3. Theory and existing literature
4.2 Variables
uma grife de
periferia.
panhola e em Coimbra. Porque temos um pé na tecnologia america- na, que seriam as condições físicas, porém uma cultura européia, que é nossa educação. É preciso ter uma visão da cultura européia na for- mação humanística. Mas esse negócio de convênio, de intercâmbio, de os alunos de lá virem para cá, é bobagem. Nossos alunos é que querem ir para lá. O que funciona é a ação de intercâmbio entre os próprios professores, e isso nós temos mantido, tanto com a Espanha como com Portugal, nas áreas humana e física, entre outras.
Vimos também que a Uniban tem alguns convênios com Cuba. Por que esse contato com Cuba?
Quando ocorreu o problema do Leste europeu, pensei evi- dentemente que todos os cubanos que estudavam lá e que estavam com boas condições intelectuais voltariam para Cuba. Daí pensei:“Bom, Cuba, agora, é um ninho de intelectuais, de acadêmicos e pesquisa- dores, de pessoas que podem trazer conhecimento que nós não temos no Brasil. Vou para lá investigar.” O Brasil, tendo o Fernando Henrique com um pezinho na esquerda, com bom relacionamento com Cuba, poderia, a meu ver, beneficiar-se disso. Num contato com o próprio governo Fernando Henrique, acabamos conhecendo, aqui, uma pessoa que fazia contatos com as universidades em Cuba. Fui para lá umas quatro vezes, fiquei em Havana, e fui ver todas as universidades. Vi a miséria física absoluta, com bons cérebros e boa capacidade. Pensei: “Puxa, um sujeito estudou na Hungria durante 20 anos, fez pesquisa dessa natureza; outro estudou na Rússia tanto tempo; o outro estu- dou na Alemanha Oriental, tem pós-doutorado… Vou levá-los para o Brasil.” Aí as dificuldades começaram, porque o governo de lá não deixa eles saírem, somente com acordos; é uma burocracia plena, em que todo mundo trabalha para o governo. Conseguimos fazer alguns convênios diretamente com as universidades e chegamos a trazer 17 ou 20 professores de lá, com a condição de estarem ganhando, na época, dois mil dólares. Não podiam trazer a família e só poderiam ficar pelo período de um ano, renovável por mais um. Só que eles vinham para cá e se deparavam com alguns problemas. Nós tínhamos mais recursos tecnológicos e não havia entendimento entre os nossos dou-
tores e os doutores que vinham de lá. Os que estavam comigo, criando projetos, eram doutores da Unicamp e da USP — porque em São Paulo você não tem outros. Todas as teses defendidas por uns, os ou- tros eram contrários. Não havia ligação. Enfrentei discussões aqui com a defesa de teses altamente diferentes. Por exemplo: suturas. Os cubanos têm um projeto baseado no fato de que não é preciso mais suturar; basta uma cola com tecnologia própria. Você faz uma cirur- gia de abdome, passa a cola, não precisa fazer costura nenhuma, em dez minutos está resolvido o caso. Trouxeram a metodologia e a quí- mica e fizemos tudo aqui. Mas era altamente condenado pelo grupo nacional. Havia choque de valores, de princípios, de teses etc. E cami- nhos diferentes para se chegar a uma conclusão igual. Não havia como produzir uma metodologia para desenvolvimento dessa pesqui- sa. Fui obrigado a optar por uma. Investi aqui, não deu certo, mandei alguns computadores e softwares para Havana, mas não obtive resul- tado porque isso aqui se supera em 15 dias — aparecem novas verda- des e eles não têm informação de qualquer outro desenvolvimento. Aí fica muito difícil. São bons cérebros mas não se desenvolvem.
Durante uns três anos, por aí, mantivemos os professores: ca- sa, alimentação etc. Os dois mil dólares não iam para a mão deles, eles não recebiam esse dinheiro. Eles, na verdade, ficavam com o salário de 200 dólares. Os US$ 1.800 que sobravam iam para o escritório dentro do consulado deles, que enviava para a universidade de lá e para manter as famílias deles lá. Então, não estavam beneficiando a família, e a uni- versidade também não demonstrava para onde ia essa verba. Isso fez com que muitos voltassem e desistissem do negócio.Ficamos ainda com quatro professores que se casaram e continuaram aqui e hoje são re- gistrados como professores nossos, com alta capacidade. Tenho um pesquisador aqui do qual brevemente vocês vão ter notícia, e notícia mundial. É cubano, com tese defendida na Alemanha Oriental, e excep- cional dentro da área de biologia molecular. Acertamos um convênio com a Unicamp, porque alguns equipamentos não temos capacidade de comprar,e a pesquisa também está se realizando com eles,mas toda a tese é desse professor — um dos que ficaram aqui. Mas em Cuba eles têm reserva de domínio, e com razão. Houve um período em que procu-
ramos o vôlei feminino — o vôlei deles é bom. Mas as meninas não são profissionais, então é uma miséria. Fui à casa de duas delas, porque eu queria trazê-las para nós. Meu Deus, dá dó! Uma coisa tão ruim. Falei: “Vou levar essas meninas embora, porque elas vão ganhar um pouco mais e vão poder ajudar a família.” É a ordem: não sai, jamais. Quem tem valor lá não sai. E se sai, a família sofre, tem que fugir.
Acho que o Brasil precisa investir em intelligentsia. Precisamos ter criações, desenvolvimento nosso. Nós pagamos royalties da luz, da lâmpada, da roupa que usamos… E só podemos ser independentes quando tivermos o nosso produto, criado por nós, desenvolvido por nós, vendido para eles. Na área de laboratório, é uma lástima o que o brasileiro paga. Aliás, em todas as áreas: em química, para agricultura… É lamentável o que o Brasil joga de dinheiro fora. Agora o Projeto Ge- noma, bancado pela Fapesp, fez um pouco de sucesso. Mas existem tan- tos cérebros bons que precisariam ser desenvolvidos aqui. Podíamos fazer um convênio com Cuba e trazer gente ótima que ainda está lá, mas há restrições de toda natureza. As universidades não conversam entre si: a mesma pesquisa que estou fazendo aqui pode ser que algu- mas federais estejam fazendo lá — e com Internet e tudo! Há um certo receio na comunicação, porque um pode roubar o projeto do outro… Não existe isso! A universidade não tem desempenhado o seu papel, que tem que ser, primeiro, integrado à própria comunidade. Meu clien- te não é o aluno, meu cliente é a sociedade; tenho de perguntar à socie- dade produtiva do que ela precisa. Hoje estamos com falta de energia. Qual alternativa nós temos, no Brasil, fora as que nós conhecemos? Dê o dinheiro para a universidade, para que ela investigue alternativas de energia — é muito melhor do que construir usinas.
Não existe pesquisa no Brasil. Se um alguém descobre algo, vai patentear fora: porque no Brasil não é reconhecido. É uma infelici- dade, mas é a verdade. A Capes deveria fazer o seguinte: trazer gente nova, todo mundo que tiver qualquer projeto de inovação, seja lá do que for, da cana-de-açúcar, de jacaré, de lagartixa, para o projeto ser analisado e não perdermos as pessoas boas, capazes — porque há muitas. O nosso meio ambiente é mal investigado, e o Brasil não vê isso, sempre muito burocrático e conservador. O sistema de educação