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3. Theory and existing literature

4.3 Summary statistics

Brasil todo,

são diferentes.

Quem tem que

me avaliar é a

comunidade

local, pelo

serviço que

presto: a

indústria e o

comércio da

região na qual

trabalho.

O senhor acha que deveria haver critérios que levassem em conta a situação regional?

Primeiro, os únicos que poderiam me criticar, seriam aqueles para os quais eu presto serviço. Sou um marco histórico na Zona Norte. Recebo prêmios, como da Associação Comercial, do Rotary Clube, sem- pre sou homenageado. Agora vem um sujeito lá do Amapá para julgar o mérito do meu trabalho? Isso é ilógico, irracional. Quando acabou o Conselho Federal, veio um projeto de que suas decisões passariam para a esfera estadual. Houve muita discussão porque o MEC não queria perder esse poder. O Edson Machado de Sousa,10 chefe de gabinete do ministro, dizia que isso não poderia acontecer, pois era lei, estava na LDB, era federal. Então ele acabou fazendo um esqueminha local de um conselhozinho, que virou o Conselho Nacional.11Vocês acom- panham educação, então sabem do que estou falando. É assim que funciona. E isso não é tudo.

Quando você vai ver uma instituição, tem dois critérios para avaliar: as condições físicas e as humanas. Preciso avaliar, como fun- ciona no mundo todo, quais condições físicas você tem para legar ao aluno e quais condições humanas você tem para vender o seu produ- to. De que o aluno precisa? De um bom professor, com condições peda- gógicas sérias, que desenvolva um projeto pedagógico para alcançar seu objetivo, e de condições físicas para atender a esse desenvolvi- mento. O resultado desse aluno na sociedade vai depender do que ele possa vir a obter de sucesso. Esse tal Provão é uma brincadeira. Sabe por quê? O governo concedeu 790 cursos em dois anos, que ele só vai conferir daqui a quatro anos, quando ele não estiver mais no gover- no. Só em São Paulo são, por semana, sete novos cursos. O governo diz: “Vamos verificar a qualidade.” Mas a qualidade é vista depois do fruto dado? Isso aqui não volta lá, para ser adubo. É ser humano. Mas que coisa ridícula! Imagina pegar um ser humano, colocar numa es- cola e depois de cinco anos falar: “Você não presta.” Por que não vai ver primeiro se tem condições? E eles estão dando curso para todo mundo, sem nenhuma condição. Sei que foi criado curso de odonto- logia em São Bernardo do Campo — para a empresa de ônibus de São Bernardo —, que até hoje não tem prédio. Foi criado curso de odonto-

10 Edson Machado de Sousa foi chefe de gabinete do ministro Paulo Renato Souza de 1995 a maio de 2001. 11 Em agosto de 1994, o ministro da Educação Murílio Hingel extin- guiu o Conselho Fede- ral de Educação (CFE), envolvido em várias denúncias de irregula- ridade publicadas no jornal O Estado de

S. Paulo, criando, em

seu gabinete, uma comissão encarregada das atribuições do órgão, tais como autorização para o funcionamento de novos cursos e para a transformação de faculdades em universidades. Já na gestão de Paulo Renato Souza foi criado o Conselho Nacional de Educação (CNE) pela Lei n. 9.131, de 24 de novembro de 1995, instalado em 26 de fevereiro do ano se- guinte. Ver DHBB.

logia em Mauá, o ministro assinou, mas não existe o curso, não existe o prédio, não existe nada. Estão demorando para fazer o vestibular por- que não tem nada. Isso não é educação! E tem dono de padaria, feiran- te abrindo curso… Agora é moda abrir curso superior. Vai lá, paga não sei para quem, acerta não sei com quem, tira o curso. Isso não existe.

Quem está em educação há muitos anos, como eu, fica hor- rorizado com o que aconteceu na gestão Paulo Renato. Agora eles vão falar: “Mas eu não sabia!” Como não sabiam? Eu falei para ele. E ele falou para mim:“Traga por escrito.” Eu vou levar isso que estou falan- do por escrito? Para me condenarem lá dentro? Quase todos os que foram nomeados no segundo e terceiro escalões do MEC eram do grupo de Antônio Carlos Magalhães e foram escolhidos por João Carlos Di Genio.12Como eu vou enfrentar isso? Passei dois anos de crise aqui dentro, com o jornal O Estado de S. Paulo matando a Uniban todo dia. Na comunidade, ela tem credibilidade, não perdemos alunos. Tivemos prejuízo, sim, em instituições novas.

Como assim?

Osasco foi uma polêmica infernal, porque o sr. João Carlos Di Genio não queria que estabelecêssemos uma escola lá. Ele tem uma em Alphaville, não autorizada, e a comunidade de agregação dele é de Osasco, que tem um milhão de habitantes. Fizemos um campus novo, um prédio de 11 mil dólares, que foi um caos no início. Mesmo assim, conseguimos vencer, porque a prefeitura comprou o projeto e a comunidade acreditou na gente. Passaram-se apenas dois anos e estamos com cinco mil alunos lá, porque a comunidade acreditou na Uniban. E o Di Genio tem outro problema: agora inventaram o pedágio, que o aluno tem que pagar para chegar à universidade. Aquela escola vai fechar. Mas ele usurpou… São coisas que vocês vão ler no jornal quando sair minha decisão judicial, daqui a um mês provavelmente. E vou manter uma página no O Estado de S. Paulo, onde vou falar tudo o que disse e mais um pouco. Porque está ruim. E disse isso ao ministro e ao Abílio Baêta Neves,13a quem tenho acesso. E falei para o Edson Ma- chado. Não adiantou nada. Bom, também já está fora. Assim funciona. Evidentemente, eu conheço no Conselho, há muito tempo, o Lauro Zim-

12 João Carlos Di Genio é reitor da Universidade Paulista (Unip) e um dos sócios do Grupo Objetivo, que começou sua atuação com cur- sos de pré-vestibular. 13 Abílio Affonso Baêta

Neves (1949- ) é dou- tor em ciência política e professor da Univer- sidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da qual chegou a ser pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (1988- 1992). Foi presidente da Fundação de Ampa- ro à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul – Fapergs (1987-1990) e secretário de Ensino Superior do MEC (1996- 2000). Em 1995, assumiu a presidên- cia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

mer e o Yugo Okida; do Crub, o José Carlos Almeida da Silva; da USP, a Eu- nice Durham… Sei dos comportamentos de todos e sei dos novos. Os novos não entendem de nada, só esses entendem de tudo, então a câ- mara superior está na mão deles. Nem o Abílio conseguiu mudar. É fe- chado o jogo, então não dá mais para jogar. Mas a imprensa já está dando algumas notícias: matérias na Veja, no JB… Virou moda.

Qual a sua opinião sobre a questão do recredenciamento das universidades? Isso não existe ainda, não tem regulamento. Não é uma preocupação sua, portanto.

Nenhuma. Esqueço. Antes de recredenciar, você tem que ter um PDI, um Plano de Desenvolvimento Institucional, um plano de de- senvolvimento do ensino. Tivemos um PDI que apresentamos quando da aprovação da universidade, que já venceu, em cinco anos. De bom senso seria que um conselho bom — não o atual — fizesse o seguinte: toda instituição tem que apresentar um novo projeto qüinqüenal. O que é isso? Um projeto dizendo: nos próximos cinco anos farei isso, isso e isso, para que o aluno que entre aqui tenha essa conclusão, que eu garanto institucionalmente. Porque o meu serviço não é um serviço que pode voltar para o forno. Meu serviço é ser humano. Não pode estar na política,nos interesses pessoais e eleitorais.Se eu coloco um ser humano aqui no primeiro ano, tenho que ajudá-lo a atravessar o rio,para ele con- seguir o outro lado do seu desenvolvimento intelectual e profissional. Enquanto a política — a partidária e a ideológica — se envolver na edu- cação, fica essa desgraça. Não pode! Educação é educação. Quando eu ofereço um curso de pós-graduação, tenho que ver quando começa, quando termina e aonde vai, e acompanhar, depois, se o meu resultado foi bom. E não essa droga, que é essa coisa que está sendo feita, com po- lítica demagógica e idiotice. Infelizmente, durante o governo Fernando Henrique, a educação só teve estatística mas não cresceu em nada, só piorou em tudo. E melaram uma LDB que era até razoável — não boa. Se você fizer um estudo jurídico sobre os regulamentos da lei maior, a LDB, nenhum deles complementa a lei, todos modificam. E modificam só por

Porque o meu