis diferenciados. Partindo de um conceito tronco comum, diversifica-se e acomoda-se às diferentes histórias nacionais e às diferentes formas de desenvolvimento social e económico. Esta realidade plural não tem o mesmo nome em todos os países e o conceito também sofre variações”. Desta forma, o debate conceptual é, entre outras razões, fundamental para: assegurar a consistência dos investigadores que estudam este objecto de estudo (no sentido de assegurar resultados consistentes e facilitar as comparações); medir a sua dimensão e os seus impactos; definir as políticas; distribuir de uma forma mais justa e consistente os apoios; escolher a forma legal da organização e respeitar questões políticas ou ideológicas (Bridge, Murtagh e O’Neill, 2009: 61-62). As diferentes definições existem e são importantes, pois a partir delas muito se poderá fazer em matéria de delimitação e reconhecimento do conceito.
2.2.- A cooperação - o mote inicial
O termo cooperação é definido como o “… acto de cooperar ou operar simultaneamente, colaborar, trabalhar em conjunto. Está associado às ideias de ajuda mútua, de se contribuir para o bem-estar de alguém ou de uma colectividade. Em sentido amplo, indica a acção colectiva de indivíduos com o intuito de partilhar, de forma espontânea ou planeada, o trabalho necessário para a produção da vida social. Também é entendido como processo social em que pessoas, grupos, instituições e/ou países actuam de forma combinada para atingir objectivos comuns ou afins. Em sentido restrito, a cooperação é entendida como a base das relações económico- sociais que os trabalhadores associados pretendem estabelecer no processo de
trabalho” (Jesus e Tiriba, 2009: 80). No fundo, este conceito tem subjacente a ideia de um esforço colectivo que visa a satisfação de um leque diversificado de necessidades, esforço que é testemunhado em todas as sociedades, independente das suas especificidades e grau de desenvolvimento.
A cooperação sempre existiu nas sociedades humanas46, desde as eras mais
remotas, estando sempre associada às lutas pela sobrevivência, às crises económicas, políticas e sociais, bem como às mudanças. Os melhores exemplos de cooperação aparecem quando se estuda a organização social dos povos mais antigos. E, o desejo de cooperar é algo que é subjacente à própria essência humana e que foi, ao longo da história, assumindo formas, mais ou menos formais. Assim, o nível de desenvolvimento de cada sociedade condiciona a evolução da cooperação. “Geralmente, nas sociedades primitivas, a cooperação realizava-se por impulsos naturais ou pelos costumes e pela necessidade (o que Durkheim denominou de solidariedade mecânica). Mas a complexidade crescente das sociedades industriais conduz a uma evolução da cooperação, de tal forma que a potenciação do individualismo conduz a uma cooperação necessária, já que os diferentes contornos da especialização resultantes da divisão do trabalho exigem a solidariedade orgânica, baseada na complementaridade das diferentes partes” (Jiménez, 2001: 34).
A cooperação pressupõe a coordenação do esforço colectivo para se atingirem objectivos comuns e representa para Gouil (1999) o desejo de encontrar o outro num plano de igualdade, com o qual se constrói conjuntamente um equilíbrio dinâmico da troca. Estamos, pois, na presença de um conceito que constitui a matriz organizativa da economia social (Carpi e Monzón Campos, 1998).
2.3.- O percurso histórico
2.3.1.- As origens
Muitos movimentos anteciparam o que se considera hoje economia social: constituíram-se como verdadeiros suportes sociais, garantes do desenvolvimento das comunidades e espaços de recreação da vida onde as pessoas podiam recuperar a sua responsabilidade e capacitação para uma vida com dignidade. Existem registos de organizações criadas em 1082-1092, inspiradas no Cristianismo, com práticas de solidariedade, de fraternidade e de benemerência e auxílio (Coutinho, 2003: 17-18)47.
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Para Leite (1994: 27), “a moderna cooperação … teve a sua origem num conjunto de causas que se pretenderam ultrapassar. Ela liga-se, normalmente, à Revolução Industrial, mas esta, por sua vez, só existiu porque houve uma Revolução Francesa, com as suas reivindicações de liberdade, igualdade e fraternidade; porque houve o movimento religioso conhecido por Reforma, com a abertura dos espíritos para novas interpretações dos textos religiosos fundamentais; porque houve o movimento da Renascença, que levou o Homem a abrir os seus horizontes culturais e estéticos; e porque, no campo económico, se passou da economia doméstica a uma economia mercantil, que alastrou na Europa com base no capital, originando maior circulação monetária e humana”.
47 A este propósito, a autora exemplifica com um dos primeiros compromissos assumidos por grupos profissionais que visavam a criação de espaços de solidariedade, protecção mútua e desenvolvimento - foi o caso do movimento Compagnonnage (França). Coutinho, a partir do contributo de Rosendo (1996), traça algumas das características deste movimento. Os Compagnonnages eram “fraternidades operárias”
Estes movimentos desenvolveram-se um pouco por toda a Europa e durante muito tempo foram as únicas formas de solidariedade existentes. O Quadro 1 sistematiza alguns movimentos associativos, a que registos históricos aludem, a partir do século VII.
Quadro 1 - Origens do associativismo mutualista
Séc. VII - surgem no Norte da Europa, como centros de convívio. Eram associações de defesa mútua e religiosa que prosseguiam fins de assistência mútua
Guildas Séc. XIV - devido ao desenvolvimento da indústria manufactureira, o funcionamento das Guildas obedecia a princípios democráticos e assemelhava-se às corporações de ofícios
Séc. VII - criadas por monges de vários Ordens, eram associações destinadas a incrementar o culto público, sem exclusão das obras de caridade. Tinham várias designações: irmandades; fraternidades; confraternidades; congregações; uniões ou associações
Confrarias
Em Portugal, a primeira confraria48 data do séc. XII (Confraria de
Nª Senhora da Silva - Porto). As Misericórdias datam do séc. XV, pela mão da Rainha D. Leonor
Corporações de Ofícios (Mesteres) Séc. XII - surgem neste século, mas um século mais tarde são organizadas como associação profissional, com a chegada dos ofícios e das manufacturas
Montes de Pietà Originários dos Monti de Pietà (Itália -1458), surgiram como uma obra de natureza religiosa e social, inspirada na caridade cristã e promovida por franciscanos
Sindicalismo
Surgido em 1845, no movimento operário francês49, quando os
trabalhadores sentiram a necessidade de se unirem e procurarem na associação a solução para os seus problemas. Numa primeira etapa visava a abolição do capitalismo e do Estado e pretendia a organização da sociedade em associações de produtores
Fonte: Coutinho, 2003: 31.
Sobre as origens desta realidade, Monteiro (2002: 9-10), tecendo algumas considerações sobre o que tem sido a construção da economia social, afirma que alguns autores encontram em Platão ou Thomas More ideias percursoras da economia social, enquanto outros referem as confrarias, as corporações ou as associações de operários existentes na Idade Média como formas de organização social com características próximas. De facto, ainda que algumas organizações de caridade (fundações de beneficência, confrarias, hospitais) tenham tido um importante desenvolvimento ao longo da Idade Média, o que é certo é que é a partir do século XIX, sob o impulso do associativismo popular, do cooperativismo e do mutualismo que
constituídas por operários artistas que tinham como principal finalidade a construção de obras de arte, especialmente catedrais e edifícios religiosos. Estas instituições reforçavam os laços de companheirismo e de solidariedade profissional entre os membros dos diferentes ofícios que trabalhavam e viviam juntos. No fundo, os Compagnonnages constituíram um movimento antecipador do ideal mutualista e dos princípios que estiveram na origem da própria economia social.
48 As confrarias tiveram no nosso país uma relevante acção e constituíram os verdadeiros paradigmas das Misericórdias fundadas por D. Leonor, no século XV. As confrarias em Portugal foram, antes, irmandades laicas e depois eclesiásticas, de forte vocação assistencial e espiritual. Esta vocação concretizava-se em actos de culto e de sufrágio das almas, em reunir anualmente num jantar os seus confrades, em auxiliar através dos fundos comuns da irmandade os confrades que empobrecessem, em visitar os doentes e em acompanhar os funerais dos confrades estabelecidos. Ao longo da sua existência foram conhecendo algumas alterações. Quando as confrarias apareciam associadas à organização corporativa dos mesteres e como consequência da solidariedade profissional e dos imperativos colectivos do ofício, assumiam já características de verdadeiras associações mutualistas e de defesa de interesses comuns e os seus compromissos previam a arbitragem dos conflitos de classe, a assistência na doença, pobreza e velhice, a velada, o sepultamento e o sufrágio (Rosendo, 1996: 185-186).
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se assistiu a um conjunto de iniciativas promovidas pelos trabalhadores. Nos últimos anos do século XVIII, multiplicaram-se em Inglaterra as Fiendly Societies50 e um pouco
por toda a Europa surgiram mutualidades e sociedades de socorros mútuos (CIRIEC, 2007: 11).
Assim, até aos finais do século XVIII, várias foram as actividades desenvolvidas no sentido de dar resposta às necessidades sociais da comunidade. As actividades de eleição passavam pelo trabalho social, pelos cuidados de saúde, hospícios e educação. Consequentemente, a economia social encontra as suas raízes mais profundas nas formas de resistência de segmentos da população perante os efeitos negativos dos primeiros processos de industrialização. Surge, deste modo, como um produto histórico defensivo. Os efeitos da Revolução Industrial e da Revolução Francesa proporcionaram um quadro favorável para o progresso económico e social, mas que não abrangeria toda a população51. Algumas vozes se
pronunciaram sobre esta situação, defendendo que o progresso deveria atingir toda a sociedade, permitindo melhorar as condições de vida e de educação e promover uma igualdade ao nível da participação económica. Aqui se encontram as primeiras doutrinas sociais ou “socialistas”. Este socialismo inicial é sobretudo teórico e marcado por um certo romantismo, que se apresenta para fazer face aos problemas da época (Jiménez, 2001: 37-38).
Como resposta às consequências negativas da Revolução Industrial52, surgem
as primeiras iniciativas inspiradoras do posterior conceito de economia social (Bidet, 1997; Defourny, Favreau e Laville, dir., 1998): as associações, as cooperativas de produção, as cooperativas de consumo e as sociedades de socorros mútuos são alguns dos exemplos que surgiram no seio da classe operária e da classe camponesa53. Contudo, três acontecimentos marcariam, segundo Borzaga e Santuari
(2003: 38-41), ainda que de forma desigual, a “ordem” dos acontecimentos: a Revolução Francesa, com consequências enormes em França e em Itália; o fascismo e o nazismo, profundamente hostis a toda a forma de expressão da sociedade civil e de autonomia ao nível local e o aparecimento de sistemas fundados sobre a noção Estado-providência, de tipo universalista. Estes três acontecimentos tiveram repercussões diferentes nos vários países: a) em alguns casos, muitas das iniciativas ou pelo menos, uma boa parte delas, viram a sua natureza modificar-se com a sua incorporação no sector público; b) noutros casos, estas iniciativas foram incorporadas
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Segundo Rosendo (1996: 237) existem registos em Inglaterra de Friendly Societies no século XVI, as quais são tidas como as primeiras instituições de natureza vincadamente mutualista.
51 A difusão dos efeitos da Revolução Francesa e da Revolução Industrial constituiu um campo propício para a expansão e difusão do cooperativismo. Mas a expansão do cooperativismo não se produz a partir da mesma origem nem numa mesma direcção. Ainda que a experiência de Rochdale seja um marco importante, nem todo o cooperativismo é consequência directa desta experiência. Antes de 1844, existiam várias cooperativas. Este facto ficou a dever-se a quatro correntes: o socialismo utópico (principalmente pelos discípulos de Saint-Simon e Fourier); o movimento associativo espontâneo; a I Internacional e a Doutrina Social da Igreja (Jiménez, 2001: 44).
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Para Coutinho (2003: 30), a Revolução Industrial foi responsável pelo aparecimento de novas filosofias económicas e políticas. Originou a criação de grupos que começaram a exigir formas de intervenção organizada para a protecção contra a incapacidade para o trabalho e a perda de rendimentos.
53 Estas iniciativas visavam dois objectivos essenciais: por um lado, assegurar uma condição de sobrevivência, melhorar as condições de vida e satisfazer necessidades essenciais perante a pobreza, a fome e a falta de protecção social e, por outro lado, afirmar uma coesão e uma identidade colectivas. Para além da questão económica, animava-as uma dinâmica sociopolítica.
nos sistemas de protecção social (permanecendo privadas do ponto de vista formal e jurídico, mas submetidas a um controlo administrativo e burocrático, perdendo assim a sua autonomia) e c) em praticamente todos os países, as organizações exteriores aos sistemas de protecção social foram impedidas de desenvolver actividades produtivas (comerciais). Consequentemente, não restava nada mais do que um papel de sensibilização e de conselho.
O cooperativismo nasce não só como defesa perante as condições proporcionadas pelo industrialismo do século XIX, mas também como uma reacção ao sistema liberal, apresentando uma proposta global de transformação. Esta reacção é o resultado da consciência sobre a importância das classes trabalhadores, a solidariedade e a exigência de justiça. A cooperação propõe uma economia de serviço, baseada na solidariedade, na igualdade, na democracia e na supremacia da pessoa face ao capital. Para o cooperativismo, a finalidade da economia é satisfazer as necessidades humanas, através da empresa cooperativa de propriedade colectiva, gerida democraticamente, onde é a pessoa que, em função da sua actividade, recebe o benefício e tem o poder (Jiménez, 2001: 40).
2.3.2.- Os primeiros pensadores
O século XIX foi um tempo de debate entre correntes socialistas, liberais, solidaristas e de social cristianismo que deram corpo a novas teorias e vieram afirmar diferentes modos de abordagem da economia social (Coutinho, 2003: 48). O Quadro 2 apresenta uma síntese dos principais autores associados a estas correntes e outros autores e experiências, que pela sua importância, merecem ser referidos.
Quadro 2 - Os primeiros pensadores P. J. Proudhon (1809-1865) defendeu a capacidade dos homens se organizarem (trabalhariam uns
para os outros, concorrendo para um fim comum e cujos resultados seriam partilhados entre todos):
Fais à autrui ce que tu veux qu’on te fasse. Propunha uma revolução social e a melhor via para
chegar a ela era o mutualismo. E, este entendimento influenciou a sua reflexão sobre o crédito mútuo e popular. Proudhon idealizava um banco de troca que assentasse no crédito mútuo e gratuito e que organizasse a circulação da riqueza, lutando contra os intermediários. A concretização do seu projecto ocorre em 1849, com o Banque du Peuple P. J. Proudhon et Cie (constituído sem capital e sem fins lucrativos e que procurava organizar entre produtores o crédito mútuo e a troca recíproca de produtos). Advogava uma economia da autodeterminação em que o indivíduo se reconhece como consumidor e produtor, como financiador e financiado, comprador e vendedor, patrão e assalariado.
Robert Owen (1711-1858) promoveu, de uma forma inovadora, uma política social protectora dos trabalhadores da sua própria empresa e, mais tarde, nos Estados Unidos, tentou criar uma comunidade, lançando as bases de uma cooperação comunitária, ao mesmo tempo que revalorizava o conceito dos circuitos económicos curtos, assim como a necessidade de procurar o “preço justo”. Filho de um ferreiro, foi um autodidacta, passando de encarregado de uma fábrica a co-proprietário da mesma. Com outros sócios, comprou uma outra fábrica onde promoveu um modelo de gestão e medidas sociais para os trabalhadores, aliando preocupações de produtividade e de recursos humanos. Abriu lojas baratas, construiu habitações, creches, escolas e pagava bons salários. Mesmo em fases mais conturbadas, Owen conseguia sempre encontrar uma solução. Preocupava-se com as condições de vida dos trabalhadores e entendia que a cooperação deveria ser a base de uma nova ordem social. A satisfação no trabalho e a participação dos trabalhadores eram, no seu entender, instrumentos essenciais para aumentar a produtividade e garantir a paz. A experiência anteriormente mencionada nos Estados Unidos resultou fracassada. Mas regressa a Inglaterra, onde as suas ideias continuavam a dar os seus frutos. Pode ser considerado como o pai da cooperação inglesa.
Claude-Henri de Saint-Simon (1760-1825) é dos primeiros autores a traçar a visão de um sistema industrial cuja missão seria a procura do maior bem-estar possível para as classes trabalhadoras que se deveriam unir em associações de cidadãos ao passo que ao Estado competiria um papel de coordenação e de redistribuição. Preconiza, sobretudo, a ideia que a associação é um meio de