3. Forskningsdesign
3.1 Vitenskapsteoretiske perspektiver
memorialistas locais, como Resende (1969) e Costa (1977), ao empenho do sucessor do Major no comando político da cidade: seu filho José Vieira de Resende e Silva, o primeiro presidente da Câmara Municipal de Cataguases.
Por um lado o surgimento da figura do Coronel Vieira no cenário político local revela a manutenção do poder da família. Entretanto, por outro, seu empenho em conquistar a autonomia administrativa para o município, bem como, a conexão com o Rio de Janeiro pela ferrovia, criaria os primeiros poros na antiga célula mater, fechada em vínculos parentais e nas relações de poder que mantinham na cidade. Isso porque a ferrovia facilitaria as trocas, principalmente no campo cultural, com a capital federal. Já a municipalização, além de ligar Cataguases ao Governo da Província, sediado em Ouro Preto, demandaria pessoal para ocupar os cargos públicos.
A junção das peças: um município recém-reconhecido e com uma máquina administrativa em formação; uma economia próspera movida pela produção
9.Estação ferroviária de Cataguases.
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cafeeira; e a conexão com o Rio de Janeiro pelos trilhos da Leopoldina, foram as principais condições que favoreceram outra das mudanças socioculturais detectadas no contexto de Cataguases: a participação maciça de estrangeiros na sua estrutura social, econômica e cultural.
Tinha outros italianos, lá. O avô do Chiquito aqui, da casa de couro. Tinha os Milane, tudo italiano. Mas foi contado a história só dos italianos que vieram pra Colônia Major Vieira. Não eram só portugueses, não. Ali onde fizeram a igrejinha, aquele lote pertencia ao meu avô. Ele teve três lotes lá, o livro conta direitinho.
Manoel Ventureli, operário têxtil aposentado.
Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases, vol. IV, 2012, p. 226.
Sobre os imigrantes, dentre os primeiros a chegar, estavam os italianos Zunno, Talarico, Spina, Alliano e Ciribelli, por volta de 1870. Segundo registros de Joana Capela e Nilza Cantoni (2011), dezenas de outras famílias, seguindo o fluxo da imigração, tiveram Cataguases como destino entre o final do século XIX e início do século XX. Fato que levou à fundação da Colônia Major Vieira pelo Decreto Estadual n° 3.207, de 1° de julho de 1911.
A Colônia Major Vieira [10] era uma espécie de colônia agrícola, cujos lotes com dimensão aproximada de cinco alqueires, foram vendidos pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Neles, as famílias se dedicavam às lavouras de café, milho, feijão, arroz, amendoim, fumo, algodão e cana de açúcar. Produção que se destinava tanto ao sustento dos grupos quanto à geração de renda necessária para pagamento do lote. Até 1918, sua população era composta por 109 famílias, somando ao todo 532 pessoas: 266 italianos, 246 brasileiros, 6 portugueses, 3 alemães e 11 espanhóis. (CAPELA & CANTONI, 2011)
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Além dos fatos intrínsecos à história local, a chegada do considerável contingente de estrangeiros na cidade deveu-se também a eventos externos como a Revolta da Armada, movimento contra o governo do marechal Floriano Peixoto, iniciada na capital da República, em 6 de setembro de 1893. Em decorrência dos confrontos, partes do Rio de Janeiro foram bombardeadas. Ação que causou pânico e deslocamentos maciços da população para os subúrbios e outras cidades próximas (CARVALHO, 1987, p.22). Segundo Enrique de Resende, Cataguases foi um dos destinos das pessoas e famílias, entre estrangeiros e fluminenses, que fugiam do Rio em busca de segurança:
Foi nessa ocasião, e em consequência da revolta de 93, que vieram ter a Cataguases, entre outras pessoas de destaque, Osório Duque Estrada e vários membros da família do Almirante Luís Filipe de Saldanha da Gama, perseguidos por Floriano. (RESENDE, 1969, p.59)
A presença dos estrangeiros em Cataguases nos ajuda a esclarecer a velocidade de algumas das mudanças ocorridas e, sobretudo, a chegada de algumas novidades ao interior mineiro. Tiveram, por exemplo, os imigrantes que trabalhavam com fotografia, como Alberto Landoes, Gallotti Serra, Ianini e Pedro Comello; os comerciantes Antero Ribeiro, José dos Santos Junior, Juvenal Viana e Manoel da Silva Rama; os jornaleiros como os irmãos Armando e Giovanni Leone; Augusto Rousseau e Gaetano Mauro, engenheiros; Benoit, padre; Edie Dalforne, músico; Eva Comello, atriz; os irmãos Hélio e Serafim Lourenço, dentista e advogado,
10. Notícia sobre a fundação da Colônia Major Vieira. Jornal Cataguazes, 09/07/1911.
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respectivamente; João Batista da Silva Aral, construtor, responsável pela execução da ponte metálica de Cataguases; João Ciodaro, músico; João Duarte Ferreira, banqueiro e comerciante; Jorge Guglisnk, médico; José Schettini, comerciante e líder operário; Lucio Ciribelli Alves, cantor; Manuel Ignácio Peixoto, comerciante e industrial; Osvaldo Abritta, professor e poeta do Movimento Verde; Paschoal Ciodaro, mecânico e músico; e os que ocuparam cargos públicos como Inocente Ghidine, Giacomo Grazioli, Luigi Barccaro, Angelo Bellini, Pasquale Ruffato, Angelo Migliorini, Santo Dallforno, Angelo Dalforno e Paolo Bedendo, contratados pela Câmara Municipal. Além dos vários portugueses que se dedicaram ao comércio e atividades industriais20.
Todo dia 5 de outubro tinham festas portuguesas. A festa dos portugueses era memorável, porque os portugueses aqui eram os maiorais, não é? Era o João Duarte, Felipe... e abriram até a fábrica de tecidos também. Eram brasileiros, mas depois eles passaram (a fábrica) pra portugueses que é o Manoel Peixoto, velho.
Oswaldo Barroso, comerciante.
Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases, vol. I, 1988, p. 92.
De Cairo viemos como imigrantes: eu, mamãe, papai e um irmãozinho. Então fomos para a Colônia Major Vieira. Já tinha um lote lá destinado [...] Os conterrâneos, os italianos... se tornaram logo amigos. Por sinal, Schettini foi a primeira família que veio nos receber, quando nós chegamos. Quando desembarcamos paramos na casa do Senhor José Schettini. A senhora dele era a Dona Mariquinha...
Eva Comello, fotógrafa e atriz.
Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases, vol. I, 1988, p. 101.
Tinha muito português, tinha italiano, espanhóis... mas português era mais.Gostava muito dos estrangeiros pra trabalhar. Porque português vinha pro Brasil só pra ganhar dinheiro, né. Chegava aqui, dava duro pra não perder o emprego! Eles davam preferência à Estrada de Ferro. Os portugueses até já vinha com lugar arranjado na Estrada de Ferro. Tinha o Joaquim Peixoto Ramos, o Joaquim Carvalho, o João Duarte Ferreira, que era o chefão grande comprador de café.
Teodorico Teixeira Cardoso, ferroviário.
Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases, vol. III, 1996, p. 126.
20Dados levantados no trabalho do memorialista Levy Simões da Costa (1977), nos depoimentos constantes nos quatro