SECTION II: EMPIRICAL EXPLORATION AND DISCUSSION
4.0 BIBLIOGRAPHY
É merecida uma breve explanação a respeito da história do locus do estudo proposto nesta pesquisa. Em a Indústria Naval no Brasil (2008) é narrado que o país na década de 70 era a segunda maior indústria naval do mundo, e perdia apenas para o Japão. Os estaleiros brasileiros empregavam quase 40 mil pessoas, construíam-se embarcações sofisticadas, modernas e de grande porte. A indústria chegou a receber investimentos da ordem de 15 bilhões, quantia suficiente para firmar o Brasil como um competidor mundial.
Mas, após um período de vitórias, no ano de 1979, a crise no setor naval teve início, muitos portos fecharam, o desemprego tornou-se uma frequência e a situação se agravou. Os motivos, alguns apontam a política nacionalista da época, outros, atribuem a problemas de gestão, mas de fato, o aconteceu independente dos motivos, foram atrasos nas entregas, o que gerou a irritação dos compradores afetando a imagem da indústria frente a outros países concorrentes.
Segundo os estudiosos da área, algumas medidas deveriam ter sido tomadas, como reestruturação de setores, novas parcerias, dar prioridade às exportações, vontade política, no entanto, nada foi feito, e a indústria naval entrou em bancarrota.
Com o passar do tempo, a existência de uma indústria naval em um país se tornou fundamental, principalmente pela facilidade de comunicação comercial entre as regiões. O Brasil, segundo Almeida (2008) possui uma extensa costa litorânea, 8 mil quilômetros de costa e 42 mil quilômetros de rios navegáveis, não poderia ficar de fora deste setor naval.
Sendo assim, o ano de 2007/2008 marcou uma decisão política implementada pelos esforços conjuntos do Governo Federal, capital privado e diante de uma favorável conjuntura internacional, voltar a investir no setor naval foi uma decisão amadurecida desde meados de 2003 e culminou no ano de 2007. A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobrás foi uma das empresas motivadoras do Programa de Modernização da Frota, projeto de retomada da indústria naval no país
após duas décadas de estagnação e sucateamento (A INDÚSTRIA NAVAL NO BRASIL, 2008).
Através do Fundo de Marinha Mercante (FMM) instrumento de estratégia para fomentar a indústria naval no país, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, foi investido capital na criação de novos estaleiros e na modernização e expansão de estaleiros existentes, como no Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo (A INDÚSTRIA NAVAL NO BRASIL, 2008).
No caso de Pernambuco, foi investido o valor de R$ 513,4 milhões na instalação do Estaleiro Atlântico Sul. Ainda em 2007, a Transpetro assinou contrato através do Consórcio Atlântico Sul formado pelas empresas Camargo Correia / Andrade Gutierrez / Queiroz Galvão / Aker Promar / Samsung para a construção de 10 petroleiros Suezmax, com cerca de 165 mil tpb, previstos no Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), do Governo Federal. Deste contrato em diante, máquinas surgiram e se movimentaram em Pernambuco, trabalhadores foram e estão sendo treinados aqui e no Rio de Janeiro (Almeida, 2008). Está criado o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), lócus do nosso estudo de caso.
A pequena Ipojuca estava em festa. Aquele início de dezembro de 2007 não significava mesmo um momento qualquer da história protagonizada pelos ipojucanos: havia algo mais a celebrar do que a habitual acolhida aos turistas que aportam na pequena cidade encravada entre os importantes portos de Suape e Porto de Galinhas, a 50 e poucos quilômetros de Recife [...] Saíra a lista dos primeiros 358 funcionários contratados pelo Estaleiro Atlântico Sul (ALMEIDA, 2008, p. 131/132).
Segundo Almeida (2008) iniciara uma nova fase para o município. Após 29 anos de pouca participação da população na atividade econômica no Complexo Portuário de Suape, abriram-se as portas do mercado de trabalho para a população local. A Prefeitura firmou parceria com o Estaleiro, e o processo de capacitação aconteceu na Escola Nascedouro de Talentos. O SENAI do Cabo de Santo Agostinho também ampliou suas vagas para atender a novas áreas como, soldagem, caldeiraria, eletromecânica, etc. Deve ser ressaltado que não apenas os ipojucanos tiveram acesso a tais contratações, mas também a população das cidades vizinhas como, Suape, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Escada e Moreno, foram contempladas e sua mão de obra absorvida na construção naval.
No entanto, o setor se deparou com a seguinte situação: criar uma indústria do ramo naval no Estado de Pernambuco, significava a necessidade de existência de uma mão de obra qualificada no local. O que de fato o Estado não tinha. A alternativa foi buscar esta, em outros Estados, onde outrora, existira a atividade naval, em especial o Rio de Janeiro.
Todavia, mesmo esta força de trabalho advinda de outros Estados, que faziam parte da história da construção naval no país, precisava ser (re)qualificada e (re)treinada, diante do lapso vivido pelo setor, uma vez que mais de 20 anos de paralisação, muitos tinham desaprendidos a construir navios. Somado a este fato, os jovens trabalhadores que outrora estiveram à frente do setor, hoje, em sua maioria, são idosos.
A evidência de que há uma enorme lacuna nessa área é que se observados atentamente os trabalhadores do setor naval no Brasil, será possível verificar que a grande maioria está com idade avançada. ‘Somos uma categoria formada principalmente por velhos’, lembra o sindicalista Luis Chaves, presidente do Fórum Nacional dos Trabalhadores da Indústria Naval – tese confirmada pelo professor Floriano Pires, da Coppe/UFRJ, que afirma: ‘Quando se olha nos estaleiros não se veem faixas intermediárias de idades: ou são muito jovens ou são muito velhos – houve um buraco enorme na formação, na acumulação da experiência desses trabalhadores (ALMEIDA, 2008, p. 132/133).
Nesse sentido, segundo Moura, Botter e Silva (2007) existe mesmo a falta de mão de obra qualificada para suprir as necessidades do setor, tanto ao nível técnico como superior. Assim, requer do setor investimento, através de escolas técnicas, universidades e o envolvimento de todas as partes interessadas, poder público, empresariado e os trabalhadores, para reverter tal quadro.
Este foi um dos motivos que ensejou a escolha da Empresa Estaleiro Atlântico Sul S.A para desenvolver um estudo de caso: um cenário rico em informações e segredos a serem desvendados sobre o retorno deste trabalhador idoso ao mercado.
O outro motivo acerca do critério para a escolha da referida unidade, se deu através do contato da pesquisadora com um dos diretores do EAS, e diante do relato da problemática, o diretor afirmou ser o EAS um ambiente muito propício para a obtenção dos dados necessários para a solução do problema de pesquisa.
A partir deste pressuposto diante do fato da pesquisa ser de natureza exploratória, o estudo de caso mostrou-se mais apropriado para o desenvolvimento do estudo. Ao final, o critério para a escolha da empresa Estaleiro Atlântico Sul teve como respaldo três motivações: a) a existência do público alvo, qual seja, do trabalhador idoso em seu quadro funcional; b) ter gestor não idoso (menos de 60 anos); e a c) conveniência de acesso aos dados.
No tocante a esta última motivação, da conveniência de acesso aos dados, merece ser comentado a disponibilidade do referido Diretor em ajudar esta pesquisadora a ter acesso aos sujeitos da pesquisa, espalhados por diversos setores da empresa e em prédios diferentes, que colocou sua equipe de assessores à disposição, no sentido de deslocamento no interior da empresa, em razão da sua magnitude, de 1 milhão e 620 mil metros quadrados de terreno e de área industrial coberta de 130 mil metros quadrados; e do perigo, por ser uma área de componentes pesados, todas as pessoas que transitam em seu interior, ou utilizam EPI23, ou transitam em veículos; além do suporte com alimentação, devido a distância, a pesquisadora iniciava a coleta por volta das 8hs da manhã e só terminava no final da tarde, por volta das 17hs. Assim, durante o período da coleta a pesquisadora almoçou no refeitório do setor administrativo, com a devida autorização; afora a disposição em viabilizar o contato com os próprios gerentes, marcando horário mais conveniente para a realização das entrevistas.
Diante do exposto, da descrição dos critérios de escolha da referida unidade na próxima seção serão detalhadas as características do público-alvo para a realização da pesquisa.
23 Equipamento de Proteção Individual, como por exemplo, luvas, capacetes, botas, protetores