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euforia pela chegada da nova tecnologia na cidade, sempre associada à um compromisso com o progresso e com a visão de pioneirismo, porém traz também não de maneira explícita mas perceptível, um certo sentimento de " desconfiança" para com a eficiência e a capacidade da própria televisão de superar rapidamente os outros veículos de comunicação de massa já consolidados na sociedade Uberlandense, como é o caso de rádio e do cinema.

Apesar de ser visível em praticamente toda a década de 1960, um certo otimismo do Jornal O Correio de Uberlândia, em relação às programações exibidas pelo canal 8, ele por sua vez se transforma em críticas a certos programas e mesmo contestações sobre a competência e eficácia do que era transmitido ao público. Na crítica à um destes programas podemos perceber esta natureza contraditória.

Tanto programa bom na televisão acabando, e ninguém acaba com "Bonanza", "Virginiano" e "Dick Van Dyke", que coisa gente! O Correio, 16/17_01_ 1968

Há momentos durante a década de 1960, como no caso do segundo semestre de 1965, em que os anúncios de programações da televisão local, perdem um pouco o seu espaço e brilho, vindo a retomar posteriormente a sua força. Estas oscilações são perceptíveis e algumas vezes vem acompanhadas de críticas a respeito da não divulgação por parte da TV, de sua grade, de cortes em programações no ato de sua transmissão, e de programas, que de acordo com os comentários do jornal, não agradariam ao público

Telespectadores viram cortado pelo meio o programa "A cidade se diverte" de sexta feira. Foi uma pena a mutilação de um dos poucos programas humorísticos da televisão local. 22-08-1966

A falta de programas esportivos que atendessem ao público masculino, é mencionada como um problema a ser superado. É bom lembrar que neste instante a TV surge concorrendo com o rádio que já há muito tempo se consolidara, e que com certeza apresentava várias opções de entretenimento, como as rádio novelas, os programas esportivos e outros. Assim a televisão da década de 60 parece mostrar a

imagem mas ainda não consegue se firmar através da multiplicidade de opções a serem dadas ao telespectador.

Está faltando um programa de esportes na TV triângulo. Temos muita coisa para ser divulgada em nossos meios esportivos. O Correio 01/02/1968

Assim sendo o público masculino neste período ainda tinha no rádio o seu principal parceiro para se ver inteirado com as últimas notícias do futebol, e mesmo para acompanhar os jogos semanalmente. A televisão ainda buscava se firmar, parecia neste momento não possuir grades de programação que atendessem aos diversos públicos, sem contar as crianças que não tinham também programas adaptados às horas do dia em que se encontravam em casa, já que os programas começavam no final da tarde.

Um dos acontecimentos de grande vulto no final da década de 1960, e que chamou a atenção dos noticiários do jornal correio de Uberlândia, foi a possível instalação de uma torre de captação de sinais moderna, e que previa-se através da mesma, resolver enfim todos os problemas relacionados à dificuldade de imagens, poucas programações, enfim seria um marco inicial para uma nova etapa do processo de transmissão televisivo em Uberlândia. Em sede no bairro Umuarama, com uma aparelhagem sofisticada e importada, o jornal coloca este acontecimento como um impulso não só para as atividades de telecomunicações da cidade, mas para o desenvolvimento da cidade Jardim, como era então denominada e sua colocação entre as grandes pioneiras do país.

Neste texto são mencionados vários elogios ao empreendimento, com menção aos valores despendidos, e aos novos benefícios que dele resultará como por exemplo, capacidade de transmissão à cores quando esta já for uma realidade na cidade de Uberlândia.

A aparelhagem compõem-se do que há de mais moderno na América do Norte, estando já prevista a possibilidade de operar em cores, tão logo se instale no Brasil a TV colorida. Assim seremos a segunda televisão colorida no país. O Correio

16/17-02-1968

Percebe-se no texto uma associação entre o empreendimento, e uma certa tentativa "política" de enaltecer a cidade de Uberlândia, bem como a pessoa do

empreendedor Edson Garcia. A TV surge em um ambiente social onde a ideia de "progresso" como algo real e necessário para o desenvolvimento da nação constantemente era exaltada pelos meios de comunicação de massa, no caso específico da nossa análise o Jornal Correio de Uberlândia. Como foi de muitas possibilidades mas também extremas dificuldades o caminho percorrido pela televisão no Brasil, cada vez que se vislumbrava uma "conquista" relacionada à aspectos técnicos, isto muitas vezes era veiculado à um tipo de propaganda política.

A conclusão das obras e instalações está prevista pra 31 de Agosto, numa homenagem ao aniversário de Uberlândia, já se preparando para a nova estrutura da TV triângulo, seu mandatário máximo, o bel. Edson Garcia Nunes, contratou um dos homens mais entendidos em televisão no Brasil, engenheiro Alberto Maluf, que pertenceu à rede exelcior, e tem cursos de especialização na Europa e América do Norte, e também o engenheiro Milton Zanella de igual gabarito. O Correio 16/17-02-1968

A década de 1960 portanto, se encerra envolvida no que diz respeito às colocações do jornal Correio sobre as programações da TV triangulo, em elogios, críticas e esperanças de um amanhã promissor, típico de uma época onde o espírito do desenvolvimento e do progresso se via em muitos discursos sociais, tentando moldar o pensamento de uma nação, onde o apoio ao novo regime militar é escancarado algumas vezes nas próprias páginas do jornal, fazendo parecer a todos que o Brasil havia sido salvo na verdade de forças que só queriam destruí-lo e emperrar seu caminho progressista.

O documento de numero 17, possui vários pontos a serem analisados, sob a perspectiva da década de 60, onde o regime militar vigorava havia já quatro anos, implantando através do controle político, a mentalidade de "ordem e progresso". É neste contexto que a inauguração da torre da TV triângulo, parece dialogar no mesmo discurso da ditadura militar, e que era reproduzido por entidades políticas e empresariais de todo o país.

Neste sentido, podemos observar que Uberlândia, também conhecida neste período como "cidade jardim", de acordo com o documento, seria impulsionada para um tipo de liderança do triângulo mineiro, por estar adquirindo equipamentos de última geração para a melhoria das transmissões para a cidade. Há um forte apelo

político nas palavras do texto que evocam a todos que o leem o reconhecimento de que, neste novo regime político que o país vivenciava, as coisas haviam melhorado, e isto era só o começo.

Fotografia 17. Anúncio do Jornal Correio de Uberlândia, exaltando a instalação da nova sede da TV Triângulo.