3. Theory and existing literature
3.2 Labor Demand
no Brasil
cursos que
ensinassem
administração
universitária,
que ensinas-
sem a ser
diretor de
faculdade, que
ensinassem
legislação
do ensino
superior e
tudo sobre
isso.
E quem elabora o projeto pedagógico para cada curso? Vamos continuar no exemplo da fisioterapia. A fisio faz parte da área de ciências biológicas e da saúde, que engloba os outros cur- sos da área da saúde e tem uma diretoria acadêmica. O projeto peda- gógico é elaborado em conjunto pelos coordenadores do curso em cada campus, pela diretoria acadêmica e pelo pró-reitor acadêmico.
Como o senhor vê os principais desafios e as principais perspectivas da Uniban a curto e médio prazos? O que está no horizonte?
O que está no horizonte hoje é o cumprimento das metas que foram estabelecidas quando a universidade foi reconhecida: a ex- pansão dos cursos de graduação, que já foi feita e vai continuar sen- do feita, a adoção de cursos de mestrado, com o passar do tempo, e também de doutorado — os mestrados estão sendo feitos e os douto- rados, com certeza, irão acontecer ao longo do tempo… A Uniban também tinha seu plano de expansão, que já foi cumprido em duas etapas, com a criação dos campi de São Bernardo e Osasco. Temos ain- da a meta dos campi de São Caetano, Santo André, Diadema e Taboão da Serra. E talvez de outras unidades também, no próprio município de São Paulo, sendo que somos uma universidade mais localizada na Zona Norte. São Paulo é uma grande metrópole e ainda comporta instituições de ensino superior na Zona Sul, na Zona Oeste e na Zona Leste. Mas nosso principal objetivo é cumprir o PDI, o Plano de De- senvolvimento Institucional, que foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação na época do reconhecimento e homologado pelo minis- tro. Temos em mente cumprir aquele plano; manter as atividades nos cursos de graduação, expandindo sempre, na medida do possível e do necessário, de acordo com a necessidade social do local onde pre- tendemos abrir; manter também os cursos de pós-graduação e mes- trado que já estão em vigor; dar seqüência aos projetos de pesquisa em desenvolvimento, implantar outros que virão… Enfim, cumprir, basicamente, o papel de uma instituição que veio para ficar. A Uniban não é uma instituição que veio a passeio no mundo universitário. Que- remos nos tornar uma instituição sólida, para que os futuros dirigen-
tes, daqui a 15, 20, 40 ou 50 anos, se lembrem dos primeiros, que acom- panharam o início da universidade, como aqueles que foram os ver- dadeiros desbravadores, os bandeirantes, como o próprio nome diz: Universidade Bandeirante. Essa é a nossa idéia: fazer uma escola sóli- da, com bastante credibilidade, com bastante tradição. E cumprir as metas. Vemos por aí muitas escolas que acabaram ficando no cami- nho, com um número reduzido de alunos ou sem nenhuma expansão, porque não tiveram metas a serem seguidas, objetivos a perseguir. E a nossa escola tem um rumo, ela persegue a meta. Se for necessário, recorre a todos os meios, possíveis e impossíveis, para fazer cumprir e fazer valer os seus direitos de universidade, tentando exercer a au- tonomia universitária, o famoso artigo 207, em sua plenitude .6Essa é a grande filosofia da Uniban, na qual me engajo e à qual me dedico de corpo e alma.
6 De acordo com o artigo 207 da Constituição de 1988, “As universidades gozam de autonomia di- dático-científica, admi- nistrativa e de gestão fi- nanceira e patrimonial, e obedecerão ao princí- pio de indissociabilida- de entre ensino, pes- quisa e extensão”. Ver Brasil. Constituição: Re-
pública Federativa do Brasil. Brasília, Senado
Federal, Centro Gráfico, 1988.
Heitor Pinto Filho
Advogado e professor, foi membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (1979-1982). Diretor do Ceub (1989-1993); reitor e mantenedor da Uniban desde a sua criação, em 1994; é presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas — Anup (2001-2003). Recebeu-nos na Reitoria da Uniban, no dia 30 de maio 2001, para uma entrevista de 2h10m de duração.
Gostaríamos de saber, em primeiro lugar,
como o senhor ingressou no campo da educação, em especial da educação superior.
Na verdade, digo sempre que nasci debaixo de uma carteira, e explicarei o porquê. Depois do governo Getúlio Vargas, em 1947, meu avô Pedro Pinto abriu uma escola chamada Escola Buenos Aires, que atendia ao ensino que hoje é chamado de fundamental e foi a pri- meira escola particular da Zona Norte de São Paulo. Atualmente é o nosso Colégio Salete, abrangendo o ensino fundamental e médio, com 54 anos de existência e com duas unidades, uma em Santana, na Zona Norte, e outra em São Bernardo do Campo. Meu avô nasceu em 1880 e, em 1900, já era professor, podendo continuar a carreira, pois a família tinha condições. A base da família, das quatro gerações, sem- pre foi a Zona Norte. Tudo começou com o comércio situado na rua
Voluntários da Pátria, onde a família tinha lojas de secos e molhados, e meu avô acabou tendo uma fortuna considerável pois uma parte da Vila Guilherme era dele. Cada membro da família teve um rumo diferente: uma das irmãs do meu avô foi para a área literária, outra foi para a área de música, seu irmão, para a indústria e ele mesmo foi para a área docente. Pedro Pinto teve sete filhos e, no legado que dei- xou, cada um tinha sua missão já definida para não haver conflito de interesses. Meu pai, Heitor Pinto, foi o único que optou pela mesma área de meu avô, que passou a ele tudo o que destinava à educação. Ele continuou o legado juntamente com minha mãe, que também era professora, nascera em Granada, na Espanha, e conhecera meu pai na comunidade da Zona Norte. Meus pais tiveram dois filhos, eu e meu irmão, que não participa da educação. Temos uma atividade de shopping e ele cuida do comércio. Pretendo passar a mesma estru- tura do meu avô e do meu pai para meus filhos.
Isso justifica o que falei no começo da entrevista: nós vive- mos educação. Já tentei atividades paralelas, mas não é o meu ramo. O meu caso é mesmo educação, e o segredo é usar razão com doses de emoção; caso contrário você nunca será um educador.
Sou graduado em direito pela PUC; fiz um curso de adminis- tração pública na Getulio Vargas. Depois, por questões de interesse, acabei sendo conselheiro do Conselho Estadual de Educação no pe- ríodo de 1979 a 1982. Paralelamente lecionei no ensino fundamental, médio e superior; tenho 54 anos e desde os 20 anos sou professor. Co- nheço todas as escolas de ensino superior do Brasil, tanto as públicas como as privadas com mais de dez anos de existência — porque hoje há muitas universidades novas. Fui também presidente do sindicato, na época do fundamental e médio.
O senhor começou no colégio que foi de seu avô? Sempre. Dava aula lá e também fui diretor.
No colégio que depois se tornou Padre Antônio Vieira? Não. Esse colégio era de propriedade da nossa família e meu avô acabou doando o prédio para o estado, pois naquela época tinha