2. Background
2.2 The Pension System in Norway
fessores da
universidade e
os coordenado-
res de cursos
de graduação a
criarem cursos
de especializa-
ção lato sensu
de acordo com
o que o merca-
do está pre-
cisando.
os coordenadores criarem os cursos. E até, às vezes, a profissionais ex- ternos: nada obsta que um profissional de fora da universidade che- gue aqui e proponha um curso de pós-graduação lato sensu, com 360 ou 450 horas, seja o que for, e seja contratado para ser o coordenador do curso. Isso também pode ocorrer. Agora o lato sensu é muito mais fácil, porque a carga horária é bem menor: 360 horas. Às vezes você consegue condensar um curso de um ano e meio em módulos. Mas a universidade procura não seguir modismos. Já houve os modismos dos cursos de pós-graduação lato sensu em psicopedagogia e em di- dática do ensino superior, por exemplo. Eram os chavões há coisa de cinco, seis, sete anos. A nossa também embarcou nisso, acabou fazendo um ou outro. Mas depois nós vimos que não adianta embarcar naqui- lo em que todo mundo está embarcando, porque não é o caminho. O ideal é você identificar nichos de mercado, procurar exatamente aque- las ilhas de excelência empresarial que estejam necessitando de profis- sionais mais bem formados ou mais bem preparados naquele seg- mento e procurar atendê-los — nem que seja para você formar 30 alunos e não abrir mais o curso. Mesmo esses cursos não são cursos que visam a dar lucro; eles visam a especializar para uma determi- nada atividade profissional.
E há uma forte interação com o meio empresarial?
Em algumas áreas, sim. Na área de administração, por exem- plo, temos bons professores com bastante penetração no meio em- presarial; nas áreas da engenharia e da saúde também. Na área do direito, que é o nosso curso mais forte de graduação, ainda não há tanto. Não sei se o meio jurídico é um pouco avesso a esses cursos de especialização e prefere mais um mestrado, um doutorado, escolas mais tradicionais, mas aos poucos a coisa vem acontecendo também.
Essa relação é geralmente mediada por um profissional do corpo docente?
Normalmente é alguém ligado à universidade que traz uma pessoa do meio empresarial com uma necessidade, e a escola acaba investindo nisso. Na região do ABC sempre existem iniciativas de cur-
sos, palestras e seminários. São Bernardo, por exemplo, onde está nosso campus, é uma cidade muito conservadora, quase uma cidade do interior — muito embora seja uma cidade vizinha, um grande bairro de São Paulo. Santo André, São Caetano e Osasco também são cidades conservadoras, mesmo sendo grandes bairros aglutinados nu- ma grande metrópole. Então as pessoas utilizam o espaço e os profis- sionais da universidade para vários fins, e é nesses contatos que as coisas acontecem.
E na área de pesquisa, existe relação da universidade com o setor empresarial, através de demandas tecnológicas, por exemplo?
Infelizmente, o empresariado brasileiro não acredita muito na escola privada, em termos de pesquisa. Se uma grande empresa, uma multinacional, tem um milhão ou dois milhões de dólares para investir numa pesquisa de determinado remédio, num design de de- terminada peça para automóvel, ou num novo composto de borracha do pneu, ela vai procurar as escolas públicas. Eles têm mais confiança numa Unicamp, na USP, numa Unesp, numa federal e às vezes até numa PUC — não na linha empresarial de indústria, que não é o caso da PUC, mas em outros casos, como na linha social, por exemplo — do que numa escola privada. É muito difícil eles procurarem a parceria conosco; normalmente somos nós que procuramos a Fiesp, ou uma empresa porque o dono é ligado a um professor da universidade…
Mesmo pequenas empresas da região?
As pequenas empresas não vêm em busca de pesquisa na área da saúde, de pesquisa na indústria automobilística, na indústria farmacêutica… A indústria de máquinas tem os seus próprios proje- tos em desenvolvimento e busca o know-how lá fora. As pequenas empresas buscam serviços, treinamento, parcerias para programas de recrutamento e seleção.
Infelizmente, o
empresariado
brasileiro não
acredita muito
na escola
privada, em
termos de
pesquisa.
Se uma grande
empresa, uma
multinacional,
tem um milhão
ou dois mi-
lhões de
dólares para
investir numa
pesquisa de
determinado
remédio, num
design de de-
terminada
peça para
automóvel,
ou num novo
composto de
borracha do
pneu, ela vai
procurar as
escolas públicas.
Falamos dos programas de mestrado e dos cursos de especialização. E os cursos seqüenciais?
Não temos. Já discutimos muito os cursos seqüenciais. São cursos previstos pela LDB e já há escolas obtendo autorização do Con- selho Nacional de Educação para fazê-los, lançando-os no mercado. Nós ainda achamos que esses cursos não pegaram no mercado do ensino superior brasileiro. A iniciativa é boa; afinal de contas, você consegue dar ao aluno, em dois anos, um curso superior e uma certi- ficação que permite a ele exercer uma certa atividade profissional. Por outro lado, temos algumas dúvidas relevantes. Por exemplo: há cerca de 20 dias, o Conselho Federal de Nutrição emitiu uma resolu- ção, oriunda do seu conselho pleno, negando o registro a qualquer profissional formado em curso seqüencial de nutrição, por conside- rar que um curso seqüencial não é de graduação, muito embora re- conheça que seja um curso superior. Já tive notícia de que os conse- lhos de odontologia e fisioterapia vão fazer a mesma coisa, bem como o conselho federal da OAB. Então como é que os candidatos aos cursos seqüenciais vão encarar isso? Se você abre um curso seqüen- cial na área de nutrição para formar pessoas que exerçam uma ativi- dade profissional direta num hospital, ou façam avaliação nutricional em alguma clínica, e o órgão de classe baixa uma resolução dessas di- zendo que não vai dar o devido registro… Isso vai afetar o interessado em fazer o curso e pode afetar a universidade que está se dedicando a montar um curso desse tipo. Então, diante desses fatos, nós acha- mos melhor, pelo menos por enquanto, não investir na área dos cursos seqüenciais. Não abandonamos a idéia, apenas estamos com o pé no freio e vendo como o mercado vai se comportar e como as escolas que estão abrindo cursos seqüenciais agora vão se comportar. Soube que, no Nordeste, há escolas fazendo absoluto sucesso com esses cursos seqüenciais. Mas nós preferimos aguardar.4
Em alguns países, o curso seqüencial tem a finalidade de criar uma titulação intermediária que permita ao aluno se preparar melhor para o mercado de trabalho. O argumento do curso seqüencial é: faça um curso superior
4 Em dezembro de 2001, o entrevistado acres- centou a essa questão dos cursos seqüenciais um comentário por es- crito: “Quatro meses após a entrevista, no Edital do Vestibular 2002, publicado em setembro de 2001 no DOU, a Uniban resol- veu oferecer 33 opções de cursos seqüenciais, que foram criados pelo Consepe e homologa- dos pelo Consu da uni- versidade. A iniciativa visou ‘testar’ a deman- da por esses cursos e avaliar sua aceitação. A propaganda foi maciça, com rádio, tv, jornais e
outdoors. Resultado:
por falta de can- didatos, nenhum dos 33 cursos seqüenciais será aberto em 2002, fato que confirma nosso entendimento sobre o tema.”
em dois anos, tenha uma certificação e consiga um emprego. Mas hoje em dia nem quem está se graduando em um curso de quatro, cinco anos está conseguindo emprego, imagina como vai ser com o curso seqüencial! Não se sabe se o mercado está reagindo, se está dando emprego… Como não existe uma consolidação com relação ao curso seqüencial, preferimos ir com o pé no freio nessa questão.
O senhor ressaltou a diferença que existe entre o ensino superior privado e o público com relação à atividade de pesquisa. A seu ver, as instituições públicas e privadas têm vocação diversa?
O tempo mostrou a todos nós, nos últimos 40 anos, o que a estabilidade do funcionalismo público causou nas universidades.Todos querem fazer o mestrado ou o doutorado numa escola pública e, de preferência, vincular-se a ela depois de obtido o diploma. Por quê? Por causa da garantia da estabilidade: o professor tem a sua salinha para pesquisar, o seu laboratório… O modelo de gestão organizacio- nal da escola púbica é muito lento, diferente da escola privada. Na pública é quase uma situação de acomodação: fazemos pesquisa e vamos tentar fazer a melhor pesquisa; o ensino é um detalhe. Mas como você tem professor pesquisando e publicando trabalhos cientí- ficos no mundo, e o aluno em contato com essa produção acadêmica, acabou-se gerando também, na graduação das escolas públicas, um perfil bastante interessante de ensino: é o ensino ligado a quem pro- duz o conhecimento, a quem publica, aos resultados das pesquisas. Muito embora nem sempre esses doutores dêem aula, e sim os assis- tentes. O aluno da escola pública tornou-se acomodado, porque ele não paga para estudar e até engole a situação de ter um professor medalhão, enquanto o assistente é quem dá a aula. Do lado da escola privada, houve também essa situação cômoda de sermos os rejeitados na questão da pesquisa e de ninguém nos procurar para investir em pesquisa porque acham que ela não tem qualidade. Em contrapartida, temos bons professores, que dão excelentes aulas porque cobramos que estejam em sala de aula e que dêem boas aulas ao aluno que paga e vem. O professor é avaliado seriamente; aqui não tem greve e sem-