2 Demokratiteori
2.1 Lijphart
2.1.1 Valgsystem
2.2.2.1 Conceito de religião e religiosidade
Sob o viés antropológico, Sanches (2004, p. 39) em seu estudo da Bioética, procurou diferenciar religiosidade e religião, para tal, lançou mão dos conceitos de Paul Tillich (1988), que a religião é um “grupo social com símbolos de pensamentos e ações”. A religiosidade ou o ser religioso seria “estar intimamente vinculado”, isto é, estar ligado ao sentido da existência e querer compreender o estado de ser. Amatuzzi (2001), também relaciona o senso religioso, ou religiosidade com as indagações e posições pessoais. Entretanto, no Dicionário das Religiões de Hinnells (1984), entre as definições sobre religiosidade, a que melhor contempla este estudo foi o reconhecimento humano do poder sobrenatural.
O tema da “Espiritualidade e religiosidade” é de interesse das ciências da saúde, embora não existe um consenso sobre os conceitos de religiosidade e espiritualidade. No Dicionário das Religiões (SCHLESINGER e PORTO, 1995) é apresentado três significados etimológicos da palavra de origem latina religião: religere (re-escolher)- é o sentido dado pela Teologia (saber em si); religare (re- ligar)-é o sentido dado pela Antropologia (saber em relação); relegere (re-ler)- é o sentido dado pela Fenomenologia Religiosa (saber de si); o segundo - spiritus, significando o sopro de vida e referindo-se a esta efêmera passagem, incluindo gratidão por ela, com consciência de uma dimensão de transcendência (NEGREIROS, 2003).
A partir da etimologia das duas palavras, Negreiros (2003) entende que religiosidade está mais harmônica com comportamentos e atitudes, crenças, rituais e conhecimentos do que o desenvolvimento de uma relação com o sagrado. E nisto
Espíndula (2009), concorda, ou seja, que a religiosidade envolve devoções aos santos, o sagrado e desejos humanos, que sente a necessidade de ter a ajuda do Transcendente para os seus problemas. Já a espiritualidade envolveria dimensões separadas de comportamentos e crenças religiosas em si, embora seja a capacidade de relacionar-se consigo mesmo, com os demais e com o Ser superior. Esses autores admitem que tanto a religiosidade quanto a espiritualidade está presente nas experiências de fé, esperança e transcendência.
Hill e Pargament (2003) verificaram que aqueles que se sentem seguros com Deus têm níveis mais baixos de estresse psicológico e solidão, menos depressão, maior autoestima, maior maturidade relacional, e maior competência psicossocial.
Elias (2001) fala da aderência aos ritos e às crenças que são mais intensas em grupos cujas vidas estão mais fragilizadas, com perigos presentes e inesperados. Nos mais idosos, seria um modo de encarar as dores advindas da fragilidade, em decorrência das perdas biológicas, sociais, tornando-se vulneráveis às mazelas da vida, além de vencer as incertezas da transcendência da morte cada vez mais próxima. Koenig et al. (1998) definem o uso de crenças e comportamentos religiosos para facilitar a resolução de problemas e prevenir ou aliviar consequências emocionais negativas de situações de vida estressantes.
Na questão da saúde mental e a religiosidade estudiosos como Trevino e Pargament (2008) partem do tema da espiritualidade que historicamente tem sido amplamente desconectado do tratamento de saúde mental. No entanto, evidências recentes sugerem que os pacientes desejam uma maior atenção à espiritualidade na psicoterapia. O médico pode considerar apoiar as crenças religiosas do paciente, que ajuda no enfrentamento. Pacientes religiosos, cujas crenças, muitas vezes formam o núcleo do seu sistema de sentido, quase sempre apreciam a sensibilidade do médico para com estas questões (KOENIG, 2000).
A religião pode ser um dos fatores mais importantes na vida de uma pessoa idosa no sentido de ajustá-la ao processo de envelhecer e prepará-la para enfrentar as situações adversas. Vários autores demonstram que a religiosidade/espiritualidade aumenta com a idade, conforme os relatos de Goldstein;
Néri (2003); Sommerhalder; Goldestein (2006). No Brasil os indicadores do IBGE confirmam que as crenças e a fé ocupam a vida dos idosos mais do que dos jovens, ou em qualquer outra fase de suas vidas, assim como fator protetor exercido pela fé na última fase da vida.
Em uma análise sobre o sentido da vida, Freire e Resende (2001) relatam que estudos feitos por Debats em adultos jovens, as categoria de relacionamento e vida profissional, foram as mais relevantes, sendo que a categoria que mostrou menor frequência foi a de crenças religiosas. No entanto, estes pesquisadores interessados na velhice apontaram a religião, a espiritualidade e a transcendência como fontes de sentido para os idosos. A espiritualidade tornou-se um poderoso aporte para desafios, frustrações e sofrimento, além de melhorar consideravelmente a saúde e a qualidade de vida dos idosos. Aprofundaremos esta discussão no tópico a seguir.
2.2.3.2 Religião e a pessoa idosa
Ao relacionar espiritualidade e pessoa idosa, Bianchi (1991) faz a conexão entre a progressão da idade e a finitude da vida, com maior discernimento e compromisso. Sommerhalder e Goldstein (2006) trazem reflexões sobre a subjetividade do significado da articulação espiritualidade, religiosidade e envelhecimento, colocando que esse tema tem merecido atenção, tanto da psicologia, quanto da medicina, no que tange os eventos na recuperação de doenças graves ou no enfrentamento de intervenções clínicas.
Um dos maiores especialistas em Religiosidade e Espiritualidade Dr. Koening (2004), diz que a crença religiosa é prevalente e aumenta progressivamente com a idade. A maioria dos pacientes com problemas de saúde grave ou crônica são mais velho, e muitos são religiosos.
Com objetivo de investigar a frequência do uso da religião como enfrentamento religioso em paciente idosos com sintomas depressivos, Koenig et al. (1992) avaliaram 850 homens em idade entre 65 anos ou mais e verificou que um
em cada cinco pacientes, há o relato de que o pensamento religioso ou atividades foram as mais importantes estratégias usada para lidar com a doença.
O efeito das crenças religiosas foi analisado por Koenig, George e Peterson (1998) em uma pesquisa com 87 pacientes, com 60 anos ou mais, admitida em serviços de internação médicas em um centro médico universitário com sintomas depressivos. A religiosidade intrínseca4 foi significativa e independentemente relacionada ao tempo de remissão da depressão. Os pacientes com elevada religiosidade foram os que mais tiveram remissão rápida (média de 30 semanas) em relação aos que foram privados da experiência religiosa (média 47 semanas).
Cole e Pargament (1999) ao desenvolverem o programa de psicoterapia “Re- Criando Sua Vida: durante e depois de Câncer”, verificaram que os pacientes oncológicos que lutam com as preocupações existenciais relacionadas ao controle da doença, e que são espiritualmente orientadas, são mais susceptíveis ás questões religiosas e espirituais, e descobriram a importância da religiosidade como recurso no enfrentamento.
Septhon et al. (2001) realizaram um estudo randomizado entre mulheres com câncer de mama pra mensurar a correlação de espiritualidade e do funcionamento do sistema imunológico5, chegaram a um coeficiente de correlação estatístico e
significativamente positivo na avaliação das pacientes que expressam a sua espiritualidade e a frequência de participação nas reuniões religiosas. Como resultado final houve um aumento maior no número total de linfócitos6 no organismo.
As crenças espirituais e religiosas podem ser associadas como força protetora contra a depressão, desamparo, finitude, morte e condições adversas, pois essas crenças podem também ajudar o indivíduo a dar sentido à vida na doença terminal, atuando no sistema imunitário e reduzindo a carga emocional e o medo da morte.
4 É a principal força motivadora da pessoa.
5 Tem a função de proteger contra agentes que podem causar doenças por meio de uma ação
coordenada entre células e moléculas.
6
Portanto, a partir de todos estes estudos, podemos considerar a religiosidade como um fator de proteção? É esta a questão problema da presente pesquisa.
3 OBJETIVOS