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Assessment of the Constitution

In document Academic freedom of expression (sider 103-108)

7.1 Governance and awareness raising 94

7.2.3 Assessment of the Constitution

Na prática pedagógica, o professor dispõe, dentre outros recursos, de diferentes conhecimentos produzidos pelos seus pares. Sem uma prática científica sistemática, muitos professores vêem na produção de outros uma das únicas fontes de acesso ao saber científico utilizada em suas aulas.

A referência à produção de outros é encontrada inicialmente na fala do professor P2:

"... é muito importante ficar trabalhando lá fora e trazer a dinâmica lá de fora para dentro do que eu ficar pesquisando. A diferença é que eu trago muito mais coisas que estão acontecendo, o que está se fazendo, do que quem fica aqui dentro..." (P2).

Nesse caso, o tipo de produção mencionado é o conhecimento prático, desenvolvido pelos membros da comunidade profissional, que parece ser considerado pelo professor P2 como mais relevante do que aquele produzido na universidade através da pesquisa.

A fala do professor P3, por outro lado, destaca a vantagem de estar no locus da produção do conhecimento, acessando a produção mais recente de seus pares.

"Estar na universidade, conhecendo o que está acontecendo de novo é importante porque eu melhoro profissionalmente..." (P3).

Neste caso, o trabalho docente parece ser visto como uma maneira de melhorar o trabalho profissional, através do acesso ao conhecimento gerado na universidade. Essa perspectiva é reforçada nas demais falas desse docente, como pode ser visto a seguir:

113 CAPÍTULO V

A Prática Pedagógica do Professor Universitário: concepções de professores e alunos

"...e para mim é importantíssimo dar aula na Universidade para que você não se aliene no escritório. No escritório, você fica muito para trás nas discussões sobre os rumos da sua área, discussões sobre valores .. na universidade eu consigo tomar conhecimento dos trabalhos mais recentes" (P3).

"...não é muito a universidade que está dando, aqui, no Brasil, uma formação profissional, temos que procurar fora as últimas pesquisas feitas" (P3).

De acordo com essas falas, o professor P3 parece estar mais preocupado com sua formação profissional do que com a formação de seus alunos. Nesse sentido, sua recorrência à produção científica dos outros parece ser uma maneira de garantir esse aprimoramento profissional, ao invés de representar uma preocupação em elevar o nível de conhecimento dos seus alunos.

Uma posição semelhante é demonstrada pelo professor P9, quando emite a seguinte fala:

"...a gente não tem apoio nenhum, infra-estrutura nenhuma e o professor que quer estudar fica impossibilitado de buscar seu conhecimento" (P9).

Nesse caso, porém, embora também esteja possivelmente preocupado com sua formação profissional, o professor se queixa da falta de infra-estrutura na universidade para provê-la, o que reforça a segunda fala do professor P3, que também parece se ressentir desse fato. Apesar disso, não fica evidente na fala deste docente que o conhecimento disponível na produção científica dos outros será utilizada em sua prática pedagógica. Entretanto, como não há garantia de que não será, adotamos a postura de enquadrá-lo nesta categoria, considerando que, havendo chance de ter acesso à produção científica de outros, este professor irá utilizá-la com seus alunos.

A fala do professor P7 reflète seus valores sobre a prática pedagógica em sala de aula:

"...(um bom professor) ...ele tem que procurar ser honesto, ou seja, quando ele entra em sala para dar um determinado programa, ele tem que levar um mínimo de conteúdo sério, honesto sobre aquele tema, o mais atualizado possível" (P7).

114 CAPÍTULO V

A Prática Pedagógica do Professor Universitário: concepções de professores e alunos

De acordo com essa fala, o professor P7 enfatiza a importância da atualização de conteúdo. Portanto, ele parece ter a preocupação de buscar a produção mais recente na sua área de trabalho. Voltamos a lembrar Cunha (1998), que destaca a cultura vigente no ensino superior, segundo a qual, a competência do professor está diretamente ligada à sua competência epistemológica. Nesse caso, o professor se enquadra na cultura local ao utilizar a produção de seus pares.

Essa valorização da produção científica também é encontrada na fala do professor P10 :

"...acho que se tem embasamento científico e um embasamento didático

e atualizado com as últimas pesquisas publicadas, você tem bom desempenho..." (P10).

"...pela necessidade de estar sempre me aprimorando através das publicações que eu acesso... " (P10).

"...e o conhecimento de pessoas que sempre trazem ideias novas, resultados de novas pesquisas, que me ajudam a desenvolver o meu trabalho" (P10).

Nesse caso, é interessante ressaltar que a preocupação de P10 não se limita ao seu aprimoramento profissional, mas inclui a necessidade de uma base didática para garantir um bom desempenho docente.

Essa preocupação com a atualização remete ao que Masetto (2002) aponta como características inerentes ao profissional do novo milénio: a capacidade de ir buscar e utilizar novas informações. Além disso, as características mostradas nas falas, apontam para uma combinação de conhecimentos pedagógicos e conhecimentos específicos da disciplina, convergindo com as idéias de Tardif (2002: 39):

"... o professor ideal é alguém que deve conhecer sua matéria, sua disciplina e seu programa, além de possuir certos conhecimentos relativos às ciências da educação e à pedagogia e desenvolver um saber prático baseado em sua experiência cotidiana com os alunos".

CAPÍTULO V

A Prática Pedagógica do Professor Universitário: concepções de professores e alunos

115

Essa inseparabilidade e complementaridade entre a formação dos saberes docentes e sua produção também é ressaltada por Chakur (2001) e aparece novamente em outras falas do professor P10:

"...eu gosto de ser professor na universidade porque me obriga a estudar, melhora a minha qualidade docente..." (P10).

"...você chega lá fora, você tem uma experiência melhor e a gente costuma trazer esse conhecimento para cá " (P10).

Considerando todas essas falas de P10, podemos concluir que ele parece valorizar e buscar o conhecimento produzido pela comunidade científica para aprimorar a sua prática docente. Dessa forma, foi possível enquadrá-lo nesta categoria.

O professor P15 apresenta uma postura semelhante a P10, quando parece valorizar o conhecimento produzido na universidade, através da pesquisa realizada pelos professores e associa esse conhecimento à prática docente:

"...mas em função da informação cultural e científica que a universidade te dá, o médico que não está lá fica totalmente desatualizado, por isso busco essas informações para minhas aulas..." (P15).

De um modo geral, os professores enquadrados nesta categoria formam dois sub-grupos: o primeiro, constituído por P2, P3, P7e P9, enfatiza a ligação entre o uso da produção de outros e a melhoria profissional e o segundo, formado por P10 e P15, associa a produção de outros ao aprimoramento da prática docente.

Finalmente iremos apresentar as unidades de sentido que foi possível enquadrar na terceira categoria do eixo em questão.

V.1.3 Unidades de sentido classificadas na categoria "Produção

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