2. THEORETICAL BACKGROUND
2.3 D IGITAL COMPETENCE
2.3.2 Multimodality
A análise e interpretação dos dados em pesquisas qualitativas são, segundo diversos autores (ALVES-MAZZOTTI, GEWANDSZNAJDER,1998; FLICK, 2004;
STAKE, 2005; GIL, 2009), processos simultâneos à sua coleta, de modo a definir o sentido do subsequente levantamento de informações.
De acordo com Gil (2009, p. 92), em estudos de caso os dados a serem analisados não contam com técnicas e métodos específicos para tal fim, podendo ser submetidos à ampla gama de estratégias adotadas em pesquisas qualitativas e a algumas utilizadas em pesquisas quantitativas. Até mesmo a dimensão intuitiva do pesquisador é considerada pelo autor como sendo de extrema relevância no processo analítico. Fundamentado em Merriam, Gil (Ibid.) afirma que “cada insight, palpite, pressentimento ou hipótese emergente direciona a nova etapa do processo de coleta de dados, que vai conduzindo ao sucessivo refinamento ou reformulação das questões de pesquisa”.
Assim foi que, antes mesmo de minha primeira incursão no contexto do projeto para fins de pesquisa, redigi as primeiras páginas do diário de campo, conforme anteriormente mencionado. Desde o meu primeiro contato efetivo com o campo empírico do estudo de caso, ao procurar “estranhar” o observado, atentava-me não só à dinâmica interna do projeto e das formas de relacionamentos entre os atores, mas também às lógicas que regiam suas ações naquele cenário. Muitas vezes, ainda in loco, anotava algumas impressões e suposições a respeito de eventos observados, repensando- as ao redigir o diário de campo e, em algumas situações, relacionando-as a tópicos lidos durante a revisão bibliográfica. As conversas com a orientadora da pesquisa foram também de fundamental importância nesse processo, possibilitando que eu discorresse sobre o que vi e senti, consistindo em mais uma oportunidade para o surgimento de novos insigths e para que ela também lançasse seu olhar sobre os episódios narrados, ora coincidindo com minhas impressões, ora provocando questionamentos e apontando caminhos impensados de interpretação.
Com o encerramento da primeira fase do trabalho de campo, marcada pelo término do período de patrocínio do projeto pelo Instituto Algar93 e pelo consequente recesso das atividades musicais da OJU, iniciei o levantamento de temas e sub-temas aos quais atribui códigos a fim de progredir no processo de análise. Assim, ao reler o diário de campo em sua íntegra, relacionava os dados coletados aos itens levantados. Para tanto, preocupei-me em listar tantos temas quantos fossem necessários de modo a abarcar todas as informações disponíveis. Ainda assim era preciso atualizar a listagem
com frequência, não sendo possível nem desejável submeter a análise a um esquema fechado. Inversamente ao acréscimo de categorias analíticas, houve ainda no decorrer do processo de codificação o abandono de alguns temas, também em virtude do avanço do trabalho de campo e das concomitantes reflexões. Considerando a necessidade de acréscimo de temas, em vista do caráter flexível da análise, novas categorias eram inseridas ao final da listagem, seguindo à sua numeração94. Ao término do processo de codificação, um quadro foi confeccionado, compreendendo os temas e sub-temas com seus respectivos códigos e as páginas do diário de campo em que estavam relacionados95. Outras três matrizes foram elaboradas com o propósito de “sumarizar, organizar e relacionar os dados” (GIL, 2009, p. 104): uma aglutinando nomes e papéis de atores do projeto, bem como sua relação com outros contextos musicais da cidade96; outra compreendendo nomes de composições musicais executadas tanto individual quanto coletivamente por alunos durante o ano de 2009 e o último ano em que esteve sob direção artística e regência do maestro Cassiano97; e a última, relacionando as datas de minhas incursões no contexto da OJU às suas respectivas páginas no diário de campo e às situações e locais em que ocorreram98. Ainda lançando mão de “instrumentos visuais de apresentação de dados” (Ibid.), construí um diagrama procurando tornar clara a circulação de figuras centrais do projeto pelos diversos espaços musicais da cidade que compõem o circuito (MAGNANI, 2002, 2007) de práticas musicais99. Quanto aos documentos, foram listados em um quadro indicando sua classificação (Gil, 2009). As fotos e vídeos produzidos durante o trabalho de campo foram organizados em arquivos digitais, constando de data e referência. Contudo, tal material não pôde ser adensado ao texto final desta pesquisa por estar sujeita à normatização do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, (CEP/UFU).
Finalmente, o texto da dissertação foi construído a partir da análise e interpretação dos dados coletados por meio das diversas fontes. No presente trabalho, a escrita dos termos êmicos segue a escrita padrão, sendo apontados apenas na “lista de termos êmicos”. O material destacado do diário de campo adota os moldes das citações bibliográficas, sendo também acompanhado de sua referência (data da coleta das informações, número do texto registrado no DC no qual a informação está contida e
94 Ver apêndice B. 95 Ver apêndice C. 96 Ver apêndice D. 97 Ver apêndice E. 98 Ver apêndice F. 99 Ver apêndice G.
página no DC). As falas transcritas, oriundas do diário de campo, são postas entre aspas. As designações estabelecidas por Viviane para as dependências da casa onde funciona o projeto no bairro Alvorada (seção 3), os termos em língua estrangeira, os nomes de grupos musicais e aqueles que compõem a família de categorias analíticas propostas por Magnani (2002, 2007a) são escritas em itálico (assim como faz o autor). Já minhas considerações, análises e interpretações são registradas em escrita padrão.