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3. Forskningsdesign

3.3 Forskningsmetoder

atividades políticas. Os estudantes que, no Brasil, vinham da elite da sociedade, do patriciado rural ou da burguesia em ascensão, dirigiam-se às aulas e aos ginásios, e daí às escolas das profissões liberais, e especialmente às faculdades de Direito (SODRÉ, 1988).

As contundentes reformulações na forma de governo, pelas quais passava o Brasil do século XIX, levaria a classe dominante a tentar se reorganizar para manter o domínio sobre o Estado. A recomposição das estruturas de poder, como cita Florestan Fernandes, ocorreu, sobretudo, devido ao fortalecimento da burguesia brasileira. Seus representantes eram figuras ligadas às atividades comerciais em desenvolvimento e que encontraram na atividade intelectual, condições de ascensão social, de classificação, que lhes eram negadas em outros campos:

A situação brasileira do fim do Império e do começo da República, por exemplo, contém somente os germes dessas mudanças. O que muitos autores chamam, com extrema impropriedade de crise do poder oligárquico não é propriamente dito um colapso, mas o início de uma transição que inaugura, ainda sob a hegemonia da oligarquia, uma recomposição das estruturas de poder, pela qual se configurariam, historicamente, o poder burguês e a dominação burguesa. Essa recomposição marca o início da modernidade no Brasil, e praticamente separa a era senhorial (ou do antigo regime) da era burguesa (ou a sociedade de classes). (FERNANDES, 1976, p. 203)

Naturalmente, tal intenção demandava membros a altura para ocupar cargos públicos e as novas demandas no campo das profissões liberais. Daí a iniciativa da criação e estruturação dos cursos jurídicos. Para Antônio Carlos Wolkmer a formação dos juristas no Brasil teve no Império a função de organizar um Estado Nacional e na República a de manter estática a situação do país. Em ambos os períodos, as academias aqui implantadas objetivavam formar uma elite política coerente, disciplinada e obediente aos interesses estatais:

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A implantação dos dois primeiros cursos de Direito no Brasil, em 1827, um em São Paulo e outro em Recife (transferido de Olinda em 1854) refletiu a exigência de uma elite, sucessora da dominação colonizadora, que buscava concretizar a independência político-cultural, recompondo, ideologicamente, a estrutura de poder e preparando nova camada burocrático-administrativa, setor que assumiria a responsabilidade de gerenciar o país. (WOLKMER, 2000, p.80)

Sérgio França Adorno de Abreu (1988), ao analisar a relação entre poder político, elite brasileira na República Velha e ensino jurídico, constatou que os coronéis, chefes políticos de muitas cidades brasileiras na época, ao perceberem que com um filho bacharel possuíam um valioso instrumento em favor de seus interesses políticos e de domínio territorial, induziram os filhos a se matricularem nas faculdades de Direito.

Outra hipótese que nos remete novamente a Cataguases e aos campos e jogos de poder cultural e político. Dados levantados na Revista do Arquivo Público Mineiro (s. d.) nos mostraram que, da descendência política do Vieira Rezende, Afonso Henrique Vieira Rezende, Astolfo Dutra Nicácio, Astolfo Vieira de Rezende e Silva estudaram humanidades no Colégio do Caraça e Direito em São Paulo, formando-se em 1886, 1888 e 1891 respectivamente23. Já Tito Vieira de Rezende, filho de Artur Vieira de Rezende e Silva e Pedro Dutra Nicácio formaram-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Além dos Vieira Rezende, outros filhos de nobres de Cataguases passaram pelas faculdades listadas no Quadro 11:

23Informações obtidas na lista dos egressos da Faculdade de Direito de São Paulo constante no sítio eletrônico da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito de São Paulo. Disponível em: <http://www.arcadas.org.br>. Acessado em: mai.

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FACULDADE CIDADE ESTADO

Faculdade Livre de Direito Belo Horizonte Minas Gerais  Faculdade de Direito São Paulo São Paulo  Faculdade Nacional de Direito Rio de Janeiro Rio de Janeiro  Faculdade de Direito Niterói Rio de Janeiro  Escola de Farmácia Ouro Preto Minas Gerais  Escola de Minas Ouro Preto Minas Gerais  Escola Politécnica Rio de Janeiro Rio de Janeiro  Faculdade Nacional de Medicina Rio de Janeiro Rio de Janeiro  Escola de Engenharia Juiz de Fora Minas Gerais  Escola de Farmácia Belo Horizonte Minas Gerais  Técnico em Indústria Têxtil Londres

Por essa listagem percebemos que os jovens burgueses de Cataguases, provavelmente, passaram períodos prolongados em diferentes cidades do Brasil, como em Londres.

Para Bourdieu, o ensino escolar é responsável por parte da introdução de valores e normas que direcionam as ações dos indivíduos ou grupos, determinando seu

habitus24. A escola tende a assumir uma função de integração lógica a partir do

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O habitus é um dos conceitos mais debatidos por Bourdieu. Nas suas obras deparamos com uma infinidade de definições e abordagens de tal conceito. Bourdieu entende que cada indivíduo possui uma história particular, possui um conjunto de referenciais que direcionam seus desejos, suas emoções, suas motivações, formando assim identidades individuais e de grupo. O sentimento de pertencimento de um sujeito a uma cultura é fruto, portanto, da vivência no cerne dos valores, das normas, das tradições e dos costumes que o rodeiam. A relação do sujeito com esses valores é o que legitima seu pertencimento em determinado grupo e é o que cria uma espécie de predisposição a fazerem suas escolhas, o que Bourdieu chama de habitus. Através da análise do habitus é possível, segundo o sociólogo, gerar uma matriz cultural composta por relações de afinidade, entre comportamentos dos agentes e as estruturas e condicionantes sociais.

QUADRO 11 – Faculdades onde estudaram alguns membros de famílias burguesas de Cataguases.

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momento em que trabalha com um programa homogêneo de percepção, de pensamento e de ação. Os indivíduos formados, então, em determinada escola, em determinada disciplina, tendem a partilhar certo espírito ou gosto comum:

[...] tendo sido moldados segundo o mesmo modelo (pattern), os espíritos assim modelados (patterned) encontram-se predispostos a manter com seus pares uma relação de cumplicidade e comunicação imediatas [...] O que indivíduos devem à escola é, sobretudo, um repertório de lugares-comuns, mas também com terrenos de encontros comuns, problemas comuns e maneiras comuns de abordar problemas comuns. (BOURDEU, 2011a, p.206-207)

De acordo com essa visão, podemos considerar que o gosto ou as reinvindicações culturais da elite de Cataguases se nivelava ao do escol que vivia em importantes cidades brasileiras. O que alcança relevância se considerarmos que ao estudarem nessas importantes cidades, permaneceram nelas por certo período. Períodos que, segundo dados levantados, se alojam entre os anos de 1880 e 1930. Justamente quando o Rio de Janeiro e São Paulo passavam por importantes reformulações tanto no campo das ideias quanto na urbanidade, com aberturas de grandes avenidas, construções de teatros e cinemas, estruturação das atividades industriais e comerciais, assim como reestruturações na distribuição e nos tipos de habitações. Além dos que viveram em Belo Horizonte e viram nascer a capital e os edifícios projetados nos moldes do que se tinha de moderno para época: o urbanismo haussmaniano e a arquitetura eclética. Como filhos da aristocracia cafeeira da Mata, há de se supor que puderam frequentar as confeitarias, os teatros, os cinemas e exposições de arte. Mais do que a formação acadêmica, puderam vivenciar o cotidiano e as práticas da modernidade que impregnava essas capitais. O que se via nessas cidades era o gosto e modo de vida afrancesado. Ofélia Resende deixa indícios claros que a apropriação do modelo oficial francês chegara a Cataguases na educação, no domínio da língua, nos móveis importados da França que decoravam a Fazenda do Rochedo, uma das propriedades dos Vieira Rezende. Culturalmente, a cidade se posicionava no avant-garde, como outros centros do país.

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