3. Theory and existing literature
3.1 Labor Supply
3.1.1 Labor supply decisions
estamos
aplicando um
questionário
socioeconômico
por ocasião da
inscrição no
vestibular.
A pergunta
que mais
me chama a
atenção é:
“O que fez
você escolher
a Uniban para
fazer o vesti-
bular?” Em
média, 65%
das respostas
apontam para
“um amigo
meu que
estuda aqui
me indicou”.
que o aluno que tem um bom serviço, um bom curso, um bom aten- dimento, gosta. Se 65% dos alunos aprovam e indicam, é sinal de que nosso grande canal de marketing é o nosso próprio aluno. Isso para nós é um indicador bastante importante, porque trabalhamos isso ano a ano. Alguns vêm porque viram um outdoor, uma propaganda na rádio, na televisão ou no jornal. Mas a maioria vem porque conhe- ce alguém que estuda aqui.
Qual é o perfil do aluno da Uniban?
Existem diferenças entre os alunos de acordo com os cursos, os turnos ou os campi?
De saída, já posso garantir que o fato de morar perto de uma universidade já é um fator bastante decisivo na escolha do aluno. Nosso aluno vem muito da região onde a escola está inserida. No campus da Zona Norte de São Paulo,por exemplo,80% dos nossos alunos são da Zo- na Norte de São Paulo. No caso de São Bernardo do Campo, 80% são de São Bernardo, alguns são de Santo André, São Caetano ou da Zona Sul de São Paulo — aquele cantinho do Ipiranga. Em Osasco são a mesma coisa: 80% são de lá. Outro dado é que 70% do alunado são do período noturno. Portanto, já se pode concluir que o grande perfil do aluno da Uniban é daquele que trabalha durante o dia para pagar os seus estudos à noite. E esse é um fenômeno que acontece, acho, na grande maioria das escolas privadas de nível superior. Temos um equi- líbrio entre homens e mulheres: na faixa de 52% a 48%, pelas nossas pesquisas de candidatos ao vestibular. Como é um aluno que traba- lha e paga seus estudos, ele tem mais seriedade e quer vir à escola para aprender, para estudar. Ele não vem de grandes colégios parti- culares, de excelentes colégios; muitos vêm da escola estadual, da es- cola pública. Alguns já vêm com uma idade um pouco mais avançada para fazer um curso superior: depois dos 20, 22 anos. Alguns até já vêm com uma faixa etária acima dos 24 ou 25 anos, como é o caso do curso de direito. Já o perfil do aluno da manhã é outro. É aquele alu- no que acorda, toma café da manhã em casa com bastante tranqüili- dade e vem para a escola, às vezes com seu carro. Os alunos dos cur- sos da saúde vêm com o uniforme branquinho. Eles gostam de ter o
status da área da saúde logo no primeiro ano. Vão embora ao meio-
dia, uma hora da tarde, e invariavelmente não trabalham, os pais é que os sustentam. De manhã, é um aluno mais jovem, de 18, 19 anos, no máximo 20. Mas o grande bolo da universidade privada, e no nos- so caso também é assim, é o período noturno.
Quanto à escolha do curso, dá para perceber bem, por exem- plo, que no curso de direito temos tanto filhos de advogados que que- rem fazer direito como profissionais liberais, até alguns que já são formados em curso superior e vêm fazer direito por um aprofunda- mento de conhecimento. A mecatrônica, temos lá no campus do ABC e abrimos agora também no de Osasco. Por que no ABC? Porque é uma região industrial e você percebe que são jovens que já trabalham em algum tipo de indústria, ou de base ou de bens de capital. No caso do curso de turismo, invariavelmente são pessoas que já trabalham na área, ou pelo menos em prestadoras de serviços, que querem investir na carreira porque é uma carreira que está em alta. O turismo no Bra- sil tem bastante futuro, só falta o governo investir um pouco mais em toda essa costa monumental que nós temos aí. Os investimentos es- trangeiros em hotéis, em resorts estão acontecendo cada vez mais. Outro exemplo é o curso de enfermagem, em que quase todos os alu- nos já são auxiliares de enfermagem. É um pessoal de renda mais baixa, às vezes com idade superior a 20 anos — 22, 24, 25 anos —, que está aqui por exigência do próprio hospital, que quer que essas pes- soas tenham o curso superior. Temos 27 cursos de graduação, cada um com sua especificidade. E o aluno de cada curso tem uma carac- terística muito enraizada em relação à sua escolha, muito embora aconteça de ele desistir de um curso, por achar que não era aquilo que queria. No nosso caso, especificamente, temos um índice muito pequeno de alunos que desistem por desencanto com o curso. É mais fácil, às vezes, ele desistir por problema financeiro.
Como a Uniban lida com a questão da inadimplência? A inadimplência, que hoje gira na faixa de 20% a 25%, às ve- zes até 30% em cada mês, se dá mais no período da manhã, propor- cionalmente, do que no período noturno, em que os alunos em sua
maioria trabalham e pagam seus estudos. Às vezes a inadimplência no período da manhã não é por falta do dinheiro, é por esquecimen- to: o pai deixa de pagar, a mãe esquece, ou o filho faz outra coisa com o cheque… Isso pode prejudicar os investimentos da universidade, porque os recursos vêm daí, mas a universidade sempre faz acordos com os alunos, não há nenhum tipo de intransigência. O aluno tem acesso à tesouraria de cada unidade e só pára mesmo de estudar se estiver numa situação irremediável.
E como é conduzida a evasão? Existe um tratamento específico para o aluno que quer sair?
Existe. Para sair da Uniban, o aluno é obrigado a fazer um re- querimento, manifestando seu interesse em deixar a escola. Em se- guida ele é encaminhado ao coordenador do curso, que entrevista o aluno: qual o motivo da saída, se é financeiro, se é pessoal, se é mu- dança… Há casos em que não há o que fazer, como, por exemplo, mu- dança de estado ou desencanto total. Então você é obrigado a aceitar a vontade do aluno. Mas às vezes o coordenador consegue reverter essa intenção: ou o aluno não foi bem esclarecido quando entrou, ou ele pode tentar trocar de curso, se isso for detectado no início… Tem aluno, por exemplo, que ganha R$ 700,00 ou R$ 800,00 por mês e fica desempregado — pode acontecer ao longo do ano. Ele vai pagar uma mensalidade de R$ 450,00 a R$ 500,00? Mesmo sem perder o empre- go, se ele tiver filhos e for casado, é complicado; acaba deixando a esco- la. Mas o aluno que tem um emprego de R$ 700,00 a R$ 800,00, paga R$ 450,00 de escola, morando com a família, com o apoio de pai e mãe, sem pagar aluguel, até se sustenta. Isso acontece muito. E ele não larga o curso porque vão sobrar só R$ 200,00 ou R$ 300,00 no or- çamento dele; ele fica. O coordenador mostra para o aluno que ele não pode deixar de estudar porque vai sobrar pouco dinheiro do sa- lário; ele tem que investir nele. Mesmo havendo esse trabalho de con- tato com o aluno, de entrevista, o índice de evasão da universidade é alto. Não posso considerá-lo baixo porque, para nosso entendimento e nosso bom senso, ele é um pouco alto, girando normalmente na casa dos 12%. Em uma universidade como a nossa, que tem 30 mil