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Argumentene

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2. Før sending

2.4. Argumentene

A cidade de Cadmo manter-se-ia, aproximadamente, nos três anos que se seguiram (382-379) sob domínio de uma elite sociopolítica filolacónica açambarcadora do aparelho administrativo tebano, em regime apelidado pelas fontes de “tirânico” –

dynasteia36. Xenofonte específica que este sistema se generalizou em várias poleis

beócias, paralelamente a Tebas (Xen. Hell. 5.4.46) o que é significativo, pois demonstra que as volubilidades da política tebana continuavam a influenciar profundamente os comportamentos políticos locais da região. Não obstante o carácter despótico e usurpador que pesou sobre os Tebanos durante este período, os órgãos e instituições políticas da polis mantiveram-se activas, inclusivamente a boule, embora as magistraturas estivessem apenas ao alcance dos homens mais próximos de Leoncíades37. Com efeito, a estrutura geopolítica cadmeia esboçava uma hierarquia em formato piramidal, cujo vértice foi apossado por Leoncíades, Árquias, Filipos e Hípates; a restante distribuição de incumbências (diga-se, a título nominal) ramificava-se aos que ocupavam os cargos públicos legais, ou seja, em estreita dependência com o topo. O controlo efectivo e unilateralista do dispositivo político e dos negócios públicos da polis pelo núcleo duro governativo tebano era providenciado pela representatividade de Esparta que monitorizava a partir da Cadmeia (Plut. Pel. 6.2-3).

O indigitamento de três oficiais lacedemónios – Lisanóridas, Erípedes e Arquesos – e a manutenção de uma guarnição peloponésica, que ascendência aos 1 500 soldados sediados na Cadmeia, são indicativos de uma autoridade dificilmente contestável38. Mas a invulgaridade por detrás destes números tem sido deliberada por alguns comentadores. É provável que a designação do triónimo lacedemónico não se

36 «“arcontes autoi paranomous”», cf. Plut. Mor. 576a; Pel. 6.1; Ages. 24.1 Xen. Hell. 5.4.1. 37 Hack (1978) 34-35.

38 Para os números da guarnição cf. Plut. Pel. 12.3; Mor. 598f. Além de Xenofonte não identificar o

harmostas de Tebas, também não clarifica o número de soldados peloponésios na Cadmeia em 379, classificando-os como “poucos” (Hell. 5.4.11). Porém, trata-se de uma avaliação comparativa em relação aos que assaltavam a Cadmeia.

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limitasse ao papel fiscalizador de Tebas, mas articulou questões e necessidades militares dos Lacedemónios no controlo e injunção de influência em contexto regional e inter- regional. Assim sendo, cada um destes oficiais desempenhou tarefas díspares e assumiu funções em diversos sectores39. O ónus geoestratégico e a posição central de Tebas no mapa helénico permitiram esbater as complicações de Esparta nas linhas de comunicação fora do Peloponeso e actuar com maior eficácia em palcos diversificados40.

Numa primeira apreciação, a expedição peloponésica contra Olinto, que se estendeu por três anos (382-379), converteu a cidade de Cadmo num baluarte, ou posto avançado sustentável na operacionalidade bélica que interligava o Peloponeso às regiões setentrionais da Hélade. Do mesmo modo, além de garantir o auxílio militar tebano na campanha, engrossando as fileiras da frente peloponésica, conforme prometido por Leoncíades, e de resto, com actuação positiva no campo de batalha (cf. Xen. Hell. 5.2.27; 37), os Lacedemónios anulavam potenciais interferências dos Atenienses no teatro calcídico, protegendo a sua retaguarda.

Embora a cidade de Palas tivesse preservado uma política externa cautelosa e inóxia a Esparta ao longo da década de 80, a concessão de exílio por parte das autoridades áticas a 300 famílias tebanas que se refugiaram em Atenas, logo após à tomada da Cadmeia por Fébidas, tornou-a num alvo a manter sob vigilância apertada, a partir de 382. Filiados à facção de Isménias e Androclides, ou ideologicamente anti- lacedemónicos, os cidadãos tebanos expatriados na Ática retratavam o espírito da resistência cadmeia à extorsão ilegítima de Tebas, por Leoncíades e Esparta. As autoridades atenienses retribuiriam, nesse tempo, o favor prestado pelos Tebanos em 404, ao amnistiarem os exilados tebanos em território ático, rejeitando a ordem lacedemónica de expulsão (Plut. Pel. 6.3). O pacto entre os Atenienses e o miolo da resistência tebana é evidente; as circunstâncias seriam, além do mais, clarificadas em 379, por ocasião da revolução cadmeia. Hack terá, provavelmente, razão em apontar que uma das necessidades para uma guarnição numericamente substancial e para o número

39 Vide Hack (1978) 32. O debate em torno dos “três harmostai de Tebas” é questiúncula, relativamente

ao objecto de estudo e para o que se pretende abordar nesta secção. Em todo o caso, para uma abordagem mais detalhada do tema, vide Parke (1927) 159-165; Buck (1994) 69-70;

40 Além da campanha calcídica, que terminou em 379, os Lacedemónios mantinham a vigilância sobre

Atenas, as actividades de Jasão de Feras, da Tessália, cujo crescente predomínio exigia cuidados, e seguravam a polis de Histieia (também conhecida como Oreo), na Eubeia, sob sua alçada. Diodoro relata a campanha Lacedemónica a norte de Eubeia e a libertação dos Oretanos (provavelmente no Verão de 379), por um tal Terípides, que Parke identifica como sendo Erípedes, um dos oficiais lacedemónios que se encontrava na Cadmeia, em Dezembro 379 (cf. D.S. 15.30.3-4). Vide Parke (1927) 160-161.

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invulgar de oficiais lacedemónios presentes na Cadmeia servisse, igualmente, para conter eventuais focos de sublevação provenientes de Atenas41.

A prática do poder em Tebas era, pois, exercida com base na força e no medo que a elite governativa e a força militar na Cadmeia inspiravam (Plut. Mor. 575f-576a;

Pel. 6.1). Todavia, Xenofonte afasta a culpabilidade das autoridades lacedemónicas

quanto aos eventuais abusos de poder da administração tebana, afirmando que «“os de Leoncíades ocuparam a polis e colocaram-se à disposição dos Lacedemónios mais do que lhes tinha sido pedido”» (Hell. 5.2.36). A incrementação de uma violenta política sectária e repressiva demonstraria uma sociedade tebana, aparentemente, «laconizada» e sem resquícios para uma oposição interna explícita. O grosso da facção anti- lacedemónica, que englobava os mais proeminentes cidadãos tebanos, refugiou-se em Atenas, convertida no nicho da resistência. Androclides, também ele forçado a se abrigar na cidade de Palas, continuou a ser o principal elemento desestabilizador ao governo de Leoncíades, cujos tentáculos se infiltravam para o interior do perímetro amuralhado de Tebas. O seu assassínio, em Atenas, desferiu um duro golpe na reacção e contribuiu para suavizar os desassossegos do regime42. O legado do antigo estadista tebano transitou para as mãos de uma nova geração, desmarcada do ancestral modelo constitucional oligárquico43.

O arranjo da teia conspirativa pelos exilados tebanos prosseguiu em cruzamento com cidadãos tebanos que mantiveram residência em Tebas, após a tomada da Cadmeia, em 382, conforme conta Plutarco, na Vida de Pelópidas e nos Moralia44. A organização de pequenas células que se formaram em torno destes eram o bosquejo mais próximo de uma oposição interna obrigada a operar na clandestinidade. Qualquer laivo oposicionista à administração de Leoncíades e Árquias era fortemente reprimida e os incriminados conduzidos ao cativeiro. Em 379, cerca de 150 Tebanos estavam reduzidos à condição de prisioneiros «políticos».

A polis tebana achava-se, por conseguinte, na apropriação efectiva de Leoncíades e de Árquias, chefiando com o punho firme e irresistível em parceria com Esparta. Contudo, a cumplicidade de ambos os blocos assumia duplo-compromisso. A

41 Vide Hack (1978) 31.

42 Vide Buck (1994) 71-72; cf. Mor. 596b. 43 Vide Seager (2006) 164.

44 De acordo com o biógrafo (Mor. 576a-b), Górgidas mantinha correspondência regular com os exilados.

Galaxidoro, antigo estadista tebano que estivera ligado ao círculo de Isménias, também permaneceu em Tebas (cf. Mor. 577a; 594b), devido à idade avançada e desde que afastado da cena política; vide Buck (1994) 77.

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guarnição peloponésica, sediada na Cadmeia, garantia a intendência dos filo-lacónicos à frente do leme da cidade de Cadmo, assim como em várias poleis beócias; em contrapartida, o domínio destas heterias nas suas respectivas áreas jurídicas traduzia-se na sustentabilidade da Machtpolitik lacónica no teatro regional beócio e no policiamento das áreas circundantes (Xen. Hell. 5.4.26).

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