3. Vold og overgrep, noen hovedtrekk i 2004-2018
3.2. Vold i endring blant unge menn, barn og kvinner
Neste ponto, queremos esclarecer que prosseguiremos com a análise dos efeitos de sentido dos números construídos pelos diferentes enunciadores-jornais, com vistas ao estabelecimento de um modelo geral de rede de relações representado pelo quadrado semiótico, para depois traçarmos os simulacros do IBGE na mídia impressa.
3.3.1. O Eu da Folha de S. Paulo e a construção metafórica
3.3.1.1. Edição de 22 de dezembro de 2000 Estatuto dos dados: manchete de capa do jornal
O conjunto verbo-visual da manchete é composto por antetítulo, título, fotografia e legenda, selo, gráficos, desenhos e tabelas. O bloco de texto da chamada da manchete ocupa uma coluna, do lado direito. Na seqüência dessa coluna, há uma chamada secundária, com título em duas linhas.
Topologicamente, o arranjo instala-se na metade superior da primeira página, evidenciando a importância dada ao acontecimento estatístico.
São os seguintes o antetítulo (1) e o título da manchete (2), ambos dispostos na horizontal, em uma linha cada um, ocupando, de ponta a ponta, a largura da mancha gráfica (seis colunas):
(1)
Censo 2000, do IBGE, mostra que a taxa de aumento da população na década de 90 foi a mais baixa desde 1950
(2)
A coluna formada pelo texto da chamada da manchete e pequena chamada consecutiva delimita verticalmente o arranjo verbo-visual, contrastando com a horizontalidade do conjunto da manchete ao qual se subordina. Desce na vertical, margeando a faixa na horizontal abaixo da legenda, constituída de tabelas e desenhos facilmente reconhecíveis, de um homem e uma mulher, para apreensão imediata de que o assunto é sobre as diferenças entre sexos. Se considerarmos a coluna somente no seu prolongamento, ela segue até o final do comprimento da página.
Do lado esquerdo, a figuratividade dos números também remete ao /saber fazer/ técnico, explicitando novamente a interlocução do IBGE. O enunciador-jornal coloca no espaço à esquerda uma bandeira, que parece desenhada à mão livre e lembra um olho. Na continuação desse desenho, lê-se “Brasil 2000”. Abaixo da bandeira, instala-se um número em tipos grandes, sem arredondamento (169.544.443), tendo acima a palavra “População” e na parte de baixo “Habitantes”. O número sem arredondamento gera um efeito de sentido de multiplicidade, objetividade e exatidão. Na posição em que se encontra, está bem próximo da extremidade esquerda da foto da manchete.
Na seqüência do número, há um gráfico de linha, que mostra a queda abrupta na taxa de crescimento da população, reiterando o efeito de sentido de objetividade. Sob esse gráfico, um outro gráfico em forma de barras na horizontal, põe em relação as proporções da queda no crescimento em diversas regiões do país.
O acesso ao sentido de toda essa composição sincrética se dá pela grande foto que ocupa a área central da página e, na foto, pela moldura da TV descartada, em primeiro plano.
A moldura da TV faz as vezes de um focalizador para a interpretação do texto. É através da moldura que se vê o entulho – em disposição caótica e pontiaguda --, contrastando com a progressão reiterativa dos gráficos. No meio do entulho, vê-se uma criança, em um
Eideticamente, a moldura da TV pode ser interpretada como um gráfico metaforizado, dialogando com os gráficos técnicos e estabelecendo relações semânticas opositivas. As retas superior e inferior da moldura são ascendentes, contraditoriamente à matéria verbal da manchete e dos gráficos que a sustentam. O que se vê especialmente na reta superior horizontal é elevação em direção de colisão com a palavra “lento” da manchete.
Se considerarmos as perpendiculares direita e esquerda da moldura de TV, veremos que reiteram a verticalidade em contraponto com as direções horizontais e descendentes dos gráficos técnicos. Reconhecemos, no gráfico da moldura da TV, um efeito de sentido de crescimento constante da condição de miséria, figurativizada pelo entulho e pela criança. Foi esse o pano de fundo disfórico que o enunciador-jornal selecionou para expressar a figuratividade dos números do IBGE.
As oposições tímicas notam-se também no verbal. Pelo princípio da pressuposição, a manchete verbal, da forma como foi construída, poderia gerar uma timia eufórica ou não- disfórica, se considerarmos que o crescimento populacional acelerado em um país pobre como o Brasil significaria piora nas condições de vida. Contudo, o sujeito coletivo figurativizado pela criança encontra-se apático. Na sua proxêmica, expressa imobilismo rompido parcialmente pelo virar do rosto.
Modalizado pelo /querer ser visto/, ele se volta para o enunciatário-leitor implicando-o na construção do sentido do enunciado. O flagrante do ator criança no entulho não explicita seu fazer, pois tem as mãos ocultas. Esse ator não está identificado na legenda, muito embora ancore o texto sobre os números. A construção produz um efeito de generalização do
URBANIDADE: Lixão da favela Estrutural, a 11 km do Palácio do Planalto; com mais de 3.000 famílias, é maior invasão de área pública no Distrito Federal, cuja população foi de 1,6 milhão (1991) a 2 milhões em 2000 Pág. C6
Inevitavelmente, relacionamos opositivamente o habitat do lixão com o do Palácio do Planalto, referido no texto.
No eixo vertical, pelo qual progride o olhar do enunciatário-leitor, é instalada uma segunda foto, desta vez de um ator jogador de futebol. A foto é menor que a primeira e mais quadrada. Há uma reiteração eidética dessa forma levando-se em conta a base e laterais dos braços erguidos do jogador, a estrutura que aparece como pano de fundo (fachada de um edifício) e quadrados do escudo do time de futebol na camisa de atores secundários, retomando, inclusive, a forma da moldura de TV. Diz a foto referente ao futebolista:
PRESENTE DE NATAL: O atacante vascaíno Romário celebra o título da Copa Mercosul conquistado sobre o Palmeiras, em desfile em carro do Corpo de Bombeiros, no Rio Pág. D6
Observam-se os contrastes de ambientação e estados de alma entre a primeira foto (da criança), na solidão da obscuridade social, e a segunda, de triunfo e gregarismo, na do jogador de futebol. Flagrado no momento de júbilo, expresso no rosto e nas mãos erguidas, tronco voltado para o enunciatário, o jogador, no entanto, não estabelece um vínculo direto eu/tu pois não encara o leitor. Podemos distinguir, aspectualmente, um efeito de sentido de incoatividade da vitória contrastando com a duratividade das condições em que vive o ator criança.
A terceira e última foto do eixo de percurso do olhar instala o ator galinha, do filme “A Fuga das Galinhas”, uma paródia às produções sobre campos de concentração, segundo a nota do jornal.
Os formantes eidéticos dessa composição contrastam com os das outras duas fotos. Nesta última, predominam as formas circulares e oblongas (corpo da galinha, olhos, colar, ponta dos dedos). Dois grandes pés sustentam o volume do corpo e, na axialidade da construção tríplice das fotos, também o todo verbo-visual dessa primeira página.
Entendemos que o sentido dessa primeira página que deu manchete principal aos números do IBGE é de nível alegórico, em que predominam intersecções semânticas e de sentido, por meio das quais o enunciador-jornal transforma habilmente o sentido dos números em crítica social.
3.3.1.2 Edição de 20 de dezembro de 2001
Estatuto dos dados: chamada de destaque, metade inferior da página.
A manchete de uma linha, na horizontal, com foto é sobre a Argentina. A composição verbo-visual que a segue, em segundo nível de importância, é a relativa aos números do IBGE.
A chamada dos números diz respeito ao estado da população brasileira, indicando a existência de um caderno em separado na edição. Nosso procedimento de análise é o de semiotização da chamada da primeira página e da capa do caderno especial.
Na primeira página, o texto sobre os números aparece com título em três linhas, ocupando duas colunas. Diz o título:
Mais velho e mais alfabetizado, Brasil continua desigual
Centralizada, a ilustração da matéria verbal dos números é um arranjo verbo-visual com fotos de bonecos, tabelas e gráficos. Os bonecos visam a qualificar o enunciatário-leitor para a apreensão visual imediata do sentido do número-figura.
A manchete, no entanto, instala uma timia que transita do não-disfórico (mais velho), passa pelo eufórico (mais alfabetizado) e termina no disfórico (desigual), ou seja, o enunciador constrói no verbal um mosaico de direções para a apreensão do sentido do número, em procedimento oposto ao que tencionou fazer no visual.
A reiteração do “mais” gera um efeito de sentido de processo cumulativo ascendente, enquanto o “continua” ocorre como processo durativo que já deveria ter regredido ou acabado. Conseguimos, dessa forma, ter acesso a valores axiológicos do enunciador, que
sancionou negativamente a “desigualdade” expressa no texto.
Os bonecos sem fisionomia são identificados pelos papéis temáticos, como idosos, crianças, mulheres, responsáveis pelo domicílio. No seu estar no mundo, são apanhados na estaticidade de uma gestualidade que confirma os papéis simulacrais.
Explora-se nesse conjunto bonecos-números-gráficos uma espacialidade organizada, de bonecos justapostos, cujas relações não se dão diretamente. Menciona-se como fonte dos números o IBGE, na extremidade inferior esquerda da ilustração.
Podem-se notar intersecções na somaticidade dos bonecos e na somaticidade dos atores do enunciado da manchete sobre a Argentina, cuja massa tímica está bem delineada como disfórica. A legenda da foto sobre a Argentina remete à situação de caos social e a vicinalidade dos dois enunciados (argentinos - bonecos), ligados pelo eixo semântico do social, aliada à somaticidade a que nos referimos, mostra a intencionalidade de fazer com que haja relações de sentido.
Notamos uma coluna larga à direita por onde corre a matéria verbal da manchete. Essa disposição diagramática coloca num campo contíguo Argentina e Brasil, para que se dê no eixo do sentido o reconhecimento de um pelo outro, mesmo que antiteticamente.
Nossa semiotização agora é da capa do caderno relativo às estatísticas. A capa do “Especial Censo 2000” (8 páginas) retoma os bonecos, sem fisionomia, exceto pelo acréscimo de um, que figurativiza o negro. São igualmente captados na sua proxêmica e gestualidade, em recriação de uma cena de sociedade, sancionada pela seleção de valores do enunciador-jornal.
Os bonecos ocupam o centro da página, distribuídos em quatro fileiras na vertical e quatro fileiras na horizontal, ladeados por rankings de Estados brasileiros, qualificados como
“Melhores” (lado esquerdo) e “Piores” (lado direito).
O efeito de sentido de profundidade do arranjo é dado pela colocação sucessiva dessas fileiras de figuras até a proximidade de um logo quadrado, de fundo escuro e letras grandes vazadas, na parte superior, em que se lê “Censo 2000”. Censo está escrito em uma linha e 2000 na outra, fazendo com que cada número coincida com uma fileira de bonecos, em efeito sucessivo de ancoragem dos dados estatísticos. Dois pequenos blocos de texto quadrático ladeiam o logo, à direita e à esquerda, com uma frase sobre os números, reiterando a busca de criação de um efeito de objetividade, a despeito da cena imaginária. O IBGE é convocado metonimicamente para ancorar a matéria verbo-visual (a parte “Censo 2000” pelo todo instituto).
Embora sem rosto (exceto pelo que figurativiza o negro), a proxêmica e gestualidade dos bonecos, na multiplicidade de direções de passos e eixos corporais suspensos, como se fossem marionetes, autoriza-nos a falar em interação eufórica do flagrante social construído pelo enunciador. Há bonecos relaxados (com as mãos nos bolsos), demonstrando afetividade (de mãos dadas), realizando atividades. Nenhum está figurativizado no modo da insatisfação.
Entendemos que o jornal construiu esse texto sincrético para que fosse imediatamente reconhecido pelo olhar do enunciatário-leitor, sem a interferência de noções cognitivas complexas. Dessa forma, o enunciador-jornal se qualificou perante o Outro quanto à transmissão de conteúdos via figuras de um mundo que ele mesmo construiu recorrendo ao imaginário social.
A naturalização dos papéis temáticos é evidente. Assim, os executivos são apresentados de terno, com pasta ou não, os trabalhadores comuns são figurativizados com instrumentos de trabalho nas mãos, as mulheres são apresentadas conforme o padrão de indumentária tradicional, o idoso de bengala, apoiado nos braços de alguém, e as crianças amparadas pelo pai ou pela mãe.
O jornal também aborda internamente o tema da assimilação racial. O boneco que figurativiza o negro aparece com feições distintas, vestido como executivo, com um bebê de colo nos braços, de mãos dadas com a mulher. Essa re-apresentação do negro a partir de um
status social mais elevado foi explorada somente na capa e no visual, sem recuperação verbal
nas páginas internas, como pudemos constatar.
O título da matéria verbal contrasta com a direção tímica que foi conferida à apresentação na capa. Promove também a ruptura com a divisão de quatro colunas na vertical e quatro na horizontal. Diz o título:
Mais velho, mais feminino, mais alfabetizado
Reiteram-se três vezes o intensificador “mais”, acentuando o sentido de progressividade cumulativa, qualificando a população mediante os predicados “velho”, “feminino”, “alfabetizado”. O arranjo das colunas é também ternário. A desigualdade referida na chamada da primeira página, desaparece como título e passa para o lide da matéria verbal como “grandes diferenças sociais”.
Entendemos que o enunciador-jornal buscou construir a significação dos números a partir de intersecções de sentido com valores sociais cristalizados, figurativizados por bonecos sem fisionomia que, na rede imaginária de relações constituíram um simulacro do viver em sociedade.
3.3.1.3. Edição 26 de novembro de 2005 Estatuto dos dados: manchete de capa do jornal
O conjunto estético-visual-verbal que emoldura o antetítulo e a manchete forma uma espécie de pórtico, que o fundo mais escuro realça, e cujos “ornatos” são os números, gráficos e tabelas. O enunciador-jornal recorre a uma estratégia discursiva alegórica para modalizar o enunciatário-leitor, para /querer ler/, /poder ler/ e finalmente ler a matéria sobre os números. A intencionalidade mítica se reitera com a instalação de duas figuras entre círculos, à maneira de efígies.
O olhar tem contato com o pórtico na apreensão da manchete (única) da página, já possuidor de um mínimo de competência imaginário-cognitiva doada pelo enunciador. Gráficos e tabelas mostram figurativamente números sobre aumento da ocupação, da escolaridade, da idade e do uso de aparelhos de alta tecnologia.
Na coluna da esquerda, na parte superior, há um gráfico de linha, reproduzindo a diferença de indicadores de emprego para homens e para mulheres. O referente ao dos homens está em queda e ao das mulheres, em ascensão. Na seqüência da coluna, barras horizontais fazem o enunciatário reconhecer de imediato a escolaridade da população, na forma de uma sucessão endentada de barras, em que se distinguem facilmente proporções menores e maiores.
Na coluna do lado direito, na parte superior, dois gráficos de barras horizontais com endentação de costas um para o outro, como se fossem perfis estilizados, figurativizam o envelhecimento da população em duas temporalidades diferentes. Na seqüência da coluna, outro gráfico de barras, semelhante ao do lado esquerdo, mostra a proporção de telefones, celulares e computadores em mãos da população.
A interlocução do IBGE é dada discretamente por “Fonte IBGE”, em corpo pequeno, no pé do pórtico à direita, com a busca da geração do efeito de sentido de objetividade para a construção particular do enunciador.
Na parte horizontal superior, sustentada pela intersecção das colunas, as duas efígies guardam a entrada do enunciatário na matéria verbal. Elas figurativizam pessoas do sexo masculino, olham cada uma para um lado e estão separadas por um conjunto de ornatos verbo-visuais numéricos. Na proximidade dos círculos, destacam-se dois temas interligados: trabalho e rendimento. O título desse segmento é “Rendimento de ricos e pobres”.
A efígie da esquerda é a de um operário, a julgar pela ferramenta desproporcionalmente grande que carrega no ombro e pelas luvas de proteção. Seu estado de alma é eufórico, já que os cantos da boca estão levantados para cima. A figura da direita, de expressão contemplativa não-disfórica, está embevecida com a moeda que tem nas mãos e que irradia um brilho. Está pavimentado, alegoricamente, o caminho para acesso ao significado dos números no verbal.
O segmento principal da enunciação desse dia é constituído por um antetítulo (1) de uma linha e uma manchete (2), de duas linhas. Temos no verbal:
(1)
Estudo do IBGE mostra Brasil mais velho, mais alfabetizado, com mais empregos e renda estagnada
(2)
A expressão “estudo do IBGE” no antetítulo tem por objetivo isentar o enunciador de responsabilidade técnica pelo resultado, mas, ao mesmo tempo, sanciona o IBGE como sujeito competente para o /saber fazer/, /fazer crer/ e /fazer saber/ das estatísticas.
Entendemos que, semanticamente, a primeira parte da manchete “ricos ficam mais pobres” é equivocada, pois os dois termos polares da categoria são ricos vs pobres, riqueza vs pobreza. Essa alteração no rumo semântico fica mais clara em relação ao intensificador “mais” pobres, pois ele pressupõe um “menos” pobre, na anterioridade. Contudo, como já mostramos, o que importa para o enunciador é fazer o enunciatário-leitor sentir o sentido dos números recorrendo ao imaginário mítico.
O texto da chamada da manchete se desenvolve de maneira simples, numa relação de efeito-causa. O enunciado se ancora tanto no IBGE, como figura de autoridade, como na pesquisa (Pnad), resultado do fazer do IBGE.
Em seguida ao conjunto da manchete sobre os números do IBGE, há uma matéria visual (foto) de temática desvinculada, mas que, na rede de relações da página, ajuda a construir o sentido do todo. A foto é de um protesto e ocupa grande parte da página, sobressaindo como a principal do dia. Ela tem largura igual à da manchete e desce em quatro colunas, ultrapassando o meio da página e avançando para baixo. A cena da foto se dá em um espaço (já pensando na integração dos dois segmentos de texto) em forma de átrio, palco de uma cerimônia de protesto. Reforça-se o aspecto cerimonial, pela pintura no rosto do ator do enunciado da foto.
O ator da cena usa um chapéu de palha, onde se lê “Fora Lula” e é nominalmente chamado de cara-pintada, em remissão à campanha do impeachment de Collor, no início dos anos 90.
A coluna de texto do lado esquerdo, referente à foto, é desproporcionalmente menor. Por meio dela, tomamos conhecimento dos dizeres completos da camiseta da protestante, que é “Morte ao Capitalismo”.
A timia disfórica desse segmento da página se completa visualmente, na segunda foto de destaque, que desce em sucessão diagonal. Nela se vêem cruzes queimando (e pneus também, informa a legenda) em protesto contra mortes nas estradas. A imagem do pórtico, do átrio em que se realiza um protesto (purgação), a palavra de ordem “morte ao capitalismo” e o fogo na estrada nos levam à idéia de piras de purgação na terceira foto.
A composição que identificamos como alegórica se completa, no eixo imaginário diagonal, com o cartaz de lançamento, pelo jornal FSP, de uma coleção oficial de bottons do filme “Harry Potter e o Cálice de Fogo”.
3.3.2. O Eu de O Estado de S. Paulo e a construção metonímica 3.3.2.1. Edição de 22 de dezembro de 2000
Estatuto dos dados: destaque de capa, logo abaixo do conjunto do nome do jornal
Na capa do jornal desse dia, o enunciador divide o espaço a ser ocupado pela mancha gráfica em cinco colunas (o normal seriam seis colunas). Nessas colunas, distribui o material verbal, que é abundante, em blocos que se aproximam da forma quadrática, mais ou menos regulares no tamanho, evitando a verticalidade acentuada. Ela só aparecerá mais pronunciadamente no lado esquerdo, nas áreas destinadas à chamada dos editoriais (Notas e Informações), tempo e cotações, índice e anúncio do jornal, ao lado de uma chamada de cultura, com foto pequena.
A maioria dos blocos com notícias do dia traz um título de três linhas cada, com verbo explícito. A própria manchete do jornal é de três linhas, com um olho e capitular na primeira letra do lide. O texto é sobre a queda dos juros. Dessa forma, o enunciador investe valor no que considera mais importante para o enunciatário, projetando o simulacro do leitor como quem acompanha notícias sobre política de juros e, provavelmente, desfruta de maior competência cognitiva, maior poder aquisitivo, posição melhor na sociedade.