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2. Teaterfaglig teori

2.3 Eugenio Barba og Odin Teatret

nosso nível mediador ou intermediário. Foi o momento de imersão, de levantamentos sobre a cidade. Na busca pelas origens de Cataguases muito nos valemos dos escritos dos memorialistas locais. Entendo que, assim como o historiador, os memorialistas também deixam indicações do lugar social convertendo-se em riquíssimas pesquisas sobre a memória local. Sobretudo, se considerarmos que tal produção legou à historiografia regional um vasto referencial de dados, sendo, em alguns casos, a única fonte de informações existente.

Nessa frente, o livro Cataguases centenária: dados para sua história (1977), de Levy Simões da Costa, foi de grande importância, assim como, Pequena história

sentimental de Cataguases (1969), do membro do grupo Verde Enrique de Resende,

e O município de Cataguazes, de Artur Vieira de Resende e Silva (1908). Além do levantamento bibliográfico, a consulta em fontes primárias como jornais, leis e materiais iconográficos, percorreu os acervos do Departamento de Patrimônio

Histórico e Artístico da Prefeitura Municipal de Cataguases – DEMPHAC, do Museu

da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina e do Arquivo Público Mineiro. Na construção do nível global a referência utilizada foi História do Brasil (2009 [1994]) de Boris Fausto. Livros como Arte, privilégio e distinção (1989), de José Carlos Durand; A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica (1975), de Florestan Fernandes e Síntese de história da cultura brasileira (1970) e

Capitalismo e revolução burguesa no Brasil (1990), de Nelson Werneck Sodré foram

os principais referenciais bibliográficos.

Por fim, o nível privado buscou apurar os impactos das modernidades aos olhos dos moradores de Cataguases. Como dado foram utilizados os depoimentos presentes nos três volumes Memória e Patrimônio Cultural14

. O conteúdo das publicações revela a história local, contada pelos seus próprios sujeitos, através de depoimentos que registram vida e lembranças de pessoas que vivenciaram a produção do espaço sociocultural da cidade. A história oral ou espaços da memória como denomina

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Apesar de se trata oficialmente de fonte secundária, é o único registro que imprime a percepção dos moradores locais sobre o fenômeno lá ocorrido.Dos depoimentos foi possível extrair a opinião dos moradores sobre o cinema, sobre a literatura e, principalmente, sobre as demolições e a construções de novos edifícios na década de 1940.

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Ecléa Bosi (1987, p. 55), permitiram construir, paralelamente à história oficial, o cotidiano da cidade através das impressões e relações afetivas dos atores que a fizeram.

A conexão entre os três níveis foi estabelecida através dos temas aqui abordados, com ênfase no cinema, na literatura e na arquitetura [QUADRO 3]. Buscou-se evidenciar as produções, os principais agentes envolvidos e as ideias veiculadas. Cada tema demandou levantamentos específicos que devem ser mencionados.

Do cinema foram arrolados os seis filmes de Humberto Mauro que compõem o Ciclo de Cataguases. Apenas três deles possuem cópia no acervo de matrizes do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) no Rio de Janeiro: Thesouro Perdido (1927),

Braza Dormida (1928) e Sangue Mineiro (1929). Ideias, cenários, modos e

comportamentos puderam ser analisados nesses três longas-metragens. Assim como os envolvidos na produção, direção, fotografia, roteiro e elenco: Humberto Mauro e Pedro Comello – diretores; Eva Comello (ou Eva Nil) – atriz; Agenor Cortes Barros e Homero Cortes Domingues – financiadores; Adhemar Gonzaga e Pedro Lima da revista Cinearte, responsáveis por fazer a ponte entre Cataguases e o Rio de Janeiro. Como suporte bibliográfico foi utilizado Humberto Mauro, Cataguases,

QUADRO 3 . Metodologia: conectando os níveis. Elaborado pelo autor.

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Cinearte (1977), de Paulo Emílio Salles Gomes, Humberto Mauro e as imagens do Brasil (2004), de Sheila Schvarzman, Kiryrí rendauá toribocá opé: Humberto Mauro revisto por Ronaldo Werneck (2009), de Ronaldo Werneck, Cinema e identidade nacional no Brasil 1898-1969 (2009), de Maurício Gonçalves [QUADRO 5].

Da literatura foram vistas as seis edições da revista Verde e, por elas, listados os demais autores que escreveram para a revista ou a ilustraram: Abgar Renault, Alceu Amoroso Lima, Augusto Frederico Schmidt, Blaise Cendrars, Carlos Drummond de Andrade, Edmundo Lys, Emílio Moura, Graça Aranha, Guillermo de Torre, João Alphonsus, Jorge de Lima, Jorge Luís Borges, José Américo de Almeida, Mário de Andrade, Marques Rebelo, Murilo Mendes, Norah Borges, Oswald de Andrade, Paulo Prado, Pedro Nava, Ribeiro Couto e Sérgio Milliet. Nomes que evidenciam o vínculo do grupo Verde com os modernistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Buenos Aires, Espanha e Paris. E, claramente, os aspectos ideológicos veiculados pela revista. Como suporte bibliográfico podemos citar

História concisa da literatura brasileira (2006), de Alfredo Bosi, além de textos como O movimento modernista (1942), de Mário de Andrade, e de outros presentes na Klaxon e em A Revista [QUADRO 6].

Da arquitetura, a pesquisa se debruçou sobre as transformações morfológicas dos espaços da cidade no período iniciado no último quartel do século XIX até a década de 60. Os momentos ou transformações foram verificados in loco a partir do levantamento dos edifícios ainda existentes; de projetos15, jornais e fotografias pertencentes ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico de Cataguases (DEMPHAC); de projetos e materiais iconográficos de acervos particulares; de periódicos e livros especializados [QUADRO 7].

As informações obtidas foram inseridas nos eixos espaço-tempo. O alinhamento horizontal dos dados permitiu visualizar tanto o desenrolar da história quanto a interdependência entre os acontecimentos. Cortes verticais permitiram correlacionar os diferentes níveis [QUADRO 4].

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Mais do que o inventário e discussão de obras que, insisto, recairia no já feito em outros trabalhos, a discussão aqui proposta dedicou-se à elucidar as imbricadas relações sociais e o reflexo delas no espaço urbano de Cataguases. A cidade e as vanguardas foram debatidas como parte de um processo com as desestruturações e reestruturações que se sucederam no tempo e no espaço.

Foi, justamente, o reconhecimento de continuidades e descontinuidades no percurso histórico que nos levou a perceber que a inserção do modernismo carioca foi apenas mais uma peça de um jogo maior que envolveu grupos familiares e demais segmentos sociais, como o operariado e os imigrantes; estratégias culturais, políticas e econômicas; e as produções cinematográfica e literária. Peças que delinearam a estrutura dessa tese [QUADRO 8].

Os quatro capítulos que compõem o trabalho apresentam-se como dois grupos com estruturas homólogas: Capítulos 1 e 4; Capítulos 2 e 3.

Nos Capítulo 1 e Capítulo 4 abordamos os principais grupos que compuseram a estrutura social de Cataguases no período aqui estudado. Nele, dois clãs familiais – os Vieira Rezende e os Peixoto – exerceram a liderança política da cidade. Assim como foram os grupos que mais influenciaram o desenvolvimento local. A dinâmica

QUADRO 8. Síntese e correlação entre temas e níveis: estrutura da tese. Elaborado pelo autor.

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