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Videregående: et valg preget av identitet og hierarki

Kapittel 5.0 Empiriske funn

5.3 Videregående: et valg preget av identitet og hierarki

Uma empresa pode atuar num mercado no exterior através do comércio, do licenciamento ou do IDE. A escolha entre uma dessas formas de atuação não é excludente, mas varia de acordo com o setor de atividade, com o país e ao longo do tempo, seja em função do crescimento da empresa, seja das oportunidades de internacionalização que a empresa se defronta, como custos de transporte e as instituições que definem e condicionam a operação desse tipo de empresa num determinado país e entre países.

A relação entre comércio internacional e o IDE se expressa na natureza do IDE. Se no comércio internacional as transações podem ser de insumos ou de produtos finais, o mesmo ocorre com o IDE e assim podemos classificar o IDE entre vertical e horizontal. No primeiro caso, temos uma empresa que aloca entre diversas unidades de produção determinados estágios de produção. No caso do IDE horizontal, temos uma empresa que produz o mesmo tipo de produto em suas diversas unidades de produção.

Na prática, essa distinção não é clara e é comum que se observe EMNs cujo IDE seja um hibrido vertical-horizontal que, nos relatórios sobre IDE da UNCTAD, recebeu o nome de Estratégia Complexa. Essa estratégia se manifesta no grande volume de comércio internacional intra-firmas. Seja por falta de dados ou a inadequação destes, é razoável dizer que a real dimensão do IDE complexo seja subestimada, assim como a do IDE vertical. A evidência apontada por Feinberg e Keane (2006) que, entre EMN norte-americanas com filiais no Canadá, 12% das firmas se enquadram como IDE horizontal puro, apresentam um volume de comércio intra-firma desprezível; 19% como IDE vertical, apresentando um fluxo de comércio intra-firma de insumos em uma única direção, e os 69% restantes seriam de IDE complexo.

Caves (1996) aponta para um quarto tipo de IDE que não é nem horizontal nem vertical, ou seja, uma firma que opera internacionalmente de forma diversificada em ramos de atividade bastante distintos. Pode-se aventar a natureza desse tipo de IDE como um fluxo internacional de capital, compartilhando a lógica financeira da busca de diferenciais de rendimentos e a pulverização de riscos. Porém, afirmar que o IDE diversificado é pouco expressivo, como Caves aponta, depende da definição do que se entende por IDE. A noção de controle é central nessa definição, mas esta também depende de critérios que definem o que é controle. Definir como controle a posse de mais de 10% capital social de uma firma – padrão nas estatísticas oficiais da UNCTAD ou do BACEN – significa que uma parcela dos investimentos no mercado acionário feitas por estrangeiras simplesmente não são computados como IDE. Por outro lado, o crescimento nas últimas décadas dos fundos soberanos aponta para o crescimento desse tipo de IDE visando obter hegde para os termos de troca ou obter acesso a mercados tidos como estratégicos para o desenvolvimento futuro do país controlador desse fundo. O crescimento em importância desse tipo de IDE está condicionado à manutenção e expansão do desequilíbrio global em conta corrente, ou seja, grandes déficits em conta corrente em alguns países vis-à-vis grandes superávits em outros.

A característica comum aos três principais tipos de IDE (horizontal, vertical e complexo) é a associação desses com indústrias marcadas por estruturas de mercado onde prevalece a competição imperfeita. Segundo Caves (1996) a diferenciação do produto e a presença de ativos proprietários (marcas, processos técnicos ou conhecimentos tácitos) é uma característica do IDE horizontal. No caso do IDE vertical prevalece a motivação de reduzir incertezas na cadeia produtiva e a formação de barreiras a entrada de outras firmas.

Essas motivações geram uma diferença importante entre o IDE horizontal e o vertical. No primeiro, o conteúdo tecnológico tende a ser maior e com maior potencial de externatilidades para a economia receptora desse tipo de investimento. No caso do IDE vertical, o conteúdo tecnológico tenderia a ser menor e fragmentado.

Do ponto de vista dos países em desenvolvimento, uma questão importante é se o IDE pode ser benéfico ao desenvolvimento ou desfavorável. Contudo, como Markusen e Venables (1999) frisam, esse julgamento pressupõe a possibilidade de que o IDE crie ou interaja com distorções na economia receptora associadas a: (i) externalidades tecnológicas, sejam elas na forma de transbordamentos de conhecimento ou de efeito demonstração; (ii) interação com distorções na economia, como sistema tributário, imperfeições no mercado de trabalho ou tarifas protecionistas; (iii) mudanças estruturais em setores oligopolizados que afetam outros setores acima ou abaixo na cadeia produtiva. O item (i) é visto como benefício ao passo que o item (ii) tende a ser visto como um custo em termos de bem-estar da economia como um todo. Já o item (iii) é controverso, ainda que Markusen e Venables (1999) tenham procurado demonstrar que o IDE vertical pode ser um catalisador do desenvolvimento industrial, os efeitos, como reconhecido pelos autores, estão longe de serem completamente explorados. No modelo apresentado por Helpman (2006) as vantagens comparativas são expressas num contínuo de firmas diferenciadas em termos de produtividade no que seria uma versão estática do modelo de Melitz. A heterogeneidade das firmas implica uma estrutura de mercado de competição monopolística e, além disso, a produção, exportação e IDE são caracterizados em termos de custos fixos para operar localmente ( ), exportar ( ) e operar novas plantas no exterior ( ), dado o custo c dos insumos. Cada firma desconhece sua produtividade antes de entrar em operação e dada uma distribuição de probabilidade da produtividade, , o número de firmas produzindo é dado pela fração de firmas com , tal que o lucro da firma, descontados os custos fixos, é maior ou igual a zero.

A figura 23, abaixo, representa a divisão das firmas segundo produtividade entre produtores domésticos, exportadores e multinacionais para um dado tamanho de mercado, local e externo, e supondo que o custo dos insumos é menor no resto do mundo. Os custos fixos associados a cada uma dessas estratégias, apresentados no eixo vertical, delimita uma

produtividade a partir da qual escopo de atuação da firma transita entre atender o mercado doméstico, exportar ou realizar IDE.

A função lucro das firmas exportadoras, representada na Figura 23, reflete não apenas a diferença de custos fixos, mas a presença de um custo de transporte ( ). A diferença de inclinação da função lucro das firmas que realizam IDE é resultado do trade off entre custos de transporte e diferenças nos custo de fatores entre o mercado doméstico e o externo. Nesses termos, podemos falar do IDE como “etapa superior do comércio exterior” como fazem Campanário, Cruz, Silva e Vietro (2010, p. 18) a luz do respaldo teórico para a evidência empírica de que a produtividade é tanto maior quanto maior a internacionalização da firma.

Figura 23 – IDE horizontal e comércio internacional Fonte: adaptado de Helpman (2006).

Lucro Produtividade Não produz Produção para mercado doméstico Exportação IDE πd πI πx -cfd -cfx -cfI 0 d x I