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3. Theory and existing literature

3.3 Previous research

mantidas pelo

clero era muito

grande e

continua até

hoje. Por quê?

Pela encíclica,

a missão de

cada ordem

religiosa teve

que mudar, e

os que manti-

nham escolas

acabaram não

tendo mais

padres

vocacionados

para este tipo

de ação.

latras etc. Como mudou toda a orientação dos irmãos carlistas, mu- damos também, de acordo com o objetivo preconizado pela própria doutrina do Vaticano. Não havia como manter isso. E muitos daque- les líderes de educação saíram, foram embora.

Quando o Ceub se formou, ele aproveitou então o potencial dessas instituições.

Exato. Inclusive alguns cursos antigos, de 1962, 1963, dentro desse conjunto administrado pelo clero.

E houve alguma reestruturação mais profunda?

Evidente. Quando passamos a federação, o Conselho Federal exigiu um modelo de estrutura organizacional e nós compusemos a administração dos cursos dentro desse modelo.

O Ceub era então mantido pela Academia Paulista Anchieta, que havia sido criada por ocasião da incorporação daquela primeira unidade, certo?

Isso. Nessa incorporação, houve aquela mudança jurídica grande na instituição. Nós já tínhamos a então Rede Anchieta de En- sino, que eram as escolas de ensino fundamental e médio, com fins lucrativos. Íamos passar tudo para filantropia, então fomos obriga- dos a fazer uma reunião de família e doar todo o patrimônio — tudo exigido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, para que todo o pa- trimônio fosse incorporado sem fins lucrativos.

A instituição tornou-se uma sociedade filantrópica em todos os níveis de atuação?

Aí passamos a todos os níveis. Isso foi um problema sério, porque o patrimônio de origem era muito grande, e uma sociedade dessa, quando você não tem mais seqüência de pai para filho, você é obrigado a doar para o Estado ou para outra do mesmo gênero. Você perde tudo. No governo Fernando Henrique Cardoso houve uma aber- tura, e as instituições que quisessem passar a ser com fins lucrativos tiveram a oportunidade. Tínhamos que fazer um levantamento do

patrimônio e pagar o imposto de renda devido para transformar a universidade em instituição com fins lucrativos. E foi o que fizemos. Hoje somos uma sociedade civil limitada sujeita a todo tipo de tribu- tação, não temos direito a importar, não temos benefício nenhum e somos uma empresa altamente fiscalizada, com fiscalização de im- posto de renda praticamente a cada dois anos, INSS… A instituição é muito visada, até pela transformação. Poucas instituições se transformaram em “com fins lucrativos”, acho que só umas 12. De universidade, acredito que somos a única sociedade civil limitada que não tem benefício fiscal. As demais continuam com a benesse de não pagarem nada.

Como foi o crescimento do Ceub e a sua transformação em Uniban? Quais eram as estratégias e os recursos para a instituição se expandir para novas áreas, por exemplo? Era oportunidade; não havia uma estratégia dirigida para isso. Antes de nos transformarmos em universidade, durante o go- verno Sarney se não me engano, havia um limite para se entrar com os projetos de universidade: quem não entrasse até determinado prazo não poderia mais. Muitos arrumaram o seu negócio para en- trar com os projetos, e outros diziam:“Nunca vou entrar.” Havia aquela idéia de que perderiam o patrimônio.“Mas tem que entregar o patri- mônio!” Como já tínhamos entregue, acabamos entrando.

A tramitação dos pedidos no Conselho Federal era muito de- morada. Para se ter uma idéia, tivemos um curso que demorou seis anos para ser aprovado. Foi a minha conselheira Margarida Leal quem me deu a universidade.8Ela era do Maranhão, foi conselheira federal durante pouco tempo e veio a falecer. Se tiverem oportunidade, in- vestiguem a vida dessa mulher para verem a miséria total em que vi- veu. Ela ficou dois, três anos nesse processo e foi a relatora do parecer. Na verdade, eram dois anos de acompanhamento, depois do projeto aprovado, e o encaminhamento era feito um ano antes. Havia uma comissão que verificava o projeto e depois nomeava o acompanha- mento. Depois disso, ela ficou mais dois anos e meio.

8 Margarida Maria do Rê- go Barros Pires Leal foi presidente da Co- missão Temporária de Universidades do Mi- nistério da Educação e relatora do processo de reconhecimento da Universidade Bandei- rante de São Paulo.

O acompanhamento da professora Margarida era feito em que direção?

Primeiro, desenvolvimento humano, capacitação docente; de- pois, projeto pedagógico esclarecido para início, meio e fim dos cur- sos; em seguida, verificação da densidade e da necessidade social de cada curso. Esse acompanhamento foi feito por outras pessoas, como o Gastão de Bauru — José Alberto de Sousa Freitas, superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o “centrinho” de Bauru — e Ana Sílvia Tavares Silva, também do Maranhão. Eles nos acompanharam durante dois anos e meio, com visitas semanais. A Margarida foi a mentora intelectual do projeto Uniban. Até então, eu era educador fundamental e médio, e já tinha até faculdades isola- das, mas ela montou o projeto e eu aprendi muito. Não só eu como o grupo todo. Tenho funcionários aqui de 40 anos, que eram do meu avô e se aposentaram e ficaram comigo…

O senhor acentua bastante a vocação da Uniban na Zona Norte. Gostaria de lhe perguntar isso: a que demanda ela atende? Ela tem uma vocação regional, ou isso não se caracteriza dessa maneira?

Zona Norte porque foi a base da família. Como já disse ante- riormente, meu avô teve uma projeção muito grande na história da Zona Norte. E São Bernardo, por causa da família da minha mãe. Mas São Bernardo, estrategicamente, não tem a formação cultural que tem a Zona Norte, porque aqui era capital. O projeto lá era bem maior, porque compramos o prédio da Ford e, com apoio deles, nos consoli- damos. E por que Osasco? Porque no nosso PDI, Plano de Desenvolvi- mento Institucional, já constava essa área.

Neste ano, vamos abrir uma escola no Morumbi e uma escola em Santo André — duas novas unidades —, assim que sair a minha liminar obtendo a decisão. Nossa missão era abrir em São Caetano, que não vamos conseguir neste ano. Inclusive, isso já era missão da Margarida à qual só estou dando continuidade. Por que vou abrir na Zona Sul? Preciso ficar do lado da USP para ter acesso a certas coisas. A Zona Norte de São Paulo é muito discriminada intelectualmente,

A tramitação