4. Refleksjon over kunstnerisk praksis
4.7 Utfordringer
O Cineteatro Recreio foi o palco das aventuras cinematográficas de Humberto Mauro. A partir dele foi possível relacionar Mauro, Comello, o cinema e Cataguases. Situação análoga envolve o Ginásio de Cataguases [67] e o grupo Verde. Guilhermino César menciona o ambiente estudantil como um dos motivadores do fenômeno literário ocorrido paralelamente ao ciclo cinematográfico:
67.Antigo Ginásio de Cataguases. (COSTA, 1977, p. 70)
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...mas surgiu o fenômeno Cataguases, o fenômeno literário em Cataguases. Era o que eu achava, pois era um negócio esquisito um fenômeno literário em uma cidade tão pequena. Surge em 1927, por efeito de um ginásio muito bem estruturado, onde se aprendia realmente alguma coisa; por efeito de uma boa casa de espetáculos, onde realmente se podia projetar filmes; por efeito dos jornais do Rio de Janeiro, que chegavam lá todos os dias às 17:05 da tarde pela estrada de ferro Leopoldina...(CÉSAR, 1978, p.65)
Por esse ambiente começaremos a descortinar o fenômeno Verde, assumindo o Ginásio como elo entre a cidade, a literatura e o grupo da vanguarda literária [68].
A ideia de fundar um estabelecimento de ensino secundário em Cataguases foi cogitada pela primeira vez em 1898, como mostra a Lei n° 86 de 15 de outubro daquele ano, promulgada pelo Agente-Executivo Municipal Antônio Cavalcanti Sobral:
68.Propaganda do Ginásio de Cataguases veiculado nas páginas da Revista Verde. Revista Verde, set. 1927 – Edição fac-similada de 1972.
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Art. 1° - Com o título de Ginásio de Cataguases será criado e mantido pela Câmara Municipal desta cidade, um estabelecimento de instrução secundária, modelados pelos estabelecimentos congêneres, custeados pelo governo do Estado. (COSTA, 1977, p. 69)
Essa foi a intenção dos dirigentes da cidade e das camadas mais cultas, como menciona Costa (1977, p. 69). Entretanto, por motivos financeiros, o poder público não teve como arcar com o custo do investimento. Cerca de uma década depois, a ideia foi retomada e financiada por um grupo de comerciantes locais, tendo à frente os portugueses Manuel Ignácio Peixoto e João Duarte Ferreira. Fato noticiado pelo jornal Cataguazes:
Temos informações positivas e seguras de que um grupo de capitalistas e comerciantes da nossa praça, a cuja frente se acham os Srs. Manoel Ignácio Peixoto, João Duarte Ferreira e Antônio Henriques Felipe está organizando uma associação para o elevado e profícuo fim de fundar nesta cidade um Ginásio e uma Escola Normal. (JORNAL CATAGUAZES, 17/10/1909)
Em 31 de março de 1910 foram inaugurados o Ginásio e a Escola Normal, nas chácaras Granjaria e Drummond respectivamente; o que, para Costa (1977, p.70) representou “a vontade de elevação do nível cultural em igualdade de condições
com o desenvolvimento econômico”.
Entre 1911 e 1913, o ginásio esteve filiado ao Colégio Americano Granbery de Juiz de Fora. Nesse curto período, o ensino seguiu a prática educativa metodista que estimulava a criação de grêmios literários como uma espécie de laboratório prático de aprendizagem de expressão verbal, oratória e de interpretação artística59. No começo de 1914 o vínculo passou a ser com o Ginásio São José de Ubá, até 1917, quando foi adquirido pelo professor Antônio Amaro Martins da Costa. Em 1927, foi elevado à categoria municipal sob a denominação de Ginásio Municipal de Cataguases. (COSTA, 1977)
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Histórico do Instituto Metodista Granbery de Juiz Fora. Disponível em: http://www.granbery.edu.br. Acessado em: 07 de abr. de 2014.
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Com a mudança em 1914 a orientação metodista foi substituída pelo modelo de ensino difundido pelo Ginásio Nacional do Rio de Janeiro (antigo Colégio Pedro II). O curso secundário padronizado pelo Ginásio Nacional matinha as características do ensino francês que objetivava a preparação da elite para o ingresso nos cursos superiores. O currículo seguia o tipo enciclopédico, onde os estudos clássicos e literários predominavam. (GONÇALVES, 2005; HAIDAR, 1972).
Guilhermino César, estudante do Ginásio de Cataguases no período ainda de primeira República, comenta que o ensino literário percorria da tragédia clássica francesa de Racine aos modernistas brasileiros:
Um Ginásio com 80 alunos, mas com uns 20 professores de primeira categoria que obrigavam a gente a decorar o texto clássico, a traduzir Racine com 11 anos de idade e, sobretudo, ensinavam a gente a escrever a língua portuguesa. Nos jornais, que nós líamos todos – porque a cidade dava tempo para isso -, estava o país onde desencavaram o Modernismo de uma maneira impiedosa, fazendo caricatura mais engraçada que conheço acerca do que chamavam o futurismo [...] Os jornais daquela época publicavam mais literatura que hoje. Lá estava, por exemplo, Ronald de Carvalho, e colaboravam Prudente de Moraes Neto, Ribeiro Couto, Graça Aranha, Rodrigo de Melo Franco, Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault, tutti quanti... A Gazeta de Notícias tinha os rodapés literários de Agripino Grieco; e n’O Jornal, o famoso rodapé que saía aos domingos de Tristão de Athayde. E nós de Cataguases líamos tudo por uma razão muito simples: o nosso ginásio era obrigatória a leitura de jornais. Aos domingos, a gente era obrigado a ir ao ginásio para assinar ponto. Isso significava ler, declamar uma poesia, apresentar uma pequena crítica literária. Abençoados mestres que tiveram a iniciativa, naquele ano, de tornar o ginásio uma coisa viva, e não um arquivo de jovens. Os nossos professores levavam livros do dia, mostravam para a gente as capas das revistas: Já leram esse artigo? Não, o senhor não leu? Vai ler e resume na próxima vez. Quer dizer então que tínhamos uma vida literária intensa, tanto que no ginásio havia uma coisa chamada Grêmio Literário Machado de Assis. Quem não pertencia a ele não tinha status e não arranjava namorada. E não tinha as graças do diretor, porque ele dizia assim: aluno que não vai ao grêmio literário, pra mim não é aluno. (CÉSAR, 1978, p. 64-68)
Do ginásio, Guilhermino César destaca a figura do professor Francisco Cleto Toscano Barreto e a de Joãos Luís de Almeida, filho de um rico e influente fazendeiro da região, que estudava no Rio de Janeiro e semanalmente ia a Cataguases levando as